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A nova literatura II

13 de janeiro de 2013 3

António Lobo Antunes tem, como todos, qualidades e defeitos. A diferença é que nele tudo (ou quase tudo, pois não lhe conheço as intimidades…) é superlativo.

Um dos grandes defeitos desse escritor de enormes qualidades é o de não ser fácil. 

Coloco a palavra defeitos, assim, em itálico porque ser difícil nem sempre é defeito.  Será, em minha opinião, se a dificuldade for gratuita, o que, ás vezes acontece mesmo em Lobo Antunes.  Nesse caso, o difícil perde a força, torna-se um truque , e, como afirmava Borges e todos os demais  ilusionistas, truques desvendados perdem a magia. 

Talvez Lobo Antunes seja difícil porque, e isso não é nenhum segredo, está pouco se lixando para o leitor. Não escreve para agradar, para passar a mão na cabeça ou dar tapinha nas costas. Não toma ninguém pela mão. Com ele é : entendeu, entendeu, não entendeu, azar do Irineu…

Mas olhem bem, o estar pouco se lixando para com o leitor, em princípio, não é sinônimo de desprezo, mas de respeito. Lobo Antunes tem grandes expectativas em relação aos que o leem.  Exijo que o leitor tenha uma voz entre as vozes do romance, ele diz.  Esse respeito ao leitor o faz trabalhar alucinadamente cada parágrafo, dar o melhor de si em cada frase, procurar as melhores palavras, as mais expressivas metáforas.

No entanto, (e explico agora porque disse antes que em princípio não é sinônimo de  desprezo) ele tem a absoluta certeza de que a maioria não o entende, que os longos cortejos de elogios e prêmios literários que chovem sobre ele  ( os  empilho na casa de banho… ) chegam pelos  motivos errados, são entregues pelas mãos de quem leu e não entendeu .

Sim, como eu disse no princípio, quase tudo em Lobo Antunes é tamanho XG, inclusive o ego.

Logo mais vou tentar dar a minha explicação sobre as “dificuldades” em Lobo Antunes.

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Comentários (3)

  • Mauro Castro diz: 13 de janeiro de 2013

    Os livros de crônicas dele são uma delícia.
    Há braços!!

  • alvaro barcellos diz: 20 de janeiro de 2013

    sempre respeitando opiniões diversas, mas continuo incluindo Os cus de Judas, de Lobo Antunes, como um dos livros – de narrativa – mais impactantes que já li nos últimos 20 anos. seus parágrafos imensos como que bombardeiam o leitor. e há uma respiração ofegante que beira à loucura – e bombardeios e loucura são algo muito presentes nas guerras, um dos temas centrais do romance. assim, linguagem e tema se entrelaçam num amálgama muito forte. sensacional. abraço do Alvaro Barcellos

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