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Posts de outubro 2010

Um pouquinho escatológico

31 de outubro de 2010 0

Um amigo meu, com oitenta anos, participou recentemente de um torneio de golfe senior. Junto com ele, outros, na mesma faixa etária. Lá pelas tantas, um ficou com vontade de fazer xixi. Usando esse dom que Deus deu apenas aos homens ( injustiça de cuja verdadeira extensão só nos damos conta quando estamos grávidas ou mais velhas) ele foi atrás de uma árvore. Momentos depois, volta com as calças molhadas.
- O que houve – perguntou meu amigo – não deu tempo?
- Deu, – respondeu o outro - o problema foi que “ele” escapou da minha mão e entrou de novo nas calças. Aí, eu já havia começado, não deu para parar.
Os dois, tanto o que participou diretamente da façanha, quanto meu amigo, seguiram rindo até o final da volta.
Já que Deus não me deu o dom de fazer xixi em pé e em qualquer lugar, que me dê ao menos esse outro, mais importante, de rir de mim mesma como fizeram esses dois.
Rir de nós mesmos é o que nos mantém assim, ativos e sem idade.

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Comer, rezar, amar

28 de outubro de 2010 1

Ontem fui assistir Comer, Rezar, Amar. Não li o livro. O filme me pareceu uma ótima idéia mal aproveitada. Sei que é bobagem mas achei falso o Javier Barden  fazendo-se passar por brasileiro. Ele é Penélope Cruz demais, Almodóvar demais. Deviam ter pego alguém menos conhecido. Mas isso é  bobagem minha, não se pode estar querendo que só brasileiros façam brasileiros no cinema. O que mais achei mesmo é que faltou alguma coisa que surpreendesse, qualquer coisa. Até o elefante era previsível. Podia ser algo simples como, por exemplo, a assistente social no filme que assisti antes de ontem – Juntos por acaso, que aqui no Uruguai ficou Sob el mismo techo. Um filmezinho alegre, divertido e inteligente. Muito legal como Juntos por acaso quebra um clichê que se repete em todos os filmes envolvendo crianças sem pais: o assistente social antipático mas fácil de enganar que joga sempre pelas regras. Não vou contar mais porque os que viram, sabem do que estou falando e os que não viram não vão querer que eu estrague a surpresa.
Não tenho nada contra americanos, apenas acho que, por serem um povo rico, habituado a que cuidem dele, ficam meio dependentes, assim como os meninos ricos habituam-se a terem babás. Por isso, porque os americanos médios não se aventuram na vida real, sendo a história verdadeira, é admirável a coragem daquela mulher. Podia ter sido melhor explorada. E quando falo em coragem estou me referindo não apenas a de largar tudo, casa, marido, mudar de vida, ir até a Índia ( será assim mesmo, tão horrível?) internar-se num templo. Tão ou mais admirável é a coragem de comer aquela quantidade absurda de massas e pizzas sem preocupar-se com os “rolinhos” na barriga. O conselho que ela dá à amiga sueca vale a entrada: os homens não se preocupam com rolinhos, estão tão faceiros em terem uma mulher nua nas mãos que não pensam em mais nada. Não é que é capaz de ser verdade? E se for, não é uma libertação? De qualquer forma, a guria não foi boba: primeiro comer. Se a ordem fosse diferente, ela não  teria chegado a Bali com tudo no lugar. Pelo que mostraram, não há “rolinho” que resista a um templo na India. Como eu disse antes: uma ótima idéia mal desenvolvida.

