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Posts de novembro 2010

Acasos determinantes

29 de novembro de 2010 1

Na escola nos ensinam que a descoberta do Brasil teria acontecido por acaso, decorrente da busca do caminho para as índias e de uma calmaria. A Guerra dos Farrapos  seria  consequência dos altos impostos. Porque para tudo há uma causa simples, fácil de decorar, terminamos o primário com a certeza de que  duas ou três frases bastam para explicar a vida.
Com o tempo, percebemos que as “causas” que os livros ensinam, embora necessárias para que possamos responder às questões de uma prova e passar de ano, são redutoras.
Todos os fatos importantes, sejam da nossa vida pessoal, sejam da vida do país ou do mundo, são resultado não de uma única causa mas de uma série de “acasos determinantes ”.
Alguém (Bion?)  disse que as idéias estão no ar e os “poetas” (uso a palavra aqui com seu significado amplo de “aquele que faz”) as captam, como quem captura passarinho, num certo momento.
Vocês já se deram conta das vezes em que um prêmio Nobel é dado para pesquisadores que, em países e culturas distintas, estão desenvolvendo a mesma idéia? Foi assim com a corrida espacial, foi assim com a bomba atômica. Li uma vez numa crônica do Marcelo Gleiser que as grandes descobertas científicas são frutos de “um passo além”, uma intuição, um arriscar-se.
Penso nisso quando vejo o que está acontecendo no Rio de Janeiro.
A decisão aparentemente sem sentido dos traficantes de atacarem a população queimando ônibus e carros foi o desencadeador imediato, a gota d´água. Por que digo sem sentido? Eu entenderia se fossem terroristas. Esses querem matar inocentes para poderem colocar a culpa nos governos. Mas que sentido há nos traficantes colocarem seus clientes, o povo, contra eles mesmos? E, no entanto, aconteceu, fruto talvez de uma necessidade de demonstrarem sua força.
Penso que, para o que está se passando no Rio, vários fatores contribuíram. Até mesmo o sucesso do livro, Elite da Tropa e dos dois filmes – Tropa de Elite 1 e 2 – foram importantes: prepararam a população para um herói policial. O confronto estava pronto para acontecer, esperando apenas uma faísca para explodir.  Há quanto tempo nos perguntávamos: por que não usar o exército e acabar com isso?
Tomara que dê certo, tomara que reduza o crime, tomara que reduza a corrupção.  Tenho grandes esperanças porque chegamos até esse momento levados por uma série de “acasos determinantes”. Tenho grandes esperanças poque todos nós estamos fartos, não aguentamos mais.

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Essas mulheres

26 de novembro de 2010 0

 O Alvaro Barcellos, de Pelotas,  leu e gostou do meu poema Migalhas de Domingo.  Entrou em contato  e , desde então trocamos e.mails. Sempre que ele vem a Porto Alegre, procuramos nos encontrar. Vencedor de  muitas batalhas está agora empenhado na luta difícil de publicar seu primeiro livro de poemas:  Num céu de muitos remendos. A receptividade das editoras tem sido muito boa, chovem elogios mas, sabemos todos, publicar poesia não é fácil.  Os que quiserem saber mais sobre Alvaro podem acessar o blog www.alvarobarcellos.blogspot.com ou ouvir as entrevistas que faz todas as quintas feiras, 21 horas no Programa Olhares na Radiocom 104.5 de Pelotas, que pode ser acessada em www.radiocom.org.br. Sua última entrevista, que infelizmente não ouvi porque estava viajando, foi com Aldyr Schlee, nosso querido  ganhador do Fato Literário desse ano.  Quem é amiga de poeta não morre pagã. O Álvaro me dedicou um poema. Quem não gosta de receber um poema? Só que esse, do Álvaro, me tocou bem no fundo pelo entendimento que demonstra da mudança dolorida que precisei fazer na minha vida para ser agora um pouco mais parecida comigo mesma. Minha  luta continua. Gestos como esse, do Álvaro, a tornam mais fácil. Obrigada, meu amigo.

