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Posts de junho 2009

A dor oculta

28 de junho de 2009 8

Para os que não sabem, Oswaldo Giacoia Jr. é professor de filosofia na Universidade Estadual de Campinas e um conferencista maravilhoso, daqueles de aplaudir em pé. Tive o enorme prazer de ouvi-lo falar sobre Nietzsche em dois dos festivais de inverno organizados pela Secretaria Municipal de Cultura  ( aliás, este ano vai haver? Alguém sabe? ) .
Giacoia, claro, não tem idéia de quem seja a Ana Mariano, mas talvez lembre que aqui em Porto Alegre existe uma  versão feminina do beijoqueiro. Fico tão entusiasmada  que, ao final das conferencias, sempre o beijo e só não grito LINDO! primeiro porque ele não é, e, segundo , porque, na minha idade, eu me dou o respeito.
Mas num artigo  publicado na Folha de domingo, dia 14, Giacoia compara a forma  como franceses e brasileiros trataram o luto no caso da queda do vôo da Air France.
Os franceses mais comedidos, cartesianos.  Os brasileiros mais emocionais.
Para brasileiro, diz Giacoia, forma de sentir a dor e o luto prende-se menos ao conceito ( razão) e mais à intuição. 
Citando Nietzsche: o homem intuitivo é tão irracional no sofrimento quanto na felicidade,  nada o consola.
O estóico, que se governa pela razão, é, na infelicidade, a obra- prima  do disfarce: não traz um rosto humano, palpitante e móvel, mas sim uma máscara de digno equilíbrio.
Fiquei pensando nos velórios a que assisti no  meu tempo de menina: quanto mais simples a família, mais emoção, grito e choro havia.
Minha mãe ( que, aliás, tinha pai francês) sempre nos incutiu um comportamento absolutamente cartesiano ou, pelo menos, discretíssimo.
Quando meu pai morreu, eu, uma menina de 17 anos, fui uma obra prima de disfarce. Chorei escondido.
Não sei, sinceramente, se isso foi bom ou ruim.

Postado por ana mariano

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Velhice é...

26 de junho de 2009 10

 Há alguns anos ( muitos, na verdade) havia nos jornais e revistas os desenhos de uns bonequinhos em várias situações e o mote: amar é…

E amar eram várias coisas, desde uma flor inesperada, até levar o lixo para a rua ou arrumar a cama.

Ontem,  saí do show do Caetano como se sobre mim houvesse um cartaz: velhice é…

A gurizada vibrando e eu, velha coroca, achando tudo mais ou menos: guitarras demais, poesia de menos. 

Decididamente, ou o meu querido Caetano não estava num bom dia ou eu estou velha demais para esse show do Caetano.  

A segunda assertiva é bem mais provável de ser a verdadeira.

 

Postado por ana mariano

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Borges e eu

25 de junho de 2009 11

Assisti, enfim, ao filme Marley e eu. Igual a todo mundo, ri e, embora não tenha ficado de olho inchado, igual a todo mundo, me engasguei. Na verdade, talvez numa coisa fui diferente: assisti ao filme envolta numa leve névoa de culpa. Acontece que tive um cachorro muito parecido ao Marley . Igual em cor e tamanho, e igual na falta de obediência. Chamava-se Jorge Luis Borges. A foto está acima. Uma graça, não é? Sim, uma graça assim, pequenininho. Mas ele cresceu, ficou quase do meu tamanho, e totalmente fora de controle. Quando o Marley masturbava-se, arrastava o dono por quilômetros, pulava da janela no meio do trânsito, parecia que eu estava vendo o Borges. Não era um mau cachorro, só era impossível. Quando digo “era”, na verdade, devo dizer ‘é” pois o Borges não morreu. Eu o dei de presente a um menino. Quem viu o filme e quase morreu chorando deve estar dizendo – Maldita ! como pode fazer uma coisa dessas! Pois fiz, e , embora envolta na tal névoa de culpa, não me arrependo. Borges está muito feliz, bem tratado, encontrou seu par. Falo sempre com o pai do menino, escuto as “gracinhas” do Borges, dou graças a Deus por não estar mais com ele. Comigo, tenho o Charlie Brown. Labrador, marrom, que senta, fica, obedece. Por achar total falta de tempo e energia, Charlie se recusa a buscar bolinhas, mas não é santo, foge quase todos os dias nadando pelo rio para filar comida nos vizinhos e trepar. Está constantemente sujo de barro, eternamente de regime. Mas, perto de mim, repito: ele senta, fica, obedece. Na verdade, se pensarmos bem, o que era bonito no tal filme era a família do cara. O Marley, cá entre nós, só tornava tudo mais confuso. Até gosto de confusão, desde que, depois de duas horas, eu possa  levantar e ir pra casa sem ela.

