As páginas centrais do "Anexo Ideias" deste domingo apresentam o resultado do concurso de crônicas e fotos de Primavera. Depois de uma bela participação dos leitores de "A Notícia", a equipe do "Anexo" selecionou três textos e cinco fotos. Para quem ficou com um gostinho de quero mais, clique aqui e veja outras imagens. Abaixo, outros textos que participaram da seleção:
Ela chegou..., por Airton Irineu
Não quero nem saber; vou sair na rua, cansei de ficar preso no frio do meu reduto,vou sair para saudar a chegada da mais bela das estações; a estação da felicidade, da renovação
dos amores; estou falando da primavera.
As flores que encantam a tanta gente estava murchas, silenciosas, sem vida, o frio do inverno deixavam elas tristes, melancólicas, sem ânimo.
Ah! que bom que ela veio em forma de otimismo para nós seres humanos,adolescentes,adultos experientes como eu;vale frisar que estávamos apreensivos, a angústia da demora era evidente, veio ela nos aquecer.
O sol coadjuvante que com a primavera forma um par perfeito está abrindo um sorriso contagiante,está todo prosa,seus raios brilham mais, pudera, como é gostoso sentir no corpo
o calor, aspirar o perfume das flores que exalam no já festivo ambiente.
Ah! ela está chegando, a natureza abre os braços carinhosamente para receber esta ternura de emoções chamada PRIMAVERA...
Os lados da primavera, por Cristina Chiguti
Sempre que penso em primavera, a imagem que me vem é daqueles desenhos animados com passarinhos azuis cantando felizes e flores cobrindo a floresta. Casais de namorados andando de mãos dadas, um caramanchão branco coberto por exuberantes glicínias num romântico jardim. Ah, claro, vento morno no rosto, perfume de rosas no ar. E jovens na flor da idade que não completam 15 anos, mas comemoram 15 primaveras.
Ela, mais uma vez, dá o ar de sua graça. As flores, presentes apenas nas roupas das moças e nos calendários de farmácia durante o inverno, agora se manifestam mais intensamente nos vasos e jardins. Sim, e verdadeiramente presentes, não apenas copiadas, reproduzidas ou racionadas. O cotidiano em breve estará mais colorido, as pessoas com mais vontade de sair de casa. Ela ameniza a rigidez do clima e seu fim tem a missão de prenunciar dias de intenso calor e as mais benfazejas férias.
A primavera é vastamente reverenciada na arte - pintura, literatura, música... Só para citar alguns exemplos, Botticelli e Tarsila do Amaral retrataram a primavera em obras homônimas. Os poetas Fernando Pessoa, Drummond e Cecília Meireles também tiveram a estação como fonte inspiradora. Ismail Kadaré, Turgueniev e Ernest Hemingway a incluíram nos títulos de seus livros. Vivaldi, Tim Maia, Beto Guedes, Vinicius de Moraes e Tom Jobim cantaram-na em prosa, verso e partitura.
Porém, nem tudo são flores em relação à primavera. A estação já emprestou seu nome a diversos conflitos históricos. Um deles é a sangrenta Primavera de Praga, quando a Tchecoslováquia tentava se libertar politicamente da União Soviética e foi duramente reprimida. A Primavera Árabe no Oriente Médio e as revoluções de 1848 na Europa, chamadas de Primavera dos Povos, encabeçadas pela burguesia e pelos nobres contra governos autocráticos, são outros dois exemplos.
De qualquer forma, a primavera é o símbolo do renascimento, seja na renovação da natureza, seja no caso das insurreições – que também não deixam de ser uma forma de renovação. A estação das flores nunca deixa de encantar e, quando ela retorna, é como se dissesse: "Estou aqui mais uma vez, para lembrar que a vida é um ciclo, e inverno nenhum é tão ruim que dure para sempre".
Enfeitando sorrisos, por Salomé Pires Zemke
"O cravo brigou com a rosa, debaixo de uma sacada...”. Quem não se lembra dessa cantiga que nos ensinavam na infância? Quem nunca imaginou como seria uma briga entre um cravo e uma rosa?
