Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Posts de setembro 2014

Palco Giratório: Cena 11 e a performance emblemática

29 de setembro de 2014 0

Nesta tarde o grupo Cena 11 estava no Largo da Alfândega, em Florianópolis, com a performance Colônia – mobilidade emergente de autonomia coletiva. A apresentação integra a programação do Palco Giratório e é resultado de dois dias de oficinas, feitas no Sesc Prainha, no sábado e domingo.

O grupo com cerca de 20 participantes, incluindo membros da companhia, saiu do Largo da Alfândega e percorreu as ruas do centro da cidade num trajeto aleatório, que demorou por volta de 40 minutos para ser terminado.

Algumas pessoas perguntavam curiosas o que faziam aquelas pessoas. Outras, um pouco mais impacientes, reclamavam dos obstáculos humanos nas calçadas. Mas a maior parte estranhava aquelas pessoas andando, se contorcendo e espiralando (veja vídeo logo abaixo).

foto 1
foto 2

foto 3
foto 4
Acompanhei o trajeto pelas ruas, que ia sendo escolhido coletivamente e naquele exato momento. Quando dei por mim, o que parecia apenas um movimento de afastamento das pessoas virou total dispersão. Sem uma plateia fixa, nem aplauso, esperei por um retorno que não aconteceu. O mais emocionante da performance era testemunhar a reação das diferentes pessoas que transitam pelo centro em uma segunda-feira.

Amanhã eles estarão novamente pelo centro e as intervenções estão marcadas em dois horários: as 13h e as 18h. Vale conferir.

No museu, os poetas estão vivos

26 de setembro de 2014 1

Por Jura Arruda*

O Museu de Arte de Joinville (MAJ) reabriu suas portas em maio. Só agora o visitei, por um ótimo motivo: o lançamento do livro O Corpo das Hortênsias escrito a quatro mãos por Rita de Cássia Alves e Marcos Laffin. As histórias de ambos se cruzam, se alinham, se atravessam há 30 anos, desde um longínquo 1984 quando, pelas portas da Rádio Cultura, viram (ou seria melhor dizer, ouviram) seus trabalhos ecoarem pelos microfones da segunda rádio mais antiga de Santa Catarina. Sob o comando de José Eli Francisco, o programa Show das Dez abriu espaço para a poesia declamada e, para isso, lançou mão de duas vozes expoentes da poesia joinvilense: Dúnia de Freitas e Mila Ramos.

Crédito: Bernardéte Costa
A chuva deu trégua na noite desta quinta-feira, 25/09, o suficiente para que parte do evento se desse no jardim do museu. Os convidados chegaram aos poucos, mansa e discretamente. Passava um pouco das 19 horas quando as homenageadas Mila e Dúnia chegaram. Mila que, depois de dois anos de reclusão, saiu de casa e nos agraciou com sua presença branda e majestosa; Dúnia nos trouxe sua voz potente e seu riso solto.

Mais tarde, chegou discreto como sempre o Capim, com fagulhas nos olhos e sabe-se lá quantas lembranças vivas. Eu os conheci a todos quando ainda jovem, recém chegado a Joinville. Estavam nos ônibus que peguei, colados nos vidros a dizer metáforas e rasgar o cotidiano das pessoas.

Os escritores Rita de Cássia e Marcos Laffin (sentados) com a poetisa homenageada Dúnia de Freitas

Os escritores Rita de Cássia e Marcos Laffin (sentados) com a poetisa homenageada Dúnia de Freitas

O que dizer sobre a obra lançada? Que a alma da poesia joinvilense se revela a cada página, ou pétala, do livro; que Rita e Laffin alimentam-se e a nós com seus textos banhados de imagens, textos que muitas vezes nem carece entendimento, por sê-los, em sua estrutura, sonho febril e alma lavada. Poesia hereditária das noites zaragatas ou dos varais literários.

Com alma de menino e coração de fã, encontrei Mila Ramos, pessoalmente, pela primeira vez. Mal consegui dizer tudo o que ela representou para aquele jovem vestido de poesia, que no caminho perdeu a rima e deu para se alimentar de prosa, mas que traz em si todas as entrelinhas do que leu nas portas dos ônibus de uma cidade que ainda cheirava a chaminé, mas que exalava nas manhãs primaveris cheiro de ipê e poesia. Não me esquecerei desta noite em que vi muitas daquelas portas de ônibus em um mesmo evento no jardim do MAJ.

