Situação dos museus
A estrutura das unidades museológicas sofreram com o desgaste do tempo. Com a maioria das sedes reconhecidas como patrimônio histórico, e, por isso, protegidas, foi difícil resolver os problemas a curto prazo. O Museu Casa Fritz Alt sofreu com as chuvas de 2010, precisou ter o teto segurado por estacas. Depois de alguns editais de reformas cancelados por falta de empresas interessadas, o local continua parcialmente fechado para o acesso dos visitantes. O orçamento da obra está em reavaliação.
O Museu da Bicicleta (Mubi) foi outro assunto delicado tratado pela gestão. O local, que funcionava no Galpão de Cargas da Estação da Memória, foi considerado fora da legalidade pela FCJ. O acervo reunido por Valter Bustos deixou de ser mantido com verbas públicas em março de 2010 por ser um acervo particular. Nem o município e Estado conseguiram resolver a situação e até hoje o museu está sem estrutura própria.
A sede do Museu de Arte de Joinville também foi alvo das intempéries em 2011. O casarão foi fechado para reformas e segue na mesma situação do Museu Fritz Alt, à espera de interessados e incremento de verba. O local continua promovendo exposições nos anexos que ficam na Cidadela Cultural Antarctica.
Em dois momentos o Museu de Imigração e Colonização sofreu riscos de fechar as portas a pedido da Vigilância Sanitária. A salvação veio de um laudo do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) que considerou o ambiente seguro.
Já o Museu de Sambaqui não teve a mesma sorte. Alvo de constantes enchentes, o prédio às margens do rio Cachoeira foi considerado insalubre para os funcionários. A equipe administrativa passou a utilizar o espaço do Palacete Niemayer. A exposição na sede interditada continua recebendo visitantes.
Casa da Cultura
As aulas da Escola Municipal de Ballet, Escola de Música Villa-Lobos e Escola de Arte Fritz Alt foram realocadas depois que a sede principal da Casa da Cultura Fausto Rocha Júnior foi interditada pela Vigilância Sanitária em agosto de 2011. A reforma do prédio iniciou dias depois da decisão. A primeira etapa das obras foram concluídas em novembro de 2011. O pontapé na segunda etapa foi dado em maio deste ano, mas a conclusão depende de um novo processo licitatório, em curso, para substituição total do telhado da sede. A demanda estava fora do planejamento.
Conselho Municipal de Cultura
O Conselho Municipal de Política Cultural foi reformulado em conformidade com o Sistema Municipal de Cultura (SMC), instituído em 2010. O grupo formado por representantes da sociedade civil e do poder público municipal atua na formulação de estratégias e controle da execução das políticas públicas de cultura em Joinville. Os últimos 48 membros, sendo 24 titulares e 24 suplentes, foram nomeados em agosto deste ano e permanecem nos cargos no período de dois anos.
Orquestra da Cidade
A Orquestra da Cidade de Joinville foi instituída por lei em julho deste ano e será mantida pela Prefeitura. O maestro Gustavo Lange Fontes, de Florianópolis, foi nomeado para trabalhar com o grupo de jovens instrumentistas. O próximo passo será a abertura do edital para chamada de músicos que receberão auxílio de bolsas.
Teatro municipal
A construção do Teatro Municipal de Joinville foi anunciada por Carlito Merss na comemoração dos dez anos da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, em março de 2010. O projeto chegou a ficar parcialmente pronto. O município tentou buscar ajuda do Estado para finalizar o planejamento da parte cenotécnico e acústico do espaço. O teatro estava previsto para ser construído no espaço de sete mil m² do estacionamento aos fundos do Centreventos Cau Hansen. No projeto atual constam seis andares e um palco principal com capacidade para um público de 1,2 mil pessoas.
Cidadela Cultural Antarctica
Poucos espaços da Cidadela Cultural Antarctica foram renovados. Além do Galpão de Teatro da Ajote, somente o Museu de Arte de Joinville recebeu atenção extra no local. Recentemente, o MAJ ganhou uma reserva técnica em um dos anexos expositivos. O ambiente foi feito para acondicionar obras do Museu de Arte de Joinville (MAJ) e da Galeria Municipal Victor Kursancew.