Essas Mulheres
  
  Para Ana Mariano

Nem sempre foi assim
mas o tempo
- sempre o tempo -
veio trazendo em si
as marcas todas
de uma (nem sempre surda)
rebelião…

nem sempre foi assim
mas a luta
- sempre a luta -
impregnou de flores
antigas estradas
onde se acumulavam ( nem sempre
apenas) pedras…

nem sempre foi assim
mas hoje – bendito fruto
da ação do tempo e do frescor
gestado no ventre da luta
já há outro paladar
que se percebe (talvez nem sempre)
nas migalhas de domingo.

                                Alvaro Barcellos

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O charme da monarquia

20 de novembro de 2010 4

O grande sucesso por aqui, além do lançamento do último filme do Harry Potter, é o noivado do príncipe. Quanto ao filme, as críticas ( páginas e páginas) dizem que o rosto de Daniel Radcliffe ( o Harry) varia  apenas entre pensativo ou preocupado, que Emma Watson ( Herminone)  é obrigada a ter nenhuma  expressão e que o sardentinho Rupert Grint, a quem elogiam como ator, por força do texto, é obrigado  a mostrar apenas aflição, ciume ou raiva porque isso é o que está no livro “e o que você lê é o que você tem, nem um sorriso a mais”.

Quanto a Kate Middleton  e o príncipe William, não se fala em outra coisa. Estão todos muito orgulhosos de que a provável futura rainha venha da classe trabalhadora. Seu avô por parte de pai era mineiro. Os pais de Kate, antes de ganharem dinhiero com uma empresa de festas infantis ( Party in Pieces) e comprarem uma belíssima casa, eram, respectivamente, aeromoça e despachante de vôo. “Novos tempos para a monarquia” ou “uma monarquia mais”normal”  ou  “classe média, era o que a firma estava precisando”, dizem os jornais.

Não sei não. Tenho corrido de manhã cedo pelos parques bem  em frente ao St. James Palace e o  palácio da rainha, além de esquilos, cisnes e gansos , tenho observado  pompa e circunstancia: aulas de equitação, cavaleiros a galope, guardas e bandeiras, a troca da guarda. No hotel onde estou, para entrar no bar é preciso estar de gravata. Jeans, nem no café da manhã, tênis, muito menos. É assim que eles gostam. Tomara que Kate possa trazer novos ares, mas será difícil. A muralha é alta demais.  

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Os exageros do correto

18 de novembro de 2010 0

Ontem, jantei no Rules que dizem ser um dos mais antigos restaurantes aqui de Londres. Comida boa, ambiente  interessante,  paredes cobertas de quadros, caricaturas, antigos cartazes. Ao lado da minha mesa, o retrato a óleo de uma senhora, feito , imagino eu, que na década de 50. Mulher bonita, cabelos encaracolados, vestido verde, pérolas e uma pele de raposa com cabeça e tudo. Era comum naquela época, não causava nenhum frisson ecológico, usar esse tipo de pele com olhos de vidro, boca, focinho. 

Olhando aquela pintura, não pude deixar de pensar na questão do Monteiro Lobato.

Não sei se vocês todos sabem, para os que não sabem, conto: os livros de Monteiro Lobato estão ameaçados de serem banidos dos colégios sob a acusação de racismo. Fiquei sabendo por  um amigo e depois li na Ilustríssima da Folha ( 14/11) uma grande reportagem a respeito.

Fiz a associação pele-de-raposa-Monteiro-Lobato porque, se examinarmos com olhos de hoje, Monteiro Lobato usa , ao descrever tia Nastácia, expressões que nenhum autor usaria. Não lembro, no entanto, de ter saído da leitura de seus livros ( e Reinações foi o primeiro livro que li, aos 6 anos) com qualquer sentimento racista ou pensando que, por ser preta,  tia Nastácia não devia ser respeitada. Ao contrário, porque havia ocasiões em que ela  era mais inteligente ou perspicaz que a dona Benta, pelo carinho de todos os outros personagens por ela, aprendi a respeitar nela a sabedoria dos humildes, algo que hoje procuro mostrar a minha neta.

Se examinarmos bem, não é apenas com tia Nastácia que Monteiro seria “politicamente incorreto”. Ele chama dona Benta de velha, Emília de ciganinha (porque tem tino de comércio), o senhor Fritz de alemão e faz o Pedrinho caçar uma onça. Aliás, numa edição recente de Caçadas de Pedrinho uma nota de rodapé explica que o personagem mata a onça porque o autor vivia numa época em que a ecologia não era respeitada.  