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Preciso urgente de um poema

26 de outubro de 2010 4

” Era domingo e, depois de alguns dias cinzentos, vi pela janela da sala que a manhã estava clara e iluminada. Embora não tenha, aparentemente, qualquer motivo para cair na fossa, nada impede que, de repente, na manhã clara, a alma se acinzente. Por isso, antes que isso ocorresse, tratei de sair de casa pela avenida Atlântica, a uma quadra e meio de onde moro.
Não faço cooper, mas andar é o recurso de que lanço mão quando, não sei por que, a vida perde o sentido. Nessas horas, meus amigos, não há teoria que resolva, já que é a cabeça mesma que diz não.”
Assim Ferreira Gullar começou sua crônica do dia 24 de outubro passado. O assunto não era fossa, era o acaso, mas porque, às vezes, o comentário te diz mais do que o discurso, prendi-me nesse comecinho.
Para todos nós, por melhor que as coisas estejam, sempre há dias em que a vida perde o sentido. Cada um tem seu sistema de passar esses momentos. Alguns comem, Gullar caminha, um amigo meu trabalha, eu, não sei bem o que faço, acho que alguma coisa que depois eu possa mostrar e dizer, o dia não foi em vão, fiz isso. Na verdade, meu isso pode ser um bolo, um poema, a revisão do meu livro. No entanto, confesso: o que mais rápido me ajuda é correr. São os neurotransmissores, me diria um amigo neurologista para quem até o próprio amor é uma questão de adrenalina, serotonina, sei lá que outros nomes tenham essas “ninas” da nossa cabeça. O pior é que, quanto mais vivo, mais acho que ele tem razão. Cruzes, estou ficando “ateia”. Preciso urgente de um poema … 

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A dor nunca é organizada

24 de outubro de 2010 0

Uma vez por mês vou ao cemitério levar flores para meus pais e pagar a moça que mantém o túmulo limpo. Gosto de ir. Serve como um “lembra-te de que vais morrer”, me dá tempo para pensar e colocar as coisas, os pequenos problemas do dia a dia, em perspectiva.
Talvez seja um lado meu voyer, mas confesso que gosto de ir lendo os nomes escritos nos outros túmulos, as dedicatórias, faço cálculos de quanto tempo viveram os que ali estão, pergunto-me se foram felizes, se as palavras de louvor e saudade são verdadeiras. Por isso, faço sempre, dentro do cemitério, caminhos diferentes.
Na última sexta-feira, chamou-me a atenção uma foto. Estranhei por não estar presa no próprio túmulo mas num porta-retrato entre uma profusão de vasos plantados com diversos tipos de flores. O retrato, reconheci ao chegar, era de um colega  com escritório no mesmo prédio que o meu e que faleceu, há cerca de um ano, naquele acidente da TAM em São Paulo. Sobre seu túmulo, além da foto, a profusão de vasos com as mais diversas flores me comoveu porque fazia lembrar a mesa posta para um filho que queremos agradar mas não sabemos bem como, não lembramos exatamente do que gosta, então, fazemos um pouco de tudo. Aquela homenagem caótica, com um pouco de tudo, me pareceu mais verdadeira em sua dor que os grandiosos túmulos dos chineses ( há vários) sempre impecáveis nos  brilho de seus bronzes e nas suas flores de cores combinadas. Nesses, me parece, há formalismo e obrigação, no do porta-retrato, havia desespero e amor.

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O desafio divertido de Shakespeare

21 de outubro de 2010 1

Se puderem, apareçam. Será  hoje à noite, 19 horas, na livraria Cultura do Bourbon Country, o lançamento do livro organizado por Jorge Furtado e Liziane Kugland: Shakespeare, faça você mesmo.
A idéia é ler Shakespeare divertindo-se e ousar traduzi-lo. Após cada soneto, há um espaço em branco para que o leitor faça a sua própria tentativa.
Além de divertido o livro ajuda uma boa causa, seus direitos foram doados à Unicef e serão aplicados a programas de incentivo à leitura.
Em meio a nomes cinematográficos ( Lázaro Ramos, Fernanda Torres, o próprio Jorge, seu filho Pedro) junto a pessoas ligadas à literatura e demais curiosos, lá estou eu, faceira igual pinto no lixo, como disseram quando alguém importante ( não lembro se o Papa ou o presidente dos Estados Unidos) visitou a favela .  
Minha tradução foi do soneto 12, um que apareceu no filme do Jorge: O homem que copiava. Tentei manter rimas e métrica, mas fica mais difícil e não é obrigatório. Nada é obrigatório. A idéia é se divertir.

