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Posts de janeiro 2010

Amor platônico

31 de janeiro de 2010 4

O Banquete é um dos diálogos de Platão, que, aliás, não tem nada de diálogo:  para festejar a vitória de um deles num concurso de poemas, vários cidadãos atenienses se reunem num banquete e combinam que não irão beber demais e que, assim, sóbrios, ou quase sóbrios, irão louvar Eros, o amor.
Cada um  dá, então, a sua visão do amor. Todos o definem como um deus.
Diferente de todos, Sócrates nega que Eros ( o amor) seja é um deus, ele é um demônio ( um dáimon) que serve de intermediário entre os homens e os deuses.
Sua origem seria a seguinte.
Os deuses festejavam o nascimento de Afrodite ( a deusa da beleza) num banquete.
Entre eles, estava Poros ou Recurso, um dos deuses mais belos e poderosos, filho de Prudência.
Na escadaria do palácio, mendigando migalhas, não convidada para a festa, estava Penia, a deusa da Pobreza, da Falta.
Embriagado, Recurso foi ao jardim do palácio “dar uma respirada” e adormece.
Penia, deita-se ao seu lado e o seduz.
Desse ato, nasce Eros, ou o Amor, filho do Recurso e da Falta que carrega consigo por todo vida as características antagônicas de seus pais – Recurso e Falta.
Essa seria a origem do amor, segundo Platão.
Como, os participantes do banquete não escondem e nem limitam nada, como falam abertamente do amor físico, louvando todas as suas formas, inclusive o amor homosexual e a pederastia ( que, não se assustem, não tinha naquela época a conotação negativa de hoje), O Banquete, durante a idade média torna-se um livro “perigoso”.
Sua versão original circulava, apenas de forma clandestina nos mosteiros, e, mais tarde, até 1960 ele integrava o índex , a lista de livros proibidos pela Igreja Católica.
Assim, é possível concluir, que para sobreviver à inquisição e chegar até nossa época, esse “romance” foi adulterado na idade média e, por isso, um dos conceitos modernos mais distanciado do seu sentido original, é o de amor platônico.  
O amor platônico, ao contrário do que se pensa hoje, jamais negou o corpo. 
O amor seria uma escada de sete degraus, dos quais o primeiro era o amor físico, a necessidade de se buscar a imortalidade pela procriação. O segundo, seria o amor não por uma pessoa mas pelas formas belas, o terceiro seria o amor pela beleza, independente da forma e assim por diante até alcançar o belo, o bom.
A diferença no entanto, entre o amor platônico de Platão e seu conceito moderno é que em Platão os degraus se somam, não se eliminam.
Do medo à inquisição e suas fogueiras veio essa adulteração do conceito platônico de que o amor prescinde do corpo.
Em Platão o amor inicia no corpo e, sem o descartar, sem o esquecer ou negar, o atravessa, em busca do belo.

Postado por ana mariano

Avatar

28 de janeiro de 2010 0

Ontem fui assistir Avatar com tudo ( ou quase tudo) a que tinha direito: óculos, pipoca e água ( refrigerante, dizem, dá celulite ). Gostei muito. Tem alguma coisa de Espinoza, tudo compartilha uma natureza divina.

Os efeitos especiais, pelo menos na versão 3D, são ótimos: me senti  falando ingles dentro de um quadro de Salvador Dali .

A maneira como o filme trata da preservação da natureza  é absolutamente original, diria até disfarçada.

Não que disfarce a intenção de falar em ecologia, isso, não, o assunto fica bem claro desde o início.

Quando eu digo disfarçada penso nas artimanhas que as mães usam para que seus filhos comam legumes ou saladas: inventam formas, palhacinhos, oncinhas. No caso de Avatar o filme, lá pelas tantas, vira uma história de guerra. O pessoal engole a ecologia com muitas balas e bombas, sem sentir.

A jogada da conexão de cada habitante do planeta com a natureza ( bichos e plantas) ser visível é muito bem bolada. Todos usam os cabelos trançados e a ponta da trança se enrosca com a ponta de algo que os bichos e plantas têm, e por ali há uma conexão física, visível.

