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Posts de outubro 2014

Banda do Mar: como fez falta um par

31 de outubro de 2014 0
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Fotos Marco Favero, Agência RBS


O show da Banda do Mar é como se fosse um ritual para comemorar o amor entre Marcelo Camelo e Mallu Magalhães – um dos casais mais fofos que já existiu certamente. Os dois estão maduros no relacionamento e profissionalmente, trazendo de seus álbuns solos uma influência forte para os sons do trio criado com o português Fred Ferreira.

Li recentemente uma crítica que falava sobre a falta que fez dançar agarradinho com o namorado no show. Eu concordo. Não porque a música seja romântica, mas porque teria sido mais divertido. A verdade é que tinha uma vibe – e parece que quem gosta de Los Hermanos e clássicos da Mallu aproveitou a plenos pulmões.

Mallu vestia um short (estilo de corrida) com uma regata e Camelo estava com uma camisa-bata branca com alguns botões desabotoados, mostrando parte do peito cabeludo. Ou seja, eles estavam beeeem à vontade. Marcos Gerez e Fred Ferreira optaram por looks mais sóbrios (camisa e jeans) e Gabriel Bubu estava todo de preto. Uma pena que a banda em si quase não interagiu – apenas o casal.


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Eu já tinha escutado o cd e não tinha curtido, mas admito que ao vivo chega até a ser legalzinho. O som não estava bom, mas acho que a acústica não favoreceu. A voz da Mallu acabou sendo abafada quase em todos os momentos pelos instrumentos. Ponto positivo para a cantora é seu amadurecimento. Mesmo com os problemas técnicos, desta vez ela não chorou.

No setlist, músicas dela, dele e da banda. Eu perdi uma das músicas que a Mallu cantou por último. E a última que eu vi foi Muitos Chocolates. Vou colocar a playlist lá embaixo com as músicas que eles cantaram.
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Oportunidade

Para quem não conseguiu conferir pessoalmente, ainda terá mais uma oportunidade. Junte os amigos em casa para assistir a transmissão pelo canal Bis nesta sexta-feira, 31, antes de sair para a balada de Dia das Bruxas. O show começará pontualmente à meia-noite no Audio Club, em São Paulo.

Contextualizando

Mallu Magalhães anunciou a criação da Banda do Mar em maio em uma postagem no Facebook. Em agosto foi liberada a pré-venda do álbum no iTunes e em 10 de outubro abriam a turnê no Brasil por Porto Alegre. Em novembro outros sete shows estão agendados em: Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Brasília, Teresina, Curitiba e Belo Horizonte. É a banda conquistando o Brasil.

Além de participar de Los Hermanos, Marcelo Camelo gravou dois álbuns de estúdio, Sou e Toque Dela. Mallu Magalhães era superdescolada com seus óculos de grau retrô (que fez bastante auê no Rio) e gravou dois álbuns solos, o que leva seu nome (#Tchubaruba) e também Pitanga. Fred Ferreira já gravou com muitas bandas e participa de outras tantas. Vale entrar aqui para dar uma espiadinha em suas aventuras: 5-30, OiOAi, Orelha Negra, Buraka Som Sistema. Pelo que andei lendo pelo mundo da internet ele é um dos principais bateristas de Portugal.

Adendo

Se você se perguntou quem eram os outros dois músicos no palco, eram Marcos Gerez no baixo e Gabriel “Bubu” Mayall na guitarra. Marco faz parte da banda Hurtmold (instrumental fortíssimo de boa qualidade entre o rock, jazz e pitadinha de eletrônico) e Bubu é do grupo Do Amor (mais carioca impossível, tem cara de domingo na orla, pôr do sol no Arpoador, café da manhã no Parque Lage). As duas bandas merecem ser ouvidas. Riqueza de sons, ritmos e letras.

Ouça a playlist com as músicas que rolaram no show:

A sinfonia mecânica da instalação sonora "Máquina Orquestra"

30 de outubro de 2014 0

Por Lucila Vilela

Uma sinfonia mecânica composta por máquinas inventadas soa no espaço como música visual. Movido por um complexo sistema de construção, Máquina Orquestra resulta de um encontro entre os artistas visuais Roberto Freitas, Marcelo Comparini e a dupla O Grivo, composta por Nelson Soares e Marcos Moreira. As máquinas que compõem a instalação sonora foram construídas com precisão em um longo período de residência artística.

