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Posts na categoria "1"

Toque de queda

20 de junho de 2013 0

Um hino à solidão como só o Drexler sabe fazer.

 A começar pelo ritmo de bolero, a música clássica dos solitários. 

Passando pela  imagem lidíssima do trapezista soltando seu trapézio, momento solitário maior só o da morte.

Terminando na outra metáfora da lingua que murmura seu preço e a outra língua que paga, moeda a moeda. Quanto não pagamos, das mais diversas formas, para, ao menos na aparência, escapar à solidão. 


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As sessões

24 de fevereiro de 2013 2

Aos oito anos descobri que a vida não é justa. Já contei aqui: um caminhão sem freios atravessou a procissão de Sexta Feira da Paixão e matou vários fieis.

Como assim, pensei, não basta fazer a coisa certa?

Não, não basta. Tenho agora a segunda prova: a não indicação ( podia não ganhar, mas ao menos ser indicado) para o Oscar de melhor ator de John Haweks, o que faz Mark O’ Brien poeta e escritor que desde a infância está preso a um “pulmão de aço”, devido à poliomielite.

Que filme bem bom!

Com que facilidade e delicadeza ele fala, sem tirar do sexo a importância que tem, suplanta dogmas, enfrenta situações naturais de culpa e ansiedade. Com que prazer mostra o prazer. Com que delicadeza, sem cair da pieguice. 

 Só na peça baseada no livro do Bonder – A alma imoral,  havia visto cenas de nudez com tanta naturalidade, só que na peça, a nudez não era total. Helen Hunt,  indicada a melhor atriz, está maravilhosa. Absolutamente natural. Sem silicones e sem pudores.

Dizem que um dos problemas do filme seria justamente sua simplicidade. Não concordo. O filme é como um poema do Quintana  um trampolim para ir muito além.

Se ainda não assistirem, por favor, arrumem um tempinho. Nunca como agora, senti tanta pena de não poder ouvir vocês, falar, conversar de verdade.


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A nova literatura II

13 de janeiro de 2013 3

António Lobo Antunes tem, como todos, qualidades e defeitos. A diferença é que nele tudo (ou quase tudo, pois não lhe conheço as intimidades…) é superlativo.

Um dos grandes defeitos desse escritor de enormes qualidades é o de não ser fácil. 

Coloco a palavra defeitos, assim, em itálico porque ser difícil nem sempre é defeito.  Será, em minha opinião, se a dificuldade for gratuita, o que, ás vezes acontece mesmo em Lobo Antunes.  Nesse caso, o difícil perde a força, torna-se um truque , e, como afirmava Borges e todos os demais  ilusionistas, truques desvendados perdem a magia. 

Talvez Lobo Antunes seja difícil porque, e isso não é nenhum segredo, está pouco se lixando para o leitor. Não escreve para agradar, para passar a mão na cabeça ou dar tapinha nas costas. Não toma ninguém pela mão. Com ele é : entendeu, entendeu, não entendeu, azar do Irineu…

Mas olhem bem, o estar pouco se lixando para com o leitor, em princípio, não é sinônimo de desprezo, mas de respeito. Lobo Antunes tem grandes expectativas em relação aos que o leem.  Exijo que o leitor tenha uma voz entre as vozes do romance, ele diz.  Esse respeito ao leitor o faz trabalhar alucinadamente cada parágrafo, dar o melhor de si em cada frase, procurar as melhores palavras, as mais expressivas metáforas.

No entanto, (e explico agora porque disse antes que em princípio não é sinônimo de  desprezo) ele tem a absoluta certeza de que a maioria não o entende, que os longos cortejos de elogios e prêmios literários que chovem sobre ele  ( os  empilho na casa de banho… ) chegam pelos  motivos errados, são entregues pelas mãos de quem leu e não entendeu .

Sim, como eu disse no princípio, quase tudo em Lobo Antunes é tamanho XG, inclusive o ego.

Logo mais vou tentar dar a minha explicação sobre as “dificuldades” em Lobo Antunes.

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Obaluaê

31 de dezembro de 2012 0

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Diário de uma busca

26 de dezembro de 2012 2


 Acabei de assistir ao Diário de uma busca, documentário de Flavia Castro sobre o pai, Celso Castro, militante político falecido em 1984 por razões e de uma forma que nunca ficaram esclarecidas. Estou, como sempre, atrasada. O filme passou há vários meses,  ganhou vários prêmios. Não foi por falta de interesse que não o vi antes, apenas não estava no lugar certo no momento certo.

