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Posts de dezembro 2012

Obaluaê

31 de dezembro de 2012 0

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Sexo

29 de dezembro de 2012 0

Nada melhor para sacudir leitores do que uma cena de sexo. Qualquer escritor sabe disso. Sexo vende bem roupas, perfumes, bebidas, livros, filmes e muitas outras coisas entre as quais o próprio sexo.  Aí mora o perigo. Qual? O da banalização, é claro.

Eu, porque tenho por ele o maior respeito, gosto de  vê-lo bem tratado, corretamente descrito e valorizado, gosto de vê-lo  assumindo sua posição de sal da vida. E é dessa forma — sal da vida — que dois filmes recentes — ELLES,  E se vivêssemos todos juntos?  — o mostram.

Os dois filmes são coproduções francesas, ambos tratam do sexo na maturidade.  Se a coincidência de assunto se explica pelo fato de o número, e, portanto, a importância, dos velhos crescer dia a dia, eu não sei dizer, e também não importa. O que interessa é que em ambos pode-se  aprender ou revisar o que já se sabe (ou pensa saber) sobre o sexo nos dias de hoje.  

 Em — E se vivêssemos todos juntos?   — a personagem de Jane Fonda enquanto passeia o cachorro e mostra onde será enterrada, ensina ao jovem alemão ( Daniel Brühl),  sem subterfúgio e sem apelação, algumas verdades sobre a sexualidade feminina em geral e a dos velhos em particular.

( Abro parênteses — uma amiga— psicanalista e professora—  incluiu no currículo do seu curso na faculdade de medicina uma aula sobre o prazer feminino: seus alunos, homens já médicos, pouco entendem a respeito — fecho parênteses) . 

Que há sexo na velhice, todos sabemos, a importância desse sexo é que é , muitas vezes, minimizada ou esquecida. Para nos lembrar dessa importância, o diretor Stéphane Robelin foi muito feliz em colocar o personagem de Claude Rich numa banheira  ( lugar íntimo  onde os aspectos frágeis e “ feios”  da velhice — flacidez, ausência de cabelos, manchas —  ficam mais claramente expostos)  para que, lá de dentro,  suplique com os  olhos, o rosto, o corpo inteiro ao jovem cuidador que lhe consiga um Viagra, amparo e esperança que a ele ( velho e enfartado) não venderão.

Em ELLES, o  tema também é sexo, mas sob outro enfoque: Juliette Binoche ( bela como sempre)  vive uma jornalista mergulhada numa reportagem sobre a prostituição de estudantes nas faculdades de Paris. Madura, sofisticada, mas reprimida num casamento com prazo de validade vencido, a personagem fica profundamente abalada pelas confissões que escuta. Elas a despertam para algo já quase esquecido: a importância do prazer.

Ao mostrar (o que imagino ser) a realidade, o filme mostra também a distancia abissal entre a forma como as duas jovens estudantes e a mulher madura lidam com o sexo.  Lidam, eu disse, pois os desejos e as necessidades são iguais, os valores é que são diferentes. Não que a mulher madura não  deseje, ela apenas, por ter uma bagagem diferente,  não consegue  ( no sentido de aceitar) fazer. Nem por isso é mais feliz. Ainda que, nem por isso as meninas sejam também mais felizes.

Importante também a afirmação de que, ao contrário do que se pensa,  “verdades” tipo há coisas que se faz com uma prostituta e não se faz com a mulher continuam  “verdadeiras”.

Por ter cara de comercial de margarina, a última cena de ELLES é a cereja do bolo. Apesar de todo o desejo, apesar dos sonhos, apesar de tudo, como é fácil, banal e corriqueira a acomodação a uma situação que tem, afinal de contas, suas compensações

É possível ser feliz sem erotismo? Assistam aos filmes e  depois me digam.

Ou desdigam.

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Diário de uma busca

26 de dezembro de 2012 2


 Acabei de assistir ao Diário de uma busca, documentário de Flavia Castro sobre o pai, Celso Castro, militante político falecido em 1984 por razões e de uma forma que nunca ficaram esclarecidas. Estou, como sempre, atrasada. O filme passou há vários meses,  ganhou vários prêmios. Não foi por falta de interesse que não o vi antes, apenas não estava no lugar certo no momento certo.

