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Posts de março 2011

Olhem que coisa mais gostosa...

28 de março de 2011 1

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Que torre é esta?

27 de março de 2011 1

Que torre é esta, vovó?, é uma pergunta que escuto com frequência.

Por influência de Rapunzel e outras princesas, minha neta de dois anos é louca por torres.

Tirando a Das Quatro Princesas, que são os quatro pilares da ponte do Guaíba (ok, eu enfeito um pouco mas, iluminados, os pilares conseguem ser bem impressionantes) e tirando também as duas chaminés (a da antiga fábrica da Brahma e a da Usina do Gasômetro) todas as demais são torres de igrejas e, na igrejas, como sabemos, acontecem  casamentos.

Assim, depois de responder à pergunta – que torre é esta, vovó – eu invariavelmente escuto a afirmação— é aqui que eu vou casar.

Meu filho solteiro, defensor da teoria de que a “mania de casar” nasce com a mulher e perdura por toda a  vida, logo salta:

—  Viu?, eu não disse, dois anos e já pensando em casamento!

Sorrio, mas fico me perguntando se ele não tem razão. Talvez o www.querocasar.com esteja mesmo em nosso DNA. Somos fêmeas, e buscamos um macho que nos ajude a produzir e cuidar dos nossos filhotes.

No entanto, diferente do meu filho, não acho que casar seja o problema.

Para mim, o problema é  o príncipe encantado pois, depois de afirmar que – é aqui que eu vou casar – minha neta pergunta : cadê o príncipe vovó?  

Esse é o grande problema!

Aproveitando os filmes infantis modernos, tenho tentado reverter a situaçao e convencê-la de que príncipes andam meio fora de moda. Na verdade, não os príncipes, mas esperar por eles. 

A Rapunzel dos Enrolados (Disney-Pixar) usando os longos cabelos, a inteligência e uma frigideira consegue se virar muito bem sozinha. O príncipe, que na verdade não é príncipe, é um ladrão (adoro a Pixar!)  entra apenas como coadjuvante. A Julieta do Gnomeu e Julieta (Touchstone Pictures) não lhe fica atrás.

Escrevo em tom de brincadeira mas o assunto é sério. Uma amiga psicanalista está escrevendo um livro sobre relações amorosas e, entre outras coisas, tenta descobrir  se nós, mulheres, mudamos de verdade ou, se, no fundo, gostaríamos de poder continuar quietinhas em nossas torres à espera do príncipe encantado. 

Pelo sim e pelo não, estou fazendo meu trabalho de avó formiguinha e imprimindo, migalha por migalha, no cérebro da minha neta que, apesar da beleza das torres, príncipe encantado é, graças a Deus,  uma espécie em extinção.




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Sou amigo do livro, sou amigo do IEL

22 de março de 2011 4

Atendendo a pedido do poeta e professor Ricardo Silvestrin, diretor do IEL, aceitei ser presidente da Fudação Ligia Averbuck, entidade que tem por finalidade apoiar o Instituto Estadual do Livro.  

Muito trabalho, nenhuma remuneração e o prazer enorme de trabalhar com e pelo livro, isso é o que me espera.

Vocês sabem aquela joia que, embora pertencente a todos da família, por ter ficado escondida num cofre deixa de ser usada ou mesmo lembrada? Pois, esse, por razões diversas, foi o passado recente do IEL.

Como pode ficar num quase anonimato quem se propõe a dar oportunidade a novos autores, a despertar o prazer da leitura, a fazer com que os escritores e a comunidade se encontrem?  

Sou amigo do livro, sou amigo do IEL. Esse é o slogan. Vamos prendê-lo à lapela,  divulgá-lo?

Aos poucos, vou trazer notícias do que estamos fazendo. Aos poucos, espero conseguir novos amigos para o IEL. Entrem em contato comigo, entrem em contato com o IEL através do ielrs.blogspot.com.

O futuro agradece.

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A importância da falta

19 de março de 2011 1

Já escrevi aqui sobre esse assunto. A pedido de uma amiga, repito a idéia de uma outra forma. 

Para os antigos gregos, o amor era um demônio filho de dois deuses: a Falta (Penúria) e o Recurso. Ou seja, eles sabiam a importância da falta. A consideravam deusa porque entendiam que é ela quem nos incentiva a seguir adiante em busca de algo melhor.

Diferente deles, nós, modernos, temos a mania defeituosa de abominar o vazio.

No metrô de Londres, a toda hora, ouve-se uma advertência  – mind the gap.  Não há nada de profundo ou de poético nisso, é apenas um lembrete para que as pessoas tomem cuidado com o espaço vazio entre o trem e a plataforma, no entanto, Antonio Cícero escreveu que a ambiguidade existente nessa simples frase fazia nascer nele um prazer estético.

Ele tem razão. Se pensarmos de uma forma metafórica, essa advertência comum pode ser entendida como – dê importância ao vazio.

Existe uma peça musical de John Cage chamada 4’33 na qual, durante quatro minutos e trinta e três segundos, os músicos apenas ficam lá, no palco, segurando seus instrumentos, não tocam. A idéia é fazer com que as pessoas percebam os ruídos existentes no ambiente, ou seja, que percebam a música surgindo da falta de música.

