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Posts de maio 2011

Vicky

30 de maio de 2011 1

Cada família parece ter suas características.
Já escrevi aqui sobre a melancolia dos Marianos.
Escrevo agora sobre a criatividade dos Furtados.
Uma amiga me passou a dica e visitei o site de Vicky Furtado Travi.
Vicky é fotógrafa, mora em São Paulo, tem, por enquanto, como referência o fato de ser sobrinha do Jorge Furtado, o cineasta mas a guria é tão boa que logo mais, quem sabe, a referencia se inverta e o Jorge será o tio da Vicky.
A partir de 1 de junho ela estará expondo seus trabalhos ( ensaio sobre Frida Kahlo) em Porto Alegre, na Cristóvão Colombo 3.133.

O blog da Vicky é http://vickyfurtado.blogspot.com.

Vale conferir.

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Ai Weiwei e a casa M

21 de maio de 2011 0

Em abril passado, exatamente no dia do meu aniversário, o artista chinês Ai Weiwei foi preso pelo governo de seu país sob a alegação de não pagamento de impostos. A comunidade internacional, no entanto, afirma ter sido por sua posição crítica e contestadora. Até onde eu sei, ele continua preso.

Tive a oportunidade de visitar a sua exposição ( Unilever Series) na Tate Modern em Londres. Milhões e milhões de sementes de girassóis feitas em porcelana. 

Bonito, não há dúvida, estéticamente bonito, quero dizer, chegava-se a duvidar que não fossem sementes de verdade. No entanto, para mim o mais bonito foi o vídeo que se podia assistir ao sair da exposição.  

Quero que as pessoas que não entendem de arte, entendam o que estou fazendo, diz o artista. E, realmente, o trabalho cresce quando a ele se agrega o fator humano.

Lembrei disso agora às vésperas na inauguração da Casa M, uma casa que “inaugura” a Bienal do Mercosul. Será um espaço para relaxar, aprender, tomar um café, onde os que entendem a Bienal e gostam e para o que não gostam ou não entendem possam conhecer como as coisas são feitas.

Só se ama o que se conhece, dizem. Eu concordo.


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O casamento real por Elio Gaspari

20 de maio de 2011 0

De Wallis.de.Windsor@edu para Kate@org


Você vem de uma família de mulheres fortes e entrará noutra na qual, há séculos, os homens são fracos


