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Posts de março 2010

Aniversãrio no Rio

31 de março de 2010 5

Quando escrevi o tîtulo deste blog ouvi a voz da minha professora do primario, dona Maria Terra, mandando fazer uma composição Minhas Ferias. Assim, despreocupada, fazendo programas infantis ou quase, indo ao Pão de Açucar e ao Corcovado, quis passar este aniversario e aqui estou, no Rio de Janeiro, com a familia toda e um computador defeituoso, o acento agudo desapareceu do teclado.

O programa hoje foi Pão de Açucar e Confeitaria Colombo. Nunca tinha estado na Colombo, maravilhosa, cheia de fantasmas.

Hoje a noite ( o acento grave tambem sumiu) vou numa gafieira. Quem sabe algum anjo aqui do Rio resolve me dar um presente e o Paulinho da Viola resolve ir tambem ( agora sumiu o ponto de interrogação).

Quem sabe ( ponto de interrogação)

Amanhã conto.   

 

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A vida própria do livro

27 de março de 2010 2

Essa manhã, num encontro muito agradável, discutiu-se o Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar. Como eu disse aqui, várias vezes: um livro fantástico, muito denso, tão denso que, às vezes, a gente dá uma dormidinha. Isso não quer dizer que o livro seja ruim, de forma alguma, o livro é maravilhoso, estou sendo absolutamente sincera: dormi mas gostei, tanto gostei que fui ao tal encontro para  debatê-lo.
Muito se perguntou sobre se a autora havia sido fiel à história, se o que ela conta realmente aconteceu, se o livro, escrito em primeira pessoa, narra a verdadeira a história de Adriano.
Narra,  o livro é fruto de uma pesquisa profunda que ocupou 27 (!) anos da vida da autora.
Mas isso, saber se é verdadeiro ou não, na minha opinião, não é o mais importante.
Adriano não existe mais, existe o que nos chegou do Adriano, existe como o vemos hoje, assim, não importa saber exatamente o que ele sentiu ou disse nesta ou naquela ocasião.
Não sou historiadora, a vida de Adriano satisfaz apenas minha curiosidade. Acho interessante mas não sinto que sua obra acrescente algo à minha vida.
O que vale para mim, leitora, é a literatura. A forma fantasticamente poética  como Marguerite conta a história desse homem, as palavras que ela escolheu, a maneira como fala, em última análise, da morte. O livro, ao contar a vida, pensa a morte. Adriano, com 60 anos ( morre aos 62) diz : começo a discernir o perfil da minha morte.
O que levou a autora a escrever sobre Adriano foram suas obras; em notas de fim de livro ela afirma : se esse homem não tivesse mantido a paz do mundo e renovado a economia do Império, suas felicidades e seus infortúnios interessar-me-iam menos.
Para vocês verem como um livro tem vida própria. Embora saiba que os dois irão permanecer ( Adriano e Marguerite) gosto de Memórias de Adriano por razões diferentes das que levaram a autora a escrevê-lo.
A outros leitores ( inclusive ao palestrante) ele agrada pela história. A mim, pela literatura. Ou seja, entre duas permanências, o imperador Adriano e Marguerite, fico com Margherite.

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Inferno astral

25 de março de 2010 4

Não sei exatamente o que é inferno astral mas acho que estou num.

Minhas duas geladeiras estragaram quase ao mesmo tempo exigindo uma operação de guerra para fazer caber dois em um. No escritório apareceram várias assuntos complicados ou, talvez não tão complicados, mas que me parecem.

Acordo de madrugada, custo a dormir, no dia seguinte, estremunhada, me atrapalho com as coisas mais banais.

Parece que o mundo inteiro, de repente, multiplicou-se em tarefas e deveres que não consigo completar. 

Ando tão estonteada que, outro dia, (antes de beber, que fique claro) derramei um copo inteiro de vinho sobre as roupas no armário: fiquei lavando blusas até de madrugada.

A impressão que tenho é que tudo está andando rápido demais, indo muito além da minha competência. 

Digo isso para pedir desculpas pela ausência – simplesmente não consegui sentar e escrever.

