Do lado de fora, vê-se em cena ritos que fazem chegar a maturidade da vida. Do lado de dentro, o diálogo é com a alma. Uma intimidade que vai se estendendo à medida em que uma construção histórica vai sendo ocupada – no caso, o Centro Cultural Deutsche Schule. É o espetáculo “(R)Existência” que estreia domingo, às 20h30 e 22 horas, com duas sessões extras na segunda e terça-feira, no mesmo horário.
O QUÊ: espetáculo “(R)Existência”.
Por Rafaela Mazzaro / rafaela.mazzaro@an.com.br
Três editais nacionais foram lançados nesta semana pelo Itaú Cultural, instituto privado que mapeia e premia talentos das artes e da cultura brasileira, no programa Rumos. Trabalhos voltados para as áreas de artes visuais; educação, cultura e arte; e jornalismo cultural podem ser inscritos no site do programa de apoio.
O QUÊ: inscrições nos editais do Rumos Itaú Cultural.
A turma do Chaves estará neste fim de semana em Santa Catarina para comemorar o aniversário do menino que vive em um barril – a ocasião será festejada nos teatros de Jaraguá do Sul, Joinville e Itajaí. A peça “O Aniversário do Chaves” será encenada nas três cidades pelos integrantes da Cia. Teatral Amor e Arte, do Rio de Janeiro.
AGENDE-SE
Por Cláudia Morriesen / claudia.morriesen@an.com.br
Gratuito, os ingressos são distribuídos uma hora antes do espetáculo nos locais de apresentação. Censura: 12 anos. Informações: (47) 8468-1242 com Ângela Finardi.
Desculpe, "O Discurso do Rei", mas jurei amor eterno cedo demais. É que tanta coisa boa em cartaz tá me deixando zonza. rs. E eu ainda não tinha assistido "Bravura Indômita". Não que o drama do príncipe gago tenha perdido seu valor. Continua sendo um bom filme. Mas definitivamente o conjunto da obra é mais fraco se comparado ao novo trabalho dos irmãos Coen.
Por Cláudia Morriesen / claudia.morriesen@an.com.br

Curta de Fábio Porto que estreia hoje critica os rumos da produção cultural em Joinville. Confira a matéria da epórter Claudia Morriesen:
Em agosto de 2010, o diretor joinvilense Fábio Porto estava apavorado. Com o dinheiro do edital de apoio à cultura nas mãos, ele tinha apenas quatro meses para a realização de um curta-metragem que não acreditava que passaria pelo crivo da avaliação. O episódio tem um quê de "A Noite Americana", já que assim como o diretor do filme de Truffault, a história criada por Fábio também fala dos imprevistos de dois videomakers durante realização de curta-metragens. A diferença é que Fábio tinha a estrutura, só não tinha tempo, para filmar sua história.
É o resultado de um trabalho em equipe que o público poderá assistir neste sábado, na estreia de "História de Joinville - O Projeto", um filme que não conta nada sobre a história de Joinville. Na realidade, ele é uma crítica às produções culturais da cidade, que são majoritariamente voltados às histórias e pesquisas sobre Joinville. Fábio, que sempre produziu ficção e não se preocupou em localizá-las na cidade, questionava essas decisões dos outros artistas e resolveu expor a ideia no filme.
"Não é para ser uma provocação, mas espero que faça com que as pessoas que produzem cultura em Joinville passem a olhar mais para o desejo artístico em vez de se preocupar em atingir a história da região", afirma Fábio. O roteiro, escrito por ele em 2009, conta a história de dois videomakers, Dantas e Chico. O primeiro, desempregado e precisando de dinheiro, resolve produzir um curta e, para garantir que vai receber um valor alto no edital de cultura, dá ao filme o nome "História de Joinville - O Projeto". O outro, que tem experiência e quer produzir seu filme sem ligar para as amarras das produções locais, também se inscreve no edital, mas não conquista aprovação. Assim, enquanto Dantas começa a fazer o filme, descobre que o dinheiro para o projeto não é suficiente e tudo começa a falhar, Chico, que é um diretor experiente, decide fazer seu filme por conta própria - e este, sim, dá certo.
O QUÊ: estreia de "História de Joinville - O Projeto".
