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Posts de maio 2009

Sarau na Puc

26 de maio de 2009 3

Hoje, a convite de Charles Kiefer, vou estar no prédio 8, sala 305 da Puc conversando sobre poesia. Vai ser algo bem descontraído, gostaria muito de ver vocês por lá. Posso dizer, sem modéstia, que vai estar muito bom, não por mim, a mim vocês já conhecem bem e não tem muita novidade, sou isso aí, mas pela Sofia Salvatori, que é uma atriz fantástica. Dirigida pela Margarida Leoni Peixoto  que é tão minha amiga que achou hora mesmo estando envolvida até o cocoruto com os ensaios do Banquete  de Platão, dirigido por Luciano Alabarse que estréia dia 4 de junho, mas, dirigida pela Margarida, Sofia vai dizer muitos dos meus poemas, tanto do  Olhos de Cadela quanto do livro ainda inédito. Ela é tão maravilhosa, diz tão bem cada palavra, transmite tão perfeitamente cada idéia e sentimento que nem eu mesma reconheço meus poemas. Vale a pena conferir.

Hoje, dia 26 de maio, das 18 às 19 horas,  no prédio 8 da Puc, sala 305.

Postado por ana mariano

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Por que os poetas calam?

24 de maio de 2009 3

Não sei bem porque os poetas calam. Talvez porque fazer poema não seja uma tarefa nem fácil nem prolixa, exige tempo, por vezes, anos. 
O Affonso Romano de Sant`Anna diz, num poema,  mais ou menos assim -  por que estou aqui, com 50 anos, e ainda espremendo os miolos atrás de um novo poema ( depois pego o verso literal e coloco aqui, mas a idéia é essa) .
Do nosso Armindo Trevisan, tenho visto livros de arte ( maravilhosos) mas gostaria muito de ler um novo livro de poemas. Uma vez ele me disse que demora muito para escrever, que um de seus poemas demorou 10 anos para que o considerasse pronto.
Respeito e admiro o cuidado, mas olhem só se não é para pedir : mais um, mais um…

Elegia do Alfafal

Na tua cintura as cordas se retesam.
E te fazem vibrar como uma teia
de aço a resplender no céu após a noite.
Junto ao alfafal, rumores,
apinhados como focinhos entre flores.
De cima abaixo
és uma porta, cujos gonzos rangeram,
e deixam cruzar ao longo de corredores
uivos de magnólias. Emites
uma fosforescência de raiz
com pérolas de resina sobre o dorso.
Quem não apreciará tua calmaria
de barco que esqueceu a ventania?
O assobio ainda te afina as veias.
Mas à medida que teus seios arfam
ao pé de outra noite mais comprida,
volta um rebanho de dentes e te inflamas,
e te inflas, e és agora,
mais do qeu nunca, uma braçada de quadris,
um relincho de água que não foi embora.
                                                     Armindo Trevisan

Postado por ana mariano

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Domingo, by João

22 de maio de 2009 5

João tem 7 anos e esse olhar detalhista de poeta. 

Domingo, aqui em casa, segundo João.

Postado por ana mariano

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Adeus, Mario

20 de maio de 2009 3

Etcétera

Mis versos grises son maniobras
para encontrar-me sin escándalo
para extraer
de lo que he sido
de esos escombros que comprendo
de esa tristeza en compañia
un vaticinio sin soberba

mis versos grises son preguntas
tiros al aire
contraolvidos
bordes de historia que son huesos
besos de lluvia y poco oficio
insomnios cuerdos como nunca

ah pero afortunadamente
mis versos no son siempre grises
los hay azules verdes rojos
etcétera

                                      Mario Benedetti ( 1920 – 2009)