Da esquerda para a direita: o escritor David Gonçalves, a escritora Mila Ramos, o radialista Eli Francisco e a escritora Dúnia de Freitas

Da esquerda para a direita: o escritor David Gonçalves, a escritora Mila Ramos, o radialista José Eli Francisco                                        e a escritora Dúnia de Freitas

De microfone em punho, Eli Francisco contou-nos saborosas histórias de rádio e poesia, lembrou que o dia 25 de setembro é o Dia da Radiodifusão e nos fez cantar saudosos a vinheta de abertura de seu programa. Estávamos todos em sintonia com o show das dez, em sintonia com um passado rico da literatura e da radiodifusão da cidade. Estávamos em um museu onde a história se apresentava vivíssima, não pela exibição de estátuas, quadros ou bonecos de cera, mas pela presença de poetas de carne e osso, que diante de nossos olhos, trouxeram à primavera o tronco do ipê, o corpo das hortênsias e alma de todas as flores.

*Jura Arruda é escritor.

Renato Borghetti faz participação emocionante no Acústico Brognoli

26 de setembro de 2014 2

Por  Duda Hamilton (*)

Se na primeira noite a viagem pelo mundo da música do Acústico Brognoli foi surpreendente com Hermeto Pascoal, na segunda, os sons da banda instrumental estavam como a Seleção da Alemanha, passes certeiros, dribles intensos e muito vigor na execução das músicas. Ou seja, se Fernando Sulzbacher (violino); Pablo Greco (bandoneon); Tuco Marcondes (viola portuguesa e citara); Carlos Schmidt (bombardino e trombone); André FM (percussão), Alegre Corrêa (guitarra elétrica e arranjos); Arnou de Melo (baixo acústico e elétrico); Luis Gama, o Pelé (percussão), Mariano Siccardi (piano), Nicolas Malhome (percussão); Richard Montano (bateria) e Dudu Fileti (voz) e Emília Carmona (voz) fizeram na quarta-feira uma partida de campeonato, na quinta eles subiram ao palco para decidir a final.

Fotos: Cristiano Estrela / Agência RBS

Fotos: Cristiano Estrela / Agência RBS

Mais à vontade, numa sintonia fina, com uma forte pegada e boas improvisações e solos, esses talentosos instrumentistas mostraram a intensidade da música que se faz hoje em Florianópolis. Muitos deles não são daqui, mas vieram de diferentes partes do País e do Mundo para ancorar nesta Ilha de tons e sons, entre eles Guinha Ramires, Alegre Correa, Pablo Greco, Mariano Siccardi, Arnou de Melo.

Dividido em cinco atos, a primeira parte do espetáculo ficou muito bem costurada, com a entrada dos instrumentos aos poucos e com vozes gravadas anunciando a próxima viagem sonora. Pontos altos o arranjo de Guinha Ramires para Eleanor Rigby, dos Beatles, executada na citara com percussões, bateria, baixo, violão e guitarra; e o Ato 2 Fusion Rio da Plata, com clássicos do tango e da milonga e ainda a voz de Emília Carmona, que mandou bem no espanhol.

Bandoneonista Pablo Greco

Bandoneonista Pablo Greco

A segunda noite contou ainda com os convidados especiais, Renato Borghetti e Daniel Sá (violão), velhos conhecidos de Alegre Corrêa e Guinha Ramires, com quem lá na década de 1980 viajavam para se apresentar em festivais e shows pelo Rio Grande do Sul e também no exterior. E para não perder a oportunidade, o quarteto voltou a se reunir para executar Barra do Ribeiro, composição de Guinha Ramires, que Borghettinho não tira do repertório. Aqui, uma cumplicidade e um diálogo instrumental que só velhos amigos sabem interpretar. Depois, acompanhado do violão inconfundível de Daniel Sá, o homem da gaita de oito baixos abriu o fole em Sem Vergonha (Edson Dutra e Valdir Pinheiro); KM 11 (Tracito Coco Marola) e Redomona (Os Serranos).