Fotos

Fotos

Com uma lógica científica, seguem uma espécie de partitura mecânica, elaborada com perfurações em bobinas de papel. Os sons emitidos por essas construções são controlados pelos artistas que improvisam durante a cena compondo uma música atmosférica, experimental e imprevisível.

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No palco, a orquestra se dilui em um emaranhado de fios que torna visível o aparato tecnológico. A disposição dos objetos no espaço dialoga com uma projeção que capta detalhes do mecanismo de funcionamento, acentuando o caráter visual da instalação. As máquinas sonoras ou instrumentos visuais manifestam-se em um híbrido de paisagem cênica. Na performance, os ruídos provocam uma oscilação entre a escuta e o olhar.

A pesquisa dos artistas vem de longa data. Roberto Freitas chama de “trapizongas” as engenhocas que elabora com fins artísticos, cinéticos e/ou sonoros. A operação que adota o artista lida com o dispêndio e a transformação de energia, no entanto suas “trapizongas” muitas vezes brutas e desajeitadas carregam forte dose de poesia: sutis imagens aparecem no meio de um complexo sistema de organização mecânica.

Seu interesse nas possibilidades sonoras se expandiu na parceria com o duo O Grivo, que investiga o uso de instrumentos não convencionais na construção de mecanismos sonoros compostos por meio de fontes acústicas e eletrônicas. Marcelo Comparini, além de uma notável produção em pintura, também trabalha com restauração de instrumentos musicais e desenvolve sólido interesse pela fusão entre imagem e som.

O projeto que une esses quatro artistas foi contemplado pelo Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais -10ª edição, e segue seu caminho movido pelas máquinas orquestradas.

Lucila Vilela é artista plástica

CRÍTICA - Atreva-se uma comédia de mistério

27 de outubro de 2014 0

Por Priscila Andreza de Souza

A cena é esta: casa mal assombrada e pequenas pistas para descobrir o mistério. Acrescenta uma pitada de humor e temos a peça de comédia que mistura suspense e riso: “Atreva-se”. É nesse clima sombrio que a história se passa em uma mansão com divas e astros do cinema nas paredes que encanta e assusta. É com suspense que “Atreva-se” promove uma série de gargalhadas em Joinville.

Foto: Divulgação/ Agência RBS

Na peça nada é o que parece ser. Tem uma atmosfera explicitamente inspirada nos filmes noir, gênero usado no anos 20 que priorizava o contraste do preto e branco para enfatizar os mistérios dos personagens. O espetáculo dirigido por Jô Soares destaca a performance do grupo de atores que transitam pelo humor e pelo exagero. Os atores da peça são conhecidos do público por fazerem humor na internet e TV: Fabio Rabin, Mariana Santos, Júlia Rabello e Beatriz Morelli. Apesar do elenco formado por artistas ligados a projetos de humor, o espetáculo coloca a plateia em constante suspense.

O texto escrito por Maurício Guilherme faz referência a clássicos do cinema de diretores como Alfred Hitchcock. A cenografia, a iluminação, o cenário e o figurino não são apenas bonitos e construídos nos mínimos detalhes, mas são inteligentes na medida em que interagem com o texto e com as interpretações. No palco, tudo é preto, branco ou cinza, permitindo pensar que a intensão é fazer parecer que estamos assistindo a um filme em preto em branco. Estes se completam com o texto, quando o personagem pergunta:- Você vai com este casaco amarelo? (o detalhe é que no palco a atriz coloca um casaco preto). Fica claro para o público estar inserido em um filme em preto e branco.

A protagonista de “Atreva-se” é uma mansão construída no início do século 20 em algum lugar dos Estados Unidos. Os acontecimentos que a narrativa expõe se passam em três décadas diferentes: em 1929, em 1942 e em 1963. Dividido em quatro partes: A Mansão, O Medo, O Pacto e De Volta à Mansão. Em cada um deles, os personagens têm seus objetivos distintos e a tarefa do espectador é unir as peças.