 Não conheci o Celso. Fui amiga íntima de uma irmã dele, Jussara, também já falecida. Falei sobre ela aqui nesse blog, quando morreu. Conheço todas as irmãs do Celso.  Conheci sua mãe, poeta ganhadora de vários prêmios, mulher corajosa que foi adiante apesar de ver morrer dois filhos. Assisti ao filme com olhos de irmã, mas não de cega. Assisti ao filme com a isenção possível e digo que, talvez por ser o contrário do que poderia ter sido, ele é muito bom, mereceu os prêmios que ganhou. Não se trata de endeusar os sofrimentos de um militante político ou de justificar uma morte jamais justificada, trata-se da dor de uma filha querendo saber do pai que por duas vezes partiu.

Ainda que não solucione mistérios ( não é o objetivo) o filme comove pelo  que revela. Comove por mostrar que o heroísmo muitas vezes está na coragem singela de aceitar quem somos, na difícil tarefa de amar nossa família apesar de e não em razão de. Comove porque fala de nós  lutando, cada um ao seu jeito,  por um pouco de felicidade e compreensão.

Parabéns, Flávia. Não te conheço pessoalmente mas, como tua tia emprestada ainda que desconhecida e como brasileira, estou orgulhosa.

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A nova literatura

26 de dezembro de 2012 3

Quando a jovem repórter perguntou o que eu achava do fato de  meu livro, apesar de ir “contra a corrente”, estar entre os 10 selecionados como finalistas do Prêmio São Paulo de literatura, fiquei muda. O que ela estava me dizendo de forma gentil era que Atado de Ervas era um livro anacrônico e antiquado, quase uma aberração. Nem lembro mais como escapei dessa sem ser grosseira e nem tímida.  Respondi qualquer coisa, não importa. A partir daí, comecei a me preocupar mais com essa tal corrente dentro da qual eu, sem perceber, estava nadando no sentido contrário.  

Passei a ler os jovens (ou não tão jovens) bons autores atuais. A idade na verdade não importa. Oscar Niemeyer aos 105 era mais moço do que muito guri, dona Canô, mãe do Caetano, também.

Não sou especialista em literatura, longe disso.  Os que quiserem uma opinião abalizada parem de me ler nesse momento. O que pretendo é pensar junto com vocês, é ir escrevendo, sem maiores pretensões, minhas impressões. Não serão afirmações ou certezas, serão perguntas às quais, amanhã, eu mesma poderei responder de forma diferente.

Dito isso, vamos lá. Nos livros que li ( pode ter sido apenas uma coincidência, pois ainda não li tantos assim) notei algumas características comuns. Entre elas:

 1 – Uma preocupação maior com a intimidade dos personagens, seus pensamentos. Há menos ação e mais sensações, poderia dizer. Ou, de outra forma, a ação é contada sem muitos detalhes e de dentro para fora, através da visão pessoal (verdadeira ou falsa) dos personagens.  

2 –  A diluição das antigas fronteiras e barreiras entre os principais gêneros ( crônica, conto, romance, poesia).

3 – A fragmentação da história principal em várias pequenas histórias. Como diz Luiz Ruffato, o livro como uma instalação literária, a linguagem acompanhando a turbulência dos tempos, não a composição, mas a decomposição.   

4 – A presença clara e sem subterfúgios da vida do autor como elemento de reforço e valorização da narrativa.

5 – Uma mudança na linguagem. A desobediência às regras como fator de impacto ou de cumplicidade com o leitor.

Aos poucos, vou dar meu pitaco sobre cada uma dessas características. Se puderem me ajudar, concordando ou discordando, agradeço.

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25 de dezembro de 2012 3

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Receita de viver em 2013 e em todos os outros que hão de vir

25 de dezembro de 2012 2

Você vivendo com a cabeça perturbada, se aborrecendo por tudo, você não vai…

Dona Canô  ( 1905- 2012)

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Crónica de Natal

24 de dezembro de 2012 4

 Nesta altura do ano quando chega o Natal lembro-me sempre do meu avô. Quer dizer lembro-me muitas vezes do meu avô mas lembro-me imenso no Natal porque enquanto o meu avô viveu foi a época mais feliz da minha vida. Eu era o filho mais velho do seu filho mais velho, chamo-me António Lobo Antunes por ser o nome dele.

