Depois de deixar Porto Alegre no início da noite do dia 26 de maio, o governador Tarso Genro retorna hoje ao Rio Grande do Sul. Ele desembarca no voo inaugural da TAP. A longa missão inaugurou também uma forma de governar. Convicto da solidez de sua base, o governador pretende cada vez mais jogar sementes gaúchas mundo a fora. Em quase todo o evento que participou - tanto na Coréia do Sul, quanto na Espanha – repetiu seu slogan de campanha: Rio Grande do Sul, do Brasil, do mundo. Em conversa com o Esquina, Tarso avalia a viagem, justifica os dias de folga em Madri e avisa que novos roteiros virão em breve.
Governador fez quatro dias de descanso entre duas missões
Foto: André Machado
Esquina Democrática – Depois de uma semana na Coréia do Sul, o senhor está encerrando também uma temporada na Espanha e retornando ao Rio Grande do Sul. Qual a avaliação que o senhor faz deste período?
Tarso Genro – Nós colocamos o Rio Grande do Sul como um interlocutor importante do ponto de vista econômico, político e cultural. Em relação à Coréia com médias empresas de alta tecnologia, grandes grupos empresariais, com o estado coreano através de suas províncias mais importantes e já com resultados concretos que irão se realizar brevemente. Em relação à Espanha a agenda se divide em duas partes. Uma parte é minha agenda pessoal nos dias de folga que tive aqui e ocupei fazendo palestras, discutindo com amigos, com acadêmicos, sindicalistas, professores, políticos. Tive uma boa conversa com o vice-presidente Rubalcaba, que é meu amigo e candidato à Presidência de Governo, e foi muito proveitoso. Além, evidentemente, dos momentos de lazer que tive. Já na agenda oficial nós não só realizamos um conjunto de reuniões com empresários interessados em investir no Brasil, como também visitamos em Ciudad Santander (sede do banco) a instituição financeira que tem grandes interesses no nosso país e realizou um grande evento com dezenas de médios e grandes empresários da Espanha que queriam conhecer o Rio Grande do Sul e iniciar também um início de negociações conosco, dando continuidade aquela viagem que já havíamos realizado aqui no mês de novembro.
ESQUINA DEMOCRÁTICA – A decisão de tirar cinco dias de folga ainda no início do seu mandato foi a mais adequada?
Tarso Genro – Não há nenhum problema nisto. Seria complicado voltar ao Brasil e voltar novamente à Espanha para depois voltar ao Brasil no voo inaugural (Lisboa – Porto Alegre). Estes quatro dias que tirei aqui foram dias relacionados com esta permanência. Eu tirei dias de folga exatamente para que o Estado não me mantivesse aqui e eu me mantivesse pelos meus próprios recursos e fazendo uma agenda tipicamente política. Foi esta a minha decisão, totalmente adequada, responsável e para proteger o interesse público.
ESQUINA DEMOCRÁTICA – O senhor não tem desgaste entre a população que tem expectativas em relação ao seu governo?
Tarso Genro - Eu acho que a expectativa positiva que a população tem em relação ao nosso governo tem a ver também com o tipo de relação que o nosso governo tem com o país e com o mundo. Eu acho que o Rio Grande do Sul já superou aquela visão pequena, uma visão paroquial – no sentido negativo da expressão – de que o governador tem que ficar encerrado em quatro paredes sem se vincular politicamente ao mundo e ao seu país. Eu sempre fui um político que tive estas relações de maneira intensa. Minhas relações com Espanha, com Portugal, com França e com políticos e intelectuais italianos é antiga. Isto eu faço desde a década de 80. Tanto é verdade, e a RBS testemunhou isto, que eu transitei com absoluta naturalidade aqui nos meios políticos, culturais, sindicais, acadêmicos e empresariais. E isto em função destas relações que sempre mantive. Eu acho que isto é um prestigiamento para o Rio Grande do Sul: um governo que projeta seu estado nas relações políticas nacionais e internacionais e faz isto de maneira responsável. Ou seja, visando o reforço do Estado e visando o seu desenvolvimento político e o fortalecimento da sua imagem nas nações mais desenvolvidas.
ESQUINA DEMOCRÁTICA – O senhor passa neste momento no Rio Grande do Sul por um desafio importante para o seu mandato que é a votação do pacote. A sua presença na Europa não prejudicou o avanço das negociações?
Tarso Genro – Nenhum prejuízo. Estes projetos que estão lá não são projetos pessoais meus. São projetos do governo. O governo tem governador, tem vice-governador que pode assumir o mandato tranquilamente e tem ainda uma enorme representação política no secretariado. O governador é o coordenador institucional, político e de gestão do governo. Um governo que depende exclusivamente de um indivíduo para funcionar é um governo que tem problemas para resolver. Não é o nosso caso. Se tivesse prejuízo do governador viajar para dar seguimento aos projetos do governo, seria um governo mal estruturado, mal sustentado politicamente e fundado numa personalidade indivudual, o que não é o caso do nosso governo. Eu vou continuar viajando. Vou fazer outras viagens ainda neste ano. Não só de caráter político, mas de caráter técnico, para dar curso a esta visão de ser um estado de vínculos profundos com a federação e com o que ocorre política e economicamente no mundo.










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