Mais uma vez Borghetinho chama ao palco Alegre e, em trio – gaita, guitarra e violão – tocam Sétima do Pontal (Borghetti e Veco Marques), na próxima música Laçador, composição do guitarrista, Guinha volta ao palco para  uma conversa animada entre os quatro instrumentos.  O público, até então participante só com aplausos, resolveu acompanhar Dudu Fileti na canção Felicidade, de Lucipinio Rodrigues, numa improvisação que fez também Alegre Correa soltar a voz na tradicional música Luar do Sertão, de Gonzagão.

Fernando Sulzbacher, da banda Dazaranha

Fernando Sulzbacher, da banda Dazaranha

Se o vanerão, a milonga e a rancheira corriam soltas, o final foi com os 16 músicos no palco, numa execução inusitada do clássico chamamé Mercedita, de Ramón Rios, onde todos os instrumentos tiveram sua vez para o solo, num deleite sonoro de improvisações, que fez o público mais uma vez aplaudir sem parar. No outro bis e para fechar de forma afinada a 10ª edição do Acústico Brognoli, Milonga Missioneira.

Desenhado para se ouvir todos os sons do mundo, o Acústico Brognoli alcançou seu objetivo nas duas noites: fazer com que a música ali executada levasse o público a lugares incríveis, seja com um solo de guitarra, o som do bandoneon, da citara, da percussão… Parabéns ao produtor musical, Nani Lobo que soube formar o time de instrumentistas, às produtoras Eveline Orth e Nilva Camargo, e à Brognoli, que há 10 anos investe nesse evento, hoje referência no âmbito cultural da Ilha.

00a5b151

Emília Carmona soltou a voz


Duda Hamilton é jornalista.  E-mail: duda.hamilton@gmail.com

 

Hermeto Pascoal desafia Fernando , violinista do Dazaranha

25 de setembro de 2014 0

Um dos momentos memoráveis da primeira noite do Acústico Brognoli 2014, que ocorreu quarta-feira no Teatro do CIC em Florianópolis, foi o dueto entre Hermeto Pascoal e  Fernando Sulzbacher, violinista do Dazaranha.

No final do show, quando os músicos já tinham deixado o palco,  Hermeto resolveu tocar “mais uma” e chamou Fernando para um desafio. (Aliás essa foi só uma das muitas vezes em que ele não deixou o espetáculo acabar. Em um momento chegou a dizer: “desculpe, produção, mas eu sou músico, vou tocar mais”)

“Cadê o violinista? Chama ele que eu quero tocar uma comigo ”

Hermeto no piano, Fernando no violino.  O desafio engrenou para um duo. Tudo no improviso. Nada combinado. E foi ovacionado pelo público.

Abaixo um vídeo de parte do momento. A imagem não está lá essas coisas. :(

Mas a acústico do teatro do CIC é tão boa que dá para sentir a virtuose dos músicos

 

Acústico Brognoli, um dos melhores shows do ano em Florianópolis

25 de setembro de 2014 2

Tem gente que explica a música com técnica e matemática. Mas não se pode negar que antes da métrica vem o sentido, antes das notas musicais vem o som e que para além dos sentidos está algo muito maior que somente a arte pode traduzir. Trazendo sons do mundo inteiro num espetáculo ousadíssimo e complexo na última quarta-feira no Teatro Ademir Rosa (CIC), a décima edição do Acústico Brognoli  foi um dos melhores shows do ano em Florianópolis. E nesta quinta-feira tem mais.

Fotos: MateoTroncoso / Divulgação

Fotos: Mateo Troncoso / Divulgação

Foram combinações improváveis de ritmos como cacumbi, afoxé, tango, chacarera, até canto indígena e batuque africano, tudo isso com uma pegada jazzística e muita, muita sofisticação. A partir do tema Sons do Mundo, o diretor musical Nani Lobo – que merece aplauso pela produção ousada –, junto com músicos como Alegre Corrêa e Guinha Ramires, montou uma banda universal que foi capaz  de desconstruir e construir gêneros musicais, borrar classificações e unificar a música por meio da emoção. Sabe aquela música que dá arrepios? Foi assim durante todo o show.