Quando o relógio dobra o tempo em badaladas
E vejo o dia jovem afogar-se em noite;
Quando observo as violetas já fanadas
E, dos negros cachos, a prata ser enfeite

Quando das folhas se desnuda o arvoredo
E o rebanho nele já não encontra abrigo
Quando o verde do verão parte em degredo
E na carreta é barba de um rosto antigo

Da tua formosura busco o sentido
Pois no rastro do tempo ela vai partir
Eis que todo belo se esvai ou é banido
Veloz fenece ao outro ver surgir,

  Contra a foice do tempo não terás defesa,
  Só a força de um filho o faz soltar a presa.

O soneto 1 foi traduzido por Juarez Guedes Cruz, meu amigo e colega, autor de A Cronologia dos Gestos. Ficou muito bonito.

À perfeição desejamos permanência
Sendo assim, que a linda rosa nunca morra.
E, se o tempo corromper a sua essência,
Que a mesma essência no herdeiro ocorra.

Mas tu, encerrado em teu olhar brilhante,
Te consumindo em tal recolhimento,
A dor causando a quem seria amante
Trocando a alegria por constrangimento.

Tu que do mundo és ornamento vivo,
Abrindo a estação com belas flores,
Matas a esperança com teu modo altivo
E, ao invés de beleza, espalhas dores.

 Mas cuidado! Ou a dívida sem cura
 Será cobrada em tua sepultura.


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Ionesco

18 de outubro de 2010 3

Ionesco

Fui assistir à peça A Lição, de Ionesco, com Marcelo Adams e Luísa Herter, elenco , direção de Margarida Leoni Peixoto.         
A montagem recebeu o Premio de Incentivo à Pesquisa Teatral.
Teatro do absurdo que, se pensarmos bem, não é tão absurdo assim, pois se apoia num determinismo do qual nem aluna nem professor conseguem escapar, a peça deixa exposto o que está encoberto (a força animal do sexo) e questiona as regras muitas vezes absurdas da educação.
Nessa versão, o grupo optou por substituir a empregada ( com a suástica) por uma mãe imaginária numa clara alusão ao filme Psicose de Hitchcock. ” …nos demos conta de que as vítimas, nos filmes do Mestre do Suspense, parecem muitas vezes perdidas dentro de um labirinto de enganos e situações absurdas, dos quais tentam fugir desesperadamente.”
Vale conferir. De sexta a domingo, 20 horas, Teatro de Arena.

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Drexler e eu

17 de outubro de 2010 0

Sou Áries com ascendente em Virgem e lua em Libra. Isso faz de mim uma confusão danada. Na aparência, “guriazinha querida da mamãe”. Por dentro, Lupicínio. Só percebe, quem me conhece muito bem.

Pelo meu lado ariano, me atiro de cabeça, me envolvo demais ( foi o que aconteceu nos últimos dias) e não consigo escrever nada que valha a pena postar.

Quando isso acontece, fico muito mal, com sentimento de dever não cumprido

Escrever um blog tem que ser prazeroso, diz meu lado ariano.

Assumiste um compromisso, dizem Virgem e Libra. 

Bom, tudo isso é para pedir desculpas pela ausência. Andei envolvida com o livro e a neta.

A essas alturas da vida , já me dei conta que sou mais importante como avó do que como

escritora. Levo a tarefa muito a sério.

Sobre meu romance, já falei . Está pronto. Deixei dormindo durante um mês.

Nessa semana, o retomei para uma última leitura. Dei a nós dois esse tempo porque quero ler como leitora. A escritora já sabe a história. A leitora tropeça.

Nunca entendi porque escrevê-lo foi tão difícil.

Burrice, diz meu lado ariano.