QUANDO: sábado (19/02), às 20 horas.
ONDE: no anfiteatro do edifício hannover, sétimo andar, rua Abdon Batista, 121.
QUANTO: gratuito.
PARA CONFERIR O TRAILER - MUITO ORIGINAL, POR SINAL - CLIQUE AQUI
Pirabeiraba pode não ter uma festa de Carnaval na Estação da Cidadania, mas as festas do distrito de Joinville serviram de inspiração para a o Carnaval de Joinville deste ano. Os 350 membros da Escola de Samba Acadêmicos do Serrinha irão representar os 20 mil moradores de Pirabeiraba no carnaval joinvilense, com um samba-enredo totalmente em homenagem à região da serra Dona Francisca.
"Eu queria falar sobre a estrada Dona Francisca, a mais antiga da região e uma das mais importantes para a colonização. Acabamos aproveitando para falar também de Pirabeiraba, de suas festas e da cultura do povo de lá", conta o presidente da escola Jair Matias. Com a sinopse na mão, Jair foi conversar com o sambista Paulo Vitório, o Paulão, que escreveu a letra do samba-enredo da Serrinha.
Em 5 de março, carroças devem passar pela rua rio Branco, endereço da festa, representando aqueles que se aventuravam a descer a serra Dona Francisca. Como o samba conta a história de Pirabeiraba, a escola planeja construir um carro alegórico que represente as festas de origem alemã e dinamarquesas que marcam a cultura das famílias que construíram a região, aberta às margens da estrada Dona Francisca da mesma forma que uma parte do bairro Saguaçu, onde surgiu a escola de samba que, hoje, é a mais antiga ainda em atividade em Joinville.
A Serrinha também voltou às ruas da cidade antes das outras escolas. O Carnaval de Joinville acabava de ser reativado, em 2006, quando os instrumentos antigos foram tirados da casa de Darci da Silva, aonde haviam ficado guardados desde os anos 80, para voltar ao batuque do samba.
A rua Dona Francisca também é importante para o Carnaval da cidade: era dali que saíam as escolas de samba, que iam brincando pelas ruas até chegar à rua do Príncipe, no centro da Cidade.
A escola
Mestre da bateria: Mestre Edinho.
Puxador de samba-enredo: Gigi.
Compositores do samba-enredo: Gigi, Paulão, Luiz Antônio de Souza.
Rainha de bateria: Jéssica Francine Sestrem.
Madrinha da bateria: Cleoci da Silva.
Princesas de bateria: Rosangela Oliveira Reis e Aline Caroline Oliveira.
"Nas Festas de Pirabeiraba é só alegria"
Letra: Paulo Vitório (Paulão)
Descendo a serra em meio a natureza
vou por uma estrada que tem nome de mulher
é Dona Francisca.
Em suas margens um distrito se formou
Pirabeiraba ou então peixe brilhante.
Serrinha vem contar a história dessa gente.
Foi bem lá no passado há tempos atrás
no governo imperial
Luiz Pedreira que ganhou as férteis terras
em sua homenagem pedreira ela se chamou.
Alemães, dinamarqueses, suíços vieram pra colonizar
e com a força do trabalho na agricultura junto com a pecuária.
Vem, vem, vem linda rainha.
Vem com as princesas pra comemorar.
Vem que eu te espero na avenida com Serrinha.
Nas festas de Pirabeiraba é só alegria.
Qua, qua, qua olha a corrida do pato
bota no prato que eu quero provar
marreco recheado com repolho roxo
na Festa do Colono eu vou comer com gosto.
Olha a Festa da Colheita
do tiro ao porco, do arroz e do cará
Stammtisch também tá pegando fogo
é um sucesso toda a festa desse povo
Vem, vem, vem linda rainha.
Vem com as princesas pra comemorar.
Vem que eu te espero na avenida com Serrinha
nas festas de Pirabeiraba é só alegria.
PRÍNCIPES DO SAMBA

O samba está no pé desde muito cedo e a batida da bateria tem guiado a vida de Ernesto Miranda Corrêa. Aos 55 anos, o "Butiaquinho" não sabe mais o que é passar um Carnaval longe do barulho da música e das risadas, principalmente se for ao lado dos amigos que mais gosta: o pessoal do Clube Kênia, com quem tem uma trajetória de desfiles e alegrias, mesmo quando o clube já não tinha mais a escola Príncipes do Samba para ensaiar lá dentro.