QUERIDA KATE MIDDLETON,
Sexta-feira você terá o que eu não tive. Entrará na abadia de Westminster, para os braços de William, o homem que te ama. Pelo amor que me tinha, o rei Eduardo 8º abdicou em 1936 e viveu no exílio até sua morte, em 1972. Repete-se à exaustão que, desde 1660, você será a primeira plebeia a se casar com um futuro rei da Inglaterra. Preste atenção na maneira esnobe como apagam minha presença. David, assim nós o chamávamos, largou o trono e casou-se comigo meses depois. De Wallis Simpson, Duquesa de Windsor, fala-se o mínimo possível, de preferência, mal. Meu retrato nesse filme “O Discurso do Rei” é patético. O Bertie era gago, mas eu não era mal-educada. Outro dia, a czarina Alexandra Romanoff disse-me que fazem comigo o que os bolcheviques fizeram com Trótski, o único comunista charmoso que há por aqui.
Hoje, chamam a família real de “A Firma”. Um mundo de elegância, riqueza e esplendor. A mim, deram ferocidade, frieza e rancor. Não me convidaram para o casamento de Elisabeth com aquele nobre grego arruinado. Repetem que eu não podia ser rainha porque era divorciada. Parece maldição. Três dos quatro filhos da rainha se divorciaram. Em 1991, li no “New York Times” um artigo do Chistopher Hitchens dizendo que o príncipe Andrew é filho de lord Porchester, o encarregado dos estábulos reais. Toda vez que pergunto a Diana quem é o pai do príncipe Harry ela desconversa. Vou às lágrimas quando vejo Margareth, a irmã de Elizabeth proibida de se casar com o piloto Peter Townsend, um divorciado. O moço era um herói da Segunda Guerra. Os dois estão sempre de mãos dadas. Chegaram a escrever que eu era um homem. E o filho que abortei do conde Ciano, que viria a se casar com a menina do Mussolini? Circularam coisas horríveis a respeito da sexualidade do David, mas a respeito desse assunto não abro a boca. Digo-lhe, Kate, que invejo o apelido dado ao seu noivo, “Big Willie”.
Kate, você não se casará com o príncipe apenas por ser bela. Jecca Craig, aquela moça do Quênia, também é linda e tem um jeito selvagem que faz o gênero do seu noivo. Você se casará com William porque é uma mulher forte, vinda de uma família de mulheres fortes. Sua bisavó Edith enviuvou cedo e, sem tostão, criou seis filhos. Sua avó Dorothy perseguiu obsessivamente a ascensão social, e sua mãe, Carol, transformou um hobby de apetrechos para festas de crianças num empreendimento milionário. Na sua família os homens são asteriscos, ou encrenca, como seu tio Gary, um perigoso cafajeste, ou seu irmão James, um bobinho.
Veja os Windsor: o bisavô de William não gostava de ler, seu negócio era cuidar da coleção de selos. Quem mandava na casa era a rainha Mary, com suas joias ridiculamente resplandecentes e seu gosto pelas pedras alheias. Ela depenou os Romanoff oferecendo uma ninharia pelas tiaras das infelizes grã-duquesas. Bertie teve um rochedo na mulher. Tudo o que David e eu padecemos partiu dela. Acredite que ele teve que pedir à sobrinha para que fossemos enterrados no campo de Frogmore, junto com seus ancestrais. A “Firma” foi salva pela força de Elisabeth 2ª.
Diana foi uma mulher forte, mas quando se casou era uma virgem ingênua. Camilla Parker-Bowles triturou-a. É uma leoa (até pela juba) e domesticou Charles. Pudera. Deitada, sua bisavó era a única pessoa no reino capaz de acalmar os acessos de ira de George 5º.
Os compadres de Windsor eram tão fracos que ainda hoje dizem que o chefe da família foi lord Mountbatten. Charles tenta copiá-lo. Os irlandeses explodiram-no em 1979. Jamais conheci corno tão frio, manso e calculista. E cornos conheci. Quando ele ia lá em casa, deixávamos sempre um criado por perto, pois um dia furtou uma peça Fabergé.
Kate, seus nove anos de namoro com William foram de convivência com um jovem sofrido, esmagado entre o dever público e tormentos familiares. Quando vocês foram morar juntos, ele deixou o lar deteriorado de uma família sem emoções. William sofreu o que há de pior, a morte da mãe, detestada no palácio e amada nas ruas. Você fez pelo seu príncipe o que não tive tempo de fazer pelo meu. Talvez nem conseguisse.
Ajude o mundo a se vestir melhor. Não é qualquer uma que, como nós, pode deixar a roupa cair como um véu sobre a cintura. Cuidado para não dizerem que o caimento de seu vestido de noiva lembra o do meu. (O lance da compra pública de calcinhas de renda foi coisa de perua, cuidado.) Morra de fome, mas não engorde. Nas saladas, as folhas de alface dos convidados devem ser aparadas, todas no mesmo tamanho. Vocês se acostumarão a só beber champanhe. William tomando cerveja com sambuca e você misturando rum com frutas tropicais são jovens maltratando o paladar. Joias, Kate, muitas joias no closet, mas poucas no corpo. Não faça como eu que gastava milhões com o Cartier. Há coisas bonitas e baratas. Aquela minha pantera com olhos de esmeraldas iria bem com turmalinas. (A Elisabeth Taylor arrematou-a num leilão e chegou aqui, linda, com ela.)
Você se casará no ascendente de Leão, com o Sol em Touro. Madame Claire, minha astróloga, diz que é bom presságio. Acho que você deve se preparar para a coroação de William a partir de 2020, quando Charles completará 72 anos. Em mais de um milênio, só três soberanos passaram dessa idade. As mulheres de Windsor são longevas, os homens, não. A rainha Vitoria viveu até os 81 anos e Elisabeth fez 85 na quinta-feira.
Cuide-se, você tem tempo.
David manda-lhe um respeitoso cumprimento e eu faço-lhe uma reverência.
Wallis, duquesa de Windsor

( Elio Gaspari, Folha de São Paulo 24/04/2011)

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Sem Receita

18 de maio de 2011 0

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E quem defenderá o homem?

13 de maio de 2011 2

Leio sobre um protesto contra o uso de peles de coelho por uma fábrica de calçados. Protesto tão veemente que fez com que a atriz contratada para fazer a divulgação da marca entrasse com uma ação contra a empresa por omissão de informação

No mesmo jornal, leio sobre o que está acontecendo na Foxconn, empresa chinesa fabricante do iPad e do iPhone.