Se é assim, diriam alguns, se dessas coisas pode vir prazer estético, não é preciso mais escrever-se música ou poesia. São coisas diferentes, graduações diferentes. Como explica Antonio Cícero: o fato de nos deleitarmos com o ruído do vento na copa das árvores e com frutas silvestres não impede que continuemos precisando da música ou da culinária.~

Mas, essa é outra discussão. Hoje falo apenas sobre a importância de percebermos que de um lugar repleto, já totalmente tomado de coisas, palavras, sentimentos, dificilmente nascerá algo. Precisamos do vazio para criar. Se não sentíssemos necessidades, estaríamos eternamente saciados e imóveis. É o vazio que nos faz ir adiante.

Assim, se amanhã acordarem (como eu muitas vezes acordo) tristonhos, sentindo falta, achando a vida vazia, não reclamem: agradeçam ao vazio e vão à luta.





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Cervantes, nunca mais?

09 de março de 2011 6

Ontem, um amigo e eu discordamos sobre literatura.

 Para ele, a função primordial do livro é o entretenimento. E a palavra entretenimento aqui envolve uma qualidade necessária: ser fácil de se ler. Livros como o Finnegans Wake de Joyce ou Avalovara de Osman Lins estariam condenados pois rompem esse pacto tácito de entreter.

 Se esse meu amigo fosse de ler só “Paulo Coelho” (uso esse nome como metáfora até porque o Paulo Coelho está habituado e nem se importa) eu não perderia meu tempo.

 O interessante é que ele lê, e muito. Na verdade, mais livros técnicos, mas, quando lê ficção, os livros que escolhe, embora cumpram fielmente com a função de entreter como acima entendida, não podem ser classificados como ruins. Para dar um exemplo que o situe melhor: detestou 100 anos de Solidão, está adorando Tia Julia e o escrevinhador.

 Li os 100 anos  três vezes, lerei outras tantas, é um dos meus livros de cabeceira, mas confesso que, da primeira vez, fiz uma listinha com os personagens. Até percebermos que os nomes repetidos importam pouco, pois o que se conta vai muito além da história, é mesmo complicado.  Não só esse meu amigo, várias pessoas que eu conheço o acham chato.

 Outra opinião desse meu amigo é que, na época em que vivemos, porque tudo já foi dito, porque não há mais novidades, não surgirão mais escritores que permaneçam ao longo dos séculos, como Shakespeare ou Cervantes. O exemplo que deu foi Adam Smith cuja teoria econômica hoje seria já ultrapassada, mas continua sendo citada por ter sido a primeira.

 Eu e ele, cada um entrincheirado com seus argumentos, não chegamos a um denominador comum. Notem, eu não acho que ser capaz de tomar o leitor pela mão e levá-lo sem percalços até o final seja defeito, mas também não acho que um livro, para ser bom, precise ter menos do que 10 personagens.

 Essa discussão não é estéril ou acadêmica. Muitas pessoas  concordam com o meu amigo (na verdade, a maioria) e, quando tantos pensam da mesma forma, há que refletir-se a respeito.

 A lista dos mais vendidos é uma prova do que eu disse acima. Os editores, é claro, negam-se a publicar livros “difíceis” a não ser que o autor seja consagrado e morto, um Kafka, por exemplo.

 Tenho amigos que, mesmo já tendo obras publicadas e premiadas (pagaram eles mesmos a primeira publicação), por escreverem de forma elaboradas, não conseguem editor, a não ser pagando o selo, para seus novos livros. Notem, não estou falando apenas de inciantes. 

 Se não conhecêssemos a obra de Cortázar, pensaríamos que, quando ele diz — a única regra a ser obedecida por quem escreve é impedir que o livro caia das mãos do leitor aborrecido —  dá ganho de causa ao meu amigo E, no entanto, com 800 páginas,  muitos personagens e  diversos capítulos opcionais, O Jogo da Amarelinha é tudo menos fácil. 

 Então, ao que parece, aquilo que Cortázar entende por aborrecido é exatamente o inverso do que meu amigo entende como tal. Para Cortázar, o aborrecido é sinônimo de banal, previsível, fácil de ler.

 Ezra Pound (um poeta difícil) ensina com clareza porque eu e meu amigo não chegamos a um acordo: “grandes doses de rancor crítico foram dispendidas inutilmente por uma incapacidade de distinguir entre duas espécies totalmente diferentes de escrita: livros que um homem lê para desenvolver as suas capacidades e  livros que são concebidos como repouso, ópio, leitos mentais. “Ninguém dorme sobre um martelo mas não se arranca um prego com um colchão, por isso não se pode usar para livros diferentes os mesmos padrões críticos”.

Tudo bem, essa afirmação lança luz sobre o assunto, mas, mesmo assim, mesmo entendendo que não se pode comparar laranjas com bananas, fico preocupada.