Postado por ana mariano

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Saravá, amém

19 de maio de 2009 4

Numa de suas canções, Drexler diz– o véu semitransparente do desassossego se veio meter entre o mundo e meus olhos.
No meu caso, não foi o desassossego – quem dera fosse, o desassossego é criativo.
No meu caso, o que se meteu sem ser chamado em frente aos meus olhos e me fez ficar tanto tempo sem escrever, nem livro, nem blog nem nada foi o véu tristonho, seco, cinzento da rotina. Esse manto de pequenas miçangas opacas  que faz um pedaço da gente ( a melhor parte) ir dormir e  torna o mundo exato e sem vida onde uma pedra é só uma pedra, um rio é apenas água entre duas margens sem nada que nos leve à uma terceira margem possível e misteriosa.
Numa espécie de exorcismo, um ritual para cortar o tal véu em pedacinhos -  trago um poema de  amor  de Octávio Paz .
Xô rotina, sai de mim, saravá, amém…

Corpo à vista

E as sombras se abriram outra vez e mostraram um corpo:
teu cabelo, outono espesso, queda de água solar,
tua boca e a branca disciplina dos dentes canibais, prisioneiros em chamas,
tua pele de pão apenas dourado
e teus olhos de açúcar queimado,
lugares onde o tempo não transcorre,
vales que só os meus lábios conhecem,
desfiladeiro da lua que ascende a tua garganta por entre os seios,
cascata petrificada na nuca,
alta planície de teu ventre,
praia sem fim das tuas costas.

Teus olhos são os olhos fixos do tigre
e um minuto depois são os olhos úmidos do cão.

Sempre há abelhas em teus cabelos.

Tua espádua flui tranqüila debaixo de meus olhos
como a espádua do rio à luz do incêndio.

Águas adormecidas golpeiam dia e noite a tua cintura de argila
e em tuas costas, imensas como os areais da lua,
o vento sopra por minha boca e seu largo queixume cobre com duas asas cinzas
a noite dos corpos.

As unhas de teus pés estão feitas de cristais de verão.

Entre as tuas pernas há um poço de água dormida,
baía onde o mar se aquieta à noite, negro cavalo de espuma
caverna ao pé da montanha que esconde um tesouro
boca do forno onde se fazem as hóstias
lábios sorridentes, entreabertos e atrozes
núpcias da luz e da sombra, do visível e do invisível
( ali a carne espera a sua ressurreição e o dia da vida eterna)

Pátria de sangue
única terra que conheço e me conhece
única pátria em que creio
única porta ao infinito.

       Octávio Paz

Postado por ana mariano

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Ás vezes, um charuto é apenas um charuto

11 de maio de 2009 9

Abro as cortinas  sempre um pouco antes das 7. Na praia, em frente, há, todos os dias, um cachorro, um vira-lata,  tomando banho de mar.

É uma delícia vê-lo  latindo para as ondas, correndo em disparada de um lado para outro, entrando no mar, saindo , sempre sozinho, sem nenhum dono que o incentive, que jogue um pauzinho ou uma bola para que ele “vá buscar”.

Ontem, trouxe um amigo, um pretinho peludo. Esse, é mais introspectivo. Não late, fica cheirando a areia, olha desconfiado para o mar. Mas é simpático.

Lá pelas  8, ele desaparece, precisa, como todos nós,  “ganhar a vida”, conseguir o de comer. Na manhã seguinte, junto com o sol, ele estará de volta.  

Por que falei sobre isso? Não tenho a menor idéia. Não há, por detrás do que escrevi,  nenhuma mensagem consciente, rasa ou profunda de auto-ajuda. Acho que só quis contar.

Como dizia Freud, às vezes, um charuto é apenas um charuto, ou seja, às vezes o que falamos é só o que falamos , sem  segundas intenções ( embora, pensando bem… sei lá… liberdade talvez? humm… talvez…).    

 

Postado por ana mariano

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Um poema de Cortázar

09 de maio de 2009 5

Save it, pretty mama

Sálva-lo, mamita,
sálvame tantas noches de naufragio
salva tu blusa azul ( era en enero, en Roma)
sálvalo todo, o salva lo que puedas.

