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Posts de abril 2009

Duas coisas irreversíveis

30 de abril de 2009 3

 

Na vida, existem apenas duas coisa verdadeiramente irreversíveis: a morte e  o conhecimento. O que se sabe, não se pode deixar de saber, a inocência, não se perde duas vezes.

                                             Rosa Montero, Histórias de Mujeres

 

Postado por ana mariano

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Drogas e criação

28 de abril de 2009 5

Durante 42 anos, eu fui fumante. Não pesada, quando fumei mais eram 10 cigarros por dia. Nos últimos anos, e isso parece que tenho em comum com o Chico Buarque, reduzi para 5. Meu clínico, que é também cardiologista, disse que meu pecado não era tão grave. Mesmo assim, resolvi parar. Não fumo há 7 meses. Pode ser que me engane, mas acho que não volto a fumar. Estou orgulhosa demais.
Uma das razões pelas quais eu hesitava tanto em parar de fumar é que fumar me ajudava a pensar, ou pelo menos eu assim achava. Meu outro médico, agora aposentado, também ex-fumante, me dizia : o pior é que a senhora tem razão ( ele era formal, me chamava de doutora), a nicotina estimula mesmo o cérebro. Bom, de qualquer forma, parei e a conclusão a qual cheguei é que, quando o poema tranca , um cigarrinho é bom mas não é essencial. Um poema será bom ou ruim conforme eu o seja,  com ou sem cigarro.
Mas isso é apenas a introdução.
Quero conversar hoje é sobre um artigo que saiu no El País aqui do Uruguai . O título é La Creación, sin auxílios e trata, de maneira admiravelmente  franca, sem frescura, justamente a questão de se as drogas, sejam elas quais forem, ajudam ou não na criação.
Começa assim – As drogas e o álcool talvez incentivem a criação de um artista e que seu trabalho se transforme numa obra prima. Por outro lado, em alguns músicos, o consumo de substancias pode levar a que realizem uma verdadeira porcaria.
A partir desse começo Martin Cajal, o autor do artigo, dá exemplos de discos fundamentais ( The Pipers and The Gates of Dawn,  Pink Floyd e Sgts. Peppers Lonely Hearts Club Bando dos Beatles ) feitos, evidentemente, sob o efeito das drogas ao mesmo tempo que cita outros que chama de ásperos , aburridos e inacessibles ( Metal Machine Music, de Lou Reed) e que saíram desse jeito talvez também em razão das drogas.
Eu não entendo de rock, o que posso dizer é que a ausência ou a presença dos meus 5 cigarrinhos não fez diferença em meus textos ou poemas.
O artigo termina com um depoimento muito engraçado de Max Capote: Meu primeiro disco, Grandes Èxitos, compus totalmente narcotizado com Lorazepan, o segundo, Chicle, não. Ainda que no segundo me agarrei ao costume de beber litros de iogurte. O que recomendo é que antes de compor ou gravar, tomes muita água até que estejas com a boca totalmente úmida e mijando a todo momento. Aqui no estúdio, o que mais vejo é gente drogada que, no dia seguinte, apaga tudo o que gravou no anterior. Aconteceu um milhão de vezes. Outra coisa que recomendo é estar excitado sexualmente, isso inspira, te põe ansioso, sempre é bom ter no estúdio uma foto de uma boa bunda ou de um par de seios. Es um tema cosmogónico, conclui.
 Ou seja, desde os gregos, a melhor inspiração é o bom e velho Eros.


 

Postado por ana mariano

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De colégio Secundário

20 de abril de 2009 4

Maria Luiza, uma amiga que vejo bem menos do que gostaria, manda esse poema de  Carlos Casellas, poeta argentino que eu não conhecia. Olhem como é bonita a passagem das memórias para a saudade .

 

Con rimas de colegio secundario,
te acuerdas, te subía la pollera,
las trenzas del amor bibliotecario,
los besos al final de la escalera;
El patio de baldosas, la portera,
el Eufrates y el Tigris del estuario,
faraones que sueñan con rameras,
la vida que no cabe en diccionarios.
Y el beso del recreo de las nueve
y apuremos el paso por que llueve
y el domingo a la hora de la misa;
Y a morirnos de amor y de tristeza
y a quemar los secretos en la pieza
y a soplar en el viento las cenizas.

Postado por ana mariano

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A dúvida

10 de abril de 2009 5

A dúvida

 

