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A (in)comunicação da internet

05 de janeiro de 2012 3

Ouço as queixas dos amigos cujos filhos e netos estariam trocando a conversa em família por mensagens eletrônicas: fotos do hambúrguer que estão prestes a comer, recados dizendo se estão ou não com sono, se a festa foi boa e coisa e tal e tal e coisa. A internet, que deveria servir para unir, serve mesmo é para separar, acusam.

Sou a favor do olho no olho, mas fico pensando se o buraco não é mais embaixo.

Uma manchete recente no portal Terra afirma que o Facebook seria a causa de um em cada três divórcios na Inglaterra.

Ora, ninguém busca parceiro na internet se o casamento está bem. Portanto, ao facilitar o contato com novas pessoas, as redes sociais apenas oferecem uma saída.  

No caso dos adolescentes, a conversa virtual, os torpedos e emails são uma espécie de gíria à qual precisamos nos habituar. Há que estar atento.  

Quando converso com minha neta sobre fadinhas, gnomos, princesas e grandes dragões gagos, quem olha acha que nada está acontecendo, que estou falando por falar, brincando por brincar. Eles esquecem o que  disse a tão denegrida Raposa do Pequeno Prícipe: o essencial é invisível aos olhos.

As bonecas da minha neta, assim como os torpedos dos adolescentes, são apenas o visível. O essencial pode muito bem estar lá, aproveitando-se dele para existir.

Se alguém tem um falar diferente, mas é importante no nosso mundo, por que não aprender a linguagem dele?

Sob os brinquedos da criança ou sob essa conversa instantânea, aparentemente sem importância do adolescente, toda feita de palavras que parecem nada dizer, pode muito bem rolar o sentimento e nada é mais importante do que o sentimento porque, como dizia o Chacrinha: quem não se comunica se trumbica ou, de forma mais poética, como dizia o Vinicius: quem não pede perdão não é nunca perdoado.

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Comentários (3)

  • Sandra diz: 5 de janeiro de 2012

    que lindo que tu escreveu, parabéns, também acho que a net não é causadora dos problemas, divórcios e etc ela apenas oferece fugas, pra quem tá com vontade há tempos. Minha avó contava que antigamente os homens saiam pra comprar um cigarrinho e não voltavam mais, anos após a fuga, elas ficavam sabendo que o sujeito estava em outra. Traições, separações, fugas sempre existirão. Vivo dizendo a minha mãe pra ela aprender sobre esse novo mundo, e não condená-lo por ser novidade, já que o trem não vai parar, nem retroceder.

  • Diego diz: 6 de janeiro de 2012

    Permite-me levar para compartir?Já “roubartilhei “de voce.Muito bom!!!
    Abraço!

  • Angela Warlet diz: 6 de janeiro de 2012

    Oi Ana,

    Uma de minhas perplexidades adultas:por que nos afastamos da verdade, se é que sabemos qual a nossa verdade?
    A vida pode ser muito dura, e, pior que isso, cada um de nós é responsável.

    Excelente texto, como já nos acostumastes!

    Um beijo

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