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Posts de janeiro 2012

O segredo

29 de janeiro de 2012 0

Há uma loja na Avenida Farrapos, em Porto Alegre, que, há muitos anos, vende louça branca,  cristais, panelas.

O dono fica sentado a uma mesa logo na entrada cumprimentando os clientes e recebendo fornecedores. O filho fica nos fundos, no escritório, separado do resto da loja por uma parede de vidro.

É tudo muito simples. O cliente chega, é atendido por uma atendente (todas mulheres). Cada cliente já tem a sua, habitual.  A chama pelo primeiro nome  e é chamado por ela  também pelo primeiro nome.

A mercadoria está toda exposta em prateleiras. Feita a escolha, a tendente anota o pedido num pedaço de papel, que é entregue a um dos rapazes do depósito, que sobe correndo pela escada e que, dos meandros escondidos da loja, traz a mercadoria.  

Um outro a confere e é emitida a nota.

O movimento é sempre intenso. Sábados, então, é quase impossível .

Vocês são um case, eu disse um dia ao dono. Somos o que?, ele me respondeu desconfiado. Um caso especial, expliquei.  Quando todos estão usando computadores vocês seguem anotando os pedidos num papelzinho, a mercadoria desce do depósito nas mãos do atendente, passa pelo conferente e tudo acontece a contento e parece que cada vez vocês têm mais clientes.

A senhora sabe, ele me respondeu,  disfarçando o orgulho, no ramo,  somos os maiores do Brasil .

Confesso que fiquei surpresa. Maior do Brasil? Como assim? Onde, a tecnologia, os computadores, a logística?

Eles devem existir, sem dúvida, mas escondido. Assim, preserva-se a  impressão de que estamos ( e estamos) num antigo armazém sendo atendidos  pelo dono e pelo amigo atendente que sabe quem somos e de quem sabemos, também, o nome.  

Será essa proximidade, esse “atender junto” o segredo do sucesso?

Acho que sim. E acho mais, acho que o fenômeno se repete num espetáculo há 26 verões em cartaz aqui em Porto Alegre: Tangos e Tragédias.

As piadas, com poucas diferenças ( nesse ano introduziram a Luiza, que está no Canadá), são sempre as mesmas , as músicas também. Todos já sabem de cor. O ponto alto é quando os atores dirigem o público num coro absolutamente sem sentido feito de sons, ruídos e palmas. Precisam ver que coro! Também, com 26 anos de treino.

 O gran finale é na Praça da Matriz, em frente ao teatro, com os atores e o público gritando e brincando com o eco das ruas.

Não sei se alguém já fez uma tese a respeito. Se não fizeram, deviam fazer. Acho que o sucesso, tanto do bazar quanto do espetáculo que é o mesmo há 26 anos, tem a ver com o fato de que todos nos sentimos participantes e, de alguma forma, responsáveis. 

Será que essa mesma receita – sentir-se responsável e participante – não podia ser aplicada nas relações povo/governo em assuntos como  saúde, educação, trânsito?  

Será que aquela velha máxima do Kennedy: não perguntes o que o teu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer por seu país não podia realmente funcionar?

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Beatriz - Cida Moreira

22 de janeiro de 2012 1

A gente é feito pra dizer que sim

20 de janeiro de 2012 1

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No te rindas, Benedetti

14 de janeiro de 2012 1

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Moderna mitologia

14 de janeiro de 2012 0

Porque é verão e — oh! tragédia! — apesar das corridas e caminhadas engordei dois quilos, andei meditando sobre deuses.

Os gregos ( cheios de defeitos) sempre foram mais fáceis de entender do que o Deus cristão mas todos são relativamente fáceis de contentar. Chegadinhos a um agrado, tirando o caso de Jó ( exceção que confirma a regra) jamais puniram seus aduladores.

Deuses e deusas modernas, porém, fazem o contrário: atacam os que lhes são mais dedicados.

Em 2003 a americana Kate Finn morreu em razão de uma obsessão por comer de forma saudável. No início, os médicos a diagnosticaram como portadora de anorexia. Ela não se identificou com o diagnóstico: não tinha compulsão por ser magra, apenas queria ser saudável. Evitava alimentos que contivessem agro-tóxicos ou conservantes ou fossem preparados de forma incorreta ou tivessem qualquer elemento que pudesse ser considerado pouco saudável. Porque lhe sobraram pouquíssimas opções, morreu de inanição.

Kate morreu por cultuar a Saúde.

Sua doença é apenas uma das muitas elencadas sob o nome genérico de Transtornos Alimentares

Embora os mais conhecidos sejam a anorexia e a bulimia, hoje se identificam muitos outros Transtornos— vigorexia ( obsessão por exercícios físicos) e ortorexia (a doença de Kate, obsessão por dieta sadia) , alcohorexia ( TA combinado com abuso de álcool).