O mea culpa, a auto acusação, muito comum nos filmes americanos politicamente corretos, está presente não apenas quanto à destruição do nosso planeta mas também quanto ao terrorismo: vamos combater o terror com o terror o general diz lá pelas tantas. Se Bush não disse essa frase, devia ter dito porque foi o que sempre fez.

Gostei de Avatar, com correria, bala, bomba e tudo mais, é bem melhor que o tal do Amor sem escalas.  

Postado por ana mariano

Um texto de Sergio Furtado

25 de janeiro de 2010 2

Nessa correria confusa  em que vivemos, é bom ler algo escrito assim, com simplicidade. 

 

Eu ganhei na mega sena

100 milhões não são nada diante do cafuné da pessoa amada.
Oi pai, tudo bem? Que valor tem uma ligação assim?
E o abraço fofo do neto, quanto isso vale?
Olha os matizes do céu que a natureza te entrega de graça. E a dança dos pássaros, a brisa da manhã, o perfume do jasmim, a sombra, o rio, a água fresca.
Ah, como é bom lavar a alma.
Boa sorte meu filho. Tanta gente daria tudo para ouvir isso de novo.
Está escutando o sabiá? Já caminhou de pés descalços na areia da praia? 
Qual foi teu último banho de cachoeira? Lembra do cheiro de terra molhada?
A aquarela das flores, a sombra das árvores, o riacho trazendo a infância de volta, sem cobrar um centavo.
Um homem, uma mulher. Dois corpos nus fazendo amor. Nus, entendeu? Sem ouro, sem carro, sem palácio, sem nada.
Uma criança dormindo, um jovem cantando, um velho contando histórias.
Isso sim tem valor.
O por do sol, o nascer da lua, o telhado de estrelas cobrindo de graça nossos sonhos.
Amigos. Verdadeiros amigos, que grande prêmio!
Poder caminhar de mãos dadas, conversar, não dizer nada diante do mar.
Mergulhar, escalar a montanha, percorrer o infinito com o olhar.
Plantar, colher, saborear o tempero da vida.
Rir, dar gargalhadas. Que tesouro imenso guardado no peito.
Ter saudades. Isso também tem seu valor.
Um beijo, um afago, um encontro. Quem quer vender suas lembranças?
Ter idéias. Que prazer maior do que pensar? E não custa nada.
Ter saúde. Estar vivo. 100 milhões é um troco para quem pode sonhar.
Eu ganhei na mega sena quando me deram a vida de presente e o mundo inteiro pra brincar. Tudo bem, isso tudo e mais os 100 milhões?
É isso que queremos quando apostamos no que não temos e não damos valor para o que temos? É isso que tu queres?
Mas quem diz que aquele cafuné ainda vai ser por amor?

                                                                Sérgio Furtado

Postado por ana mariano

Um uruguaio

23 de janeiro de 2010 3

Um amigo me deu um livro de contos de Felisberto Hernandez ( 1902/1964) escritor uruguaio, pianista e compositor. O curioso é que, por muitos anos, Felisberto ganhou a vida acompanhando, ao piano, os filmes mudos. Eu o conhecia de nome.
Não tenho aqui meus livros do Borges mas, se não me engano, ele fala muito em Hernandez.
Para os que nunca tinham ouvido falar ou, assim como eu, conheciam de diz que ( diz que é muito bom) eu informo: é muito bom, lembra Kafka, um Kafka mais delicado, lembra Cortazar, um Cortazar menos romântico. 
De Um cavalo perdido, um conto sobre memória, que, começando na realidade do menino apaixonado pela professora de piano ( Celina) termina no adulto lembrando Celina e outras tantas mulheres que foram seduzidas pelo menino, que resistiu no adulto, menino que, por sua vez, seduz o adulto e suas lembranças…
É complicado de explicar, não de ler. Olha como ele fala de um simples lápis vermelho que ficava sobre o teclado e, com o qual, a professora fazia anotações nas partituras.
A tradução é minha, assim que… confiem desconfiando.

