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Posts de fevereiro 2012

Mi Unicornio Azul - Silvio Rodríguez

21 de fevereiro de 2012 2

silvio rodrigues- mi unicornio azul.mp3

Mi unicornio azul ayer se me perdió,
pastando lo deje y desapareció.
cualquier información bien la voy a pagar.
las flores que dejó
no me han querido hablar.
Mi unicornio azul
ayer se me perdió,
no sé si se me fue,
no sé si extravió,
y yo no tengo más
que un unicornio azul.
si alguien sabe de él,
le ruego información,
cien mil o un millón
yo pagaré.
mi unicornio azul
se me ha perdido ayer,
se fue.
Mi unicornio y yo
hicimos amistad,
un poco con amor,
un poco con verdad.
con su cuerno de añil
pescaba una canción,
saberla compartir
era su vocación.
Mi unicornio azul
ayer se me perdió,
y puede parecer
acaso una obsesión,
pero no tengo más
que un unicornio azul
y aunque tuviera dos
yo solo quiero aquel.
cualquier información
la pagaré.
mi unicornio azul
se me ha perdido ayer,
se fue.

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Duas vidas

17 de fevereiro de 2012 2

Todos temos duas vidas:

A verdadeira, que é a que sonhamos na infância,

E que continuamos sonhando, adultos, num substrato de névoa;

A falsa, que é a que vivemos em convivência com outros,

Que é a prática, a útil,

Aquela que acaba por nos meter num caixão.

Na outra não há caixões, nem mortes,

Há só ilustrações de infância:

Grandes livros coloridos, para  ver mas não ler;

Grandes páginas de cores para recordar mais tarde.

Na outra somos nós,

Na outra vivemos;

Nesta morremos, que é o que viver quer dizer;

Neste momento, pela náusea, vivo na outra…

               ( Datilografia, Fernando Pessoa, fragmentos)

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Amizade colorida

14 de fevereiro de 2012 2

Veraneio chegando ao fim, os assuntos começam a rarear. Para não falar mal da vida alheia, uma boa técnica é lançar mão de assuntos polêmicos. Talvez tenha sido essa a opção (louvável, diga-se de passagem) de uma senhora, num guarda-sol ao lado do meu.

— Vocês acreditam em amizade entre homem e mulher? — ela perguntou. — Falo em amizade de verdade, íntima, encontros frequentes e troca de confidências. Não vale só um achar o outro legal.

Não, isso não existe, pensei ( mas não disse, não conhecia o pessoal ao lado)  e fiquei morrendo de  saudades do tempo em que pensava diferente.

Hoje estou convencida de que amizade entre homem e mulher heterossexuais não existe.

Um deles sempre vai alimentar sonhos, desejos.

O sexo sempre será mais forte.

 Triste, mas verdadeiro.

 Ou vocês  discordam? ( tomara que sim…) 

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Igual pinto no lixo

11 de fevereiro de 2012 2

Ter lições de criatividade, poder observar erros e acertos, o  que funciona ou não numa narrativa  tudo isso, que surge aos borbotões nessa época pré-Oscar, me faz feliz igual pinto no lixo.  

De um dos meus professores, guardei uma frase: a primeira ideia é, quase sempre, descartável. 

Grande verdade.

Claro que o Espírito Santo pode baixar assim, de primeira, mas já me dei conta de que isso raramente acontece ou, se acontece, não o entendemos direito.

É preciso buscar constantemente outra forma de dizer.  E formas de dizer é o que não falta nessa época .

Sobre O Artista, favorito ao Oscar de melhor filme, li que seria um filme bom, mas limitado. Sinceramente não sei se limitado é a palavra certa. Simples, talvez seja melhor. E é muito bom quando a simplicidade tem seu valor reconhecido.

Ao mostrar com bom humor o eterno dilema de enfrentar o novo, Michel Hazanavicius se apropria não apenas de uma ideia mostrada muitas vezes, mas de frases e situações já vistas.

Chega a ser tão forte essa apropriação que, de forma absurda, num momento, cheguei a pensar: já vi esse filme. Mas, a cada aproximação segue-se uma esquina, uma guinada, e o filme volta a ser absolutamente original.

Criar não é necessariamente sair do nada, na maioria das vezes é “apenas” dizer de uma outra forma.

Já em Os Descendentes, a originalidade começa no situar a história no Havaí ( a autora do romance em que ele se baseia mora lá).; o contraste do drama comum ( no sentido de que pode acontecer a qualquer um) com a  descontração das camisas floreadas funciona.

Funciona também a atuação do Clooney. Na cena em que se despede da esposa,  unindo talento,  palavras simples e algumas poucas lágrimas ele consegue  mostrar que o coração humano é um poço de contradições e que só quando aceitamos esse fato conseguimos ser razoavelmente felizes.

Sim, razoavelmente feliz e feliz igual pinto no lixo são expressões  contraditórias que, em princípio, não poderiam aparecer no mesmo texto. Acontece que  não somos  seres apenas  racionais e qualquer narrativa que nos mostrasse assim seria falsa.  

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