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Posts de outubro 2009

Feira do livro chilena

31 de outubro de 2009 0

Igual a Porto Alegre, aqui em Santiago, é tempo de Feira do Livro.
Os dois  campeões de venda, nessa feira, são : A Barreira do Pudor – de Pablo Simonetti ( vendeu 10.000 livros numa semana) e La isla bajo el mar – de Isabel Allende.
Chile tem um índice de analfabetismo muito baixo, pouco mais de 2%, no entanto, igual ao Brasil, eles estão preocupados com o analfabetismo funcional – a grande maioria dos chilenos não lê. 
Os baixíssimos índices de leitura ( o artigo não faz referência a números) remetem a uma realidade grave, diz o artigo do jornalista Mauricio Electorat, uma realidade que deveria preocupar os políticos tanto quanto a saúde, a economia ou a delinqüência pois aqueles que, apesar de saberem ler e escrever, não praticam a leitura, não tem condições de compreender um texto, formar opinião, tomar decisões.
Segundo o mesmo artigo, baseando-se em dados de um organismo oficial ( OCDE) um alto executivo chileno teria a mesma compreensão da leitura de um operário alemão.
Pessoalmente, fundada apenas no bom senso, acho essa afirmação exagerada, quanto ao resto, concordo plenamente.

Postado por ana mariano

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Trienal do Chile

30 de outubro de 2009 1

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Aqui, em Santiago, está acontecendo a Trienal do Chile. Visitei algumas das instalações. No Centro Cultural La Moneda, gostei muito do Museu do Barro, do Paraguai, e me comovi com Insubmissos, uma instalação chilena com sons, fotos, poemas, jornais do tempo da ditadura. Ao redor de mesas, como de um bar, escutam-se vozes, cantos, discussões que te levam ao clima de medo e de coragem da época. No MAC ( Museu de Arte Contemporânea) achei muito forte a obra de Christian Bendayan, um artista peruano. Sob o nome de O impuro e o Contaminado, ele trata do orgulho e do preconceito que ainda cerca a homossexualidade. Esse quadro que fotografei tem um título de duplo sentido – Todos choramos alguém. Uma das telas mostra lápides dando a entender que morreu alguém da família, o pai, talvez, na outra, a mesma família está “matando” um dos seus membros. As expressões no rostos falam por si.

Postado por ana mariano

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Um lírio, por acaso

29 de outubro de 2009 4

052 050 O Chile ( embora ainda com problemas como todos os países, até mesmo os mais ricos) está bem. O povo está, de maneira geral, contente: come bem, veste bem, mora bem, tem acesso a cultura e divertimentos. Os museus que visitei eram pagos mas o preço era cerca de R$ 2,00. No Chile há poucas favelas. As fotos acima são de conjuntos habitacionais ao redor de Santiago, casas e apartamentos vendidos ao povo pelo governo por um preço baixo ( calculado não em dólares e nem em pesos mas num valor de referência tipo a nossa UPF). Os carros, aqui, livres de tantos impostos, são ridículamente baratos.

No poema, Um lírio, por acaso, o agnóstico Drummond fala do centenário de Santa Teresinha ( que, aliás, nunca o atendeu) e termina dizendo que pensou nela porque leu seu nome no jornal entre os de Hanói e não lembro qual outro lugar onde havia guerras e perseguições, como um lírio nascido por acaso.

Lembrei desse poema quando perguntei a dois motoristas de táxi e a vários empregados do hotel, gente simples, camareiras, garçons, cabeleireiros, a quem eles creditavam as boas condições econômicas atuais do país. Infelizmente ( grifo duas vezes o infelizmente) e apesar de tudo ( grifo o apesar de tudo) à ditadura, me responderam, em resumo, todos eles. Ali começaram as mudanças, que, mais tarde, nos permitiram progredir, disseram.

Se é verdade ( estou vendendo o peixe como o comprei) me pergunto por que conosco não aconteceu o mesmo, por que não foram feitas as reformas necessárias de maneira que, igual ao Chile,  de todo o horror , como um lírio nascido por acaso, não conseguimos diminuir as diferenças.

Postado por ana mariano

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Violeta Parra

29 de outubro de 2009 2

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Essa obra ( bordado sobre tela) é de Violeta Parra, ceramista, poeta, folclorista e pintora chilena, autora daquela música que eu postei aqui, cantada pela Mercedes Sosa, Gracias a la Vida.

