Quando um escândalo vem, ele nunca aparece em dose única. Quase que a conta-gotas os detalhes vêm sendo revelados e o acusado vai assim sangrando publicamente até que tome vergonha na cara e peça para sair. Este é o momento do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), tido por todos nós da imprensa como do ‘grupo dos éticos’ no Senado Federal e que agora vê sua trajetória política afundar com o que surge das investigações da Operação Monte Carlo.
Além da relação inadequada com o bicheiro (para dizer o mínimo), Torres pecou ao negar quando do surgimento do escândalo as suas relações com Cachoeira. Sua reputação foi por água abaixo (trocadilho intencional) ao acreditar que a denúncia se reduziria às centenas de telefonemas que manteve com o bicheiro. Esquecia que o conteúdo poderia aparecer.
Presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), conversa com Torres em intervalo da sessão. Senador goiano já não é mais tão atuante...
Foto: Pedro França / Ag. Senado
O trecho reproduzido na edição de O Globo desta sexta-feira é escandoloso. O material foi reproduzido em Zero Hora deste sábado. A revista Epoca reproduz uma escuta telefônica da Polícia Federal em que o ex-líder do Democratas pede que Cachoeira favoreça uma agência de publicidade de um amigo em contratos no Mato Grosso para a Copa. “Se for do interesse seu...acho que consigo”, teria respondido o bicheiro.
As novidades no fim-de-semana não pararam por aí. A revista Carta Capital vai adiante e aproxima o novo escândalo do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). A edição desta semana traz diálogos em que o bicheiro Carlinhos Cachoeira demonstra influência no governo goiano. A publicação atribui uma reforma que está em andamento no secretariado tucano a uma tentativa de apagar rastros de proximidade entre a gestão atual e o contraventor. Perillo nega qualquer vínculo. O atual secretário de Infraestrutura de Goiás é o suplente de Torres no Senado Federal e assumirá o mandato com a aguardada renúncia de Demóstenes. O inusitado: Wilder Morais é ex-marido da atual mulher de Carlinhos Cachoeira.
A revista Isto É afirma que Carlinhos Cachoeira se prepara para levar muito mais gente caso o seu esquema seja devastado na enxurrada provocada pelo Operação Monte Carlo. O pânico de uma parte da classe política responde pelo nome de CAIXA DOIS, nacionalmente conhecido na época do mensalão. E tudo estaria comprovado em farto material de áudio e vídeo. Prática comum entre cafajestes que se valem de fracos e corruptos que chegam a cargos públicos.
Este novela não acabou. Nem mesmo se encerrará com a renúncia de Demóstenes. Pode demorar, mas pode estar chegando perto o dia em que veremos que quem se vale do poder para benefício próprio pode parar na cadeia. Um exemplo é o processo do Mensalão, a ser julgado neste ano pelo Supremo Tribunal Federal. Corrupto só tem um partido, o do seu bolso e o bolso dos seus amigos.
A queda da máscara de um político é importante para a consolidação da democracia. Mas é nosso dever brigar para que todas as máscaras caiam, independente da filiação partidária de quem as veste.












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