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Igual pinto no lixo

11 de fevereiro de 2012 2

Ter lições de criatividade, poder observar erros e acertos, o  que funciona ou não numa narrativa  tudo isso, que surge aos borbotões nessa época pré-Oscar, me faz feliz igual pinto no lixo.  

De um dos meus professores, guardei uma frase: a primeira ideia é, quase sempre, descartável. 

Grande verdade.

Claro que o Espírito Santo pode baixar assim, de primeira, mas já me dei conta de que isso raramente acontece ou, se acontece, não o entendemos direito.

É preciso buscar constantemente outra forma de dizer.  E formas de dizer é o que não falta nessa época .

Sobre O Artista, favorito ao Oscar de melhor filme, li que seria um filme bom, mas limitado. Sinceramente não sei se limitado é a palavra certa. Simples, talvez seja melhor. E é muito bom quando a simplicidade tem seu valor reconhecido.

Ao mostrar com bom humor o eterno dilema de enfrentar o novo, Michel Hazanavicius se apropria não apenas de uma ideia mostrada muitas vezes, mas de frases e situações já vistas.

Chega a ser tão forte essa apropriação que, de forma absurda, num momento, cheguei a pensar: já vi esse filme. Mas, a cada aproximação segue-se uma esquina, uma guinada, e o filme volta a ser absolutamente original.

Criar não é necessariamente sair do nada, na maioria das vezes é “apenas” dizer de uma outra forma.

Já em Os Descendentes, a originalidade começa no situar a história no Havaí ( a autora do romance em que ele se baseia mora lá).; o contraste do drama comum ( no sentido de que pode acontecer a qualquer um) com a  descontração das camisas floreadas funciona.

Funciona também a atuação do Clooney. Na cena em que se despede da esposa,  unindo talento,  palavras simples e algumas poucas lágrimas ele consegue  mostrar que o coração humano é um poço de contradições e que só quando aceitamos esse fato conseguimos ser razoavelmente felizes.

Sim, razoavelmente feliz e feliz igual pinto no lixo são expressões  contraditórias que, em princípio, não poderiam aparecer no mesmo texto. Acontece que  não somos  seres apenas  racionais e qualquer narrativa que nos mostrasse assim seria falsa.  

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Comentários (2)

  • George Sand diz: 14 de fevereiro de 2012

    Ana,

    Para o blogue, vou muito pela primeira ideia. Depois poso trabalhá-la mais, ou menos, mas é normalmente primeira ideia

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