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Posts na categoria "poesia"

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11 de fevereiro de 2013 0

Ando buscando um amor,

Daqueles doces, melados, envoltos em palha de milho,

puxa-puxa esfiapado das antigas carrocinhas.

Não quero amor complicado.

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Entrevista de Guimarães Rosa ao jornalista português Arnaldo Saraiva em 24 de novembro de 1966.

05 de janeiro de 2013 2

Mas permita-me ainda uma pergunta: como “enveredou” – e penso que a palavra se ajusta bem ao seu caso – pelo campo da “invenção linguística?

Quando escrevo, não pen­so na literatura: penso em capturar coisas vivas. Foi a necessidade de capturar coisas vivas, junta à minha repulsa física pelo lugar-comum (e o lugar-comum nunca se confunde com a simplicidade), que me levou à outra necessidade íntima de enriquecer e embelezar a língua, tornando-a mais plástica, mais flexível, mais viva. Daí que eu não tenha nenhum processo em relação à criação linguística: eu quero aproveitar tudo o que há de bom na língua portuguesa, seja do Brasil, seja de Portugal, de Angola ou Mo­çambique, e até de outras línguas: pela mesma razão, recorro tanto às esferas populares como às eruditas, tanto à cidade como ao campo. Se certas palavras belíssimas como “gramado”, “aloprar”, pertencem à gíria brasileira, ou como “malga”, “azinhaga”, “azenha” só correm em Por­tugal — será essa razão suficiente para que eu as não empregue, no devido contexto? Porque eu nunca substituo as palavras a esmo. Há muitas palavras que rejeito por inexpressivas, e isso é o que me leva a buscar ou a criar outras. E faço-o sem­pre com o maior respeito, e com alma. Respeito muito a língua. Escrever, para mim, é como um ato religioso. Tenho montes de cadernos com relações de palavras, de expressões. Acompanhei muitas boiadas, a cavalo, e levei sempre um ca­derninho e um lápis preso ao bolso da camisa, para anotar tudo o que de bom fosse ouvido — até o cantar de pássaros. Talvez o meu trabalho seja um pouco arbitrário, mas se pegar, pegou. A verdade é que a tarefa que me impus não pode ser só realizada por mim.

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Primeiro Mate

22 de agosto de 2012 6

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Quando ouvi....

28 de abril de 2012 4

 Recebi de um amiga como sendo de Walt Whitman.  Não fui verificar, achei que não era necessário…

Quando ouvi, pelo fim do dia, como o meu nome havia sido
recebido com aplausos no Capitólio, ainda assim não foi
feliz para mim, a noite que se seguiu;
E, quando festejei, ou, quando os meus planos foram atingidos,
assim mesmo não me senti feliz;
Mas, no dia em que cedo me levantei, de perfeita saúde,
renovado, cantando, inalando o maduro fôlego outonal,
Quando vi a lua cheia, a oeste, ficando pálida e a desaparecer
na luz da manhã,
Quando vagueei sozinho sobre a praia e, despindo-me, me banhei,
rindo com as águas frias, e vi o sol nascer,
E quando pensei em como o meu querido amigo, o meu amante, estava a
caminho, Oh, então senti-me feliz;
Então, cada fôlego me foi mais doce – e todo o dia, meu alimento
me nutriu mais – e o belo dia passou bem,
E o seguinte chegou com igual alegria – e com o próximo, pelo fim da tarde,
chegou o meu amigo;
Naquela noite, quanto tudo estava calmo, ouvi as águas rolar
continuamente, lentas sobre as margens,
Ouvi o assobio sussurrado do líquido e das areias, como que dirigindo-se a
mim, cochichando, felicitando-me,
Porque aquele que amo dormia comigo sob a mesma coberta
na noite fria,
No sossego, nos outonais raios de luar, seu rosto inclinado
sobre mim,
seu braço em redor do meu peito, suavemente – e naquela noite  fui feliz.




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Duas vidas

17 de fevereiro de 2012 2

Todos temos duas vidas:

A verdadeira, que é a que sonhamos na infância,

E que continuamos sonhando, adultos, num substrato de névoa;

A falsa, que é a que vivemos em convivência com outros,

Que é a prática, a útil,

Aquela que acaba por nos meter num caixão.

Na outra não há caixões, nem mortes,

Há só ilustrações de infância:

Grandes livros coloridos, para  ver mas não ler;

Grandes páginas de cores para recordar mais tarde.

Na outra somos nós,

Na outra vivemos;

Nesta morremos, que é o que viver quer dizer;

Neste momento, pela náusea, vivo na outra…

               ( Datilografia, Fernando Pessoa, fragmentos)

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No te rindas, Benedetti

14 de janeiro de 2012 1

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Não há nada como o tempo para passar

02 de janeiro de 2012 3

Hoje já é dia dois.

Não há nada como o tempo para passar e, sobre esse um dia depois do outro , nada como o Dia da Criação, do Vinícius.

Até porque, em 2011, dia 31 caiu num sábado.

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Despedida

31 de dezembro de 2011 2

Hoje, minha mãe estaria fazendo 100 anos.
Durante as longas tardes e manhãs na UTI do hospital, a observando “dormir” num coma induzido, eu lembrava de outras tardes, as que passávamos na estância, e, escrevendo no verso das folhas dos processos que me chegavam do escritório, conversava com ela.

Quando cheguei já dormias.
Um sono solto, esquecido,
quem sabe até conformado.
Peguei tua mão com cuidado.
Estava morna,
macia,
talvez um pouco vazia.
Uma tarde de verão.
Tarde como as que embalavam nossas redes de algodão.
O barulho das cigarras,
a limonada gelada,
a água fria do arroio
no banho do entardecer.
Lembras dos lambaris?
Brincavam com nossas pernas,
rápidos riscos dourados que não podias prender.
E rias teu riso jovem.
Lembras do namorado?
Quartas, domingos sem falta,
beijando lá no sofá.
E do outro, que depois veio, sem se fazer convidar?
O que mandou tantas rosas
que tínhamos de esconder.
A tua mão deixo ir, mas as lembranças não largo.
Ficam comigo, não importa.
São meu consolo,
meu colo, o meu verão infinito
para onde vais voltar.

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Dois de fevereiro

02 de fevereiro de 2011 6


entre os bambus eu te avistei

e entre os barcos

onde, dos peixes, repousavam as redes

era manhã sob meus pés, capim e orvalho  

da casa, um cheiro de pão recém-saído

falavas

e a rigidez dos linhos engomados

não me deixava ouvir o que dizias

alguma coisa em mim, porém, te respondia

e havia um tanto de sede e água

havia um tanto

em vão busquei apoio no cheiro das goiabas

tua carne de sonho

abstrata

diluía o mundo conhecido

entre os bambus eu te avistei

e entre os barcos



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Quem, poeta, já não passou por isto

28 de janeiro de 2011 3


no dia seguinte

decifrando os sulcos da caneta

na página em branco

ao resgatar o poema posto fora

encontrei a minha arte


                                               Alexandre Brito

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