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50/50

10 de janeiro de 2012 0

Fui assistir ao filme 50/50, adaptação do livro de Will Reiser  contando fatos de sua vida.   

A primeira cena mostra o protagonista se exercitando.

É de manhã muito cedo, o sinal para pedestres fecha, e, apesar de não haver tráfico, apesar de invejar a “coragem” de outro corredor que atravessa a rua, ele espera na calçada até que o sinal abra.

Ou seja, o protagonista não é um herói, é apenas um rapaz saudável e tão politicamente correto que chega a parecer bobo. Um cara comum com um emprego comum, um amigo excepcional, uma namorada que o trai, um pai com Alzheimer e uma mãe levemente castradora da qual ele procura se defender.

Uma vida normal , mas da qual ele tem medo, até que, de repente (apesar dos seus 27 anos, apesar de comer corretamente, de cuidar do corpo, de reciclar e respeitar sinais) ela o surpreende com um tipo raro de câncer e lhe dá apenas 50% de chances de sobrevivência.

Indicado ao globo de ouro, o filme, anunciado como uma comédia para rir alto, fez minha filha sair do cinema parecendo uma rena do Papai Noel: o nariz brilhante e quase roxo, de tanto chorar.

Ela (a filha, não a rena) e quem descreveu o filme como comédia para rir alto exageraram.

Com seu herói medroso, a psicanalista novata e atrapalhada, a mãe veterana, mas também atrapalhada (é mais fácil ser analista do que mãe), o médico que conta tudo sem olhar nos olhos,  riso,  morte, amor e  nojo convivendo misturados,  50/50 é, assim como a vida, uma bela comédia dramática que mostra, com competência, que a vida não tem roteiro, é confusa, inesperada, nem boa, nem ruim, está sempre a passar e a nos levar por diante.

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