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Posts de outubro 2011

Presidente reeleita faz discurso de conciliação

23 de outubro de 2011 3

Um discurso à altura dos cerca de 53% dos votos que estão lhe dando os argentinos. Assim foi a primeira manifestação de Cristina Kirchner como presidente reeleita. A contundente diferença e o naufrágio de seus maiores críticos, como Elisa Carrió, não deixaram pedra sobre pedra. Cristina equilibrou razão e emoção em uma noite em que disse estar misturando todos os sentimentos.

- Se dizer que estou feliz, estarei mentindo. Se dizer que estou triste, estarei mentindo.

(Foto: Alexandro Pagni/AFP)

A alegria da vitória e a tristeza de não estar mais ao lado do marido ponturam o seu discurso. Sem citar o nome de Néstor e referindo-se apenas a "ele", Cristina dedicou a vitória ao "grande fundador deste projeto". Fez referência à crise internacional que acabou por "comprovar tudo que ele dizia e falava sozinho". Cristina fez questão de destacar que falava não como viúva, mas como companheira de militância.

Desde cedo multidão tomou a Plaza de Mayo para festejar

Foto: André Machado


Ao citar as ligações que recebeu de adversários, seus partidários começaram a vaiar e foram repreendidos pela presidente. "Não podemos ser pequenos, na vitória temos que ser ainda maior". Uma das especulações que envolveram a candidatura de Cristina foi a possibilidade de uma reforma constitucional que permitisse uma tentativa de terceiro mandato. A presidente tratou de afastar.

- Fui a primeira mulher reeleita presidente. Meu companheiro foi presidente. Que mais posso querer? Não quero mais nada.

(Foto: Daniel Garcia/AFP)

No início de sua manifestação no Hotel Intercontinental, Cristina agradeceu à ligação da presidente brasileira Dilma Rousseff. "Dilma me disse palavras muito doces", revelou.

Casa Rosada permancerá com os mesmos inquilinos

23 de outubro de 2011 0

Cristina arrasa, diz o gerador de caracteres do canal Todo Notícias. O TN é propriedade do Grupo Clarín, combatido pela presidente em seu primeiro mandato. É apenas o retrato do que todos já sabiam ocorria hoje na Argentina. Os números das projeções não podem ser divulgados, mas nas entrelinhas, se divulga que ela pode chegar a 58% dos votos válidos nesta eleição. Hermes Binner deve ser o segundo com uma projeção de 16%. Os demais todos teriam ficado abaixo de 10%. A vitória de Cristina deve ser confirmada em todas as províncias do país e com ampla vantagem.

 

Favorita, Cristina vota no sul da Argentina

23 de outubro de 2011 0

Cristina votou em uma escola de Río Gallegos, província de Santa Cruz, no sul do país. Foi lá que fez sua carreira como advogada e deu depois seus primeiros passos na política ao lado do marido Néstor, falecido em 27 de outubro do ano passado. Aos 58 anos, Cristina deve vencer sua segunda eleição presidencial com mais votos do que fez em 2007 e com um discurso conciliador. A derrota nas eleições legislativas de 2009 e a morte do marido impulsionaram uma guinada na sua gestão. A ampla rede de programas sociais criados no seu governo surtiram efeito e sua popularidade cresceu junto com os bons resultados da economia.

Uma multidão acompanhou a presidente no seu voto na Escola Nossa Senhora de Fátima. Não apenas de populares, mas também de seguranças. O presidente da mesa levou a urna para um espaço aberto para que também a multidão de fotógrafos pudesse registrar o voto daquele que será eleita. Cristina levou um minuto para colocar sua boleta dentro de um envelope e depois o depositou na urna às 11h47. Sempre vestida de preto, como faz desde a morte do marido.

Estou convencido que estamos diante de um fenômeno. Lembro do que me disse Maria Julia, integrante da família que entrevistei para a matéria de domingo.

- Ela é perfeita. Inteligente, competente e ainda é uma mulher linda. Que mais se pode querer?