Digo isso também para pensar, junto com vocês, se acredito ou não em inferno astral e astrologia.

Igual aquele poema lindo do Ferreira Gullar – Traduzir-se -  uma parte de mim, a que se espanta, acredita, outra, a que almoça e janta, diz que é bobagem.

Sigo lendo (e dormitando) o tal livro do Adriano.

Semelhante a mim, ele creditava e não em astrologia. Como eu, pensava que, se os astros influenciam tudo, desde as marés ao nascimento das crianças, por que não nossas vidas ou, pelo menos, nosso humor?

Inferno, qualquer inferno, tem a ver com humor, a forma ( leve ou não) como encaras o que te acontece, o jeito (cuidadoso ou estabanado) como te movimentas no mundo, a maneira (leve ou pesada) como amas.

Não acho que o inferno sejam os outros, o inferno somos nós ou está em nós, na nossa cabeça, olhando ( divertido ou irritado) um mundo que sempre foi, e continuará a ser, o de sempre.  

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Governo metido

21 de março de 2010 0

Li que um casal foi condenado por estar ensinando os filhos em casa em vez de mandá-los ao colégio.Sinceramente, acho que o governo às vezes se mete demais, outras vezes de menos, na vida das pessoas. Imaginem o tempo e o dinheiro perdidos nesse processo bobo.
Até os 11 anos, estudei em casa, na estância.
Quando vinha a Porto Alegre tinha algumas aulas com uma professora, dona Maria Terra. Era ela quem, ao final de cada ano, considerava-me ou não apta a passar de ano.
No quinto ano primário, minha mãe achou melhor eu entrar no colégio pois deveria prestar o exame de admissão, uma espécie de vestibular para se poder cursar o ginásio. Tirei o primeiro lugar. O estudar em casa não faz mal.
Outra bobagem que li: agora, até o terceiro ano primário, as escolas não poderão mais reprovar nenhuma criança. Dizem que é contraproducente. Ora, ensinar é dar liberdade com responsabilidade, é mostrar que se pode fazer o que quiser desde que se arque com as consequências.
Como é que se pode formar uma criança dando a ela, de presente, um resultado que ela não alcançou?
Minha mãe dizia que se ensina até os sete anos, depois só se burila, se aperfeiçoa. Concordo com ela. Uma criança de 6 anos pode muito bem ouvir que precisa se esforçar mais se quiser ir adiante. Imaginem uma de 9!
Essa é a minha opinião. Estou exercendo o direito de expressá-la e arcando com as conseqüências, conforme me ensinaram, bem antes dos 9 anos.

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A importância do vazio

19 de março de 2010 3

fonte roda

Sob o titulo Mind the gap (Cuidado com o vão, a lacuna) frase que ele ouvia habitualmente no metrô de Londres, Antonio Cicero escreveu uma ótima crônica na Folha de São Paulo.
Disse que a ambiguidade dessa frase o fazia sentir um prazer estético. 
Foi Duchamp quem, com o urinol (ou mictório, não sei o nome daquilo) e com a roda de bicicleta sobre o banco, entre outros, criou o conceito de “ready made”: objeto já existente que, desviado do seu contexto, pede para ser apreciado esteticamente.
Existe também a peça musical de John Cage “4`33” onde, durante quatro minutos e trinta e três segundos, os músicos apenas seguram seus instrumentos, não tocam. A idéia é que a  “música” seja a dos ruídos no ambiente.
Se é assim, perguntariam alguns, se dessas coisas pode vir prazer estético, não é preciso mais escrever-se música ou poesia.
São coisas diferentes, graduações diferentes, conclui Atonio Cicero: o fato de nos deleitarmos com o ruído do vento na copa das árvores e com frutas silvestres não impede que continuemos precisando da música ou da culinária.
Fiquei pensando como temos, todos nós, uma mania por preencher espaços. Abominamos o vazio sem nos darmos conta da sua importância.
Num lugar repleto, já totalmente tomado de coisas, palavras, sentimentos, dificilmente nascerá algo. Precisamos do vazio para criar, seja ele o espaço de uma folha de papel ou o vazio da falta. Se não sentíssemos necessidades e ausências, se estivéssemos completos, satisfeitos, saciados estaríamos imóveis. É o vazio que nos faz ir adiante.
O amor é um demônio filho de dois deuses: a Penúria e o Recurso, já nos ensinou Platão.
Assim, se amanhã acordarem (como eu às vezes acordo) meio tristonhos, sentindo falta de algo, não reclamem, agradeçam ao vazio e vão à luta.