Quando questionei isso a minha irmã mais velha, moradora do bairro Costa e Silva em Joinville, ela respondeu: "Não foi uma briga física, foi uma briga de cores, eles queriam mostrar um para o outro quem tinha maior diversidade de matizes".
Ingenuamente questionei: "Quem venceu a briga?". Os dois ela respondeu, porque na luta as cores se misturaram e novos tons nasceram. As outras plantas que assistiam a briga receberam respingos da tintas. Desta forma, a primavera aconteceu pela primeira vez.
Até hoje quando reparo nas cores e formas das flores nas ruas e jardins, penso no que cheguei a acreditar na infância. E se fecho os olhos, consigo ver a chuva de tintas se misturando, enfeitando e perfumando o ar na dança sensual do cravo dominador com a rosa vaidosa.
Hoje, percebo que aquela disputa não terminou ali; é a vez de a minha irmã perguntar espantada: "Não terminou? Como assim?". Eu respondo sorrindo: "Hoje as cores respingam das roupas, dos sorrisos e da energia do nosso povo e de todos os bailarinos que pisam nos palcos da nossa cidade. Por isso que em todos os cantos, na primavera ou em outra estação, as cores enfeitam e inspiram a nossa vida. A primavera é por si só uma crônica de vida, alegria, inspiração e renovação".
Ela sorri satisfeita e continuamos a plantar as mudinhas de cravos, rosas e margaridas no canteiro que enfeitará a nossa casa... a nossa rua... a nossa alegria!
A Primavera fala, por Claus Martin Monich
Bem poucos têm reparado – em tempos marcados por uma linguagem mais fria e virtual – o que a natureza, na sua linguagem mais doce e harmoniosa, vem conosco partilhar.
Se cada estação tem seus primores, é agora, na primavera, que uma luz mais terna vem do céu dissipar os frios vapores do inverno, e despertar com seus segredos a grande variedade da nossa flora adormecida.
E vê que o verde claro das novas folhas, e as flores com seus matizes e sutilezas, já vêm surgindo a todo o momento. Do clarear do dia ao entardecer, na luz plena ou em suas leves sombras.
E há aquelas que só revelam seus esplendores na madrugada.
A todo o momento e em toda a parte: das praças e casas, com suas manchas de flores delineadas por bordaduras elegantes, aos jardins mais despretensiosos; das flores simples e espontâneas que convivem com todos os verdes, até a orquídea solitária que esconde sua realeza na mata; nas copas elevadas das montanhas, ao seu declínio pelos vales, campos, e abismos.
Há as que nos surpreendem rebrotando dos bulbos secos, flutuando como miragens sobre as águas, e reverdecendo os galhos nus das árvores em luto no inverno.
E pasmamos se vemos um ipê despertar, florescendo incontido e ardente como lavas luminosas, e derramando as chamas delicadas para atapetar o chão que lhe deu vida.
Para quem fala com suas flores na varanda da casa, vê com admiração chegar ao verde envelope do botão, a íntima mensagem de carinho.
E não há quem não se deleite com os sabores dos frutos gerados no seio das generosas flores maternais.
As famílias da nossa flora são imensas e variadas, e cada qual tem uma nobre ou aparentemente, mais simples missão.
Mas se aliam expansivas na comunhão de seus verdes e de seus aromas, que ao sopro do vento recendem como um brinde à nossa vida e um convite perfumado para conhecê-las.
Pois ainda mais embriagante é sentir os aromas em meio ao brilho do céu e a paz da madrugada, quando o sol abre as negras cortinas desses teatros sem par, e traz aos nossos olhos os cenários multicores se iluminando além.
As flores se erguendo mais vivas ao sol, os atores alados brincando, celebrando e levando a mensagem da vida de flor em flor, são cenas rápidas e divertidas que vão se repetindo em qualquer lugar e sempre com renovada graça.
