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Toque de queda

20 de junho de 2013 0

Um hino à solidão como só o Drexler sabe fazer.

 A começar pelo ritmo de bolero, a música clássica dos solitários. 

Passando pela  imagem lidíssima do trapezista soltando seu trapézio, momento solitário maior só o da morte.

Terminando na outra metáfora da lingua que murmura seu preço e a outra língua que paga, moeda a moeda. Quanto não pagamos, das mais diversas formas, para, ao menos na aparência, escapar à solidão. 


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A face oculta do preconceito

28 de março de 2013 2

Em 1967, decisão emitida no processo envolvendo o  casal Richard e Mildred Loving (ele branco, ela negra)  pôs fim as restrições legais ao casamento inter-racial.

No caso Loving, o primeiro argumento contra o casamento entre pessoas de raças diferentes era jurídico – formal – tinha a ver com a 14ª. Emenda e leis contra a miscigenação. Não nos interessa.

O segundo alegava que os casamentos inter-raciais eram mais sujeitos ao divórcio e esse divorcio causaria danos irreversíveis nas crianças, filhos dessas uniões. Tais casamentos, diziam, eram uma ameaça às promessas de um futuro claro e feliz para a humanidade.

Hoje, somos todos politicamente corretos. Não usamos mais termos como mongoloide ou negro. No entanto, continuamos a julgar pessoas e a projetar desgraças baseados em nada além do preconceito.

Continuamos a esconder esse nada  sob o verniz de uma frase falsa: afinal, alguém tem que pensar nas crianças!

Hoje, na Califórnia, os que se opõem ao reconhecimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo usam como argumento um estudo de Mark Regnerus, sociólogo da Universidade do Texas, que, em 2012, concluiu que crianças provenientes de relações homoafetivas têm pior desempenho psicológico, social e econômico. ( Muitos outros estudos se opõem a esse).

Sem usar palavras politicamente incorretas, cá estamos nós de novo tentando esconder o preconceito sob o precisamos-pensar-nas-crianças…  

Esse nós não é apenas linguagem. Não pensem que estou me inocentando totalmente do preconceito.

Sempre existe um ponto sobre o qual ainda não pensamos direito e que, quando vamos ver, está lá, dentro de nós, carregado de preconceitos.

Só me dei conta disso quando falando sobre o assunto com um amigo ele disse:  Depois do gênero, discute-se número. Quais argumentos vamos usar sobre a bigamia ou o harém?

Silenciosa, persistente e mortal, a onipotência faz lembrar o câncer.  

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Obrigada, Bibi

18 de março de 2013 1

Ano passado foi místico: vida depois da morte, mediunidade, essas coisas. Esse ano, o cinema retratou a velhice. Só para citar alguns: Amor, E se morássemos todos juntos, O quarteto.

Gostei de todos, não chorei em nenhum. Na verdade, o final do Amor me comoveu, mas sem choro. A velhice é normal e, como diz a Cissy do O Quarteto citando Bette Davis – old age is not for sissis. Quando chegar a minha vez gostaria de ter alguém que entendesse meu limite ( como o marido do filme entendeu) .

Além das coisas que fazem todos ou quase todos chorar, cada um de nós tem algo em especial, um detalhe que sempre o faz chorar.

A beleza, a morte, a dor de uma criança.

Claro que tudo isso me comove, mas o que me comove até as lágrimas, estou começando a entender, é a luta, a resistência, a persistência. Algo a ver com meus valores, ou com minhas perdas ou tentativas de não perdas, não sei.

Ontem fui assistir ao show da Bibi Ferreira. Lotadíssimo. Aplaudidíssimo.

Lá pelas tantas, no meio do povo, me peguei chorando.  Não de pena, Bibi não inspira pena. Chorei porque me comoveu a persistência daquela mulher de mais de 90 que decidiu não se entregar (no próximo mês cantará no Lincoln Center em Nova York).  

Quando penso no livro que quero escrever, no trabalho insano que sei que vou ter ( um livro não me vem fácil) quando quero desistir, pessoas como ela me incentivam a seguir tentando.

Obrigada, Bibi.

