Que pena! Não há como não lamentar que o egoísmo e a vaidade (para evitar outros adjetivos) tenham maculado um dos mais belos eventos do Rio Grande do Sul. Diga-se de passagem que não é o Natal Luz que está sob suspeita, mas o que seus organizadores fizeram com a prestação de contas. O esquema foi tornado público a partir de uma investigação do Ministério Público Estadual comandada pelo promotor Antônio Képes. Nada menos que 34 pessoas foram denunciadas pelo MPE. A investigação atinge o atual prefeito Nestor Tissot e o ex-prefeito Pedro Bertolucci, atual presidente regional do Partido Progressista.
MPE aponta existência de quadrilha no Natal Luz de Gramado
Foto: Emilio Pedroso
Em um dia de muita chuva na Região das Hortênsias, Gramado pegou fogo. O mais revelador aparece nas escutas obtidas com exclusividade pelo repórter Daniel Scola. A mais escandalosa é a sugestão da produtora cultural do evento que sugere que o promotor que investiga o caso fosse assassinado. Isto tratando-se de crime contra a pessoa. Em outra gravação, o tema é a arrecadação com ingressos após uma consulta do Ministério da Cultura. Com uma arrecadação superior a R$ 4 milhões admitida por uma das partes o valor lançado na prestação de contas era de R$ 65 mil.
Que nenhum dos acusados venha alegar que a ação dos promotores trará prejuízo ao turismo da região. Esta desculpa já foi usada por Canela durante a Operação Cartola e não colou. Se tudo que for levantado pelo Ministério Público Estadual se comprovar em juízo saberemos que o verdadeiro prejuízo veio de dentro da organização. Outra explicação da Cartola também foi repetida. De que a ação realizada na manhã de hoje é desnecessária, que era só pedir os documentos e blá-blá-blá.
O Natal Luz é o maior evento de fim-de-ano no Rio Grande do Sul e atrai até um milhão de turistas para a cidade. A descontinuidade do evento seria um prejuízo não apenas para Gramado, mas para todo o estado. Isto deve ser feito, no entanto, com uma correta prestação de contas e com um retorno para a comunidade do fruto deste festival. É privado? Mas os impostos que deve recolher não o são. O que despertou a atenção dos promotores foi justamente o fato de que mesmo recebendo uma multidão o Natal Luz não dava lucro.












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