No culto à Beleza, quantos morreram em cirurgias plásticas desnecessárias. 

Felizmente parece que passamos pela pior fase, a do desconhecimento. Hoje, podemos identificar com mais exatidão esses problemas e tratá-los.

O assunto é sério, mas, afinal de contas é verão, e há que brincar um pouco. Já que a deusa da Magreza pune os que a cultuam demasiado,  sintam-se à vontade para mais um sorvetinho …

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As pontes de Madison

12 de janeiro de 2012 1

Provavelmente ele ( Clint Eastwood) pegou muita mulher por conta desse filme . Mulheres comumente não resistem a homens que parecem entendê-las. Uma das coisas mais lindas na mulher é a sua capacidade de erotizar o intelecto masculino. ( Luiz Felipe Pondé)

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50/50

10 de janeiro de 2012 0

Fui assistir ao filme 50/50, adaptação do livro de Will Reiser  contando fatos de sua vida.   

A primeira cena mostra o protagonista se exercitando.

É de manhã muito cedo, o sinal para pedestres fecha, e, apesar de não haver tráfico, apesar de invejar a “coragem” de outro corredor que atravessa a rua, ele espera na calçada até que o sinal abra.

Ou seja, o protagonista não é um herói, é apenas um rapaz saudável e tão politicamente correto que chega a parecer bobo. Um cara comum com um emprego comum, um amigo excepcional, uma namorada que o trai, um pai com Alzheimer e uma mãe levemente castradora da qual ele procura se defender.

Uma vida normal , mas da qual ele tem medo, até que, de repente (apesar dos seus 27 anos, apesar de comer corretamente, de cuidar do corpo, de reciclar e respeitar sinais) ela o surpreende com um tipo raro de câncer e lhe dá apenas 50% de chances de sobrevivência.

Indicado ao globo de ouro, o filme, anunciado como uma comédia para rir alto, fez minha filha sair do cinema parecendo uma rena do Papai Noel: o nariz brilhante e quase roxo, de tanto chorar.

Ela (a filha, não a rena) e quem descreveu o filme como comédia para rir alto exageraram.

Com seu herói medroso, a psicanalista novata e atrapalhada, a mãe veterana, mas também atrapalhada (é mais fácil ser analista do que mãe), o médico que conta tudo sem olhar nos olhos,  riso,  morte, amor e  nojo convivendo misturados,  50/50 é, assim como a vida, uma bela comédia dramática que mostra, com competência, que a vida não tem roteiro, é confusa, inesperada, nem boa, nem ruim, está sempre a passar e a nos levar por diante.

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A (in)comunicação da internet

05 de janeiro de 2012 3

Ouço as queixas dos amigos cujos filhos e netos estariam trocando a conversa em família por mensagens eletrônicas: fotos do hambúrguer que estão prestes a comer, recados dizendo se estão ou não com sono, se a festa foi boa e coisa e tal e tal e coisa. A internet, que deveria servir para unir, serve mesmo é para separar, acusam.

Sou a favor do olho no olho, mas fico pensando se o buraco não é mais embaixo.

Uma manchete recente no portal Terra afirma que o Facebook seria a causa de um em cada três divórcios na Inglaterra.

Ora, ninguém busca parceiro na internet se o casamento está bem. Portanto, ao facilitar o contato com novas pessoas, as redes sociais apenas oferecem uma saída.  

No caso dos adolescentes, a conversa virtual, os torpedos e emails são uma espécie de gíria à qual precisamos nos habituar. Há que estar atento.  

Quando converso com minha neta sobre fadinhas, gnomos, princesas e grandes dragões gagos, quem olha acha que nada está acontecendo, que estou falando por falar, brincando por brincar. Eles esquecem o que  disse a tão denegrida Raposa do Pequeno Prícipe: o essencial é invisível aos olhos.

As bonecas da minha neta, assim como os torpedos dos adolescentes, são apenas o visível. O essencial pode muito bem estar lá, aproveitando-se dele para existir.

Se alguém tem um falar diferente, mas é importante no nosso mundo, por que não aprender a linguagem dele?

Sob os brinquedos da criança ou sob essa conversa instantânea, aparentemente sem importância do adolescente, toda feita de palavras que parecem nada dizer, pode muito bem rolar o sentimento e nada é mais importante do que o sentimento porque, como dizia o Chacrinha: quem não se comunica se trumbica ou, de forma mais poética, como dizia o Vinicius: quem não pede perdão não é nunca perdoado.

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Não há nada como o tempo para passar

02 de janeiro de 2012 3

Hoje já é dia dois.

Não há nada como o tempo para passar e, sobre esse um dia depois do outro , nada como o Dia da Criação, do Vinícius.

Até porque, em 2011, dia 31 caiu num sábado.

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Aleluia ( ou rir é o melhor remédio)

01 de janeiro de 2012 3

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