O salário baixo não é o problema. Melhor pouco do que nada. O problema é aquilo que poderia ser resolvido com migalhas de compaixão: crueldade mental, cobranças humilhantes e públicas, hora extras intermináveis, falta de privacidade nos dormitórios.

A  onda de suicídios daí decorrentes foi resolvida não com a mudança de atitude com relação aos homens mas com a instalação de grades na janelas e redes sob as aberturas dos dormitórios e, justiça seja feita , com um aumento dose salários.

Talvez por ter morado na estância, encaro com normalidade a morte de vacas, ovelhas, galinhas. São animais criados para esse destino. Da mesma forma os coelhos.

Respeito, no entanto, os que se escandalizam com essas mortes. Mais que os simples vegetarianos, respeito os veganos que não comem e nem utilizam nada de origem animal. Admiro sua coerência.

Respeito, ainda que não concorde, os que atacam as modelos que desfilam com casacos de vison. Não concordo porque, para mim, uma coisa é matar filhotes de foca, tigres, onças, animais em extinção, outra bem diferente é criar animais tendo por objetivo utilizar a sua pele.

Alguém pode me explicar a diferença entre um casaco de couro de vaca e outro, de pele de coelho? O argumento de que o coelho é mais bonitinho não vale.

Respeito tudo isso — os protestos, os ataques com tinta, o acorrentar-se frente a uma fábrica de casacos de pele ( ainda que não entenda por que não o fazem também em frente a uma fábrica de sapatos) — o que não posso admitir é que nenhuma voz se levante contra a crueldade com o homem.

O pior é que já me disseram que, quando a situação melhorar na China, será a vez da África. Até quando?

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Que é a poesia? ( Antônio Cícero)

09 de maio de 2011 0



Eis a diferença entre o poema e demais entes: não olvida a natureza líquida de todas as coisas



PARA DIZER o que penso ser a poesia, recorro, em primeiro lugar, ao poema “O Rio”, de Manuel Bandeira: “Ser como o rio que deflui/ Silencioso dentro da noite./ Não temer as trevas da noite./ Se há estrelas nos céus, refleti-las./ E se os céus se pejam de nuvens,/ Como o rio as nuvens são água,/ Refleti-las também sem mágoa/ Nas profundidades tranqüilas”.

Desde o título, “O Rio”, torna-se inevitável pensar no famoso rio do filósofo grego Heráclito, em que não é possível pisar duas vezes. O primeiro verso reforça essa impressão: “Ser como o rio”… Mas a sentença de Heráclito -aparte certas interpretações recherchées- enfatiza o mobilismo universal, o fato de que coisa nenhuma jamais permanece a mesma. O rio de Bandeira, ao contrário, é em primeiro lugar a própria imagem da constância e até de um certo estoicismo: “Ser como o rio que deflui/ Silencioso dentro da noite./ Não temer as trevas da noite”.

O rio a defluir silenciosamente dentro da noite não teme as trevas da noite porque ele é também o rio da noite, isto é, a noite enquanto rio. O infinitivo aqui é implicitamente desiderativo: ele manifesta um desejo. Mas quem é que aqui deseja? Talvez se possa dizer que aquele que deseja é o poeta, ou talvez o “eu” lírico, o heterônimo, o personagem em que o poeta se transforma para escrever o poema; mas o infinitivo excede qualquer subjetividade, qualquer “eu”.

A rigor, não interessa quem deseja, mas apenas o próprio desejo, que se identifica com o ser. Feito um fenômeno da natureza, feito o próprio rio silencioso dentro da noite e feito a própria noite, o desejo, o ser, os versos do poema e o próprio poema estão lá, no infinitivo, silenciosos como o rio e como a noite.

Fundem-se no poema o leitor, o poeta, a noite, o rio, as estrelas: “Se há estrelas nos céus, refleti-las./ E se os céus se pejam de nuvens,/ Como o rio as nuvens são água,/ Refleti-las também sem mágoa / Nas profundidades tranqüilas”.