Para ajudar o público a desvendar o mistério, a peça conta com uma personagem que aparece no início e entre as cenas para junto com o público tentar entender a história do casarão. A personagem é uma “Lanterninha” do cinema antigo e garante boas risadas enquanto o cenário é preparado para a mudança de cenário.

Na minha opinião, a peça mostra as emoções da condição humana, ampliada pela ótica exagerada da comédia. O texto ganha destaque para os nomes estrangeiros e afetados, de um outro país e de uma outra época. Procura também associar o mundo misterioso de um local desconhecido ao desconhecimento da mente humana.

O espetáculo é uma sátira àquelas obras de suspense que nunca se explicam direito. Os diálogos são inteligentes e afetados fazem referência aos antigos filmes dublados. As personalidades dos personagens junto com as reviravoltas a cada cena deixa claro a complexidade do lado escuro da alma humana temperados com o humor. Em um emaranhado de situações absurdas, o controle vai se desfazendo nas mãos das personagens e o impacto dos sustos vai tomando conta da lógica.

Foto: Divulgação/ Agência RBS

As falas dos personagens provocam a reflexão de situações da vida como quando o cadeirante diz que uma vez que se tem o primeiro medo é impossível parar de sentir medo. Ou quando a Sara em um excesso de lucidez e loucura diz que quer ter controle sobre a vida dela sem que experiências externas interfiram como chegar atrasada devido ao trânsito, por exemplo. Ou ainda o comentário da futura proprietária do casarão comenta que tem a sensação de estar dentro um filme.

Quem é fã de cinema noir, tramas de mistérios e gosta de rir sobre a complexidade da existência humana a peça está mais do que indicada. “Atreva-se” é uma comédia de mistérios dessas imprevisíveis a cada gesto e um susto a cada risada.

O espetáculo “Atreva-se” iniciou a turnê pelo Sul do País no início de outubro passou por Florianópolis, Porto Alegre, Londrina e encerrou em Joinville, no último domingo.

Bixiga 70 mistura música afro, latina e brasileilra em Florianópolis

26 de outubro de 2014 1

A banda paulistana Bixiga 70 fez outro show nesta sexta-feira, 24, trazendo consigo toda a animação da música instrumental afro, latina e brasileira. O grupo, composto por 10 integrantes, tocou no Green Park Music Hall, perto da Praia Joaquina, em Florianópolis, pela segunda vez este ano. Além da superbanda, a festa de aniversário de três anos da produtora WhataFunk? também contou com a presença de KL Jay, DJ do grupo Racionais MC’s, e a Brass Groove Brasil, banda com referências no hip hop, jazz e blues.

Ariel Martini, Divulgação

Foto: Ariel Martini, Divulgação

O show, que tenta resgatar ritmos como funk, soul e afrobeat, contou com a mistura de ritmos africanos com dub, rock e a música de terreiro do Bixiga 70, que já esteve na Ilha em junho deste ano. Os paulistanos da Rua Treze de Maio, número 70, localizada no bairro Bexiga, em São Paulo, trajavam camisas florais e listradas, como se estivessem sido arrancados dos anos 70 e tocaram músicas do primeiro e segundo álbum, ambos sem título, e ainda tiveram que atender a três chamados do público, que pedia bis a cada vez que eles ameaçavam encerrar.

Tocando uma releitura de Deixa a Gira Girá – música de candomblé gravado pelos baianos Os Tincoãs -, o Bixiga 70 incendiou o Green Park com uma energia que reverberava nas danças de quem estava em frente ao palco. As pessoas esboçavam sorrisos, chegando a uma animação que transformou-se em uma espécie de ciranda, que tomou mais da metade do espaço da pista.

No fim da noite, KL Jay subiu no palco e trouxe um repertório que mistura pop e rap. Além de tocar, o DJ também tinha uma presença de palco que cativava o público. A cada transição de música ou efeito que produzia no som, ele mexia os braços e esboçava uma expressão como se estivesse em casa, ouvindo música e se espantasse com o que ouvia. Enfim, o espetáculo, que já garantia boa música, também teve uma boa encenação.