 

Colocado de través sobre as teclas, como trilhos sobre dormentes, havia um comprido lápis vermelho. Eu não o perdia de vista porque queria que me comprassem um igual. Quando Celina o tomava para anotar no livro de música, os números que correspondiam aos dedos, o lápis estava desejando que o deixassem escrever. Como Celina não o soltava, ele se movia ansioso entre os dedos que o sujeitavam, e com seu olho único e pontiagudo olhava indeciso e oscilante de um lado para outro. Quando o deixavam aproximar-se do papel, a ponta parecia um focinho que farejava algo, com instinto de lápis, desconhecido para nós, e inspecionava entre as patas das notas buscando um lugar onde morder.Por fim Celina  o soltava e ele, com movimentos curtos, como os de um porquinho quando mama, se prendia vorazmente no branco do papel, ia deixando as pequenas pegadas firmes e acentuadas de seu curto casco negro e movia alegremente sua comprida cauda vermelha.

Postado por ana mariano

Mariazinha do passo certo

21 de janeiro de 2010 12

Quando eu tinha uns 7 anos, minha mãe que ( igual a todas) sonhava em ter uma filha graciosa, me matriculou numa escolinha de balé que ficava em cima do antigo cinema Baltimore, no Bom Fim. Um retumbante fracasso: nunca vou esquecer a frustração de não acertar nenhuma vez o bendito pas de bourrée. Na saída, pela janela do bonde João Abott, vendo desfilar as palmeiras da Oswaldo Aranha, eu disfarçava o choro e rezava para voltar para estância, minhas árvores e  meu cavalo, coisas que eu entendia e sabia fazer.
Pois, com relação ao filme Amor sem escalas, uma sensação semelhante de incompetência me abateu.
Achei esse filme, que recebeu 6 indicações para o Globo de Ouro, ganhou vários premios da Associação de Críticos e cinéfilos (melhor filme, melhor ator e melhor atriz coadjuvante) que será, com certeza, indicado ao Oscar e mereceu na revista Veja  uma reportagem de duas paginas, total e completamente médio.
Talvez a idade me esteja fazendo cínica, mas a verdade é que não consigo achar nenhuma novidade na história de um homem que tem medo de se comprometer e que, para se enganar, cria uma vida repleta de relacionamentos passageiros e prazerosos, uma vida organizada,  metódica, que lhe dá a sensação de que está no controle. Eles existem por aí aos punhados. 
Nenhuma novidade também no desenrolar da história: no casamento da irmã mais moça ele se dá conta de que está ficando velho e sozinho, tem uma crise existencial e finalmente decide arrumar uma companheira.
Talvez eu não tenha entendido direito e o barato desse filme seja justamente isso: o encadeamento de clichês. 
A única passagem que achei interessante, porque quebra a rotina, é a que acontece quando ele decide mudar de vida. Lá pelas tantas ele reconhece que está apaixonado e vai procurar a namorada a qual,  apesar dela negar veementemente, ele tinha a certeza absoluta, queria apenas casar e ter filhos. Armado dessa certeza, ele veste sua armadura de príncipe encantado e vai resgatar a “donzela”.
A reação da moça demonstra que entramos em novos tempos.
Tempos, aliás, que serão muito bem vindos nesse no nosso Brasil mais pobre e menos informado onde ainda é possível ouvir uma mulher dizer do marido: ele é muito bom, nunca me bateu.
Sei que tenho o direito de gostar ou não de um filme, mas, se todos dizem que Amor sem escalas é original, profundo e comovente o mais provável é que o descompasso seja meu. Assim como fiz aos 7 anos com o pas de bourrée, ( que, aliás, aprendi aos cinquenta e não é assim tão difícil) estou é sendo incompetente.  

Postado por ana mariano

Frases do futebol

19 de janeiro de 2010 2

Si non é vero, é bene trovatto. Para escrever em italiano,  precisei olhar na internet e, mesmo assim, não sei se acertei, porque encontrei trovatto com um t e com dois.  Assim, não coloco essas frases aqui, no blog, com ar superior: se eles se atrapalham ao falar, eu não sei jogar e nem escrever em italiano, o que não impede que todos nós possamos nos divertir.