Já pensaram se a moda pega?  

Os livros infantis, que já precisam competir com essa infinidade de meios mais modernos de se “ouvir histórias”, podem, com certeza, dispensar  notas de rodapé.

Não acham que seria mais fácil respeitar  a inteligência do leitor ?

Tanto tentam consertar o olho da gateada que o entortam ainda mais. Chamando a atenção para a diferença eles a criam.  

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Aquele jeitinho Fredolino de ser

14 de novembro de 2010 8

Pois, estava eu, num dia gris, pesquisando restaurantes existentes em Porto Alegre na década de sessenta quando dei de cara com essa crônica de Milton Ribeiro. Os gaúchos com mais de, sei lá, 50? 40?, os que conheceram o restaurante Floresta Negra e o  Fredolino vão rir com conhecimento de causa. Os demais podem ler como se fosse um conto e rir da mesma maneira. Admiro, do fundo do coração, quem consegue escrever com humor.  

” Luís Fernando Veríssimo deve ter escrito mais de dez crônicas acerca desta grande figura. Eu, aqui de baixo, escrevo a minha primeira. Fredolino Schirmer foi o proprietário, chef e maître do saudoso restaurante Floresta Negra, de Porto Alegre. A comida de Fredolino era… melhor economizar nos adjetivos. Não só o Luís Fernando ia lá, muita gente ia reverenciar as criações de Fredolino. Havia quem viajasse para conhecer o Floresta, outros atrasavam compromissos para visitá-lo e nós, que morávamos aqui, não nos incomodávamos com as longas filas para entrar no restaurante.

Conheci Fredolino numa destas filas. Ele saiu do restaurante, examinou o número de pessoas à espera – entre as quais estava eu – e berrou:

- Olha aqui, ó. Vão embora!

Não acreditei que o senhor que dissera aquilo, voltando imediatamente para o restaurante, pudesse ser o lendário Fredolino Schirmer, mas era. A cidade inteira sabia que Fredolino era um mestre da cozinha, mas que costumava tratar mal, muito mal seus clientes. O Veríssimo, que estava sempre lá, discordava. Além de exaltar a qualidade internacional de sua produção, escrevia que o dono do Floresta tinha uma espécie muito particular e incompreendida de gentileza. Eu diria que o velho Fredolino desejava apenas que as pessoas fruíssem do melhor e defendia-as agressivamente de sua própria vulgaridade. Só isso.

Mas voltemos ao restaurante: tentei novamente e consegui entrar. Já acomodados – eu, minha ex-mulher e um casal de amigos -, recebemos a atenção do maître, aquele mesmo senhor que berrara conosco na fila outro dia. Devo dizer que todos nós tínhamos um pouco de medo do velho (o Luís Fernando também, ele que negue!). Então, quase desculpando-nos por importuná-lo, pedimos nossos pratos. O meu era um linguado ao molho de maçã, coisa até então inimaginável. Minha ex me imitou, ou eu a ela, não interessa. Quando fomos servidos, ela viu Fredolino aproximar-se com uma enorme pimenteira e, ao mesmo tempo que protegia o prato com as mãos, perguntou com toda a delicadeza e receio:

- Será que vai ficar bom com pimenta?

Fredolino trovejou:

- Claro que fica bom! – e tacou-lhe enorme quantidade da coisa, enquanto ela tirava rapidamente as mãos do caminho.

Recebi outra chuva em meu linguado e afirmo-lhes: aqueles linguados não morreram em vão!

Outra vez, a mãe de uma amiga minha foi ao Floresta e – em noite de lotação completa – perguntou a Fredolino:

- Esta nata é uma coisa dos deuses! De onde o senhor tira esta maravilha?

Fredolino não respondeu, mas logo depois ela soube que receberia uma resposta literal quando o viu avançando pelo salão com um enorme balde de plástico ornamentado por uma colherona. Mostrou-o a ela enquanto mexia a colher e disse para todo o restaurante ouvir:

- Tiro daqui, ó!