Postado por ana mariano

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Esquizofrênico

23 de junho de 2009 3

Jorge Drexler, que se apresenta no próximo dia 5 aqui em Porto Alegre, faz um show em Madrid no próximo dia 17.   Segundo ele, nesse concerto de Madrid, irá apresentar uma música bem diferente da que vinha fazendo, com forte influência do candomble, o ritmo afro-uruguaio.

O que me chamou a atenção, porém, nessa entrevista dada ao El Pais, foi o que disse sobre o seu processo criativo – “es un proceso muy esquizofrénico, muy maniaco depressivo. Un dia estás eufórico, el otro estás cansado y en outro encuentras nada y estás obsesionado con los obstáculos. Es un proceso que no me gusta , me da mucha ansiedad.”

Por essas e por outras é que o Caio Fernando Abreu dizia que a primeira pergunta que o candidato a escritor deve se fazer é essa : eu preciso escrever? mas, eu preciso mesmo, escrever?

Criar não é fácil, mas é absolutamente necessário.

Postado por ana mariano

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Kurt Cobain por Caetano

23 de junho de 2009 4

Postado por ana mariano

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Para os que amam sem hora marcada

21 de junho de 2009 5

Pelos comentários ao post anterior, percebi que somos todos uns românticos sem salvação. Essa música do Cole Porter cantada pelo Caetano é para os que namoram antes e depois do dia dos namorados, sem hora marcada.

Postado por ana marianoo

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Uma frase a Nelson Rodrigues

20 de junho de 2009 11

Na coluna do Paulo Sant’ Ana ( Zero Hora, 18/6) leio uma afirmação muito ao estilo Nelson Rodrigues, esse profundo conhecedor da alma humana e seus meandros.
“Quando a gente  perde o tesão pela mulher da gente, então passa a amá-la.”
Maluquice?, com toda a certeza.  Compreensível ?, sem dúvida.
Qualquer mulher acima dos 50 entende o que Sant’ Ana está dizendo.
Depois de uma certa idade, os homens querem a sua mãe.
Ainda ontem eu caminhava com um amigo e perguntava sobre um conhecido comum.
Fulano? ele disse, acho que está louco para voltar para  a mulher. Mas eles não estão separados há muitos anos? perguntei. Estão, mas agora ele tem mais de 60. E a namorada, aquela moça bonitinha, estudante da PUC ? A essas alturas? ele deve estar com preguiça. Mas e o amor? eu perguntei. Ahhh! depois de uma certa idade o bom é se acomodar.
E isso, eu tenho visto. Homens amando cada vez mais suas velhas mulheres, mulheres que aceitam de volta os maridos e cuidam dele , com maternal carinho, até o fim.
Dizem que os homens, ao casarem, procuram, na mulher, a mãe com quem lhes seja permitido transar. Depois de mais velhos, a busca pela mãe parece que se  reforça.
Quando, pelos anos de casados e a rotina, eles, como diz o Sant’ Ana, perdem o tesão pela mulher, passam a amá-la, respeitá-la, obedecê-la e querer estar junto como se quer ficar junto da própria mãe.
Guris, não sou eu quem está dizendo, é o Sant’Ana, um homem acima de qualquer suspeita. 