`Tanto na minha vida futebolística quanto com a minha vida ser humana.`
(Nunes, ex-atacante do Flamengo, em uma entrevista antes do jogo de despedida do Zico)

`As pessoas querem que o Brasil vença e ganhe.`
(Dunga, em entrevista ao programa Terceiro Tempo)

`Eu, o Paulo Nunes e o Dinho vamos fazer uma dupla sertaneja.`
(Jardel, ex-atacante do Grêmio)

`O novo apelido do Aloísio é CB, Sangue Bom.`
(Souza, meio-campo do São Paulo, em uma entrevista ao Jogo Duro)

`A partir de agora o meu coração só tem uma cor: vermelho e preto.`
(Jogador Fabão, assim que chegou no Flamengo)

`Eu peguei a bola no meio de campo e fui fondo, fui fondo, fui fondo e chutei pro gol.`
(Jardel, ex- jogador do  Grêmio, ao relatar ao repórter o gol que tinha feito)

`A bola ia indo, indo, indo… e iu!`
(Nunes, jogador do Flamengo da década de 80)

`Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu.`
(Claudiomiro, ex-meia do Inter de Porto Alegre, ao chegar em Belém do Pará para disputar uma
partida contra o Paysandu, pelo Brasileirão de 72)

`Nem que eu tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola.`
(Bradock, amigo de Romário, reclamando de um passe longo)

`Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe.`
(Jardel, ex-atacante do  Grêmio e da Seleção)

`O meu clube estava a beira do precipício, mas tomou a decisão correta, deu um passo a frente.`
(João Pinto, jogador do Benfica de Portugal)

`Na Bahia é todo mundo muito simpático. É um povo muito hospitalar.`
(Zanata, baiano, ex-lateral do Fluminense, ao comentar sobre a hospitalidade do povo baiano)

`Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático e gramático.`
(Vicente Matheus, eterno presidente do Corinthians)

`O difícil, como vocês sabem, não é fácil.`
(Vicente Matheus)

`Haja o que hajar, o Corinthians vai ser campeão.`
(Vicente Matheus)

Postado por ana mariano

Carta de um poeta jovem

18 de janeiro de 2010 8

Tenho amigos de todas as idades, o que é muito bom. Um deles, o João Pedro, sem jamais abandonar a poesia, com a tranquilidade dos jovens, alterna a vida numa variedade de opções que vai fazendo e bem: fotografia, cinema, música.
Atribuindo a mim uma importância que não tenho, ele pede que eu divulgue aqui o blog dele de poesia. Chama-se www.poesiaimoral.zip.net e é a cara do dono:  jovem e  instigante.
Dou para vocês uma amostra.

eu quero assim

passear com meu cachorro
numa praia nublada
almoçar com a menina
de lingerie
escrever bobagens pra ela
depois verdades pra mim
ver um filme com tal moça
nas minhas coxas deitada
trepar
capotar no colchão
pronto
o mundo tem jeito
o mundo é perfeito
   
                                                    *****

sobre nós

exagera exagera
ninguém sabe mesmo
o tamanho do ritmo
anterior do desejo
batalhamos ele juntos
no rumor do tempo
e nosso ciúme
é só um fantoche
espantando crianças
numa festinha de aniversário

                                                             João Pedro Wapler

Postado por ana mariano

O menino do Haiti

18 de janeiro de 2010 1

                  Quando aconteceu o terremoto no Haiti eu havia acabado de ler o livro da Isabel Allende – La Isla Bajo el Mar – que conta justamente a história da independência desse país. Sobre o Haiti, há um outro livro – O reino deste mundo – escrito nos anos 40 pelo cubano Alejo Carpentier.
                      Nos dois, referências à lenda do escravo Mackandal que, mesmo tendo sido queimado vivo, teria voltado, na forma de um mosquito, para continuar a luta contra os brancos: ele os fazia morrer de febre amarela.
                       Depois da leitura, a idéia que ficou em mim com relação ao povo do Haiti era, mesmo antes do terremoto, uma idéia de resistência.
                           O mesmo sentimento me veio ao ler a ótima reportagem de Rodrigo Lopes publicada na Zero Horo e cuja frase inicial é : (no Haiti) a vida insiste em emergir dos escombros.
                          A imagem de Redjeson Claude, aquele menino resgatado após dois dias sob as ruínas; o seu primeiro e enorme olhar, um olhar de não entender e, depois, o segundo, de puro êxtase, ao ver a mãe; é a imagem do povo do Haiti. 

