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Posts de junho 2012

Fofocas literárias

21 de junho de 2012 3

Era uma vez uma criança cujo irmão morreu num desses acidentes estúpidos. O menino e sua mãe jamais se recuperaram da perda. 

Assombrado pelo fantasma do irmão morto ( alguém eternamente criança que se materializava do mundo dos sonhos e sumia novamente)  esse menino, numa tentativa de tomar o lugar de filho predileto, passou a vestir-se com as roupas do irmão, aprendeu a assobiar como ele, enfim, o imitava em tudo.  

Esse menino  cresceu, casou, não foi feliz, o casamento durou apenas três anos

Não teve filhos,  mas tinha um cachorro que, um dia, num dos parques de Londres, atraiu a atenção de duas crianças. Essas, eram dois dos cinco filhos de um casal. Os nomes das conco crianças eram: George, John, Peter, Michael e Nicholas.

A amizade prosperou, passaram a se encontrar  todos os dias. 

Porque era escritor, o homem inventava histórias para as crianças. Eram histórias de fadas e de bebês que um  dia haviam sido pássaros. O herói dessas histórias era Peter, uma criança que nunca tinha deixado de ser inteiramente pássaro e por isso podia voar.

Mais tarde, quando os 5 meninos cresceram as histórias sobre Peter passaram a incluir piratas e ilhas fantásticas. 

O tempo passou, os pais das crianças morreram,  o homem os adotou.

Ele escreveu várias peças de teatro. Numa delas, a mais conhecida, há um cachorro-babá, meninos perdidos, uma fada que faz voar, um menino que não quer crescer que se chama Peter e convive com  Michael e  John.

A essas alturas acho que já adivinharam que estou falando do autor de Peter Pan.  

Todos os autores têm temas recorrentes. Em J. M. Barrie, o autor de Peter Pan, o tema recorrente  é o próprio Peter Pan. 

Essa criança que não quer crescer, que sabe voar, que vive na Terra do Nunca com crianças perdidas aparece de várias formas e com várias idades ( até mesmo com apenas algumas semanas de vida) em quase todas as suas peças

Jorge Amado dizia que um escritor verdadeiro é o que escreve sobre o que viveu

Um amigo meu, tradutor de Homero e de James Joyce ( o que não deixa de ser um  pleonasmo pois grego e Joyce são quase a mesma coisa)   diz que a vida de um escritor não interessa em nada para sua obra. 

Concordo e discordo de ambos.

A obra precisa se sustentar sozinha. Por mais aventuras que alguém viva, apenas elas não o tornarão um escritor. No entanto, acho que tudo o que foi vivido torna o escrito mais “verdadeiro” . Estou sempre procurando rastros da vida do autor na obra.

Preciso confessar, adoro fofocas literárias.  Sou uma espécie de Caras ou Hola ou Contigo ou outra revista qualquer da mesma espécie .

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Para não dizerem que eu não disse

12 de junho de 2012 4

Quem ama cuida, canta o Caetano. No entanto, o que é cuidar?

Com certeza não é abafar. Amor não é fusão, como alardeiam por aí. Fusão é medo, é mistura.

Amar é, sim, cuidar, é querer estar junto, mas é também aceitar e  valorizar diferenças. Amor é cumplicidade, frase comum, mas verdadeira. O cúmplice  não se rebaixa, não se anula. Só há cumplicidade entre dois iguais.  

Mas amor não é apenas diferença, vocês dirão, amor é também harmonia.

Sim, mas lembrem que a idéia de harmonia traz dentro de si a da diferença, só se harmonizam coisas distintas.

Harmonia faz o mundo e faz também o amor.  Só que, às vezes, por mais que duas pessoas sitam-se  atraídas uma pela outra, as diferenças são tão grandes que o amor, por ausência de harmonia, torna-se impossível. Nesses casos, para evitar sofrimento inútil, a melhor escolha é  deixar que se vá. Amor que morre é uma ilusão e uma ilusão deve morrer, diz Paulinho da Viola.

Nessas horas , tentamos ser corajosos e independentes, senhores do nosso destino.

Mas aí vem o tal dia dos namorados e faz com que todos os que não estão acompanhados  sintam-se excluídos.

Bobagem, pessoal. A vida não é propaganda de televisão, dessas que a gente chamava de “anúncio de margarina”. Não é manhã de sol com gente magra, jovem (ou nem tanto)  sempre bonita, cercada de  cachorros Labradores. As relações humanas são e sempre serão muito complicadas.

Se dependesse de mim, o dia dos namorados festejaria não apenas os casais, festejaria todos nós, indivíduos, com ou sem companheiros.

Todos nós que um dia tivemos a coragem de estarmos sós porque reconhecemos ser o amor algo importante demais para submeter-se ao fingimento e à acomodação.

O dia dos namorados deveria homenagear  a alegria dos que estão acompanhados, mas também a força dos que não fingem,  a bravura dos que estão sozinhos, o entusiasmo dos que acordam todos os dias e querem ser felizes, com ou sem companheiros, dos que, sem nenhuma amargura, amam o amor ainda que saibam o quanto ele é difícil.

Se dependesse de mim, o dia dos namorados seria mais  amplo e  mais real .

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