O Acústico Brognoli foi dividido em cinco atos temáticos e gravações antigas fizeram a ponte entre um bloco o e outro, dando ar bem contemporâneo. Destaque para a música Fortaleza, de Guinha Ramires, interpretada por toda a banda e com voz da cantora Emília Carmona. Guinha é um dos gênios da música instrumental de Santa Catarina, um músico especialmente humilde e tímido em contraponto à grandiosidade de sua obra.

O cantor Dudu Filetti fez participação singular no espetáculo. Soltou a bela voz usando-a como mais um instrumento. Fernando Sulzbacher, violinista da banda Dazaranha, também merece aplauso pela versatilidade com que tocou seu instrumento. Impossível não mencionar ainda os percussionistas André FM, Luís Gama e Nicolas Malhomme e o bandoneonista Pablo Greco.

Dois momentos grandiosos do show antes da apresentação de Hermeto Pascoal foram a interpretação de O Pequeno Cigano, belíssima composição de Alegre Corrêa (imagine flamenco com berimbau?!), e Eleanor Rigby (All the Lonely People), dos Beatles, numa versão tocada com Citar por Tuco Marcondes que lembrou a afinidade do grupo inglês com o músico indiano Ravi Shankar.

 

Hermeto Pascoal é,de  fato,um mago da música. E da Simpatia 

foto 1 menor 3
Mas aí chegou a vez de Hermeto Pascoal. Além de um dos melhores shows do ano em Florianópolis, o Acústico Brognoli foi também um dos maiores, literalmente. Foram quase três horas de show e só parou porque praticamente foi preciso tirar o bruxo da música do palco do Ademir Rosa à força. Que energia para alguém com 78 anos!

Hermeto se apresentou com Aline Morena, sua parceira na vida e na música. Tinha um punhado de instrumentos ao seu dispor, de flauta, sax até bichinhos de pelúcia. “Meu primeiro som foi quando nasci”, explicou-se.

Seu carisma é tão comovente quanto sua genialidade como músico. Conversou com a plateia e a fez interagir, inclusive no palco: convidou voluntários a colocarem sapatos ou qualquer objeto no piano, só para experimentar um novo som.

Aline Moreira é também multi-instrumentista e surpreendeu com tamanha versatilidade. Só não fez tão bonito com a voz, talvez por ser aguda demais ou por cantar muito alto, e desafinou algumas vezes.

No quase-final, Hermeto convocou os músicos da terra para continuarem a festa da música universal no palco. Parecia não ter fim e o público se entusiasmou. Improvisou canção de Tom Jobim, desafiou Pablo Greco no bandoneon e ainda Fernando do Dazaranha no violino – que respondeu à altura.

Show único. E imperdível. Quinta-feira, ainda bem, tem mais.

Agende-se

O quê: Acústico Brognoli – Sons do Mundo,com Renato Borghetti
Quando: quinta, 21h
Onde: Teatro Ademir Rosa (CIC), em Florianópolis
Quanto: R$ 80 / R$ 40 (meia)

Carol Macário
caroline.macario@diario.com.br

Reunião aberta do Anexo em Joinville foi na Casa da Cultura

24 de setembro de 2014 2

A música que vinha das salas próximas acalmava o ambiente e deixou a conversa ainda mais tranquila. Foi neste tom que a equipe do Anexo realizou a primeira reunião de pauta aberta em Joinville, na manhã de segunda-feira, dia 22 de setembro. O lugar escolhido não poderia ser mais acertado: um dos auditórios da Casa da Cultura da cidade.

crédito: rafaela mazzaro
A ideia de reunir assessores de imprensa, produtores, artistas e leitores do Anexo, foi falar sobre ideias de pauta, mas, principalmente, saber como este público sentiu a mudança do caderno, que passou a ter uma pauta completamente integrada a partir do mês de agosto, e hoje atende três importantes regiões de produção cultural no Estado: Joinville, com “A Notícia”; Blumenau, com o “Jornal de Santa Catarina”; e Florianópolis, com o “Diário Catarinense”.

Falamos muito sobre o conceito do caderno neste novo momento. O produtor cultural Rodrigo Domingos lembrou que hoje, quando um assunto vira pauta do Anexo, acaba tendo uma abrangência muito maior, pois é publicado nos três jornais.