Bem assim fazem os passarinhos, que à batuta do primeiro raio de sol iniciam incessantes seus cantos enamorados e hinos de louvor. Os insetos e abelhas, que sussurram alegres com tanta doçura para seus melosos trabalhos. As borboletas pousando nos seus mimos preferidos e levantando o voo para desfilar por entre passarelas floridas – serenas e sem nenhuma vaidade. Os zelosos beija-flores, que súbito iluminam ao ar defendendo seus cálices açucarados, e logo partindo saciados para onde o vento traz novos odores. E os visitantes da noite, que aguardam ansiosos o seu banquete já ao entardecer.
No entanto, poucos percebem o imenso e indizível espetáculo, do qual essas linhas aqui descritas só valem como um convite e gratuito ingresso.
Na primavera, a natureza fala, sorri e ensina com mais encanto: como uma fábula imaginária e sem fim, exalando lições de amor e sabedoria.
Embora cada qual veja e sinta ao seu gosto o que lhe é aprazível, todos temos sementes ainda desconhecidas, ocultas em nossa escuridão.
Afaste as cortinas dos olhos e abra as janelas da alma.
A primavera já começou.
De janelas abertas, por Anderson Tomio
O perfume toma conta do ar. Sentimos na brisa a chegada da nova estação. As cores estão pelo caminho, umas mais vibrantes como o vermelho e laranja; outras, nem tanto, como o branco e lilás. Mas todas estão lá, dispostas a colorir os canteiros, vasos jardins e floreiras. Há uma química que toma conta de tudo. E o poder da mais simples flor, transforma a seriedade em momentos de alegria. Explosão de perfume, cores e o resultado disso, muito sorrisos, gestos sutis de grande valia. Há na criança que brinca um encantamento pela borboleta que voa, em um balé único enquanto visita cada flor. Nós na correria diária não nos damos conta dessa magia, mas a criança no jardim tem a sua frente um novo mundo de descobertas.
Flores! Manifestação da natureza abrindo a chegada de um novo tempo, uma nova estação. Os dias gris dão lugar aos raios brilhantes de uma manhã primaveril. Parecemos renovados à medida que abrimos as janelas e respiramos o perfume floral, que como mágica toma conta do vento, do ar nos vestindo de pétalas.
Ah, primavera! Seja bem-vinda com toda tua exuberância, com todo teu frescor no orvalho que logo evapora em tuas manhãs deixando a vida com se fosse água de colônia. Abro as janelas e sinto novo perfume na minha cidade. Eu, você, a cada alvorada, o desabrochar de uma nova flor, o adereço novo da vida contemporânea. Detalhes! Na correria nem os percebemos, mas fazem parte, está presente no vaso que aprece tímido colocado a soleira da janela. Da floreira que muitas vezes única, ousa desafiar o cinza esbranquiçado dos prédios e muros. Poderiam ser gotas, poderiam ser grãos, mas são nessa estação pétalas, sementes que cultivamos durante o tempo e nos presenteiam em flor.
Anime-se! Sorria para o espetáculo que está a sua volta. Na ida ao trabalho visto pela janela do ônibus ou mesmo do vidro do carro, um colorido novo a cada calçada, onde o tímido vaso ganha companhia, do meu vaso, do seu, dos outros vizinhos. As floreiras se multiplicam deixando tímido desta vez os prédios nos tons de concreto. Perfumamos as mãos, matemos o sorriso e damos ao mundo um novo tom. Mesclamos o que há de bom, aparamos os brotos que se perderam no caminho e secaram. A natureza nos dando lições. Ser feliz, estar em primavera seja na primavera, ou no outono e verão. Deixamos para o inverno somente o abraço que aquece e para este dia, o de hoje o afeto de um sorriso perfumado. Por que apesar do tempo, apesar de que em algumas situações nem tenhamos notado o ar está doce e floral. Podemos sorrir, porque houve um novo amanhecer e com ele A PRIMAVERA.



