Tarso Genro anunciou os integrantes da Comissão
Foto: Camila Hermes / Especial Palácio Piratini
Sei que tem muita gente torcendo o nariz, mas quero aqui exaltar que o Governo do Estado tenha instalado a sua Comissão da Verdade. Conhecer o passado nunca é demais. Especialmente um passado marcado pela tortura, pela falta de liberdade, pela repressão. Não há como não se chocar com as crueldades que tinham lugar em prédios públicos e eram praticadas por agentes pagos pelo Estado brasileiro. Do seu ICM, do seu Imposto de Renda, saia o financiamento da tortura.
Quem quiser 'pegar leve' leia Operação Condor: O Sequestro dos Uruguaios. Vai ver como dentro do que chamamos de Palácio da Polícia se cometiam crimes. Há outros relatos bem mais pesados.
Conheço a argumentação de quem é contra. Falarão da lei de anistia, de que quem lutava contra o golpe também cometeu crimes, do terrorismo. Estes, de alguma forma, já foram punidos. E punidos fora da lei. Punidos nos paus de arara, nos choques elétricos.
Nelson Mandela destacou que quem escolhe a forma como a luta será travada é o opressor. As surras que o MDB dava nas urnas na Arena a partir de 1974 deixava claro aos golpistas que pelo voto eles seriam retirados do poder.
Nasci e fui educado durante o regime militar convivendo com um pai cassado pela ditadura. Aprendi em casa o que era não ter liberdade. Meu pai não podia votar, não podia expressar sua opinião sob o risco de ser expulso do país.
Saúdo esta comissão do Governo do Estado não por buscar punir alguém. Justamente pelo contrário. Para que sejamos proprietários daquilo que um povo tem de mais bonito que é a sua história. A verdade não fere a lei de anistia. Há uma frase do governador Tarso Genro que expressa bem este sentimento. "Reconhecer o passado é construir o futuro e construir o futuro significa dizer nunca mais."
Comentário veiculado no Chamada Geral 3ª Edição - 06.08.2012



Repudio veementemente o seu comentário. O senhor falta com a verdade e emite sua opinião. Fui educado durante o período do regime militar e aprendi a ser um cidadão correto, honesto e patriota. Meu pai é um homem de bem.
Cumprimentos, belo texto.- jader martins
Certamente temos histórias de vida diferente. O meu pai também era um homem de bem e foi cassado única e exclusivamente por não concordar com o regime militar. Sofri na pele (e na minha casa) o que significava a repressão. Para entender a história é preciso também olhar para além dos nossos muros.
agora mais esta, será q somente em regime militar e q se educa bem os filhos...ah por favor meu caro Luiz, tenha dó...mais esta, os MILICOS E Q DÃO BOA EDUCAÇÃO...aos nossos filhos, carater,dignidade,hombridade não se compra em farmacia, vem de berço.- jader martins.-
Eu diria que esta questão de Comissões que investigarão o período militar estão comprometidas desde já pela falta de documentos e testemunhas que não existem mais.
Não quero dizer com isso que não se investigue, mas eu gostaria de saber por que essas Comissões não foram criadas antes?!
Por que o PT não insistiu com Collor? FHC?!
E, por que no governo Lula, ele não tomou esta iniciativa?
André Machado faz parte daquelas pessoas que sentiram na pele as injustiças cometidas naquele período. Conheci outras, parentes meus, inclusive, razão pela qual jamais teremos comentários isentos a respeito porque impregnados de aspectos pessoais extremamente importantes e que não se pode sequer ventilar a hipótese de imparcialidade sobre este tema.
Da mesma forma do outro "lado", quando inocentes foram mortos, torturados, sequestrados e assaltados por bandos de marginais, que se esconderam atrás do que chamaram DEPOIS de luta pela democracia, quando na verdade queriam uma ditadura comunista no lugar da ditaduta de direita que havia se instalado no País.
As entrevistas de Franklin Martins, Gabeira e tantos outros, comentam sobre suas reais intenções.
Em princípio não creio nesta Comissão estadual.
Os integrantes deveriam ser escolhidos de forma diferente e, antes de se designar qualquer pessoa, deveriam se estabelecer quais os critérios que serão adotados, o início, onde existem mais provas à disposição, quais as pessoas ainda vivas que poderão testemunhar, quais as que morreram em circunstãncias duvidosas, e que seja trazido à tona o DOPS e seus casos rumorosos.