Binner vota para liderar a oposição na Argentina

23 de outubro de 2011 0

Segundo colocado nas pesquisas, o médico Hermes Binner demonstrou tranquilidade ao votar nesta manhã na cidade de Rosário, Província de Santa Fé. Perguntado sobre como seria a Argentina a partir de amanhã foi econômico e preciso: seguirá na democracia. Binner é governador de Santa Fé e comandou por duas vezes a cidade de Rosário. Aos 68 anos, juntou vários movimentos sociais para criar a Frente Ampla Progressista e apresentar um programa socialista ao país. Foi o quarto colocado nas primárias de agosto.

Alfonsin foi o primeiro a votar

23 de outubro de 2011 0

O oposionista Ricardo Alfonsin foi o primeiro entre os sete candidatos a Presidência da Argentina a votar. Fez em Chascomús, na Província de Buenos Aires, mesmo local em que votava seu pai Raúl, primeiro presidente depois da reabertura democrática. Questionado na saída do seu local de votação irritou-se com perguntas de jornalistas que perguntavam sobre seu futuro. Segundo colocado nas prévias de agosto, as pesquisas indicam que foi ultrapassado por Hermes Binner. Advogado, 59 anos, Alfonsin se disse feliz com a campanha e que está "farto de demagogos".

Cristina atrás de um recorde

23 de outubro de 2011 0

Desde as oito da manhã (nove horas em Brasília) os argentinos estão votando para eleger seu sétimo presidente desde a redemocratização. Ao que tudo indica não será o sétimo (ou sétima, para ser preciso), mas a renovação do sexto mandato popular. Cristina Kirchner enfrenta as urnas neste domingo atrás de um recorde. Pode passar para a história como a presidente com a maior votação da história do país. Até agora o feito é de Raúl Alfonsin que fez 51,7% dos votos em 1983. Seu filho Ricardo é hoje um dos seis adversários que tentam impedir o feito da presidente que será reeleita. Junto a Eduardo Duhalde e Hermes Binner, briga pela segunda colocação e pela possibilidade de liderar a oposição até as próximas eleições legislativas em 2013.

Argentino confirmam local de votação em frente as escolas

Foto: André Machado

O voto na Argentina não é eletrônico. São utilizados o mesmo tipo de boleto que se usa no Uruguai, com listas que indicam nomes para diferentes cargos. Se quiser votar em candidatos de partidos diferentes para cargos diferentes é necessário cortar as boletas e colocar tudo dentro de um envelope. A oposição quer terminar com este modelo de votação por entender que é sujeito a fraude. As urnas estarão abertas até às seis da tarde (sete da noite no Brasil).

Eles são 'locos' por Cristina

22 de outubro de 2011 1

Um dos desafios que tive aqui na Argentina foi localizar uma família kichnerista. Contar um pouco da história de um casal e seus filhos que tenham vestido a bandeira do Casal K ao longo dos mandatos de Néstor e Cristina. Contei com a ajuda de três mulheres. Sara (a Bodowsky), Mabel e Romina. Minha amiga Sara estava em férias por aqui na última semana. Quando soube que viria cobrir a eleição pedi ajuda. Sara é amiga de Mabel, uma garçonete com a mesma alegria da Sara que atende no El Nacional, um restaurante simples a poucas quadras da Casa Rosada. Com a indicação da Sara, lá fui eu.

Pode não parecer, mas sou um tanto tímido. Sentei em uma mesa, pedi uma milanesa e almocei. Na hora de pedir a conta perguntei à garçonete:

- É você a Mabel? Não era.

'Locos' por Cristina, os Basile receberam Zero Hora em sua casa

Foto: André Machado

Mas Mabel estava lá ao fundo. E esperando por mim. Vi que a timidez me fez perder tempo, mas fui recompensado. Mabel me deu o telefone de Romina, uma assistente social, que também aguardava por mim. Vibrei. Havia chegado aos personagens que precisava: Romina e sua família. Cheguei ao hotel e liguei. Romina também esperava minha ligação, mas o personagem não era ela. Indicou-me um casal com dois filhos que morava em Parque Patrício, região de Buenos Aires que os turistas brasileiros não costumam frequentar.