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A biblioteca dos enganos

28 de outubro de 2009 2

A obra A biblioteca dos enganos A obra e o autor A biblioteca dos enganos. 2 O público, como sempre, invadindo o palco. Maria Luiza Bienal 2

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Quinhentos anos de delicadeza

27 de outubro de 2009 3

Ainda em tempo de pinturas, leio no New York Times, versão em espanhol, um mistério que daria um bom livro.
Um italiano Mauricio Seracini está, há muitos anos, procurando a que seria a maior pintura, em tamanho, feita por Leonardo da Vinci – A batalha de Anghiari.
Ela teria ficado inacabada ( Leonardo a abandonou em  1506) mas com o estudo da cena central, soldados e cavalos em combate, pronto. 
Na remodelação dos salões da Municipalidade de Florença, em 1563 , um outro pintor, Giorgio Vasarini, cobriu as paredes com afrescos das vitórias dos Medicis e a pintura de Da Vinci ficou esquecida.
Em 1979, quando Seracini estudava uma das cenas de batalha pintadas por Vasarini, procurando a de Leonardo, encontrou pintada numa bandeira que fazia parte da cena as palavras – Cerca Trova, que poderia ser traduzido como busca e encontrarás.
Seria um indício de que Vasarini havia preservado a obra de Da Vinci?
Partindo dessa suposição, Seracini fez uma busca com laser e infravermelho e encontrou os lugares onde, antes da remodelação, estavam as portas e janelas, bem como o lugar provável da obra de Da Vinci e que seria  exatamente abaixo da tal bandeira com as palavras Cerca Trova.
Novos estudos parecem provar que Vasarini, numa gesto de delicadeza, teria tomado o cuidado de construir uma parede falsa sobre o estudo de Leonardo, uma espécie de colchão de ar que, no caso de se confirmar, teria conservado a pintura intocada de luz e poluição, nesses cinco séculos em que ficou escondida.
Não sei como aquele cara que escreveu o Código da Vinci não pegou ainda este mote. Se ele não pegar, pego eu.

Postado por ana mariano

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Santo da casa

25 de outubro de 2009 2

Estou em Santiago, Chile. Uma das últimas coisas que fiz, antes de vir para cá, foi começar a visitar a Bienal.  Digo começar porque dispunha de algumas horas, era impossível visitar toda. Nesse primeiro dia, visitei as obras expostas no Margs e no Santander Cultural.
No Santander estão os Projetáveis – vídeos, selecionados entre mais de 800, vindos de todo o mundo. 
Há um,feito por moto-boys de São Paulo com seus celulares, outro sobre o eterno retorno onde um trator repete sempre o símbolo do infinito. Todos muito interessantes, uma pena que, para poder ver-se as obras, perdeu-se a beleza do próprio prédio: foi preciso escurecer os vitrais do teto.
O Margs, ao contrário, foi embelezado: recebeu pintura nova, tapetes novos e a última sala, voltou a ter suas janelas originais dando para os jacarandás da praça pois foram retirados os painéis que as cobriam.
O nome da mostra é Desenho de Idéias. Maravilhosa e impressionante a coerência conseguida pela curadora Victoria Noorthoorn.
Toda dedicada à pintura, a mostrea inicia com espaço e tempo, para logo, à direita, falar de movimento, à esquerda de liberdade e assim vai, num crescendo, até o último andar onde destaco a obra do nosso ( desculpem catarinenses, mas ele está aqui há tantos anos que é um pouco nosso) Walmor Correa.
Partindo das descrições verbais feitas por um naturalista alemão que visitou o Rio Grande no final do século XIX, Walmor criou a Biblioteca dos Enganos.
Uma enorme estante envidraçada, como a de uma biblioteca antiga,  onde abrem-se livros com os desenhos (sempre impecáveis) do Walmor.
O legal é que cada um deles é baseado num engano do naturalista. Exemplos – uma andorinha que hiberna ( como os ursos) quando se sabe que andorinhas não hibernam, um tatu de rabo curto catalogado como uma nova espécie, quando, hoje sabe-se, tratava-se de um tatu normal apenas com o rabo mutilado, arrancado provavelmente por outro animal , e assim por diante.
O que tem a ver o Chile com a nossa Bienal, vocês devem esta perguntando, pois eu respondo.
Ao abrir o jornal de hoje, dou de cara com nomes familiares: Porto Alegre, cais do porto, hotel Plaza São Rafael. Isso mesmo, dou de cara com duas  páginas falando sobre a “nossa” Bienal.
Este ano, diz o jornal, o macro-evento brasileiro que invade o cotidiano de Porto Alegre, espalha-se pelo cais do porto, invade espaços públicos não está centrada num tema específico, nem homenageia um país, mas, com o nome de “O Grito e a Escuta”, enfatiza os processos de criação dos artistas, mais que as obras concretas. Daí por diante, são muitos os elogios, para o que um dos co-curadores, o chileno Camilo Yañez, chama de uma das mais importantes manifestações artísticas da América Latina.
Confesso que foi com o maior orgulho que li no caderno Artes e Letras da edição de domingo do El Mercúrio esses nomes familiares. 
Santo da casa faz milagre sim, pessoal, o que está acontecendo aí, embaixo no nosso nariz, é tratado com quase reverência, aqui no Chile ( digo quase porque Bienal é por definição irreverente) . Não deixem de conferir.

 

Postado por ana mariano

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Açude

22 de outubro de 2009 7

gurizada com os cachorros

 

Na linha de pedra, memórias úmidas penduradas.

Patas de petiço baio pingando sol e uma menina catando lambaris.

Memórias antigas, de quando a poesia andava solta.