Calma!, deve haver uma explicação melhor, me sussurra Libra.

Uma entrevista do Drexler consolou-me. Deu-me alguma coisa em que me agarrar. Olha, o mar não tem cabelos onde se possa agarrar, insiste meu lado ariano. Finjo que não escuto e conto que Drexler foi convidado por Julio Bocca, o coreógrafo argentino, para escrever uma obra que será dançada pelo Ballet Nacional no próximo ano. O maior desafio, ele diz, é a história. Quero que a obra conte algo, que se desenvolva e isso é muito complicado para quem está habituado a composições curtas.

Eu, até agora, só havia escrito poesias e contos. Se escrever obras longas é difícil para o Drexler, imagina para mim.

Tudo bem, sei que não disse muita coisa, mas acalmei o meu lado virginiano.

Falando sério, a entrevista do Drexler está ótima. Escrever é renovar teu compromisso, ele diz. É esquecer tudo o que foi feito e começar do zero. Por isso, é tão difícil.

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Museu Nacional

09 de outubro de 2010 2

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No Museu Nacional da Colombia, terceiro andar, o destinado à época moderna, tive duas surpresas.
A primeira foi uma foto da Companhia de Plantação de Bananas cuja greve, que resultou em milhares de mortos nunca assumidos pelo governo, é relatada por Gabriel Garcia Marques em Cem anos de Solidão.
A segunda, uma sala em homenagem a Carlos Pizarro.Confesso que não lembrava dele.
Tão ou mais bonito que Guevara, não sei como ainda não fizeram ( talvez tenham feito e eu não saiba) um filme sobre ele. Olha que roteiro!
Com apenas 18 anos ele entra para a FARC mas a abandona deixando preso a seu uniforme um bilhete – Ya vuelvo. Esse é o nome da exposição.
Mais tarde ele funda o movimento M 19. Em 1990, depois de meses de negociação o movimento deposita as armas e Pizarro, deixando sua pistola sobre uma bandeira da Colômbia, entra na disputa pela presidencia.
Oferecemos algo elementar, simples e sensato: que a vida não seja assassinada na primavera, era seu lema.
Alguns dias depois, num avião,um jovem de 21 anos o assassina dando fim à campanha de apenas 45 dias.
Notem o interesse do guarda ouvindo o audio sobre Pizarro.

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Botero

07 de outubro de 2010 2

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Ontem estive no museu Botero. Um belíssimo museu, uma parceria do artista, que cedeu as obras ( dele mesmo e de outros que pertenciam ao seu arcevo) e do governo, que cedeu a casa ( uma linda casa colonial).
Durante a visita fiquei pensando por que gosto tanto de Botero.
É um grande artista, claro, mas o que me atrai tanto nessas figuras gordas, generosas?
As figuras humanas pintadas por Botero têm alma, sentimentos, suas expressões são, ao mesmo tempo iguais e diferentes.
Iguais porque parecem que estão sempre nos escondendo alguma coisa. Mesmo quando nuas, estão nos mostrando apenas seu lado “público”.
A alma, pois elas tem alma, ainda que segundo o próprio artista, não queriam tê-la, está dissimulada sob camadas e camadas de corpo.
Tenho a impressão que tudo em Botero – pessoas, animais, frutas, flores, telhados, objetos – carrega uma bagagem, algo que os diferencia. Uma banana pintada por ele tem uma “carga” uma história diferente de qualquer outra banana. Parece que assimilou algo que não existe em outros lugares, em outros países. Ao ler o também colombiano Gabriel Garcia Marquez sinto algo parecido, a mesma exuberância. Em Cem Anos de Solidão tudo, até mesmo a chuva, é exagerado. Mas o exagero em Garcia Marques é diferente. De forma paradoxal, o que me atrai em Botero talvez seja a discrição de suas figuras. Embora grandes, gordas, fartas, embora nuas, elas são extremamente discretas. Notem se não tenho razão?

