Se era de força e militância que o candidato Adão Villaverde precisava para dar a arrancada na corrida pela Prefeitura de Porto Alegre, a convenção do Partido dos Trabalhadores na capital deu o impulso que precisava. Em um Teatro Dante Barone lotado, o PT reuniu aliados e seus principais líderes no Rio Grande do Sul para tentar uma virada na mais desfavorável eleição para a sigla na cidade desde que venceu em 1988 com Olívio Dutra. O alvo inicial ficou claro: a administração do ex-companheiro José Fortunati, hoje no PDT. Lembrando os roteiros que fez pela capital, Villaverde disse ter percebido que as marcas das administrações da Frente Popular na cidade estavam"se apequenando". A crítica era em relação ao que chama de abandono de questões sociais, como a existência de 750 vilas irregulares em Porto Alegre. A culpa, conforme Villaverde, é das administrações de José Fortunati e José Fogaça.
Quem também mirou no atual prefeito foi o presidente estadual do PT, Raul Pont, de quem Fortunati foi vice quando integrava o PT. "O atual prefeito é refém dos empresários de transportes e das grandes imobiliárias que desrespeitam a todo o momento o plano diretor", acusou ao atacar também a participação popular na atual administração. "É um marketing", afirmou. A possibilidade de crescimento de Villaverde foi destacada também pelo governador Tarso Genro. "No nosso presente está sintetizado todo o nosso passado e a possibilidade de resgatar no futuro o nosso trabalho de 16 anos", confia o governador.

Rosário comandou a festa que lançou "Villa Prefeito"
Foto: Eduardo Quadros / divulgação
Ao som de "Onde o PT governa dá certo", a ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário foi a mestre-de-cerimônias. "Estou adorando fazer isto aqui", empolgou-se antes de chamar o presidente da Câmara dos Deputados Marco Maia para falar. Nos painéis que adornavam o teatro da Assembleia Legislativa o nome de Adão Villaverde virou Villa, como será usado na campanha. O famoso canto das campanhas de Lula ganhou nova letra com o "ole ole ole olá Villa Villa". E o jeito petista de fazer campanha.
Todos ex-candidatos do PT em Porto Alegre participaram do ato. Desde os vitoriosos Olívio Dutra, Tarso Genro, Raul Pont e João Verle (vice do segundo mandato de Tarso) aos derrotados Clóvis Ilgenfritz (vice em 1985) e Maria do Rosário (2008). Dos líderes estaduais, apenas o senador Paulo Paim não esteve presente, mas enviou uma mensagem. Dirigentes do PTC, PV, PPL e PR - aliados na disputa. O candidato a vice Arlindo Bonete (PR) protagonizou a gafe do evento ao chamar Villaverde de 'vice'. "Estou nervoso" admitiu o militar inexperiente em disputas eleitorais.
Em franca desvantagem nas pesquisas, Villaverde vai precisar demais da militância para chegar ao segundo turno e à vitória aclamada hoje por seus companheiros de partido.
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