                        Ao vê-lo imaginei que Mackandal talvez tenha abandonado, por algum tempo, a forma de mosquito para voltar com olhos maiores, os olhos do menino Redjeson Claude, e, assim, ver melhor a desgraça de seu povo e ensiná-lo, mais uma vez, a resistir.

Postado por ana mariano

A avó do Chapeuzinho

17 de janeiro de 2010 2

            Sob o título – Procura-se vovó -  um poeta de quem eu gosto muito, pessoal e profissionalmente, escreveu uma crônica, na Zero Hora de sábado, sobre as dificuldades que Perrault teria se quisesse hoje reescrever o Chapeuzinho Vermelho. 
             O problema maior, segundo o cronista, estaria na figura da avó porque as avós de hoje estão emancipadas, tratando da própria vida e, portanto, ocupadas demais. Até mesmo os doces seriam problema; afinal, é preciso cuidar da silhueta, ninguém sabe se não vai haver um sessentão gostoso, logo ali, na outra esquina ( a do sessentão, ele não disse,é minha). 
             Num primeiro momento, porque sou mulher, essa espécie  ainda  envergonhada ( no dizer de Adélia Prado)  vesti a carapuça da culpa. 
              Mas foi um primeiro e rápido momento,   tempo  suficiente para lembrar que, embora eu me encaixe perfeitamente na descrição da avó moderna, fico( porque gosto de ficar) horas escondida atrás de uma moita observando, com a minha neta, as três fascinantes galinhas do vizinho que são amigas íntimas do pocotó que carrega o carroceiro misterioso que por sua vez é amigo do ratinho que viajou para a lua num desses aviões que passam toda hora e para os quais é preciso sempre dar ciao porque não se sabe bem em qual deles estará o ratinho que todo dia come um pedaço da lua até que a mãe dele vê que a lua acabou e coloca uma novinha no céu.
                  Ou seja, tirando a touca, que devia ser moda na época, talvez nós, avós modernas, sejamos mais parecidas com a vovó do Chapeuzinho do que o meu querido poeta e colunista da Zero Hora imagina.
                  Afinal, a avó da história vivia sozinha, não cuidava da neta em tempo integral e nem mesmo fazia doces, esperava que a filha os mandasse.
                   Esse Perrault era, no fundo, um visionário…

Postado por ana mariano

Tangos depois de uma tragédia

16 de janeiro de 2010 4

Estive alguns dias fora do ar ( espero que tenham sentido falta ). A culpa foi de uma virose intestinal que atacou a família toda e nos fez parentes daquela guria do O Exorcista. Tudo bem, talvez esteja exagerando, nenhum de nós  conseguiu girar a cabeça 360 graus, mas, no  resto, inclusive na cor, ficamos muito parecidos. 
Passada a tragédia, para comemorar, fui assistir, pela primeira vez ,  Tangos e Tragédias que está completando 25  anos em cartaz.
Há muitas formas de se assistir a um espetáculo. Alguns  vão preparados para gostar, outros, para não gostar. Eu, confesso, fui com espírito crítico. Sabia que a coisa toda era uma palhaçada mas fiz questão de ficar neutra, como se precisasse  escrever uma resenha e quisesse fazê-la justa. Minha idéia era entender esse fenômeno de 25 anos de casa lotada.
Comecei observando não apenas o espetáculo mas também o público, suas reações. Lá pela metade, ainda que não totalmente entregue, digamos assim, não ainda pronta para um orgasmo, observei a mim mesma rindo e gostando.
Tudo bem, não estamos falando em Beckett, a coisa toda é um pouco mais para Chacrinha ( que antes era “povão”  e hoje é cult), ou talvez Chaplin ( mais cult ainda) mas Hique Gomez e Nico Nicolaiewski conseguem dar vida àquele texto falsamente atribuído a Borges (  que, aliás, eles cantam) , ou seja, conseguem fazer com que, por duas horas, uma centena de adultos viva mais, ria mais, veja mais o sol nascer .
Aos que não são de Porto Alegre e não têm a menor idéia do que estou falando, aconselho colocar no Google, Tangos e Tragédias e, se o espetáculo chegar à sua cidade, não deixar de assistir. 

Postado por ana mariano