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Desconfortos

04 de outubro de 2010 2

Estou em Bogotá, na Colômbia. Cheguei ontem à noite. Do país tenho ainda pouco a contar.
O primeiro impacto é a preocupação com a segurança. A cada 100 metros há um policial fardado e um cachorro. Nas entradas dos edifícios e dos shoppings todos os carros são revisados, os porta-malas abertos para exame da polícia e dos cães.A segurança, é claro, melhorou muito, esse aparato todo está surtindo efeito.
Será que precisaremos chegar a ele?
O que conto hoje, infelizmente, tem a ver com o Brasil.
No dia da viagem, acordamos às 6 horas para estar no aeroporto às 7 pois o voo saía de Porto Alegre para São Paulo às 8 e a conexão para Bogotá às 12,30.
Nevoeiro. Voo cancelado. Coisas que acontecem.
A Gol conseguiu nos acomodar em outra companhia, até aí tudo bem.
O aeroporto abriu, mas o vôo dessa outra companhia atrasou pois havia uma peça que não funcionava bem. Foi consertada. O avião taxiou até a pista e voltou pois a peça deu problema novamente.
A Gol retirou a todos nós do avião (éramos um grupo de 18 só para a Colombia, fora os que iam para outros países) para decidir o que fazer.
Ainda do corredor de desembarque, veio a ordem de voltarmos ao avião pois a peça havia, finalmente, sido consertada.
Nesse momento, o pessoal da Gol em terra nos garantiu que não nos afligíssimos pois todas as conexões internacionais da Gol esperariam por nós em São Paulo.
Chegamos em São Paulo às 11 horas, ou seja, uma hora e meia antes do voo e aí começaram os erros.
Os funcionários da empresa ( havia uns 10) alegavam que não sabiam da nossa vinda (!!!) e que precisávamos ficar esperando o supervisor.
Entre choros e ranger de dentes, com as malas em mãos e sabendo que o avião para Colômbia estava a alguns passos de nós, aguardamos o supervisor por uma hora.
Às 12 horas, o voo saía às 12,30, a supervisora veio e, kafkianamente, informou que não poderíamos embarcar porque, em voo internacional, é necessário chegar ao aeroporto 2 horas antes.
Não adiantou argumentar que nossa passagem era Porto Alegre/ Bogotá e que só chegamos a São Paulo por outra companhia porque o voo da Gol havia sido cancelado. Não fosse assim, nossas bagagens estariam etiquetadas para Bogotá desde à 7 horas da manhã.
Ela estava irredutível.
Foi quando alguém do grupo teve a brilhante idéia de ligar para a agencia de turismo, a agencia falou com alguém graúdo da Gol. Como o efeito uma junta de bois nos tirando do atoleiro, veio o carteiraço!
O que era impossível aconteceu como deveria ter acontecido desde o início. Funcionários da empresa levaram nosso grupo e malas para o check-in e em menos de 10 minutos estávamos no avião.
Ou seja, por pura falta de boa vontade, sem a menor necessidade, em razão da burocracia, atrasamos o voo dos demais passageiros e ainda nos estressamos.
Até bem pouco tempo, nós, brasileiros, eramos reconhecidos por sabermos agir diante de situações inesperadas. O que aconteceu conosco? Quando ficamos assim, travados e burros?
Da viagem de 5 horas e meia, do avião velho, sem televisão, sem canais de audio ( hoje até os ônibus têm), dos bancos tão grudados uns aos outros que era impossível mexer as pernas, do meu banco que, por ser o último, não deitava nem aquele mínimo imperceptível, da comida servida em pratinhos de papel, não vou nem falar porque vocês já sabem.
O que me deixou ainda mais triste é ver em tudo o logo da VARIG. Nossa VARIG, aquela empresa que nos fazia sentir orgulho de sermos brasileiros. Ler VARIG em todo aquele desconforto dava vontade de, em nome dos velhos tempos, pedir que tivessem mais respeito e não usassem esse santo nome em vão.

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