 Não conheci o Celso. Fui amiga íntima de uma irmã dele, Jussara, também já falecida. Falei sobre ela aqui nesse blog, quando morreu. Conheço todas as irmãs do Celso.  Conheci sua mãe, poeta ganhadora de vários prêmios, mulher corajosa que foi adiante apesar de ver morrer dois filhos. Assisti ao filme com olhos de irmã, mas não de cega. Assisti ao filme com a isenção possível e digo que, talvez por ser o contrário do que poderia ter sido, ele é muito bom, mereceu os prêmios que ganhou. Não se trata de endeusar os sofrimentos de um militante político ou de justificar uma morte jamais justificada, trata-se da dor de uma filha querendo saber do pai que por duas vezes partiu.

Ainda que não solucione mistérios ( não é o objetivo) o filme comove pelo  que revela. Comove por mostrar que o heroísmo muitas vezes está na coragem singela de aceitar quem somos, na difícil tarefa de amar nossa família apesar de e não em razão de. Comove porque fala de nós  lutando, cada um ao seu jeito,  por um pouco de felicidade e compreensão.

Parabéns, Flávia. Não te conheço pessoalmente mas, como tua tia emprestada ainda que desconhecida e como brasileira, estou orgulhosa.

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25 de dezembro de 2012 3

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Retorno

16 de dezembro de 2012 5

Oi pessoal, alguém aí? Passei um tempo longo fora. Precisava de um tempo.  Estou voltando. Um beijo  


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Fofocas literárias

21 de junho de 2012 3

Era uma vez uma criança cujo irmão morreu num desses acidentes estúpidos. O menino e sua mãe jamais se recuperaram da perda. 

Assombrado pelo fantasma do irmão morto ( alguém eternamente criança que se materializava do mundo dos sonhos e sumia novamente)  esse menino, numa tentativa de tomar o lugar de filho predileto, passou a vestir-se com as roupas do irmão, aprendeu a assobiar como ele, enfim, o imitava em tudo.  

Esse menino  cresceu, casou, não foi feliz, o casamento durou apenas três anos

Não teve filhos,  mas tinha um cachorro que, um dia, num dos parques de Londres, atraiu a atenção de duas crianças. Essas, eram dois dos cinco filhos de um casal. Os nomes das conco crianças eram: George, John, Peter, Michael e Nicholas.

A amizade prosperou, passaram a se encontrar  todos os dias. 

Porque era escritor, o homem inventava histórias para as crianças. Eram histórias de fadas e de bebês que um  dia haviam sido pássaros. O herói dessas histórias era Peter, uma criança que nunca tinha deixado de ser inteiramente pássaro e por isso podia voar.

Mais tarde, quando os 5 meninos cresceram as histórias sobre Peter passaram a incluir piratas e ilhas fantásticas. 

O tempo passou, os pais das crianças morreram,  o homem os adotou.

Ele escreveu várias peças de teatro. Numa delas, a mais conhecida, há um cachorro-babá, meninos perdidos, uma fada que faz voar, um menino que não quer crescer que se chama Peter e convive com  Michael e  John.

A essas alturas acho que já adivinharam que estou falando do autor de Peter Pan.  

Todos os autores têm temas recorrentes. Em J. M. Barrie, o autor de Peter Pan, o tema recorrente  é o próprio Peter Pan. 

Essa criança que não quer crescer, que sabe voar, que vive na Terra do Nunca com crianças perdidas aparece de várias formas e com várias idades ( até mesmo com apenas algumas semanas de vida) em quase todas as suas peças

Jorge Amado dizia que um escritor verdadeiro é o que escreve sobre o que viveu

Um amigo meu, tradutor de Homero e de James Joyce ( o que não deixa de ser um  pleonasmo pois grego e Joyce são quase a mesma coisa)   diz que a vida de um escritor não interessa em nada para sua obra. 

Concordo e discordo de ambos.

A obra precisa se sustentar sozinha. Por mais aventuras que alguém viva, apenas elas não o tornarão um escritor. No entanto, acho que tudo o que foi vivido torna o escrito mais “verdadeiro” . Estou sempre procurando rastros da vida do autor na obra.

Preciso confessar, adoro fofocas literárias.  Sou uma espécie de Caras ou Hola ou Contigo ou outra revista qualquer da mesma espécie .