……

Depois o meu avô morreu, venderam a casa, a família dispersou-se e os Natais acabaram. Os Natais agora são o que vejo nas montras das lojas: as Boas-Festas das gerências, as pastelarias com notas de quinhentos escudos  presas aos pinheiros com molas de roupa, um Pai Natal triste à porta do supermercado a distribuir prospectos de margarinas e telemóveis. Os Natais agora sou eu atrás das palavras de um romance, de bloco nos joelhos, a cozinha sem mujique nenhum, os meus irmãos com cabelos brancos, sobrinhos que nunca ouviram falar de Cisco Kid. Mas pode ser que para o ano me ofereçam uma pistola de fulminantes e ao disparar o primeiro o meu avô reapareça, me volte a pousar a mão no ombro, me faça aquela festa que ele me fazia com o polegar na nuca

( —  O meu netinho )

          e eu sinta de novo a sua força e ternura, sinta de novo, como sempre senti, que estando junto dele nunca nenhuma coisa má, nenhuma coisa triste, nenhuma coisa reles me poderia acontecer porque o meu avô não havia de deixar.


                                ( António Lobo Antunes – As coisas da vida)

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Gostaria de ter escrito

22 de dezembro de 2012 3

Todas as palavras tomadas literalmente são falsas. A verdade mora no silêncio que existe em volta das palavras. Prestar atenção ao que não foi dito, ler as entrelinhas. A atenção flutua: toca as palavras sem ser por elas enfeitiçada. Cuidado com a sedução da clareza! Cuidado com o engano do óbvio!

(Rubem Alves)

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Serei amiga do rei?

21 de dezembro de 2012 2

E aí, correndo muito? Que coisa bárbara né! O calor, o estacionamento lotado, as filas nos caixas, o trânsito, tudo…

Outro dia, na porta da lavanderia, tentei ser gentil e fazer um senhor passar à minha frente sem me dar conta de que ele tinha uma bengala e, portanto, não podia segurar as duas ( porta e bengala ) ao mesmo tempo.

Meu pedido de desculpa caiu em ouvidos ocos, ou moucos, ou de mercador ou qualquer outro sinônimo ou palavras análogas que aí se apliquem ( não reparem, ganhei um dicionário analógico muito legal ) e a consequência foi que ele me respondeu mal e eu já me irritei e pronto, em dois segundos lá estávamos nós engordando a estatística dos mal-humorados natalinos.

A cada ano a gente promete que não vai acontecer e acontece. A cada ano a gente promete que não vai ser pega de surpresa, que no final de novembro ou , no máximo, até dia 15 de dezembro vamos estar com tudo pronto, a cada ano a gente acha sinceramente que vai conseguir e levar tudo numa boa. Comprou os presentes, ótimo! Não comprou? Não tem importância, abraço bem dado é melhor do que presente apressado. A cada ano a gente sonha e não consegue. A cada ano,  somos derrotados por esse exército de luzinhas chinesas piscantes e tão falsamente inocentes e bonitinhas que não pedem, exigem euforia. É só a primeira sacada se acender e, pronto, a culpa anual e natalina de não estar perfeitamente feliz cai sobre mim igual molho sobre peru bem feito.

Stress de final de ano é como gripe, não tem razões ou porquês, a gente simplesmente pega. Se já aconteceu e está quente demais para o velho truque de cama e caldo de galinha, o único a fazer é ignorá-lo e concentrar-se nas resoluções de ano novo entre as quais, como cereja no sundae, aquela, a de sempre, a de não se estressar ano que vem.

Chegarei à Pasárgada? Serei amiga do rei? Sei lá! Só sei que esperança é a última que morre  e, portanto, tenho bastante tempo ( uns 12 meses mais ou menos) para sonhar que, em 2013, terei a sabedoria da Marina que apenas senta e curte o Papai Noel.

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Retorno

16 de dezembro de 2012 5

Oi pessoal, alguém aí? Passei um tempo longo fora. Precisava de um tempo.  Estou voltando. Um beijo  


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