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A face oculta do preconceito

28 de março de 2013 2

Em 1967, decisão emitida no processo envolvendo o  casal Richard e Mildred Loving (ele branco, ela negra)  pôs fim as restrições legais ao casamento inter-racial.

No caso Loving, o primeiro argumento contra o casamento entre pessoas de raças diferentes era jurídico – formal – tinha a ver com a 14ª. Emenda e leis contra a miscigenação. Não nos interessa.

O segundo alegava que os casamentos inter-raciais eram mais sujeitos ao divórcio e esse divorcio causaria danos irreversíveis nas crianças, filhos dessas uniões. Tais casamentos, diziam, eram uma ameaça às promessas de um futuro claro e feliz para a humanidade.

Hoje, somos todos politicamente corretos. Não usamos mais termos como mongoloide ou negro. No entanto, continuamos a julgar pessoas e a projetar desgraças baseados em nada além do preconceito.

Continuamos a esconder esse nada  sob o verniz de uma frase falsa: afinal, alguém tem que pensar nas crianças!

Hoje, na Califórnia, os que se opõem ao reconhecimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo usam como argumento um estudo de Mark Regnerus, sociólogo da Universidade do Texas, que, em 2012, concluiu que crianças provenientes de relações homoafetivas têm pior desempenho psicológico, social e econômico. ( Muitos outros estudos se opõem a esse).

Sem usar palavras politicamente incorretas, cá estamos nós de novo tentando esconder o preconceito sob o precisamos-pensar-nas-crianças…  

Esse nós não é apenas linguagem. Não pensem que estou me inocentando totalmente do preconceito.

Sempre existe um ponto sobre o qual ainda não pensamos direito e que, quando vamos ver, está lá, dentro de nós, carregado de preconceitos.

Só me dei conta disso quando falando sobre o assunto com um amigo ele disse:  Depois do gênero, discute-se número. Quais argumentos vamos usar sobre a bigamia ou o harém?

Silenciosa, persistente e mortal, a onipotência faz lembrar o câncer.  

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Comentários (2)

  • Duran Junior diz: 5 de abril de 2013

    O tempo vai passando e os mesmo preconceitos continuam. Apesar de pequenos avanços com medidas legais, existe ainda aquele “ranço” quando se toca no assunto. Parece que essas ações são mais para dar uma satisfação do que, realmente, caminhar para o fim desse tipo sentimento… É triste.

    Duran Junior
    Blog Tá Tudo Errado
    http://tatudoerradooficial.wix.com/inicio

  • alvaro barcellos diz: 4 de junho de 2013

    sinto falta de tuas atualizações, querida Ana…

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