— Mais gente fica conhecendo nossas produções. É uma grande oportunidade – disse ele.

Simone Gehrke, que é cronista do Anexo, acredita que, com equilíbrio nas escolhas do conteúdo, todos os leitores vão se sentir contemplados no caderno.

crédito: rafaela mazzaro
As editoras Genara Rigotti e Cláudia Morriesen e a repórter Rafaela Mazzaro receberam muitas ideias e sugestões. Entre as sugestões, uma delas veio de várias vozes: dar mais visibilidade a agenda cultural da cidade, que já é produzida diariamente pela equipe do Anexo. Conforme os presentes, Joinville não tem um lugar de referência, que concentre todas as informações de agenda de um jeito fácil, prático e com credibilidade e a página do Anexo no AN.com.br pode se transformar neste espaço.

Outras sugestão pontual foi que o Anexo aposte mais em reportagens sobre temas que dizem respeito à políticas públicas de cultura, e com isso gere discussões mais aprofundadas.

As editoras também convidaram os presentes a se manifestarem mais e participarem do caderno (escrevendo grifos sobre assuntos que dominam e que integram a pauta) e do blog Anexo em Cartaz (escrevendo sobre eventos e espetáculos que foram e gostaram).

Arquivo Pessoal
Participaram do encontro o jornalista e assessor de imprensa Ronaldo Corrêa; o produtor e assessor de imprensa Rodrigo Domingos; a presidente do Instituto de Pesquisa da Arte Pelo Movimento Iraci Seefeldt; o produtor e bailarino Darling Quadros; a diretora executiva da Fundação Cultural de Joinville Dolores Tomaselli; a produtora cultural Mari Silveira; a jornalista, assessora de imprensa e cronista do Anexo, Ana Ribas; a jornalista, assessora de imprensa e cronista do Anexo, Simone Gehrke; as assessoras da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil Bruna Horvath e Albenize Bueno; a organizadora da Feira do Livro de Joinville Sueli Brandão; o historiador e coordenador do Museu Nacional de Imigração e Colonização de Joinville, Dilney Cunha; o diretor do Museu do Sambaqui, Gerson Machado; a atriz do grupo Dionisos Teatro, Clarice Steil Siewert; e o artista plástico Luciano da Costa Pereira.

Os convidados agradeceram a abertura e proximidade da equipe do Anexo e nós agradecemos pela participação e confiança. Contem sempre com o Anexo!

Ângela Maria por Ângela Maria

24 de setembro de 2014 0

caubyangela

Fotos Cristiano Estrela (Agência RBS)

Por Ângela Bastos
angela.bastos@diario.com.br
Já fui em vários shows. Curti Rolling Stones, sambei com Zeca Pagodinho, aplaudi Ray Charles. Amerindiei com Mercedes Sosa, suspirei com Chico Buarque, romantizei com Roberto Carlos. Gostos, tempos e companhias diferentes me enfileiraram nessas e em muitas plateias. Mas o que nesta noite de 23 de setembro levou-me ao teatro do Centro Integrado de Cultura (CIC) foi uma razão que superou a admiração pelas personalíssimas vozes de Ângela Maria e Cauby Peixoto.

Sentei-me na poltrona 26, fila J, quase por uma questão afetiva. Eu queria conhecer de perto Ângela Maria, a cantora que serviu de inspiração para meu nome. A escolha foi de meu pai, fã conquistado na época de ouro do rádio. Também foi por meu pai que aprendi que Ângela Maria tinha olhos de sapoti, identificação dada por outro que meu pai admirava, o presidente Getúlio Vargas. Não lembro o que se passava na minha cabeça quando ouvia isso, pois nunca vi a tal frutinha meio amarronzada comum lá pelo Norte do país.

É verdade que naquela época eu não gostava do meu nome. Achava que não era coisa de criança. Achava que era nome de velha. Como se hoje, por exemplo, uma criança fosse registrada como Alcione. Nada contra a marrom, outra bela voz da música brasileira, mas sabe como é criança… Além de sempre ouvir a mesma pergunta:

– Por causa da cantora?