E lá fui eu no dia seguinte. Era sexta-feira, oito da noite no Brasil. Faltavam poucas horas para o fechamento da edição de domingo de Zero Hora. Com o auxílio de um taxista que odiava Cristina cheguei à casa da família Basile. Se a Virgem de Luján é a padroeira da Argentina ela certamente me abençoou. Não sei se a matéria que vocês estão lendo em Zero Hora está a altura do que vi neste casa. Há algumas coisas que são recompensadoras no jornalismo. Uma delas é conhecer gente feliz, conviver com uma família que deu certo. E Hugo, Maria Julia, Manuel e Luna são visivelmente felizes.

Na chegada tomei um susto. Nada a ver com o longo corredor que me leva à última entrada da casa que fica aos fundos do terreno. Nem mesmo com o assédio de Amelie, uma cadela preta de nove anos que completa a família. O que me assustou é que Hugo não estava. Pouco antes da minha chegada seu pai passou mal e precisou leva-lo ao hospital. Pensei comigo...paciência. Vamos adiante.

Manuel milita na juventude kichnerista. É torcedor do River Plate

Foto: André Machado

E comecei a conversar com Julia. Uma mulher que nunca foi peronista, mas que passou a gostar dos Kirchner pelas ações dos dois governos. Luna, uma menina mais tímida do que eu, com apenas 14 anos desfilava uma série de razões para torcer por Cristina e todas em defesa dos Direitos Humanos, como o casamento igualitário. Manuel, dois anos mais velhos, tem as unhas longas de quem toca guitarra. E com a mesma garra defende o governo.

O que mudou na vida dos Basile com os governos Kirchner? Quase nada. Seguem vivendo em um bairro de classe média, o casal trabalha em escolas públicas e público também é o colégio dos filhos. Mas entendem que o país está em harmonia. Que há menos miséria na rua, menos gente com fome, mais gente com acesso ao trabalho e uma melhor oportunidade de futuro para Manuel e Luna.


Fã do Red Hot Chilli Peppers, Luna é também fã de Cristina

Foto: André Machado

Procurei uma família kichnerista para tentar entender este fascínio que faz com que os argentinos personalizem tanto as suas convicções políticas.

Estava indo embora e Hugo chegou. Brinco pequeno na orelha esquerdo, trata Néstor e Cristina com devoção. Guarda todos os jornais da semana da morte do ex-presidente. O resultado da conversa com os Basile está publicado na edição de domingo de Zero Hora. Há um video também em zerohora.com. Agradeço à Sara, Mabel, Romina, Maria Julia, Hugo, Manuel e Luna. Venha o que venha nas eleições de amanhã que seja para a construção de um país melhor e com reflexos positivos também no Brasil. O melhor da democracia é vivê-la. E Brasil e Argentina sabem bem o que viver sem ela.

Quando pergunto a Lucia e Hugo o por que do apoio à Cristina, a resposta está vinculada à liberdade. Hugo viu parceiros do futebol da juventude desaparecem no regime militar. O mesmo ocorreu com Maria Julia ao tentar reunir sua turma anos depois da formatura (1975). Muitos haviam desaparecido.

A eleição nas prateleiras das livrarias

22 de outubro de 2011 0

Contra ou a favor de Cristina Kirchner há uma prateleira abarrotada nas livrarias argentinas de obras que tratam da vida da presidente e de seu marido Néstor. Él y Ella mostra como o casal enriqueceu e a ressurreição política de Cristina após a morte do ex-presidente. Pecado Original fala relações do grupo Clarín com a ditadura e como tornou-se dono do papel para jornal no país, alvo de disputa com os Kirchner. La Presidenta é só paz e amor. Cristina conta seus últimos momentos com o marido e revela que sentia ciúme da irmã.

