Nenhum outro período foi mais turbulento durante a gestão de Yeda Crusius do que aquele que abrange os meses de trabalho da CPI do Detran. As emissoras de rádio e a TVCom costumavam transmitir os principais depoimentos das sessões que deveriam ajudar a esclarecer como R$ 44 milhões sairam da autarquia em um esquema de terceirização que havia começado ainda no governo Germano Rigotto e ingressara nos primeiros meses da gestão de Yeda Crusius quando a Operação Rodin explodiu. Para o bem ou para o mal seus personagens tiveram ampla exposição.
As sessões marcaram pelo "direito de permanecer em silêncio" de boa parte dos acusados e pelas perguntas de quase uma hora da deputada Stela Farias (PT). Além da deputada, a CPI levou para a linha de frente do parlamento os deputados Fabiano Pereira (PT), Paulo Azeredo (PDT), Adilson Troca (PSDB) e Elvino Bohn Gass (PT). Pereira presidiu os trabalhos tendo Azeredo como vice. Troca tentou ser o algodão entre os cristais no papel de relator. Bohn Gass era o inquisitor mais presente ao lado de Stela durante as tensas sessões.
Entre os que viram seus nomes envolvidos na CPI e nas posteriores ações judiciais estão José Otávio Germano (PP), Luiz Fernando Záchia (PMDB), Frederico Antunes (PP) e João Luiz Vargas (PDT), à época ainda como conselheiro do Tribunal de Contas.
De todos os nomes envolvidos na CPI, o grande vitorioso é Elvino Bohn Gass. Além de ampliar a sua votação, Bohn Gass conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados. Estará ao lado de José Otávio Germano (PP), principal alvo dos trabalhos na comissão. Boa parte do trabalho realizado na comissão tinha a sua munição apontada para o ex-secretário de Segurança que, antes das denúncias, era aposta para o Palácio Piratini. Mesmo reeleito, José Otávio viu sua votação minguar de 195.822 para 110.788.

Bohn Gass fez 90.096 para a Câmara dos Deputados
Foto: assessoria de imprensa
Dois tentaram chegar à Câmara Federal e não conseguiram. Fabiano Pereira fez 73.463 e é terceiro suplente do PT (com a validação dos votos de Maria do Rosário) e aguarda pelo aproveitamento de companheiros no governo Tarso Genro para manter-se na vida pública. Luiz Fernando Záchia fez 54.081 e é o segundo suplente do PMDB.
Dos que disputaram a Assembléia Legislativa, a votação de João Luiz Vargas é a mais deprimente. Avisado por companheiros, o ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado decidiu disputar novamente uma cadeira e fez apenas 9.932 votos. Ficou de fora assim como o seu companheiro de partido, Paulo Azeredo com 31.029. Azeredo ficou famoso na CPI por sempre fazer perguntas envolvendo contas no Uruguai. Seguem no parlamento Adilson Troca e Stela Farias. O tucano fez 36.611, três mil a menos do que em 2006. A petista também reduziu sua votação de 55.229 para 48.070, mas mantém-se no Palácio Farroupilha. Frederico Antunes, que pouco apareceu na CPI mas virou réu em ação de improbidade administrativa, também perdeu votos. Caiu de 72.721 para 46.537.
As urnas castigaram também os dois governadores do período da fraude do Detran. Yeda Crusius (PSDB) não chegou ao segundo turno. Germano Rigotto (PMDB) foi o terceiro na corrida pelo Senado.
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