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A nova literatura

26 de dezembro de 2012 3

Quando a jovem repórter perguntou o que eu achava do fato de  meu livro, apesar de ir “contra a corrente”, estar entre os 10 selecionados como finalistas do Prêmio São Paulo de literatura, fiquei muda. O que ela estava me dizendo de forma gentil era que Atado de Ervas era um livro anacrônico e antiquado, quase uma aberração. Nem lembro mais como escapei dessa sem ser grosseira e nem tímida.  Respondi qualquer coisa, não importa. A partir daí, comecei a me preocupar mais com essa tal corrente dentro da qual eu, sem perceber, estava nadando no sentido contrário.  

Passei a ler os jovens (ou não tão jovens) bons autores atuais. A idade na verdade não importa. Oscar Niemeyer aos 105 era mais moço do que muito guri, dona Canô, mãe do Caetano, também.

Não sou especialista em literatura, longe disso.  Os que quiserem uma opinião abalizada parem de me ler nesse momento. O que pretendo é pensar junto com vocês, é ir escrevendo, sem maiores pretensões, minhas impressões. Não serão afirmações ou certezas, serão perguntas às quais, amanhã, eu mesma poderei responder de forma diferente.

Dito isso, vamos lá. Nos livros que li ( pode ter sido apenas uma coincidência, pois ainda não li tantos assim) notei algumas características comuns. Entre elas:

 1 – Uma preocupação maior com a intimidade dos personagens, seus pensamentos. Há menos ação e mais sensações, poderia dizer. Ou, de outra forma, a ação é contada sem muitos detalhes e de dentro para fora, através da visão pessoal (verdadeira ou falsa) dos personagens.  

2 –  A diluição das antigas fronteiras e barreiras entre os principais gêneros ( crônica, conto, romance, poesia).

3 – A fragmentação da história principal em várias pequenas histórias. Como diz Luiz Ruffato, o livro como uma instalação literária, a linguagem acompanhando a turbulência dos tempos, não a composição, mas a decomposição.   

4 – A presença clara e sem subterfúgios da vida do autor como elemento de reforço e valorização da narrativa.

5 – Uma mudança na linguagem. A desobediência às regras como fator de impacto ou de cumplicidade com o leitor.

Aos poucos, vou dar meu pitaco sobre cada uma dessas características. Se puderem me ajudar, concordando ou discordando, agradeço.

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Comentários (3)

  • Sharize diz: 27 de dezembro de 2012

    Ana, obrigada pela dica!
    E parabéns por essa crítica de cinema: o Lerina que se cuide!
    Em 2013, uma das minhas metas é correr pros escurinhos das melhores salas… Tirar
    toda a diferença deste ano sem graça pra mim… que nem ao menos ao cinema tive tempo de ir… Ninguém e de ferro, né mesmo?
    Abraço
    Sharize

  • Sharize diz: 28 de dezembro de 2012

    Ana, primeiramente, 1.112 desculpas pelo micão! É que como sou bastante atrapalhada em web etb perdi minhas lentes depois da Natal, acabei postando o meu comentário da sua dica de cinema, do post anterior neste! Desculpada? Gratíssima!
    Confesso que não li ainda seu livro, mas pretendo ler, juro. Ontem, fui almoçar com meu pai que chegou do Uruguai e sabe o que ele estava lendo, enquanto aguardava a filhinha que chegou esbavorida pelo atraso?
    - Nada mais nada menos do que o seu Atado de Ervas! E me falou que tava a-do-ran-do! Ana, vou ser bem sincera c/ vc :não curto muito literatura, acho q porque li muito pra vestibular (he he he!). Gosto mesmo é de ler poesia, da boa! Prefiro os nossos: você (minha mãe, sua amiga lá do IEE) me deu pra ler os seus “Olhos…” e eu amei! Quintana, Coronel, Carpinejar e Vinicius tb.
    Mas quem sabe eu leio o seu Atado e não viro uma nova leitora, né?
    Desejo pra você um 2013 do peru e não estranhe minha ausência por aqui: também sou filha de Dios e tô saindo de vacaciones por aí… pela costa deste brasilzão!
    Feliz 2013!
    Abraço mega!
    Sharize Fogal

  • Angela Warlet diz: 29 de dezembro de 2012

    A reflexão teórica sobre a realização da obra literária poderá nos apontar um Norte no sentido de estabelecer valores: valores estéticos, morais, valores de permanência, de ruptura , valores que possam nos autorizar a reconhecer tais obras como manifestações artísticas do humano na palavra.
    Todos já se perguntaram um dia por que Machado de Assis é um autor tão importante na história da literatura.Quem disse que ele é importante?De certa forma, foi a Crítica literária .
    É claro que não disse sozinha:outras instituições importantes participaram desse julgamento a escola de ensino fundamental ea universidade.
    A coerência só pode praticá-la o crítico verdadeiramente consciencioso.
    Como já deve ter ficado claro para todos , o conceito de literatura depende de artes, históricos, referências e espaço teórico.
    E nesse exercício artístico da linguagem, teu livro foi compreendido e expressa a tua arte com a intensidade ,inquietação e beleza em cada personagem.Isto é que vale!
    Um abraço bem abraçado!!!

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