Uma foto da repórter fotográfica Adriana Franciosi nos leva a uma reflexão sobre o que é nossa política, o que queremos dela e daqueles que escolhemos para nos representar. Mesmo que um político eleito não represente o meu pensamento, ele está lá representando uma parcela da opinião do país e eleito pelas regras da democracia que construimos. No cartaz clicado há uma definição que está na cabeça dos brasileiros. Só existem dois tipos de políticos, os corruptos e os suspeitos de corrupção.
Cartaz é contundente! Você concorda?
Foto: Adriana Franciosi / Zero Hora
Esta classificação, mesmo que não corresponda à realidade da nossa representação, corresponde ao que está na cabeça do eleitorado brasileiro. E o que o eleitor faz para mudar isto? Nada ou muito pouco. Mesmo nós gaúchos que enchemos a boca para falar da nossa politização elegemos deputados indiciados em processos policiais e quem abertamente diz estar se lixando para a opinião pública.
Felizmente a política não é apenas formada por corruptos. Mas estes têm conseguido impor barreiras para que haja uma verdadeira transformação no nosso processo político. Hoje para chegar a uma Assembleia Legislativa não se gasta menos de R$ 500 mil numa campanha. O dobro para o caminho na Câmara dos Deputados. Há vereadores de Porto Alegre que gastaram muito mais do que isto. São raros os casos de doadores que doam por amor à democracia. A conta vem.
Não acredito que a política se divida de uma forma tão simples. Felizmente os políticos que acompanho e trabalham com retidão enchem bem mais do que uma mão. Mas se queremos melhorar a política é preciso que o eleitor também faça a sua parte. Que exija as reformas. Não só em protestos agora nas ruas, mas também nas urnas. O Congresso Nacional é a representação da sociedade e a sociedade não é feita apenas por corruptos e suspeitos de corrupção.
O problema é que a impunidade, o corporativismo político (com deputados condenados pelo STF seguindo trabalhando como parlamentares) e a tentativa de calar o poder investigatório (vide PEC 37) corroboram para que o cartaz apresentado pela jovem fotografada pela Adriana Franciosi diga muito sobre o que pensamos. E quem entra para a política para virar no dia seguinte suspeito de corrupção.











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