Lei do Patrimônio
Uma das maiores conquistas na área cultural da cidade nos últimos anos foi a aprovação do Inventário do Patrimônio Cultural de Joinville - IPCJ, em 14 de dezembro de 2011. As mudanças na lei do patrimônio eram discutidas desde 2005 e, em 2007, as edificações com potencial para tombamento foram mapeadas e catalogadas.
A demanda era antiga: o projeto da lei do patrimônio de Joinville data de 1980, mas até mesmo o primeiro tombamento só aconteceu vinte anos depois, no prédio que abrigava o Cine Palácio, no Centro. No entanto, desde 2005 os documentos referentes ao projeto saíram e voltaram à discussão no Legislativo e passaram por conselhos, sem que nunca estivessem perto de receber aprovação.
Enquanto o projeto tramitava na Câmara, mais de mil imóveis esperavam análise com entraves para reformas. Com a sanção da lei, boa parte dos imóveis que estavam na lista de unidades de interesse de preservação ( UIPs) foram reavaliados e liberados.
A nova lei do patrimônio atualiza os critérios de seleção, tornando-os mais claros, e possibilita a proteção dos imóveis sem prejudicar os proprietários, já que garante a revisão da lista de imóveis tombados a cada dez anos; cria três níveis de classificação ( preservação integral, parcial ou de entorno); vincula as multas ao Fundo Municipal de Cultural ( FMC) e apresenta benefícios fiscais aos proprietários, com a isenção do pagamento do IPTU.
Galpão da Ajote
Durante 18 meses - de janeiro de 2010 a agosto de 2011-, o Galpão da Associação Joinvilense de Teatro (Ajote), ficou fechado para reformas. O espaço, localizado na Cidadela Cultural Antarctica, é um dos mais importantes para a área na cidade, já que é onde boa parte das temporadas ocorre e é sede do festival Cena, a Mostra Joinvilense de Teatro. A sétima edição do festival ocorreu em outros espaços - como o anfiteatro do Bom Jesus/Ielusc, o Espaço Cultural Avá Ramin e o Sesc - porque as obras de adequação do galpão não ficaram prontas a tempo.
Para poder voltar às atividades, ele precisava ter o telhado trocado, as madeiras de sustentação e a calha tratadas e fazer revisão e readequação dos sistemas hidráulico, elétricos e acústicos. O projeto foi elaborado por três arquitetos da Fundação Cultural de Joinville, responsáveis pela manutenção do patrimônio histórico da cidade. As adequações foram possíveis por causa do repasse de R$ 170 mil da Conurb, companhia instalada na parte frontal do prédio.
Simdec
O saldo do Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (Simdec), herdado da gestão passada (começou em 2005), foi positivo financeiramente e quantativamente. Nos últimos quatro anos, o repasse para o Simdec saiu da marca de R$ 2 milhões para R$ 3,848 milhões, verba que vem da arrecadação municipal. No primeiro ano, o sistema destinou R$ 2,7 milhões para os projetos culturais, sendo R$ 830 mil para o Edital de Apoio à Cultura e R$ 1.384.383 para o Mecenato Municipal e possibilitando 130 projetos no total. Em 2012, os recursos disponíveis para os projetos bateram em R$ 3,848 milhões, divididos entre Edital (R$ 1,154 milhão) e Mecenato (R$ 1,924 milhão), e tirou 204 projetos do papel.
Os principais avanços do Simdec foram a criação de novas categorias, como Comunicação em Cultura, Design e Intercâmbio Cultural; a opção de inscrição online, que começou neste ano; e as oficinas de capacitação para proponentes. Desta forma, novos produtores puderam ter seus projetos contemplados, evitando a repetição de nomes e a exclusão de trabalhos advindos de grupos fora do circuito tradicional da cidade.