  

Postado por ana mariano

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Estamira

17 de março de 2010 4

Há algum tempo eu assisti a um documentário fantástico. Com o tempo, esqueci o nome. Esta semana, por sorte, tornei a vê-lo na televisão e tornei a ficar fascinada. O filme, primeiro documentário de Marcos Prado, chama-se Estamira e conta a história de uma senhora que vive entre um barraco na Rio-Santos e o lixão de Gramacho no Rio de Janeiro. No início, ela diz: as vezes é só resto, as vezes vem também descuido. Essa frase vale para o lixão e para a própria Estamira. Ela não é resto, ela é descuido. Impossível descrever esse filme, é preciso vê-lo. A lucidez dessa senhora na sua revolta contra Deus a quem ela chama de “poderoso ao contrário” faz pensar. O filósofo Diógenes, nu, vivendo dentro de uma barrica não pareceria muito diferente. Peguei um pedacinho para vocês verem. Não faz justiça, mas dá uma idéia. As cenas finais do filme (que não estão nesse pedaço)ela falando como o mar são de uma beleza difícil de descrever.

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Festival de Cine

16 de março de 2010 0

Festival de cine com Drexler foto Freddy Fernández

Aqui, no Uruguai, um outono com vento de primavera que, no entanto, não é forte o suficente para fazê-lo perder uma característica essencialmente outonal: a luminosidade.
Eu sou suspeita, porque faço aniversário no outono, mas a luz dessa estação, pelo menos aqui, pelas bandas do sul da América, é inconfundível.
Pois nesse outono com luz outonal e vento primaveril, está acontecendo o Festival de Cinema de Punta del Este.
Sempre quis assistir a um desses festivais e nunca dava no jeito.
Dessa vez, até parece que vim só para isso pois ele começou quando cheguei e termina quando eu for embora.
A primeira apresentação, com direito a video-conferência  ao vivo com meu amado Jorge Drexler (a música é dele) e a presença de José Wilker (muito aplaudido) foi com um filme do diretor James Ivory.
Ahhh… dirá a maioria que, igual a mim, não tem idéia de nome de diretores
Ahhh!!! – dirão os entendidos, é o que fez aquele filme lindo com Anthony Hopkins – Os vestígios do dia.
Esse mesmo!
O filme que ele apresentou aqui foi As páginas perdidas. Uma história que se passa aqui no Uruguai mas foi filmada na Argentina. O ator é novamente Anthony Hopkins e outros menos conhecidos.
O filme é bonito, a fotografia é bonita. Hopkins está ótimo. Os uruguaios, no entanto, estão p… da cara porque dizem que o seu país está irreconhecível, e têm razão.
Não aparece ninguém tomando mate!, me disse, furiosa, uma diretora de teatro daqui.
Fiquei pensando que isso de tomar emprestado o nome de um país e o tornar irreconhecível é falta de respeito. Se não querem pesquisar, inventem um país, uma cidade, uma Macondo da vida, como fez Gabriel Garcia Marquez. Mas, se usam o nome, é preciso fazer o país, ao menos, reconhecível, ter um mínimo de respeito.
Tudo bem, o Uruguai é um país pequeno que lá, nos Estados Unidos, é, para a maioria das pessoas, como um desses países da África dos quais eu não sei nem o nome. Mas, se um dia, eu escrever um livro que se passe num desses países que, hoje, não sei o nome, vou pesquisar e apresentá-lo como merece.
Por outro lado, assisti a um filme uruguaio muito bom: O quarto de Leo. Para os que conhecem, o diretor é Enrique Buchichio. Esse, não pode ser mais uruguaio. Bonito, lento, melancólico,com um humor sutil, delicado, quase inglês e repleto de mates… 

 

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Não quero ter razão, quero é ser feliz II

14 de março de 2010 3

 

Há algum tempo, postei sob esse mesmo título, uma pergunta: até onde a frase do Gullar, não quero ter razão, quero é ser feliz, é aceitável.

