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As muito bonitas que me perdoem

19 de dezembro de 2010 0

Sabem a Gisele Bündchen? Pois, diferente dela, quando o vento bate, meu cabelo não fica esvoaçante, fica descabelado, quando minha camiseta escorrega pelo ombro, não fica sexy, fica desarrumada.
É que, como diria Adélia Prado, não sou tão feia que não possa casar, mas também não sou, nem nunca fui, nenhuma beleza.
Só que (e se não houvesse este só que não haveria crônica), há momentos em que algo acontece e eu fico bonita.
Talvez seja a luz num ângulo certo ou o vento que se atenua, não sei, mas há dias em que, quando passo, o pessoal repara, assobia, quer meu telefone.
Nessas horas, depois de confirmar se não estou com algo “aparecendo”, me deixo embalar pela maravilhosa sensação de ser bonita.
Se meus quinze minutos de beleza durassem mais do que quinze minutos eu seria convencida.
Por isso, porque semelhante a Tirésias que foi, alternadamente, homem e mulher, eu conheço os dois lados, posso, com conhecimento de causa, sugerir a vocês uma resolução de ano novo: em 2011 apostem num amor feinho.
As razões? Deixo que Adélia Prado explique.

Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um para o outro.
Uma vez encontrado é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos quer os quantos haja.
Tudo o que não fala, faz. 
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca, da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial, o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão, o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho.
                                                                                                     (Adélia Prado, Amor feinho)

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