Na linha de pedra pôr do sol aos pares e a noite, pesada de estrelas.

Olhos de jacaré espiam a lua nova e cascas de caramujo falam no mar, primo distante, por parte de pai .

Murmúrios de macegas escondem nosso abraço e meu corpo virando água.

Na linha de pedra, memórias úmidas penduradas. 

São memórias comuns.

Dessas, que dão no campo.

Postado por ana mariano

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Era tudo uma questão de peitos ...

21 de outubro de 2009 3

Por do sol no lageado Na estância, a gente não tomava banho de chuveiro. É que não tinha água saindo pelo cano. Um cavalo puxava uma pipa e dava para cozinhar e também para a vó e a tia Maria Luiza tomarem banho se quisessem. A gente só tomava banho no arroio. Mesmo quando o dia estava meio feio a gente ia até o arroio, mas nunca senti frio. Nos verões da estância fazia sempre calor. Ir para o arroio era quase a melhor hora do dia. Seguíamos a cavalo e os adultos iam de caminhonete. Mas antes tinha que separar maiô, sabonete, xampu, roupas limpas e, mais importante de tudo, saber o número da toalha. Sim, porque as toalhas eram sacos de sal abertos e limpos. Alguém fazia eles ficarem bem brancos. Os sacos eram numerados e, se a gente esquecia, não tinha como saber qual era a nossa toalha. Eu esqueci algumas vezes e aí tive que ficar esperando até todos pegarem as suas e ver qual tinha sobrado. Chegando no arroio, amarrávamos os nosso cavalos e seguíamos para o vestiário. Ao longo do arroio havia um mato e este mato tinha clareiras. A primeira clareira, logo na entrada, era o vestiário dos homens e meninos, a segunda clareira era das meninas e a última, já bem junto à entrada para a água, quem ocupava eram as mulheres. Cada grupo não podia seguir adiante sem o seguinte dar o sinal de que já estavam prontos. Muito matutei sobre esta divisão de pessoas nas clareiras. Os meninos ficavam com os homens mas as meninas não podiam ficar com as mulheres! Portanto, não se tratava só de uma questão de sexo. Tampouco de hierarquia porque, se ia uma empregada, ela ficava junto com a tia Maria Luiza e a vó. Se fosse de idade, os meninos teriam sua própria clareira. A vó raspava embaixo dos braços, mas não era uma questão de pelos porque o tio Mariano tinha pelos nos braços e no corpo e o Edi era liso como uma pedra de rio. Eventualmente, uma das meninas era promovida para a clareira das mulheres. Chegávamos na estância e, no primeiro banho de arroio, cadê a Ana? Cadê a Suzi? Passavam direto e instalavam-se lá na clareira principal, bem exibidas… Só tinha uma resposta: era questão de peitos! Quando o seio aparecia e chegava num determinado tamanho a pessoa era promovida! Com certeza, quem dava o veredito era a Tia Maria Luiza. Na verdade, nunca consegui confirmar minha teoria, pois mudamos de estância antes da minha própria promoção. Infelizmente, São Rafael, a estância nova, tinha água encanada, luz elétrica e tudo bem civilizado. Helena

Postado por ana mariano

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Sem falsa modéstia

20 de outubro de 2009 0

Há algum tempo, uma revista sobre cinema mandou uma mensagem pedindo que eu apontasse, ainda naquele dia, um filme que me teria marcado.
Puxa! Logo eu, assim, de bate pronto? Sou péssima em respostas rápidas e péssima de memória. Não me bastam horas, preciso dias.
Citei – O banheiro do papa – por sua complexa simplicidade. Sob a aparência e o palavreado simples daqueles contrabandistas de bicicleta, o filme consegue nos mostrar emoções e sonhos universais.
Naquele mesmo dia, e nos que se seguiram ( já disse, sou lenta) muitos outros filmes me vieram à cabeça: Cidadão Kane, O diário de Anne Frank,  Êxodos…
Desse último, além da saga dos judeus regressando à pátria, ( eu era, em 1960, uma pré-adolescente) me ficara a imagem erótica de um homem muito, muito bonito que usava uma camisa branca com as mangas arregaçadas. Não lembrava mais quem era o artista.
Há poucos dias, o filme passou de novo num canal de TV por assinatura. Fiquei orgulhosa de mim mesma: o homem bonito era Marlon Brando!
Outro filme que me veio à cabeça, e só não citei porque não lembrava o nome, era sobre o preconceito e o racismo: uma moça negra, mas de pele branca, negava sua negritude, tinha vergonha de ser filha de uma negra.
Mais uma vez, fiquei orgulhosa de mim mesma, o tal filme – Imitação da Vida –  não é pouca coisa. Na Folha de domingo, onze de outubro, há uma resenha o classificando como ótimo ( foi relançado em DVD), em plena juventude, apesar dos 50.
 Sem falsa modéstia: sempre tive bom gosto para homens e  histórias. O que, diga-se de passagem, é uma excelente combinação…

Postado por ana mariano

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