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Paixão

05 de fevereiro de 2013 0

CAMISA-BRASILEIRA-Foto-Gilberto-Perin-5

PERIN-CHORO


“ O sujeito pode mudar de tudo. De cara, de casa, de família, de namorada, de religião, de Deus. Mas há uma coisa da qual não pode mudar. Não pode mudar de paixão”

Essa frase , chave para o mistério do filme O segredo de seus olhos ( melhor filme estrangeiro no Oscar 2010), me soou a princípio um pouco estranha.

Como assim , pensei, se não é amor, religião ou Deus,  que paixão é essa da qual não se pode mudar?  

Confesso que ( sendo eu brasileira e sendo o filme argentino)   desconfiei   que poderia ser o futebol, mas depois pensei que futebol era pouco, que essa paixão capaz de marcar um  indivíduo e torná-lo sua presa para toda a vida precisava ser algo bem maior.  

Embora eu não estivesse certa, também não estava errada.  

Eduardo Sacheri  (escritor argentino autor do livro que inspirou  o filme ) falava, sim, em futebol, ou melhor, falava também em futebol.  Usava o futebol para mostrar que cada um de nós é refém de uma paixão particular.  No filme, a paixão, chave do mistério, envolve uma  mulher e uma convicção contrária à pena de morte .

“ Não gosto de ser rotulado como escritor de futebol  ( diz Eduardo) .  Na verdade, eu o vejo como instrumento para tratar do aspecto trágico da vida que se entrevê a partir das histórias dessa linguagem e desses heróis em escala humana.”

Por que pensei nisso como tema de conversa no blog agora, depois de 3 anos? 

É que numa dessas festas de empresa, sentei ao lado de um torcedor do Brasil de Pelotas e imediatamente me lembrei de uma das mais bonitas, delicadas e tocantes exposições de fotografia a que tive a sorte de comparecer:  Camisa Brasileira de Gilberto Perin.

 Essa exposição, que começou de forma singela em Porto Alegre, percorreu todo o Brasil, esteve, se não estou enganada, em  Paris e  virou livro com texto de Aldyr Garcia Schlee ( sim, o que desenhou a camisa da seleção, sim, o que escreveu o conto que (embora não lhe tenha sido dado o crédito) inspirou o filme O banheiro do Papa), pois essa exposição  mostra futebol mas fala de paixão.

Durante quatro meses ( por coincidência, também em 2010), Perin foi uma presença “invisível”   nos vestiários de um pequeno time gaúcho da segunda divisão, o Brasil de Pelotas.  Tirou mais de 3000 fotos, selecionou 110.  O resultado vai muito, mas muito além do vestiário.   Com curadoria impecável de Alfredo Aquino  o que nela se expõe  é a paixão da qual não se pode mudar. A  que nasce do humano e revela o trágico .

Ninguém lê texto muito longo em blog, por isso paro por aqui. Quem quiser saber exatamente  a que eu me refiro pode acessar o site do Perin e ver por si mesmo.

Ps. O nome da primeira foto é Paixão, a segunda é O choro.

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