O ataque mais forte é feito por Luis Majul, em Él y Ella. Majul é jornalista, editor de hipercritico.com e apresentador da rádio La Red. Em 2009, ainda com Néstor vivo, lançou El Dueño que vendeu 200 mil exemplares contando a história do ex-presidente e como misturava o público e o privado nos seus negócios. O primeiro parágrafo do livro é um petardo na família Kirchner.

"Néstor Kirchner e Cristina Fernández, os presidentes mais ricos e poderosos da história argentina, acumularam fortuna de forma indevida. E sua conduta não deveria ser apenas enquadrado no delito de enriquecimento ilícito, mas também em outro ainda mais inquietante: a lavagem de dinheiro".

E por aí vai contando histórias que envolvem poder, dinheiro e jogo de interesses incluindo o Poder Judiciário.

Néstor Kircher, o onipresente

22 de outubro de 2011 0

O azul celeste que marcou a primeira eleição de Cristina Kirchner foi trocado pelo preto que assumiu com a morte do marido Nestor, em 27 de outubro do ano passado. O ex-presidente é onipresente na campanha. Está em faixas e cartazes e é sempre lembrado pela esposa como um grande líder que começou a mudar o país.

“Em cada um de vocês quando me tocam e me dizem ‘força Cristina’ eu sinto que ele está junto de vocês para seguirmos adiante”, escreveu a presidente em seu twitter horas antes do encerramento de sua campanha. Curiosamente, Cristina não cita o nome do marido. Refere-se apenas a Él (ele), como se Kirchner fosse uma espécie de Deus.

A imagem de Néstor está presente na campanha de Cristina.

Foto: André Machado

Cristina é refratária a entrevistas e passou seu mandato brigando com os grandes grupos de comunicação da Argentina. A reeleição com mais da metade dos votos e a construção de uma maioria sólida no parlamento ajudará a presidente a levar adiante a sua Ley de los médios, contestada na justiça, que impede a concentração de diferentes meios de comunicação nas mãos de um mesmo grupo empresarial.

A expressão ‘força’ que consolava a viúva transformou-se em slogan de campanha. Na propaganda eleitoral, a força de Cristina transformou-se na força dos argentinos que mudaram de vida nos últimos anos. E vai do pai de família que ganhou uma casa, passa por uma mãe que recebe a AUH (o bolsa-família argentino), chega ao estudante que ganhou um laptop na escola pública e termina na cientista que retornou ao país por incentivo do governo. A oposição tentou fazer piada. Pedia aos argentinos que trocassem a força pela razão.

Os últimos dias foram de apelo ao eleitor para que permita o segundo turno. Os ataques mais fortes partiram de Ricardo Alfonsín, da União Cívica Radical, e de Elisa Carrió, da Coalisão Cívica. Os dois claudicam nas pesquisas de intenção. “Ela faz um bom governo e entrega aos argentinos um país muito melhor do que encontrou”, sintetiza o cientista política Artêmio Lopez. Adversário de Cristina e candidato à governador da Província de Buenos Aires, Francisco De Narvaez, é cáustico na análise. “O kichnerismo tem um lema: todo mundo tem um preço e estamos dispostos a pagar”, ataca.

“O argentino prefere viver mais da ilusão do que da verdade e isto ocorreu ao longo desta campanha presidencial”, afirma a consultora em Opinião Pública, Graciela Rommer. Se os ataques oposicionistas abalaram ou não a imagem de Cristina só saberá a partir das 19h de hoje (hora de Brasília) quando as urnas forem abertas. A divulgação de pesquisas eleitorais está proibida nos oito dias que antecedem as eleições.

Taxista engajado na campanha

21 de outubro de 2011 0

Este taxista de Buenos Aires mostrou que não tem nenhum medo em desagradar o prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, adversário histórico de Cristina Kircher. Tratou de forrar seu táxi com propaganda da presidente e candidata à reeleição. Macri gostaria de ter disputado as eleições presidenciais neste ano, mas foi desaconselhado diante da previsível vitória de Cristina. Acabou reeleito.