Sentia-me meio incomodada, principalmente na escola onde as professoras pareciam me usar para silenciar a classe:

Ângela Maria – costumavam dizer com olhar de interrogatório atrás dos óculos.

– Presente – respondia meio emburrada, quase sempre abrindo a lista de chamada por causa da letra A inicial.

Com o tempo isso mudou. Aprendi a gostar do meu nome, que carregava também o Maria de minha avó paterna e a combinação católica com o significado do “anjo de Maria”. Um pouco mais adiante, já aprendendo a gostar de música – e da boa música – comecei a achar interessante ter o nome da cantora que nas décadas de 1950 e 1960 era considerada uma diva.

caubyangela2

No show, me deixei levar por sua voz rara carregada de uma força interpretativa impressionante. Foi assim nos clássicos de carreira, como Gente Humilde e Ave Maria no Morro (Barracão de Zinco). Também em O Portão (Roberto Carlos), Nunca (Lupicínio Rodrigues) e Carinhoso (Pixinguinha).

Ângela Maria tem 65 anos de carreira e 85 de vida. Elegantemente usando um vestido longo em preto, branco e prata, passou todo o tempo cantando em pé, ao lado de Cauby, sentado em uma poltrona, e que com sua voz de barítono arrancava sequência de aplausos da plateia. Aliás, não poderia deixar de registrar que esse continua cantando di-vi-na-men-te.

Ângela Maria era gentil com o amigo e companheiro de palco desde a década 1960, com a cidade de Florianópolis ao elogiar suas belezas, com o público ao permitir-lhe cantar junto com ela.

De certa forma, gentil com essa outra Ângela Maria, eu.

Ao vir a Florianópolis para divulgar o disco Reencontro, em parceria com Cauby, permitiu-me um reencontro com a memória. Também com a arte dela. E com saudade de meu pai, a quem agradeço pelo nome dado.

angelacauby

Ivan Lins não está só para Madalena

21 de setembro de 2014 1

Beirando os 70 anos, Ivan Lins deu lição numa turma mais jovem que não dispôs da mesma energia  que ele no palco do teatro Pedro Ivo, em Florianópolis, e acabou dormindo durante as músicas mais lentas do show que encerrou sua turnê por Santa Catarina no último sábado. Foram quase duas horas e meia de apresentação, num ritmo frenético que ia do frenesi ao piano em canções mais intensas até a calmaria de velhas conhecidas baladas.

iIvan Lins 3

Problemas no som logo na primeira música não valorizaram a voz do cantor, por sorte a banda que o acompanha há alguns anos é impecável, uma formação de trio clássica com contrabaixo, bateria e teclados, que traz uma pegada jazzística mesclando bossa nova e samba.

O show é o mesmo apresentado há quatro anos, uma celebração de quatro décadas de carreira. Durante a apresentação Ivan até brincou que no ano que vem quer comemorar 45 anos com a mesma formação.

O músico fez história na música popular brasileira. Parte dessa história foi revisitada num repertório de sucessos, com canções compostas inclusive durante a ditadura. Simpático, fez questão de compartilhar com o público detalhes de bastidores dessa época do Brasil.

Para um público mais jovem que desconhece a trajetória, Ivan é apenas o autor de umas e outras músicas de abertura de novela – ele até brincou sobre isso e relembrou duas de bastante sucesso: Lembra de Mim (da novela Por Amor) e Lua Soberana (novela Renascer).

Mas Ivan é muito mais que suas velhas conhecidas Madalena, sucesso na voz de Elis Regina, ou Vieste e Depende de Nós. Apresentou canções “Lado B”, as quais reuniu num novo disco que será lançado em outubro, e não economizou em seus bem conhecidos agudos e caretas para cantar.

Para quem não conhece, Ivan Lins pode mesmo dar sono. Mas ele tem sim (ainda!) algo a dizer e não à toa é um dos músicos dos brasileiros mais respeitados fora do país com nada menos que três grammys no currículo.

Era uma vez...