Se os editores só publicam o que vende e, se, cada vez mais, o que vende é o “fácil de ler” e esse fácil de ler é, na maioria das vezes, banal, que futuro terá a literatura? Será que estamos mesmo condenados a não ter jamais outro Cervantes?  


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Viva o povo brasileiro

07 de março de 2011 2

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Poema de Maria Elena Wash por Mercedes Sosa

06 de março de 2011 0

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Gosto mesmo de Máscara Negra mas o Chico é mais chic

05 de março de 2011 0

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Dostoiévski e a 3YZ

05 de março de 2011 2

A empresa de comunicação 3YZ ( www.3YZ.com), ganhou o prêmio mídia show na categoria digital com uma campanha para as lojas Renner.

Sabem como é a campanha? Quando a pessoa acessa o site, a câmera do seu computador é ativada. Ela vê a si mesma na tela e ouve uma voz dizendo: Uau!!! Como você está linda ! Ainda bem que se deu um tempo e passou nas lojas Renner ( ou algo parecido).

Achei a idéia maravilhosa ( Como é que ligam a câmera assim, no mais? No entanto, essa parte parece que é fácil) e, numa associação mais do que livre, fiz um paralelo entre essa campanha da 3YZ e o livro do Dostoiévski que estou lendo — Memórias da Casa dos Mortos.

Mais fácil de ler, mas sem o encanto de Crime e Castigo ou de Os Irmãos Karamázov, Memórias da Casa dos Mortos é, digamos assim, apenas o acender da câmera.  

De forma documental, distanciada, ele narra as situações e os homens que Dostoiévski conheceu nos quatro anos que passou na prisão condenado à morte. Desse enfrentamento com a casa dos mortos e seus habitantes emergiram os inesquecíveis personagens de suas outras obras. .

No comercial da 3YZ a emoção surge quando, ultrapassada a parte técnica, a câmera é ligada e a pessoa se vê na tela ouvindo o elogio.

Em Dostoiévski, a emoção também surge depois, quando as paixões, o sofrimento físico e mental do cárcere observados e narrados de forma distanciada em Memórias da Casa dos Mortos ganham, (em Irmãos Karamazov, em O Idiota, em Crime e Castigo) um rosto, um corpo, uma individualidade.

Não basta observar e descrever o sofrimento, não basta saber ligar a câmera, é preciso dar-lhe um rosto. De preferência, o do próprio leitor.

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E o Oscar foi para...

02 de março de 2011 1

Se bem me conheço, não vou conseguir assitir ao 127 Horas. Assim, imagino que  assisti ontem ao que será o meu último filme entre os 10 indicado ao Oscar 2011: O Vencedor.

Detesto luta de box, ver dois homens se soqueando me agonia, passei grande parte do tempo de olhos fechados e dedos nos ouvidos, mesmo assim, valeu a pena.

 A interpretação de Christian Bale (prêmio de melhor ator coadjuvante) é sensacional. Tão sensacional que até desconfiei que não tivesse merecimento, ou seja, desconfiei que ele fosse tão parecido com seu personagem que estivesse, de certa forma, interpretando a si mesmo.

Tenho sempre essas suspeitas. Picasso, por exemplo, só dei a ele o valor que merece quando comprovei que já aos 18 anos ele pintava, e muito bem, da forma tradicional. Aliás, tenho essas desconfianças também quanto alguns poetas, nunca sei se não usam rima ou métrica por opção ou porque não sabem.  

Voltando ao Bale, não me lembrava de tê-lo visto antes.

A internet me informou que desde os 13 anos ele se salienta como ator e  me deu uma longa lista de filmes dos quais participou, incluindo Batman Begins e o Grande Truque ( a esse eu assisti). Em nenhum desses há um personagem sequer parecido com o ex-boxeador viciado em crack a que Bale dá vida em O Vencedor. O cara é bom mesmo!

Muito boa também a interpretação de Jennifer Lawrence em Inverno da Alma. Uma menina! Nasceu em 1990. Isso foi ontem!

Além de Jennifer, para os que gostam de escrever, o filme é uma grande aula sobre como fazê-lo. Mostra como pode ser mais interessante o não dito, o apenas sugerido. Ensina a não explicar demais. O elemento mais luminoso de Inverno da Alma é tudo aquilo que não é dito e que não é visto. Um homem desaparecido, violências silenciadas e personagens que nos são apresentados como restos de uma história que já passou. Vemos então o que vem depois, o posfácio de uma trama cujos segredos e virtudes estão justamente nessa sutil, inteligente e pouco explorada ideia de que todo começo parte de um final. ( Carol Almeida)

Quanto aos demais, ganharam os que eu achava que ganhariam: O Discurso do Rei, Colin Firth e Natalie Portman.

Concordei também com a escolha do melhor diretor embora, pelo ritmo que soube imprimir ao filme (o agoniadamente rápido ritmo de um jovem gênio nos dando a impressão de que, tudo bem, entendemos, mas estamos sempre um pouco atrás) eu torcesse por David Fincher de Rede Social.

Uma fofoca final. Dizem que, depois da festa, Colin Firth teria esquecido a estatueta no banheiro. Belo exemplo da famosa fleuma inglesa.

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