Postado por ana mariano

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Afinal, o que querem as mulheres?

19 de junho de 2009 8

Um artigo sobre a sexualidade feminina publicado aqui no Uruguai começa com a célebre frase de Freud : “ qué quiere una mujer” ( ele disse em alemão,  estou citando o jornal).
Brincadeiras à parte, admiradora confessa de Freud, tenho uma teoria particular, que se fundamenta apenas na minha intuição feminina: Freud, quando disse isso, estava apaixonado.  Paixão pode ter esse efeito “emburrecedor” do qual nem Freud escapa.Impossível que um cara tão inteligente não tenha entendido as mulheres. Somos quase óbvias de tão fáceis.
Quem olhar com atenção vai ver que , por mais tortuoso que seja o caminho escolhido, sempre chegamos à conclusão final de que dois e dois são quatro. Ou seja, de maneira criativa, com alguns “regalitos” para deixar tudo mais interessante, somos absolutamente racionais.
Continuando no artigo e na tentativa de compreender o “incompreensível”, ou seja, a sexualidade feminina, German  Garcia, um psicanalista argentino membro da Associação Mundial de Psicanálise  cita Lacan ( esse sim é complicado, até agora por mais que me expliquem não consigo entender ). Lacan fala de uma maneira fetichista do desejo masculino e de uma forma erotomaníaca do feminino ???!!!
Para quem, como eu, não tem a menor idéia que diabo seja erotomaníaca, Garcia  explica : “Erotomanía quer dizer a certeza de ser amada infinitamente por alguém. A tranqüilidade de não ter que prestar exame, nem que estar mais bela nem menos bela. Uma mulher quer ser amada”.
Essa, segundo o citado membro da Associação Mundial de Psicanálise, seria uma das respostas possíveis á pergunta o que querem as mulheres, “ no la única”, adverte.
Pois tenho uma sugestão: quem sabe ficamos com essa? Não se complica nada e todo mundo fica feliz, até porque, com fetiche ou sem fetiche, tenho certeza: os homens querem exatamente a mesma coisa.  

Postado por ana mariano

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Vendem-se sonhos

16 de junho de 2009 13

Estou há um bom tempo tentando fazer um poema sobre nomes de barcos, ainda não saí do primeiro verso. Sigo tentando. Como dizia Drummond, tem paciência com teus versos, calma se te desafiam. Um dia, sai.
Enquanto isso, vou  lendo e até anotando os nomes dos barcos que encontro, sejam de pescadores, sejam os grandes iates. Eles revelam sonhos.
Ontem, caminhando vi, no porto, algo que me deixou pensando.
Era um barco de luxo. O nome: Dream Come True. Sob  o nome, uma placa de vende-se.
E daí, vocês vão dizer, o cara tem um barco e quer vender.
É verdade, mas a coincidência,  um sonho tornado realidade sendo posto à venda, me deu uma sensação estranha.
Passei o dia tentando descobrir o que era.
Vários  clichês de auto ajuda me vieram à cabeça: não devemos sonhar com coisas materiais,  pensa bem no que tu queres pois podes conseguir e assim por diante.
Não chegava à conclusão de por que aquelas palavras: Dream Come True / Vende-se me incomodavam tanto, davam a sensação de que algo não estava certo.
Só à noite descobri o que era.
Na verdade, o que me incomodava era a liberdade que as 4 palavras postas assim, juntas, continham.
Os sonhos mudam, gente. Ninguém é obrigado a ficar eternamente com o mesmo. Estou, sim, autorizada a sonhar, lutar pelo sonho, mudar de idéia, colocar aquele sonho à venda, com placa e tudo, escolher outro.
Para vocês, isso pode ser nada. Para mim, foi como uma epifania.

Postado por ana mariano

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Sim, eu gosto de Bob Marley

13 de junho de 2009 17

Postado por ana mariano

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