Esto se viene abajo, pretty mama,
sálvalo del olvido, no permitas
que se llueva la casa, que se borre
la trattoría de Giovanni,
corre por mi por ti, sálvalo ahora,
te estás yendo y los pássaros se mueren,
me voy de ti te vas de mi, no hay tiempo,
sálvalo pretty mama,
la voz de Satchmo y ese grito
que te sumía en lo más hondo del amor,
save it all for me,
save it all for you
save it all for us,

aunque no salves nada, sálvalo mamita.

Por supuesto la traducción de to save no es correcta, aunque perfectamente justa como suele e debe suceder en las buenas traducciones.
                                                                                     Julio Cortázar

Postado por ana mariano

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Send in the clowns

07 de maio de 2009 5

Ainda não consegui ouvir todas as músicas que meu filho gravou no meu i.pod. Vou descobrindo aos poucos. Hoje, enquanto caminhava, ouvi uma da qual gosto muito e não lembrava mais. Foi escrita por Sondheim para uma peça da Broadway chamada A Little Night Music, chama-se Send in the clowns, Mande entrar os palhaços. O título é uma metáfora. A música trata do fim de um relacionamento de muitos anos e a frase, mande entrar os palhaços, se refere a quando os palhaços entram marcando o final de cada ato num circo. Foi escrita para ser cantada por uma mulher, mas eu acho mais forte cantada por voz masculina. Quem me apresentou a ela foi um amigo lá por 2002. A versão que ele gravou o CD que me deu é maravilhosa, cantada por Van Morrison com Chet Baket no trompete. Tentei encontrar no You Tube mas havia sido retirada pelo próprio Van. Para minha surpresa, encontrei uma gravação também maravilhosa feita pelo Renato Russo. Escutem só. PS – eu dispensaria o balé, mas é questão de gosto.

Postado por ana mariano

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La elegida

06 de maio de 2009 2

Ontem fui ver La Elegida, nome que tomou aqui o filme baseado no romance do Philip Roth- Animal Agonizante. Não sei porque bloqueei que já o havia visto. Alguma parte de mim devia estar dizendo – vai de novo, não prestaste atenção.
Não foi ruim ver duas vezes, o filme é bom embora eu não tenha gostado de  Ben Kingsley no papel do professor. Na minha opinião ele dá mais para Gandhi que para um homem obcecado pelo sexo e pela finitude do sexo.  Anthony Hopkins teria sido bem melhor (  o que seria do azul se todos gostassem do amarelo…)
Sobre o livro já comentei aqui num outro dia. Como o filme é relativamente antigo, passou há algum tempo no Brasil, acho que os que o queriam ver já o viram, assim posso falar.
Além, é claro, de mostrar toda a tragédia humana da morte e da velhice, uma constante nos últimos livros de Roth, o que o filme mostra muito bem é como o amor não basta por si mesmo, depende sempre de outras muitas variantes para poder acontecer.
Na história do filme, o que o impediu de acontecer:  medo de criar vínculos e orgulho.
O que tu queres de mim? ela perguntava. E ele, embora apaixonado, não conseguia dizer, que sejas minha, porque, para ele, comprometer-se com outra mulher seria internar-se por vontade própria em uma nova prisão ( era separado).
Além do medo, havia também o orgulho de quem pensa que a vida não pode trazer surpresas. Mais velho 30 anos, chegaria o dia em que ela não o quereria mais. Então por que começar? , ele pensava.
Mas  a vida não é de ninguém, de papel passado e compromisso. Co
mo diziam os gregos, até que chegue o último dia, não se pode dizer que um homem foi feliz.  Não se pode adivinhar a vida. No final, não é a ele, o mais velho, que a morte escolhe.
Por medo e orgulho, perderam anos possíveis de felicidade.
A humanidade, como dizia a minha avó do alto da sua beleza, além de feia, é muito complicada.

Postado por ana mariano

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Tomara

04 de maio de 2009 6

Postado por ana mariano

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