Não fosse pela confusão que se forma com a existência de duas comissões para discutir a Reforma Política no Congresso Nacional, até se poderia dizer que o relatório apresentado pela comissão do Senado Federal nos daria uma boa base para iniciar-se (mais uma vez) a mudança necessários no que envolve eleições, partidos e mandatos no país. Mas como há outra comissão em andamento na Câmara dos Deputados é impossível imaginar-se de que serão encontrados consensos mínimos com alguma facilidade.
Como brincou o senador Itamar Franco (PPS-MG) só uma coisa tem a aprovação de todos: a mudança na data das posses. Certamente há duas categorias muito incomodadas com a data de primeiro de janeiro para as posses nos executivos; políticos e jornalistas. Pela proposta dos senadores os governadores e prefeitos serão empossados no dia 10 de janeiro e o de Presidente da República no dia 15 do mesmo assim. Se for aprovada significará a prorrogação por alguns dias dos atuais mandatos executivos.
As sugestões dos senadores:
1) SUPLENTES DE SENADORES - Os senadores passarão a ter apenas um suplente. Hoje são dois. Caso o cargo fique vago com a morte do titular ou renúncia, o suplente assumirá temporariamente e um novo titular será eleito nas eleições seguintes. Isto vale mesmo que seja uma eleição municipal. Cônjuges e parentes não poderão ser suplentes.
A medida termina com a grotesca situação que tivemos nos últimos anos da legislatura passada quando a maioria do Senado Federal era composta por suplentes sem voto. A proibição de cônjuges e parentes é moralizadora e deveria incluir também financiadores de campanha (figura que pode desaparecer com o financiamento público).
2) DATA DA POSSE - Governadores e prefeitos serão empossados em 10 de janeiro e o Presidente da República no dia 15 de janeiro.
Ufa! Quem estava interessado em posse na manhã seguinte ao reveillon? A prorrogação por dez ou 15 dias nos atuais mandatos não causará maiores transtornos.
3) VOTO FACULTATIVO - Não será aplicado e segue sendo obrigatório.
No futuro serei a favor do voto facultativo. Assim que andarmos alguns degraus no nosso nível educacional e houver uma aproximação ainda maior das camadas sociais.
4) REELEIÇÃO - Não poderão mais ser reeleitos os titulares do Poder Executivo nos três níveis da federação. As regras não valem para os atuais detentores de mandato que tenham este direito.
Acredita que a impossibilidade de reeleição fará com que os governantes façam o que é necessário, mesmo que impopular. A gestão se desgrudaria, a princípio, do calendário eleitoral.
5) MANDATOS - Os próximos eleitos para o executivo teriam mandatos de cinco anos. Atualmente é quatro.
Cinco anos pode ser tempo demais para um mau governante e pouco tempo para quem está levando adiante um bom projeto. Confiando que a democracia fica madura ano-a-ano penso que poderíamos pensar em ao menos seis anos para a Presidência da República. É uma ideia que ainda precisa amadurecer.
6) SISTEMA ELEITORAL - Voto em lista fechada nas eleições proporcionais.
Já me manifestei favorável a este sistema, mas a mudança tem que vir acompanhada de uma mudança na democracia dentro dos partidos. Voto em lista não é voto em 'cacique', mas respeito ao conteúdo programático de cada uma das siglas. O problema é que muitos filiados desconhecem completamente a ideologia da sigla à qual estão associados.
7) COLIGAÇÕES - Serão permitidas apenas nas eleições majoritárias.
Gosto da medida por dar cara aos partidos. Creio que é parte de um fortalecimento das siglas. No começo os pequenos partidos devem sofrer.
FINANCIAMENTO DE CAMPANHAS - Será totalmente público e com teto de gasto para os partidos.
Bem fiscalizado significará uma economia enorme. Na prática os cofres públicos já financiam os partidos com aporte mensal de recursos. Formalmente desaparece a figura do doador de campanha e com ele os compromissos pessoais dos eleitos. Só funcionará com o voto em lista fechada.
9) CANDIDATURAS AVULSAS - Nas eleições municipais poderão concorrer candidatos avulsos, sem filiação partidária, tanto para vereador quanto para prefeito. Ele precisará obter um apoio mínimo de 10 por cento dos eleitores da circunscrição.
Confesso que não entendi. Para mim não está claro se o apoio é para eleger-se ou inscrever a candidatura. Para qualquer um dos dois o índice é muito elevado.
10) FILIAÇÃO PARTIDÁRIA - Prazo mínimo de um ano antes da eleição para que o eleitor possa ser candidato.
Nada muda. Do jeito que são nossos partidos prefiro que esta janela seja reduzida para o início do prazo das convenções partidárias.
11) DOMICÍLIO ELEITORAL - Prefeitos e vices não poderão mais mudar de domicílio durante o mandato
12) FIDELIDADE PARTIDÁRIA - Mandato segue sendo dos partidos e a mudança de sigla segue valendo apenas se houver uma causa que justifique a troca. As exceções seguem sendo as atuais.
Diante do total oportunismo na criação do PSD passei a entender que é necessária a existência de uma janela para a troca de partido. O Democratas, por exemplo, não mudou. Mas mudou o Kassab. Muito mais correto do que criar uma sigla para servir de ponte a uma incorporação seria ele e seu grupo filiarem-se diretamente à outro grupo partidário. Infelizmente o fisiologismo é um desafio para que seja utilizada corretamente.
13 ) CLÁUSULA DE DESEMPENHO - Ficam mantidos os critérios atuais. Tem funcionamento parlamentar na Câmara as siglas com ao menos três representantes eleitos em três estados diferentes. Segue a propaganda partidária gratuita.
Poderia ser aplicada uma pesada punição aos que usassem o horário com outra finalidade que não a de difundir o seu conteúdo programática. Cada vez mais o espaço é usado como propaganda eleitoral fora de época.
15 ) QUOTAS PARA MULHERES - As listas fechadas devem alternar homens e mulheres na sequência.
Temo que surja aqui uma distorção. Nem todas as siglas tem equilíbrio de lideranças entre homens e mulheres.
E para concluir os senadores aprovaram a realização de um referendo para validar as reformas. Será que vai?
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