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Para não dizerem que eu não disse

12 de junho de 2012 4

Quem ama cuida, canta o Caetano. No entanto, o que é cuidar?

Com certeza não é abafar. Amor não é fusão, como alardeiam por aí. Fusão é medo, é mistura.

Amar é, sim, cuidar, é querer estar junto, mas é também aceitar e  valorizar diferenças. Amor é cumplicidade, frase comum, mas verdadeira. O cúmplice  não se rebaixa, não se anula. Só há cumplicidade entre dois iguais.  

Mas amor não é apenas diferença, vocês dirão, amor é também harmonia.

Sim, mas lembrem que a idéia de harmonia traz dentro de si a da diferença, só se harmonizam coisas distintas.

Harmonia faz o mundo e faz também o amor.  Só que, às vezes, por mais que duas pessoas sitam-se  atraídas uma pela outra, as diferenças são tão grandes que o amor, por ausência de harmonia, torna-se impossível. Nesses casos, para evitar sofrimento inútil, a melhor escolha é  deixar que se vá. Amor que morre é uma ilusão e uma ilusão deve morrer, diz Paulinho da Viola.

Nessas horas , tentamos ser corajosos e independentes, senhores do nosso destino.

Mas aí vem o tal dia dos namorados e faz com que todos os que não estão acompanhados  sintam-se excluídos.

Bobagem, pessoal. A vida não é propaganda de televisão, dessas que a gente chamava de “anúncio de margarina”. Não é manhã de sol com gente magra, jovem (ou nem tanto)  sempre bonita, cercada de  cachorros Labradores. As relações humanas são e sempre serão muito complicadas.

Se dependesse de mim, o dia dos namorados festejaria não apenas os casais, festejaria todos nós, indivíduos, com ou sem companheiros.

Todos nós que um dia tivemos a coragem de estarmos sós porque reconhecemos ser o amor algo importante demais para submeter-se ao fingimento e à acomodação.

O dia dos namorados deveria homenagear  a alegria dos que estão acompanhados, mas também a força dos que não fingem,  a bravura dos que estão sozinhos, o entusiasmo dos que acordam todos os dias e querem ser felizes, com ou sem companheiros, dos que, sem nenhuma amargura, amam o amor ainda que saibam o quanto ele é difícil.

Se dependesse de mim, o dia dos namorados seria mais  amplo e  mais real .

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Todas as crianças crescem, menos uma...

18 de maio de 2012 3

Estou em Orlando, descobrindo com a neta  encantos iguais e diferentes dos que havia descoberto  há 30 anos com os filhos.

Ontem tomamos café da manhã com os amigos do Mickey e posso afirmar que na era dos efeitos especiais, dos computadores e ipads, os bonecos do Mickey, Donald, Pateta e Margarida ainda  encantam.

Ela os abraça e beija como se fossem velhos amigos.

Pensei que se encantaria com as princesas porque não usam máscaras.

Não, o carinho continua indo para aqueles bonecos enormes que qualquer um vê que são “de mentirinha”..

Por que?

Não tenho certeza, desconfio que seja porque não tentam, como as princesas, os príncipes ou o Papai Noel, ser gente de verdade. Ou seja, não tentam ser o que não são.

Lição aprendida: Mickey é um personagem, não uma pessoa, e, como personagem se apresenta e é aceito sem perguntas.

Mas nem tudo está igual no  imaginário.

O Pequeno Mundo e Os Piratas do Caribe estão defasados. Homem Aranha (esse, um sobrevivente ou um revivido) e Harry Potter tomaram seu lugar.

Minha neta ganhou a varinha mágica da Hermione e, no castelo, a mostrava para a imagem projetada da bruxinha, murmurando não sei bem o que. 

Algo a ver com amizade profunda. É a varinha quem escolhe o seu dono e dividir a mesma imagino que seja o máximo da cumplicidade.   

Comprei um  livro:Peter Pan.

Um amigo que escreve livros infantis me havia dito que a tradução da Ana Maria Machado é ótima, com exceção da última palavra. Eu tenho a tradução e estava curiosa para ver qual era essa última palavra.

Pois o  livro termina com Peter Pan visitando a filha da Wendy e a levando para a terra do nunca e “ assim continuará, enquanto as crianças forem alegres e inocentes e sem coração”.

Não é genial? As crianças são exatamente assim: alegres, inocentes e  heartless.

O livro é maravilhoso.  Nada a ver com a versão pasteurizada que conhecemos.

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