Com 13 anos, Ernesto já estava no meio do samba. Levado pelos irmãos mais velhos Eugênio e Eduardo, ele era o garoto da frigideira. Tocava tanto que aos 16 já era mestre de bateria da Escola Mocidade Independente da Água Branca, em São Francisco do Sul e, por isso, aos 18, quando deixou de sambar pelas ruas da Ilha, chegou a Joinville à frente de uma ala tradicional.
Ernesto é de um tempo em que a Escola Príncipes do Samba ainda saia em grupos de 100 pessoas do Clube Kênia para a rua do Príncipe, onde aconteciam os desfiles, a pé, levando os instrumentos na mão e as fantasias no corpo, fazendo a festa pela zona Sul de Joinville. A família ia unida: Eugênio, o irmão mais velho, era o presidente do Clube Kênia _ e, na época, a escola ainda se chamava Escola de Samba do Clube Kênia - e o irmão do meio, Eduardo, fazia as composições do samba-enredo. Ernesto ia feliz como mestre de bateria, posição que nunca mais deixou de ocupar, nem mesmo quando o Carnaval de rua acabou e a Escola de Samba parou de ensaiar.
"Eu dei um jeito de nunca deixar de sair no Carnaval, mesmo quando estava doente", ri ele, que durante as duas décadas de hiato do Carnaval joinvilense, foi para cidades como Criciúma e São Francisco desfilar. Ele é um dos fundadores da Escola Unidos do Paulas, para onde levou muitos contemporâneos do Príncipes. E mesmo agora, com o retorno da escola, ele ainda desfila em Joinville no sábado e em São Francisco no domingo. "Faz parte", afirma ele, "o Carnaval está no meu sangue".
História
A história da Príncipes do Samba começou em 1967, quando um grupo de amigos que frequentava o Kênia Clube se reuniu para formar um bloco e brincar no Carnaval. Era o início da escola que seria campeã do Carnaval joinvilense por 13 vezes, quando competia com as escolas Unidos do Boa Vista e Acadêmicos do Serrinha. Isso faz com que ela seja uma das escolas de samba mais antigas de Joinville _ e uma das poucas ainda na ativa, já que, depois de 19 anos sem desfilar, a Príncipes recuperou o fôlego e voltou para as ruas de Joinville em 2010.
Na época, a escola ainda tinha o nome de batismo, "Escola de Samba do Clube Kênia". Foi só em 1982, pouco antes do grupo fazer uma homenagem à Joinville com um samba enredo falando das tradições e das festas da cidade, que a escola ganhou o nome "Príncipes do Samba". E assim que a escola desfilou por mais oito anos, até o Carnaval de rua de Joinville perder o título de um dos maiores Carnavais de Santa Catarina _ e desaparecer.
Samba-enredo: Joinville e sua gente: Muito além dos 160 anos
Dá licença madrinha Portela
Cheguei em alto astral na passarela
Pra contar uma história genial,
Joinville cresceu está em pleno apogeu
Virou enredo nesse lindo Carnaval
A mais de dois mil anos atrás
Sambaquianos habitavam essas regiões
Viviam da caça e da pesca e da coleta de marisco e berbigões
Se alguém duvida meu conselho é conferir
A exposição no museu de Sambaqui
Tem artes nas pedras, tem ossos e conchas
Deixados no chão, é um tesouro guardado
Quem vê quase chora de tanta emoção (bis)
Os índios e os descendentes europeus
Constantemente entravam em lutas territoriais
Não podemos esquecer do tempo da escravidão
Imigrantes, bandeirantes e a colonização
Cidade híbrida um eldorado, hoje exporta progresso
Pra vários mercados, cento e sessenta anos de história
Que os Príncipes do Samba não apagam da memória
Tem festa do tiro, do bolão e do cará
Vem pro festival de dança que eu te levo pra jantar
Tem chucrute no cardápio, feijoada e empadinha
Marreco, repolho roxo e um bom peixe com farinha
Pra sobremesa vai ter cuca bem fresquinha (bis)
Grupo
Mestre de bateria: Ernesto (Butiaquinho) e Chanceller
Puxadores do samba-enredo: Marquinhos Diniz e Paulista
Sinopse do samba-enredo: Prof. Dra. Sandra Guedes
Samba: Odair Conceição e Marquinhos Diniz
FUSÃO DO SAMBA
A juventude da escola Fusão do Samba logo se vê em uma de suas musas. Juliana da Rosa Pereira ainda está trocando os dentes de leite, mas samba que nem gente grande. A menina de sete anos será uma das representantes da escola, que conta com 360 membros e vai desfilar em 11 alas, com três carros alegóricos para contar com perfeição o samba-enredo. Na Fusão do Samba, boa parte dos integrantes são bem jovens - a faixa etária da escola não supera muito a faixa dos trinta anos - e crianças e adolescentes estão por toda parte na história da Fusão, aprendendo a fazer Carnaval com quem aprendeu sem muitas lições.