Devo dizer-lhes que esta senhora é uma mulher finíssima, educadíssima, destas que a simples idéia de estar num restaurante lotado, sendo observada pelos circunstantes enquanto olha para baixo, bem dentro do balde de nata de um Fredolino aos gritos, basta para perturbar o sono por meses.

Hoje almocei com a minha mulher e perguntei-lhe se ela o conhecera. Dez anos mais jovem do que eu e tendo passado muitos anos fora de Porto Alegre, disse-me que apenas conhecera sua fama de cozinheiro e de intratável. Mas, sendo ela também habilíssima nestas coisas de culinária, pensa que um chef tem que ter opinião e que não deve curvar-se inteiramente aos gostos pessoais dos clientes, se achar que o resultado ficará prejudicado. (Lembro-me de que quando entrei na cozinha da Claudia pela primeira vez, ela me alertou: – Este território é meu, tá?, no máximo, deixo lavar a louça, conversar e comer. Estou feliz em meu papel.) Mas ela disse mais sobre Fredolino: acredita que é normal os artistas terem certos desvios de comportamento e que o contato com certos portoalegrenses metidos poderia gerar efeitos danosos ao humor do velho. Recordo-me que alguns de nós – provincianos que tínhamos o privilégio de conviver com o mestre – pretendíamos dar palpites em seus pratos e éramos quase expulsos do Floresta Negra! Ainda estão em minhas retinas as vezes em que vi Fredolino balançar negativamente a cabeça, dizendo para uma mesa de desavisados:

- Se vocês querem comer isto, erraram de restaurante. Vão embora!

Outra vez ouvi uma senhora de idade solicitar determinado prato. Como resposta, obteve esta pérola: minha senhora, na sua idade e a esta hora tardia eu não aconselharia este prato. Vou trazer-lhe outro mais leve e adequado, de minha escolha. E dirigiu-se à cozinha.

Outro fato curioso era a política de preços do Floresta. Naqueles tempos de inflação, Fredolino demorava meses para reajustá-los. Assim, nosso melhor restaurante tornava-se muito barato em alguns períodos. Porém, um belo dia, tínhamos a surpresa de ver os preços multiplicados por três ou cinco. E ai de quem reclamasse! O período mais sensacional do Floresta foi o ano de 1986. Com o congelamento de preços baixado por Dílson Funaro durante o governo Sarney, pudemos comer meses e meses no Floresta a preços módicos. Foi um ano inesquecível.

Fredolino Schirmer faleceu há uns 20 anos. Sua esposa Christa publicou um livro com as principais de receitas de seu marido o marido pela Editora Tchê!, em 1992. Para encontrá-lo, só em sebos. Como ele ficou na casa da minha ex, não tenho certeza se Christa publicou a receita do linguado com o qual sonhei esta noite.

Em tempo: acabo de encontrar uma crônica de Luís Fernando Veríssimo com referências aos grande Fredolino:

(…)Quando conheci o Gerry Mulligan, em Porto Alegre, a fase das drogas ficara muito, muito para trás. Ao contrário de Chet, Gerry tinha vencido sua luta contra a dependência, era um respeitável senhor de barbas brancas. E a longa sucessão de mulheres na sua vidaque incluíra a atriz Judy Holliday – tinha acabado numa bela italiana chamada Franca, que Gerry conhecera durante a gravação do seu disco com o Piazzolla, na Itália, e aposto que ficou com ele até o fim. Era evidente que a Franca tinha tudo dominado.Depois da apresentação fomos jantar com Mulligan, mulher e trio, a convite do adido cultural americano. O melhor restaurante de Porto Alegre, na época, era o “Floresta Negra”, cujo dono e maitre, “seu” Fredolino, era uma figura controvertida: muitos confundiam com rudeza o que era apenas bom humor alemão, que as duas coisas nem sempre se distinguem. Estávamos acostumados com seu jeito, e com o fato que em noites de muito movimento a dona Christa e sua equipe, na cozinha, não davam conta, e a comida demorava.

Mas Franca não queria saber do folclore do lugar, queria alimentar o seu homem. E deu-se o choque de culturas. “Seu” Fredolino expulsara gente do restaurante por menos do que ouviu da italiana, naquela noite. Por um momento a mesa ficou suspensa, à beira de um incidente internacional. O adido cultural e eu, representando nações neutras, ficamos calados. Mulligan nem tomara conhecimento do confronto, aquela era a área de ação da mulher. Manteve a sua pose de patriarca viking.