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Lágrimas de Bethania

11 de março de 2013 1

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As esperanças da renúncia

03 de março de 2013 0

Como a todos, a renúncia de Bento XIV  me pegou de surpresa. Como a maioria, gostei da decisão,  achei que foi um sopro refrescante numa Igreja pesada demais, proibitiva demais, culpada demais.  A renúncia do Papa, por ser algo inusitado,   trouxe a todos, ou a quase todos, uma  esperança de renovação.

“Ele”  não é tão poderoso, afinal de contas. E, se não é tão poderoso, talvez entenda melhor a nós,  leigos, sacerdortes, religiosas, todos nós que vivemos num mundo real onde a Guarda Suíça com seus calções engraçados e suas lanças não pode proteger.

Infelizmente, acredito que  ficaremos apenas na esperança.

Não creio que decisões,  que para todos nós são aparentemente simples, ditadas pelo bom senso, como a permissão do uso da camisinha, o controle da natalidade, o fim do celibato dos padres, a ordenação de mulheres,  decisões que, por levarem em consideração necessidades humanas, poderiam evitar muitos males, sejam tomadas.

Há muito caminho ainda a percorrer. Muita estrada até sermos autorizados a obedecer não ao que os homens decidiram num dos muitos concílios, mas aos ensinamentos realmente ditados por Deus ou por Jesus.

Para os cristão é Ele  o verdadeiro chefe. E esse chefe jamais determinou que os padres fossem obrigados a permanecerem solteiros, sempre respeitou a igualdade feminina, perdoou constantemente os que muito amaram.

A maior parte do que hoje se é obrigado a aceitar sem questionamentos, desde o milagre da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, a única a não ter nascido com o pecado original, até a divindade de Jesus ou o mistério da Santíssima Trindade são interpretações humanas do que imaginamos tenha sido a palavra de  Deus.  

Por que não podemos ficar apenas com o que Ele nos pediu de forma clara? Por que complicar se o ser humano já é, por si mesmo, tão complicado?

Tomara que a renúncia de Bento XVI mostre que as coisas podem ser feitas de outra forma sem que isso represente o fim da Igreja. Tomara. 

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As sessões

24 de fevereiro de 2013 2

Aos oito anos descobri que a vida não é justa. Já contei aqui: um caminhão sem freios atravessou a procissão de Sexta Feira da Paixão e matou vários fieis.

Como assim, pensei, não basta fazer a coisa certa?

Não, não basta. Tenho agora a segunda prova: a não indicação ( podia não ganhar, mas ao menos ser indicado) para o Oscar de melhor ator de John Haweks, o que faz Mark O’ Brien poeta e escritor que desde a infância está preso a um “pulmão de aço”, devido à poliomielite.

Que filme bem bom!

Com que facilidade e delicadeza ele fala, sem tirar do sexo a importância que tem, suplanta dogmas, enfrenta situações naturais de culpa e ansiedade. Com que prazer mostra o prazer. Com que delicadeza, sem cair da pieguice. 

 Só na peça baseada no livro do Bonder – A alma imoral,  havia visto cenas de nudez com tanta naturalidade, só que na peça, a nudez não era total. Helen Hunt,  indicada a melhor atriz, está maravilhosa. Absolutamente natural. Sem silicones e sem pudores.

Dizem que um dos problemas do filme seria justamente sua simplicidade. Não concordo. O filme é como um poema do Quintana  um trampolim para ir muito além.

Se ainda não assistirem, por favor, arrumem um tempinho. Nunca como agora, senti tanta pena de não poder ouvir vocês, falar, conversar de verdade.


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Ídolos de pés de barro

16 de fevereiro de 2013 0

Em fevereiro de 2005 citei neste blog Lance Armstrong. A citação foi feita através de uma frase sua.

“ A dor é temporária, pode durar um minuto, uma hora, um dia, um ano, mas eventualmente passará e outra sensação tomará o seu lugar. Se desisto, a dor durará para sempre.”  

Lance Armstrong, como todos sabem, é aquele ciclista americano que venceu sete vezes o Tour de France, lutou contra um câncer de testículos, com metástases no pulmão e cérebro e assim mesmo conseguiu não apenas vencer a doença, mas voltar a competir.Um herói, um ídolo.