O que eu não conseguia (e ainda não consigo) era decidir se gostava ou não da frase.

Ela é só uma bobagem de efeito (como o próprio Gullar diz que é) ou uma verdade intuída. Até onde podemos abrir mão de nossas razões e ser feliz sem perdermos a dignidade? Qual o limite? Vale a pena se anular completamente?

A pergunta ficou no ar.

Há poucos dias, li, na Folha de São Paulo, a resenha de um livro Eloge de l´amour (O elogio do amor) do filósofo francês Alain Badiou.

Repito, não li o livro, li apenas a resenha, assim que não sei se a conclusão a que cheguei está de acordo com o pensamento de Badiou, mesmo assim, olhem que interessante.

O que Badiou diz é que, nas relações amorosas, mesmo sem saber, procuramos nos outros não a identidade mas o ponto de resistência. Buscamos o lugar exato onde esse outro resiste à submissão, resiste em adotar um pensamento idêntico ao nosso,  o lugar em que ele é capaz de dizer: Você não vai me dobrar.

No amor, esse você não vai me dobrar não é uma recusa mas um convite. Ao invés de se anular em nós ou de nos pedir que nos anulemos, o outro nos convida a instaurar o amor numa região rara onde vamos aprender a construir e a durar entre coisas que parecem desestruturar a gramática de nossos desejos.

Ou seja, estou chegando à conclusão que é possível, sim, amar e ter razões. Mais que possível, necessário.

 

Postado por ana mariano

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Razão tinha César

12 de março de 2010 7

O Uruguai me recebe de volta com um friozinho e as primeira bergamotas. Os semáforos não se apagaram ainda ( eles se apagam no inverno) mas já se pode sentir o outono.
Além de trabalhar no meu livro, estou lendo, para discussão numa reunião de clube de leitura,  Memórias de Adriano de Marguerite Yourcenar.
Lembram dele? Fez muito sucesso há alguns anos. Eu não tinha lido.
Confesso que, se não fosse pelo tal clube, eu tinha desistido nas primeiras páginas. Não que seja um livro ruim. Ao contrário. É muito bem escrito, recheado de belas reflexões que, desde o início, eu sublinhei. É admirável o estilo e a erudição da autora, a pesquisa muito bem feita, mas, confesso, no princípio, eu lia dois parágrafos e dormia.
Na agonia de ir adiante, pensei muito no Cortazar. Ele dizia que há apenas uma lei para se escrever um bom romance, a lei da gravidade: o livro não pode cair da mão do leitor. Pois, da minha, caia, toda hora. Só agora, lá pela página 82, estou começando a ler com prazer de leitora, não só de escritora e, por isso, como sempre faço quando gosto do que leio, divido com vocês.
Enquanto espera que o imperador Trajano o nomeie seu sucessor, Adriano vive em aflição. Suborna pessoas para saber o que está acontecendo, vive todas as intrigas que, dizem, as cortes do mundo inteiro têm.
Dentro deste contexto, ele repete uma frase muito conhecida ( é melhor ser o primeiro numa aldeia que o segundo em Roma)  mas que é vista por ele ( pela autora, claro) sob uma nova e interessante perspectiva na qual eu não havia pensado. Eu entendia sempre como: é melhor ser o mais importante, não importa onde. Mas, olhem que interessante o enfoque de Adriano:

“ Razão tinha César de preferir ser o primeiro numa aldeia ao segundo em Roma. Não por ambição ou glória vã, mas porque o homem colocado em segundo lugar não tem escolha senão entre os perigos da obediência ou da revolta ou ainda os, mais graves, do compromisso.”

