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Sexo

29 de dezembro de 2012 0

Nada melhor para sacudir leitores do que uma cena de sexo. Qualquer escritor sabe disso. Sexo vende bem roupas, perfumes, bebidas, livros, filmes e muitas outras coisas entre as quais o próprio sexo.  Aí mora o perigo. Qual? O da banalização, é claro.

Eu, porque tenho por ele o maior respeito, gosto de  vê-lo bem tratado, corretamente descrito e valorizado, gosto de vê-lo  assumindo sua posição de sal da vida. E é dessa forma — sal da vida — que dois filmes recentes — ELLES,  E se vivêssemos todos juntos?  — o mostram.

Os dois filmes são coproduções francesas, ambos tratam do sexo na maturidade.  Se a coincidência de assunto se explica pelo fato de o número, e, portanto, a importância, dos velhos crescer dia a dia, eu não sei dizer, e também não importa. O que interessa é que em ambos pode-se  aprender ou revisar o que já se sabe (ou pensa saber) sobre o sexo nos dias de hoje.  

 Em — E se vivêssemos todos juntos?   — a personagem de Jane Fonda enquanto passeia o cachorro e mostra onde será enterrada, ensina ao jovem alemão ( Daniel Brühl),  sem subterfúgio e sem apelação, algumas verdades sobre a sexualidade feminina em geral e a dos velhos em particular.

( Abro parênteses — uma amiga— psicanalista e professora—  incluiu no currículo do seu curso na faculdade de medicina uma aula sobre o prazer feminino: seus alunos, homens já médicos, pouco entendem a respeito — fecho parênteses) . 

Que há sexo na velhice, todos sabemos, a importância desse sexo é que é , muitas vezes, minimizada ou esquecida. Para nos lembrar dessa importância, o diretor Stéphane Robelin foi muito feliz em colocar o personagem de Claude Rich numa banheira  ( lugar íntimo  onde os aspectos frágeis e “ feios”  da velhice — flacidez, ausência de cabelos, manchas —  ficam mais claramente expostos)  para que, lá de dentro,  suplique com os  olhos, o rosto, o corpo inteiro ao jovem cuidador que lhe consiga um Viagra, amparo e esperança que a ele ( velho e enfartado) não venderão.

Em ELLES, o  tema também é sexo, mas sob outro enfoque: Juliette Binoche ( bela como sempre)  vive uma jornalista mergulhada numa reportagem sobre a prostituição de estudantes nas faculdades de Paris. Madura, sofisticada, mas reprimida num casamento com prazo de validade vencido, a personagem fica profundamente abalada pelas confissões que escuta. Elas a despertam para algo já quase esquecido: a importância do prazer.

Ao mostrar (o que imagino ser) a realidade, o filme mostra também a distancia abissal entre a forma como as duas jovens estudantes e a mulher madura lidam com o sexo.  Lidam, eu disse, pois os desejos e as necessidades são iguais, os valores é que são diferentes. Não que a mulher madura não  deseje, ela apenas, por ter uma bagagem diferente,  não consegue  ( no sentido de aceitar) fazer. Nem por isso é mais feliz. Ainda que, nem por isso as meninas sejam também mais felizes.

Importante também a afirmação de que, ao contrário do que se pensa,  “verdades” tipo há coisas que se faz com uma prostituta e não se faz com a mulher continuam  “verdadeiras”.

Por ter cara de comercial de margarina, a última cena de ELLES é a cereja do bolo. Apesar de todo o desejo, apesar dos sonhos, apesar de tudo, como é fácil, banal e corriqueira a acomodação a uma situação que tem, afinal de contas, suas compensações

É possível ser feliz sem erotismo? Assistam aos filmes e  depois me digam.

Ou desdigam.

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