Seu” Fredolino talvez tenha se dado conta de que enfrentava uma leoa, e a possibilidade de grandes estragos materiais no seu restaurante. Recuou. Ninguém foi expulso. Dali a pouco veio a comida. Estava ótima. Acho que a Franca até elogiou. As forças do Eixo estavam recompostas. Durante o jantar, não adiantou eu querer perguntar ao Mulligan sobre Zoot Sims e outros que tinham tocado com ele, inclusive o Chet Baker. Ele queria falar no Garcia Marquez.

Eu nunca fui expulso por Fredolino. Um dia, arranquei dele uma gargalhada. Foi uma pequena glória ver a mesa me olhar boquiaberta.”                         

                                                                                                                              Milton Ribeiro

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Variadas

12 de novembro de 2010 2

No avião, voltando do Uruguai, terminei de ler Leite Derramado do Chico Buarque.
Eu havia dito aqui que era muito bem escrito, mas um pouco repetitivo.
Retiro o que disse. Ao longo da leitura, a repetição ( que, como eu havia também comentado, explica-se no fato de a história ser contada por um velho)  transforma-se em ritmo, deixa de incomodar.
Me penitencio por não haver feito essa retificação antes.  Os prêmios não me influenciaram, o livro realmente é bom. 
Outra emoção que veio, inesperada, foi o show do Paul.
Fui, confesso, mais porque meu filho convidou.
Só que, de repente, o rosto envelhecido do Paul no palco contrastando com o outro,  o das minhas lembranças dos anos sessenta, a mistura maravilhosa de pessoas de todas as idades na platéia, as letras fazendo lembrar, tudo isso transformou o show em pura emoção.
Tive a impressão de que, naquelas três horas, a vida ia, voltava e ia de novo, passava e repassava, inteira, na minha frente. E não apenas a minha vida, eu sentia que todos, ao redor, pensavam o mesmo.
Um rapaz, ao meu lado,  quando me viu chorar, olhou bem nos meus olhos e disse
—  PUTA MERDA, PUTA MERDA…
Caminhou dois passos, foi, voltou, repetiu:
— PUTA MERDA!!! PUTA MERDA!!!
Meu marido, indeciso, sem saber se era preciso brigar. Meu filho entendendo tudo.
— PUTA MERDA, PONTO!!!
O rapaz concluiu antes de ir embora satisfeito, com cara de quem disse tudo.  E ele disse.
Emoção misturada com falta de palavras (e uma ou duas cervejinhas) é assim mesmo que se diz. 

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Para tapas e beijos

04 de novembro de 2010 2

Ando muito atrasada nas minhas leituras. Só agora, quase um ano depois, estou lendo o Leite Derramado do Chico Buarque. Como já haviam-me dito, é um livro bem escrito. Estou ainda na metade, mas pareceu-me um pouco repetitivo. A repetição é proposital, são  lembranças de um velho e os velhos repetem-se. Apenas não sei se funcionou.  Ouvir as mesmas histórias durante 100 páginas é uma coisa, durante 200 é outra bem diferente. Achei interessante que a Matilde, a mulher pela qual o personagem, Eulálio Assumpção, é obcecado, lembra muito a Marieta do Chico. Lembra, físicamente, no demais, não sei. Sempre colocamos um pouco (muito)de nós nos nossos livros. Antes, achava que acontecia só comigo. A gente sempre acha que é “original”. Mais tarde, dei-me conta de que todos os fazem. Se lerem a biografia de Gabriel Garcia Marquez, vão identificar uma quantidade enorme de fatos que estão em seus livros, até mesmo aquela cena do homem que se suicida junto com o cachorro. A tia do Tia Julia e o Escrevinhador, de Vargas Llosa, é baseada numa parente com quem ele se casou. Ontem, quebrei um copo ( detesto quebrar copos, faz-me sentir uma total incompetente). Hoje, acordei com dor de barriga. Tudo porque estou terminando ( enfim !) meu livro e colocando a mim mesma na janela, para tapas e beijos. Espero que mais beijos do que tapas.

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