20 de setembro de 2014 0

Uma concha e uma escumadeira não serão mais as mesmas depois de Histórias de um Ninho de Mafagafos, espetáculo de contação de histórias da Cia Mafagafos. Junte a esses utensílios um cabide, uma pá, uma vassoura e uma caneca, e eis Maneco Caneco Chapéu de Funil. Claro, adicione imaginação e então se tem uma boa história. Em cartaz neste sábado e domingo no Circo da Dona da Bilica, em Florianópolis, a peça traz uma seleção de histórias tradicionais animadas com músicas e interação com o público.

mafagafos

 

A Cia Mafagafos é formada pelos atores Alice Maciel e Sig Schaitel, que no palco dispensam produção grandiosa, com cenário e figurino caros. De cara limpa apresentam histórias genuínas, provando que simplicidade ainda é um bom caminho para brincar e crescer. É um espetáculo voltado para crianças, mas que no entanto não subestima a inteligência delas falando bobagens e com voz afetada. Por isso mesmo tanto bebês quanto adultos caíram na gargalhada com histórias como a dona barato no que queria encontrar um noivo, ou do bolo quentinho e fofinho que saiu rolando.

_ Eles instigam a gente brincar com coisas que não precisam gastar dinheiro. É preciso valorizar e incentivar as coisas genuínas e resgatar a simplicidade. Com tanta tecnologia, é bom ter espaço para as coisas simples _ diz Maria Seara, que estava na platéia com o filho Felipe José, de quatro anos.

O espetáculo terá mais uma apresentação neste domingo, às 17, no Circo da Dona Bilica (Rua Manuel Pedro Vieira, 601, Morro das Pedras, Florianópolis). Ingressos: R$ 20 \ R$ 10 (meia)

Floripa é o palco do último show de Nó Na Orelha, de Criolo

20 de setembro de 2014 0

criolo1

 

Floripa teve o privilégio de ser o último palco do show Nó na Orelha, de Criolo. Desde 2010, quando lançou este disco que mudou sua carreira, o rapper vem se apresentando Brasil afora com a turnê, intercalando também com shows em parceira com Emicida.

“A gente achou que tinha feito o último show do Nó na Orelha há um mês. Mas, olha aí, quis o destino que a cidade de vocês recebesse o último. Muito obrigada” disse o rapper logo no início do show, lembrando que em novembro sai o fresquinho disco novo do músico paulista.

A apresentação rolou no Lagoa Iate Clube, o LIC, na Lagoa da Conceição. E quando show deu aquela atrasadinha básica o público já começou a gritar em coro: Criolo, Criolo, Criolo, Criolo, o que nem sempre acontece – afinal às vezes ficamos ali esperando pacientemente.

Aqueles gritos deram o tom do que seria a apresentação: uma sintonia especial entre músicos e público, cantando junto quase que todas as músicas. E, mesmo depois do bis, a galera gritou: mais um, mais um, mais um.

Mas não teve!

Confira entrevista com Criolo durante passagem de som no LIC

Não é à toa que o rapper se distingue dos outros parceiros de seu gênero, apontado com uma boa nova da MPB – pena que descoberto só agora pelo grande público. Ele  já tem 20 anos de carreira. Criolo tem presença de palco como poucos, energia em doses estratosféricas, um maestro que direciona público e comanda músicos para uma festa em altas vibrações.

 

Ele também usa e abusa de outros recursos que não só o rap. Evoca Bob Marley num reggae delícia. Parte para o brega numa canção romântica e a galera vai junto. Solta os bichos no samba e todo mundo se joga. E, assim, perpassa por todas as canções de Nó Na Orelha e também toca os dois singles lançados recentemente no iTunes e que devem estar no disco novo, Duas de Cinco e Cóccix-ência.

criolo2

Em todo o show, está sempre transitando entre o amor e a agressividade. Seja na voz às vezes doce, às vezes gritada. Seja no Amor em SP ou em versos duros, reais, cruéis que escancaram desigualdade e preconceito.


Mas a solução é para ele o Amor. Assim pára o show e seu grande parceiro, tão atazanado quanto ele no palco, o dj Dan Dan pede para que o público se abrace – mesmo que o carinho seja no desconhecido ao lado. Criolo emenda desejando muita luz a todo mundo.

Há de se aplaudir também a produção do show: tranquilidade para chegar ao LIC, para entrar, para sair… para comprar bebidas. Banheiros limpos, enfim, tudo que a gente quer diante de um espetáculo tão especial.

Que venha novembro!

 

criolo3