Mesmo assim, acredito que tais Comissões porque não formadas por integrantes isentos e representantes de várias entidades importantes, tais como, da Magistratura, da OAB, Ministério Público, um membro das próprias Forças Armadas, do governo, claro, enfim, uma mescla de pessoas de fato e de direito comprometidas com a verdade, com a história, com a justiça, que o André é o nosso exemplo, dificilmente aquilo que gostaríamos de ver apurado não vai se concretizar, pois se trata de um conjnto de pessoas escolhidas de forma unilateral, determinadas pelo governo, ao meu ver, sem a devida autoridade representativa da própria sociedade.
Mas, a minha curiosidade não será saciada sobre as razões pelas quais estas Comissões não foram elaboradas anteriormente e, nesses casos, o ditado, "antes tarde do que nunca", não se aplica porque o tempo se encarregou de dificultar as investigações, lamentavelmente.
Por outro lado, eu sei que não existe dor maior que a da injustiça e, neste caso específico, o tempo é o grande inimigo enquanto ela não for desfeita ou compensada, mesmo que em termos, motivo pelo qual causa-me espécie que somente agora, mais de quarenta anos depois e vários governos civís, este assunto tão crucial à nossa história venha à tona, além de haver uma Lei de Anistia que impede punições se fosse o caso.
Em outras palavras, se é para investigar profundamente os acontecimentos nebulosos do passado e específicos ao regime militar após quatro décadas, que a Comissão fosse elaborada como eu sugeri acima, inclusive com alguns pesquisadores e historiadores que abordaram várias situações à época, compilando dados e informações para que fossem verificados e constatados em suas veracidades, mas não assim com pessoas que, independente de suas seriedades e honestidades de propósito, lógico, pouco poderão fazer porque não representam a sociedade como um todo em busca de se ampliar nossos conhecimentos sobre o que ainda está enterrado.
Belo comentário.
É louvável ler uma opinião lúcida, que conhece o peso da Ditadura, e a importância de conhecer a história. Melhor ainda é lê-la veiculada em um grande meio de comunicação. Precisamos que as pessoas entendam que só encontraremos a democracia quando não houver mais dúvidas e injustiças.
Discordo, apenas, porque creio na necessidade de revisão da interpretação da lei da Anistia. Tortura e assassinato pela tortura, segundo a ONU, são crimes contra a humanidade, e não crimes políticos. Mas discordar é parte da democracia, e hoje podemos fazer. Fico feliz que ainda seja no mesmo campo, dos que defendem a verdade e a justiça.
Sobre o Rio Grande do Sul, há uma dissertação muito boa da Caroline Bauer, no mestrado em história da UFRGS que conta a história do DOPS do estado. Recomento.
Parabéns. Deixo aqui meu apoio, ao teu comentário.
Peço licença para complementar o meu comentário acima:
Lendo a ZH que chegou tarde hoje para mim, li sobre as pessoas que fazem parte desta Comissão.
Reconheço tratar-se de quatro senhores e de uma senhora, conforme breve currículo mostrado, do mais alto nível e, aparentemente um grupo isento, apesar de faltar, ao meu juízo, um membro das Forças Armadas, Poder Eclasiástico, OAB e Magistratura.
Mas, admito, que são pessoas de capacidade e condutas íntegras nomeadas para esta Comissão da Verdade Estadual.
Agora só esta fatando nomear os membros da comissão da verdade que exponha a traição que o partido dos trabalhadores perpetrou contra a esperança do povo brasileiro!!!!
Acredito que o governo tem mais com o que se preocupar como a educação (nosso governador estipulou o piso dos professores quando era ministro e agora reluta em pagar), saúde (não investe-se em saúde no estado, logo os hospitais em Porto Alegre ficam abarrotados, isso que Porto Alegre possui em relação a leitos/habitante nível europeu), segurança (engraçado que sempre quando o PT sobe aumenta consideravelmente o nível de violência, não sei o motivo, mas basta lembrar do Bisol no poder que proferiu a seguinte frase: "estupro não é crime hediondo". Duas semanas depois teve seu carro assaltado). Essa comissão de investigar crimes do período da ditadura é algo que privilegia uma pequena massa subversiva ao regime. Meus familiares e amigos não sofreram perseguição do regime. Pessoas de bem, cujo pensamento era contrário, foram exiladas. Adiantou roubarem bancos, sequestrarem figuras públicas? não, o regime caiu por si só, foi consumido. Não é de interesse público essa comissão da verdade, mas é de interesse público a melhora na educação, saúde e segurança. Será que os criminosos do regime, que encontram-se no poder hoje, não cometeram nenhum delito grave, assassinato, roubos? Pois é, deveríamos investigar também, pois se roubavam bancos, podem vir a roubar dinheiro público, OU JÁ ROUBAM?