Ontem fui assistir A dúvida, aquele filme com a Meryl Streep e várias indicações para o Oscar. Por nada, puro preconceito, fui, confesso, com poucas expectativas. Achei que seria um filme lento, pesado, escuro, sem uma grande história. Que repetiria de um jeito americanizado, Almodóvar. Enganei- me redondamente. De escuro só os hábitos. É um filme muito bom. Mais uma vez aprendi que opinião sem informação não está com nada. Se tivesse lido o que a imprensa publicou, saberia que a o roteiro só poderia ser bom, é baseado numa peça teatral que recebeu o premio Pulitzer. Meryl Streep, está fantástica ( embora eu não concorde com a maneira como a mostram no final, preferiria algo mais sutil). Durante parte do filme, ela nos faz acreditar numa personagem e depois, no diálogo com Viola Davis, a mãe do menino negro que estaria sendo molestado pelo padre, desconstroi o primeiro personagem e nos mostra outra pessoa. Uma grande interpretação, tanto mais difícil porque destoante. Viola Davis, aparece no filme uns 10 minutos e, nesses 10 minutos, justifica plenamente sua indicação para melhor atriz coadjuvante. A conversa dela com a freira ( Meryl Streep) é , na minha opinião, o centro de tudo: seja pelas interpretações das duas atrizes, seja pelo “pulo do gato” que faz o diferencial da história, aquilo que a fez ganhar, como peça de teatro, o prêmio Pulitzer e receber, como filme, a indicação de melhor roteiro adaptado. Uma pena eu não poder discutir com vocês sobre o que é mostrado nesses 10 minutos. Alguns, com certeza, ainda não viram o filme e não quero estragar a história. Vão ver, depois conversamos. Tomara que gostem, afinal, gosto é gosto e não se discute.

Postado por ana mariano

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Para não sermos apenas teimosos

06 de abril de 2009 5

A partir da afirmação de que as pessoas estariam cada vez mais buscando informações na internet, em detrimento dos jornais televisivos ou escritos, Nicholas Kristof, do New York Times, proclama a morte dos jornais impressos e sustenta que estamos cada vez mais tendenciosos, preconceituosos, fechados em nós mesmos  e em nossas opiniões.
Quando navegamos online, cada um de nós é seu próprio editor, o guardião de sua própria entrada.  Selecionamos o tipo de notícias e opiniões de que mais gostamos, afirma Nicholas.
Ele se detém mais no aspecto político: quem é democrata o será eternamente pois não lerá sobre pontos de vista  dos republicanos e vice-versa, o que pode ser adaptado aqui para, quem é do PT o será eternamente pois não lerá etc…
Exageros à parte, ele tem uma certa  razão.
Digo uma certa porque a tendência a ser seletiva não existe apenas na internet.
Online, é evidente, vou direto ao que me interessa,  mas, até quando leio jornal impresso procuro por meus assuntos prediletos, leio certas colunas, deixo outras de lado.
Tirando o meu irmão, que lê jornal de cabo a rabo, todas as pessoas que conheço fazem assim:  editam o seu próprio jornal dentro do jornal, mesmo impresso.
No entanto, é verdade: sem querer passamos os olhos sobre o todo e, porque está ali, em nossas mãos,  terminamos por ler o que não buscávamos no início.
Isso, porém, acontece também na internet. Quantas vezes entramos para pesquisarmos um assunto e terminamos em outro,paralelo.
O que me chamou mais a atenção no artigo é a afirmação sobre a necessidade de sairmos da mesmice, de buscarmos  o oposto, as diferenças. 
Meu pai, embora não  fosse comunista lia tudo sobre. Se o DOPS entrasse em nossa casa e visse sua biblioteca, certamente o prenderia.
Sábio pai.
Só podemos, de forma consciente, continuar a  ser quem somos se lermos e entendermos os argumentos dos que não pensam como nós.
De outra forma, seremos apenas teimosos.

Postado por ana mariano

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El Bulli

03 de abril de 2009 10

O espanhol Ferrán Adrià do restaurante El Bulli foi eleito o chef do ano pelo Culinary Institute of America, nos Estados Unidos.
Mesmo para os que não se ligam muito em culinária, esse restaurante, é especial.
Fica há poucas horas de Barcelona, abre por 5 meses apenas, durante o verão europeu, e tem uma lista de espera de milhões de pessoas.
Como são poucos meses e poucas mesas, para cada 100.000 pessoa que tenta obter reserva apenas duas conseguem.
Uma amiga minha conseguiu, e me contou a maratona.
Marcado o dia para a abertura dos pedidos de reservas, igual aos livros de Harry Potter, cria-se uma longa fila . Há até um site onde são trocadas dicas de como conseguir mesa.
Quando mandou o primeiro e.mail, minha amiga recebeu um não.
Como esse é o tipo de resposta que detesta receber, insistiu durante todo um ano. Por fim, junto com um talvez, recebeu uma pergunta: quando vocês pretendem vir à Europa?
Quando vocês marcarem, foi a resposta dela. Vamos do Brasil até a Europa apenas para conhecer El Bulli.
Além dessa, não sei  que outras manobras sedutoras ela usou pela internet mas, passado um ano, recebeu um e.mail dizendo que dia tal estaria disponível uma mesa e perguntando se havia alguma restrição alimentar.
Segundo ela, a experiência foi inesquecível. O restaurante é confortável, claro, mas não luxuoso em demasia. O foco é na comida. O chef procura agradar todos os sentidos: visão, paladar, tato, audição e olfato. Há pratos que são servidos pelo ” barulho” que fazem. Outros pelo cheiro.
Entre um prato e outro, por exemplo, o garçon trouxe à mesa uma espécie de “balão” que cortou com uma tesoura. Dentro, perfume de flor de laranjeira….

Postado por ana mariano

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