O mesmo que, em janeiro desse ano, admitiu, no programa da Oprah, serem verdadeiras as acusações de que estava dopado nas sete vezes em que venceu o Tour de France.

Ao admitir o uso do doping ele declarou que, à época, não sentia que estivesse fazendo a coisa errada – isso foi  o pior, concluiu.  

Volto ao assunto, é evidente, em razão da queda de outro ídolo: Oscar Pistorius, o Blade Runner.  Um corredor sul-africano biamputado, considerado um dos maiores astros do esporte olímpico e paralímpico,  acusado de matar a namorada com quatro tiros no dia dos namorados.

Li numa reportagem que Pistorius nasceu sem o perônio e seus pais decidiram pela amputação de suas pernas abaixo dos joelhos aos onze meses. Durante muito tempo jogou rugby, antes de se lesionar gravemente e passar a se dedicar ao atletismo. Um herói, um ídolo.

Repito as palavras de propósito, pois, a meu ver, os dois casos tem  um ponto em comum: envolvem pessoas que conseguiram vencer barreiras aparentemente instransponíveis e, talvez por isso mesmo, por se acharem eles mesmos semideuses, agiram como se o fossem e  estivessem acima do bem e do mal.

Dois ídolos com pés de barro, como diria a Bíblia. Como, por mais fortes que possamos ser, sempre somos fracos.

Saudades do tempo em que o escândalo era a separação de Garrincha, que abandonou  esposa e não sei quantos filhos para ficar com Elza Soares.

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A intrusa

14 de fevereiro de 2013 0

No El País aqui do Uruguai, uma história me fez lembrar o conto A Intrusa, de Jorge Luís Borges.   

Hoje, Edith, de 22 anos, casa-se com Victor Cingolani, de 35,  condenado a 13 anos de prisão pelo assassinato de Johana, irmã gêmea de sua noiva.  

A mãe das gêmeas, tentando impedir o casamento, entrou com pedido oficial de que fosse feito em Edith um teste psicológico. O teste foi realizado. Edith foi considerada apta a casar-se.

As bodas serão realizadas hoje, 14 de fevereiro, dia de São Valentim, ou Dia dos Namorados aqui no Uruguai e no resto do mundo, creio eu, menos no Brasil.

Victor, embora condenado e cumprindo pena, se diz inocente.  “ A mãe ( das gêmeas) sabe quem é o verdadeiro assassino”, ele afirma. Edith acredita no noivo.

Os motivos do crime não foram desvendados. Fala-se que a morta teria relações com Victor e outro homem, Diaz, amigo de Victor. Ela teria terminado sua relação com Victor e passado a viver com Diaz. Uma semana depois, foi morta.  Uma bagana de cigarro na qual foi feito exame de DNA atesta que Diaz estava presente no local do crime. Parece ter sido ele o autor dos disparos. Ambos foram acusados e presos.

 No jornal há uma foto de Edith usando uma camiseta com o rosto da irmã impresso.  A foto é do tempo em que participava de manifestações públicas exigindo que o crime fosse esclarecido. Nessa mesma época passou a visitar na prisão um dos supostos assassinos, Victor,  e a manter com ele encontros íntimos.

No conto de Borges a que me referi, dois irmãos dividem a mesma mulher. Enquanto ela era apenas um objeto de uso comum, o triangulo pôde acontecer. Quando aparecem indícios de paixão, o que antes era possível passa a ser impossível e um dos irmãos decide matá-la para que os dois possam seguir vivendo.

Na vida real, os dois homens não são irmãos.  Tirando isso, o resto é muito parecido. Se Victor é acusado de matar por ciúmes, por que Diaz efetuou os disparos?  Ao fazer de Johana um corpo sem vida o dois a estavam obrigando a permanecer objeto? Ao casar-se com o suposto assassino, ao trair, segundo a mãe de ambas, a memória da irmã, seria Edith agora a intrusa?

Nelson Rodrigues ia adorar essa história! 

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Porque ele não podia faltar

12 de fevereiro de 2013 0

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Porque é carnaval II

12 de fevereiro de 2013 0

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