Nada pessoal, falando com isenção, sem quebrar a regra de não fazer ou discutir política  aqui, mas, mal comparando, não lembra um pouco a Dilma?

Postado por ana mariano

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Ecologia racional

10 de março de 2010 2

Se existe alguém ligado em natureza, sou eu.
Adubo a terra, tenho minhocário para fazer meu próprio húmus, mantenho cinco caixas com abelhas para mel e para polinização, faço podas nas horas e da forma correta. Todas as árvores do meu jardim, com exceção de um abacateiro, uma figueira e duas goiabeiras fui eu quem plantou ou, se nasceram de forma espontânea, fui eu quem cuidou para que crescessem  em paz, bem adubadas, em local correto.
Numa dessas últimas tempestades, uma árvore do meu jardim ( uma orelha de macaco) , foi derrubada pelo vento no jardim do vizinho. Uma outra, ao lado dessa que caiu, está também apodrecida e ameaçando cair.  Tenho ainda um abacateiro antigo que está morrendo e, para tentar salvá-lo, quero fazer uma poda. É uma árvore grande. Vou precisar contratar andaimes para fazer o serviço.
Querendo ser politicamente correta, apesar de tudo estar acontecendo dentro do meu jardim, não tomei nenhuma atitude antes de pedir licença para a Secretaria do Meio Ambiente.
O pedido foi feito no dia 14 de dezembro.
Só ontem, dia 9 de março, e só porque acionei conhecidos de conhecidos que têm contatos dentro da secretaria, consegui que viessem fazer a tal revisão.
A poda foi autorizada, a retirada da árvore apodrecida também.
No entanto, como “penitência” por ter a árvore apodrecido sozinha e precisar ser retirada, vou ter que plantar quinze mudas de árvores nativas no meu jardim ou doá-las para o parque do Jacuí.
Mas, me avisou, a moça que veio fazer a vistoria, aqui tem bastante espaço, a senhora vai plantar aqui mesmo e  árvores frutíferas.
Eu sou calma, mas, quando me irrito, uso o que minha filha chama de A VOZ .
Não sei bem como é  A VOZ mas, pelo que sei, ela deixa claro que, por trás da minha aparente calma, existe em mim, naquele exato momento, uma vontade irresistível de matar alguém.
Não há paciência que resista a alguns defensores do meio ambiente.
Primeiro demoram três meses para vir fazer a vistoria, só vêm porque acionados por “pistolões”, me penitenciam por árvore que apodreceu sozinha e será retirada porque de forma comprovada é risco para as construções ao redor e ainda querem mandar no meu jardim?
Quando perguntei se eu não tinha o direito de escolher as árvores e o lugar onde plantá-las, ela ainda me puxou a orelha dizendo que eu havia escolhido plátanos, que são árvores “exóticas”, não nativas.
Ora, quem conhece a zona onde moro, sabe que essas “árvores exóticas”, estão sendo plantadas aqui desde 1800. A Estrada do Conde que leva a Guaíba e que fazia parte da antiga Estância do Conde é linda justamente porque passa sob um túnel de plátanos centenários.
Ao contrário de mim, as pessoas que moram ao redor, usa o rio como lixeira. Dá pena, ver as sacolas plásticas boiando em época de enchente. Alguma campanha de conscientização foi feita? Essa senhora, que ao invés de  elogiar a forma como tomo conta do meu terreno, se arroga no direito de me chamar a atenção e decidir que árvores devo plantar e onde, fez algo a respeito?
Não, mas, uma vizinha aqui da rua que, para poder construir a casa, tirou dois gravatás e uma goiabeira , árvores consideradas como “pragas” porque nascem em qualquer lugar, não dão sombra e nem madeira, foi processada criminalmente. Será que os “pecados” dos que podem pagar multas são mais pecados que os pecados dos outros?
O que salvou o pessoal que veio fazer a vistoria foi a gentileza do rapaz, que me pareceu o chefe. Gente boa, gente de São Borja. Só por ele, abrandei A VOZ  e não pratiquei nenhum assassinato.

Postado por ana mariano

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