"Praticamento todo mundo aqui começou a sambar indo ao Clube Kênia com os pais, tios e a avós, que participavam da escola Príncipes do Samba. Foi lá que aprendemos a amar o Carnaval, mas com o tempo passamos a não aceitar as imposições dos mais velhos. Tinha muita coisa que a gente não concordava e queria mudar", conta Jucélio Narciza, presidente da Fusão dos Samba.
Desde que criaram o próprio grupo - primeiro um bloco, depois uma escola - os integrantes da Fusão do Samba fazem também um projeto social chamado Paz e Ritmo na escola. Eles fazem um trabalho em escolas públicas com jovens de 9 a 17 anos para ensinar ritmos e tradições no horário contraturno dos alunos. "Queremos desenvolver a cultura desses jovens e resgatar os valores que costumavam ser encontrados na família", afirma Jucélio. O carnaval de rua é uma explosão desses ensinamentos, quando os jovens de todas as idades saem juntos para festejar.
A jovem musa é exemplo disso. Juliana começou a desfilar com a escola aos cinco anos - ela completa oito anos em oito março, dia do Carnaval - e sonha em um dia desfilar nas grandes escolas de samba. "Eu gosto de tudo no Carnaval", conta a menina. Ela aprender a sambar em frente à TV, com os programas da tarde, mas um pouquinho foi influência do primo carnavalesco Paulo Sérgio da Rosa.
"O Paulo é um talento na dança e na criação de figurinos, por isso ele é muito importante no desenvolvimento do nosso projeto social", avalia Jucelio. Este ano, os figurinos são saias rodadas e cor de rosa, já que o samba-enredo fala da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. É uma forma de homenagear a festa do Festival de Dança - a que mais divulga a cidade para o exterior - e ainda aproveitar para falar do aniversário de Joinville.
Samba-enredo: A arte convida Joinville para dançar
Abre as cortinas para o show
Que o show vai começar
Fusão do Samba na avenida
Veio mostrar
Abre as cortinas para o show
Que o show vai continuar
É o Festival de Dança
Essa dança vai contagiar (Na noite...)
Na noite de dez de julho de 1983
Nascia ali a grande festa
Contagiando a população
Com vários estilos unidos
Num pensamento só
Cultura e tradição
Dessa arte que arde e invade
O coração da nossa multidão
Eu vou cantando o clássico, taí
Eu danço street, eu danço jazz
Pra sacudir
E o grito da galera ecoou
Fusão do Samba eu sou
Sem esperar, sem esperar
Mundialmente conhecido ficou
E na Harmonia-Lyra pode mostrar
Que Joinville também pode dar o show
Unindo forças
Com Ivan Rodrigues e o Centreventos
Vinte e um anos se passou
E veio o reconhecimento
Virou cartão postal da cidade
E o Bolshoi nos consagrou
E no palco principal
Na avenida abre as cortinas para o show
Grupo
Composição do samba-enredo: Alexandre Melo e Rudinei Rosalvo
Harmonia do sama-enredo: Jucélio Manoel Narciza
Mestre de bateria: Alexandre Melo
Puxadores de samba-enredo: Edenilson Rosa, Jeferson Luís, Mister Jorge e Jucélio Manoel Narciza