Se há estrelas nos céus, o poema as tem na superfície. Se há nuvens que o impedem de refletir as estrelas, aquelas são refletidas na profundidade do seu ser, pois as nuvens são feitas da mesma água que ele. Aqui é de Tales, o primeiro filósofo grego, para quem tudo vem da água e tudo volta para a água, mais do que de Heráclito, que me lembro.
E me lembro sobretudo do poeta Jorge Luis Borges, para quem, segundo o poema “Nuvens (I)”, do qual faço a seguir uma tradução literal, recomendando, porém, veementemente ao leitor que não deixe de consultar o belíssimo original castelhano: “Não haverá uma só coisa que não seja/ uma nuvem. São nuvens as catedrais/ de vasta pedra e bíblicos cristais/ que o tempo aplanará. São nuvens a Odisséia/ que muda como o mar. Algo há distinto/ cada vez que a abrimos. O reflexo/ de tua cara já é outro no espelho/ e o dia é um duvidoso labirinto./ Somos os que se vão. A numerosa/ nuvem que se desfaz no poente/ é nossa imagem. Incessantemente/ a rosa se converte noutra rosa./ És nuvem, és mar, és olvido./ És também aquilo que perdeste”.

As nuvens são as transformações da água originária, isto é, são todos os entes que o tempo aplanará. Também são nuvens os versos do poema de Homero. Há entretanto uma diferença: os entes em geral perderam a memória de sua origem aquática e se esqueceram de que são nuvens.

A “Odisséia”, porém -o poema por excelência-, muda como o mar. Algo há distinto cada vez que a abrimos. Eis a diferença entre o poema e os demais entes: o poema jamais olvida, no fluxo de sua superfície significante, morfológica, sintática, melódica, rítmica e de suas submersas correntes semânticas, a natureza líquida de todas as coisas e, principalmente, de si próprio.

Lembro que outro dos primeiros filósofos gregos, Anaximandro, dizia que todos os entes determinados provêm do indeterminado (que ele chamava “ápeiron”) e têm como causa o indeterminado -que podemos entender como o movimento, a mudança, a vida, o tempo- do qual provêm. Em cada um deles, porém, o indeterminado se transformou em algum ente determinado. Também o poema é um ente determinado, mas um ente determinado que, refletindo o seu oposto, porta em si a marca d’água do movimento originário. Não apenas, cada vez que o lemos, ele se torna diferente do que era na leitura anterior, mas se torna diferente de si próprio no exato instante em que o estamos a ler. Chamo “poesia” essa propriedade do poema.


 Antonio Cicero, publicado há algum tempo na Folha de São Paulo

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A sabedoria do ouriço

04 de maio de 2011 2

Do livro A elegância do ouriço, de Muriel Barbery ( Companhia das lletras) ,  sublinho algumas frases:

A falculdade que temos de manipular a nós mesmos para que o pedestal de nossas crenças não vacile é um fenômeno fascinante.

                                                                ***

Que é educar? É propor incansávelmente camélias sobre o musgo, como derivativos à pulsão da espécie, que jamais pára e ameaça continuamente o frágil equilíbrio da sobrevivência.

                                                      ***

… decoramos   nossos  interiores com redundâncias.                                                   













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Ernesto Sabato

01 de maio de 2011 0

A razão, segundo Ernesto Sabato, no sirve a la existência porque el alma del ser humano, en lo más profundo, no está para esas cosas  e el corazón de cualquier mortal es un conjunto de contradicciones.

Sobre heróis e tumbas (1961), um dos melhores romances argentinos do século XX, consagrou Sabato mas já em O Túnel ( 1948) encontramos o escritor magnífico que, ao descrever um “simples” crime passional, aponta a amplidão do desconhecido.

Porque nada de grande se fez sem paixão, O Túnel é um romance sobre a paixão, mas não apenas. A paixão que aprisiona o personagem Juan Pablo é a manifestação  de algo maior, metafísico, absoluto: a inarredável solidão humana.

O que me encanta nesses romances densos como contos é a maneira como o autor extrai de cada palavra o seu queixume, faz com que cada uma delas cumpra com exatidão a difícil missão de descrever

Em O escritor e seus fantasmas,  Sabato  nega o culto ao estilo: de nada serve a literatura se não buscar o sentido mais profundo da existência.

A beleza em Ernesto Sabato é, sim, feita de tristeza …Pero… pero… pero… ¿de qué serviría la novela, la pintura, si no lograra encontrar el sentido profundo de la existencia del hombre? ¿De qué? ¿Conoce usted a alguno de los grandes que se proponga, simplemente, alcanzar la belleza? Claro que en la obra del artista hay belleza, pero detrás de ella está el dolor. Es una belleza golpeada, desgarrada por el dolor.”

Adeus, Sabato, até mais…

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