CRÍTICA - Um espetáculo onde a palavra não engole o ator, por Julianna Rosa de Souza

24 de outubro de 2014 0

Por Julianna Rosa de Souza

Faz algum tempo que tenho assistido na cena teatral a atores que são devorados pelo texto. Percebo que esse tipo de encenação, enquadrada numa concepção tradicional de teatro, acaba por fazer do ator um intérprete e reforça uma posição hegemônica do autor/dramaturgo. Como espectadora, me sinto enfadada ao ver o ator se debater contra o texto, como se cada palavra o sufocasse em uma métrica monocórdica.

Foto: Espanca! / Divulgação

Foto: Espanca! / Divulgação

Em outras palavras, um ator a serviço do texto  torna-se refém do próprio texto.

Em Líquido Tátil, os atores parecem saber deste perigo e por isso saboreiam cada palavra. Sem temer a irreverência do texto e a direção do argentino Daniel Veronese, os atores se colocam nas fronteiras do real e da ficção e compartilham com o público as inquietações de uma suposta realidade da cena.

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Os três atores (Grace Passô, Gustavo Bones e Marcelo Castro) não se escondem por trás de cortinas e tampouco se colocam numa zona intocável e protegida pela quarta parede. O grupo ESPANCA! coloca em cheque a representação teatral, e para isso utiliza  a própria representação para questionar a instável separação: palco/plateia.

Líquido Tátil não é uma comédia leve – ao contrário, é uma encenação que “morde”  o espectador (como o cão que não aparece no palco, mas que está em cena a todo o tempo) e por isso foge da tradicional necessidade de celebração do herói/protagonista.

Sem dúvida, Líquido Tátil marcou a programação do Festival Isnard Azevedo, trouxe para Floripa o brilhantismo de Daniel Veronese e a sintonia/ritmo dos atores do grupo ESPANCA!

Enfim, um espetáculo que não se deixa engolir pelo texto.

 

Por Julianna Rosa de Souza, atriz e mestre em Teatro pela Udesc.

Saiba como foi a segunda reunião de pauta aberta do Anexo

24 de outubro de 2014 2

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Encontro aconteceu no Espaço Fernando Beck na Fundação Badesc. (Fotos Giuliano Bianco, Agência RBS)

A segunda reunião de pauta aberta do Anexo, encontro em que a equipe do caderno recebe leitores e agentes culturais para discutir assuntos que devem virar reportagem, aconteceu no final da tarde de quarta-feira no aconchegante espaço Fernando Beck, na Fundação Badesc. Leitores e representantes de todas as áreas - cultura popular, música, teatro, literatura, artes plásticas e política cultural – enriqueceram demais o debate. A gente só tem a agradecer!


Primeiro encontro aconteceu no MASC

Joinville também teve um encontro
Boas sugestões de pauta surgiram na conversa, relacionadas ao patrimônio público, à literatura local e também à saudosa cultura popular que, reconhecemos, tem tido pouco espaço no Anexo. Também foi importante ouvir críticas como a necessidade da imprensa fomentar a política cultural pública e privada.

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Repórter Carol Macário fala sobre a falta de identidade da arquitetura de alguns pontos de Florianópolis, que não preserva a história e a cultura da ilha.
Da esquerda para a direita, a editora Tais Shigeoka, o colunista Emerson Gasperin, o leitor Valmiré Rocha dos Santos, Tatiana Cobbett (bailarina e compositora), Carol e a leitora Luciene Fontão

Abaixo reproduzimos o que mais nos chamou atenção no debate. Fica já o convite aos participantes que entrem ali na seção Comentários e deixem  suas percepções e, claro, a todo mundo que quiser deixar o seu recado. Mês que vem tem mais!
“Atualmente, eu me sensibilizo com a questão da perda de importância nas relações humanas e na troca de conhecimento. Então, apoio qualquer iniciativa que seja um esforço de ir contra esses dois movimentos. As reuniões de pauta do Anexo são esse momento de reflexão e o melhor: com uma classe artística pulsante. Não tem nada de impositivo, mas de vivências, olhares e percepções sobre a arte. Na primeira reunião, conversamos muito sobre processos do fazer jornalístico. Nesta segunda, o papel da crítica de arte ganhou força. Afinal, é esperado que os jornalistas sejam curadores, contextualizem e avaliem as manifestações artístico-culturais. O Anexo só cresce com essas trocas e fico realizada de poder testemunhar e fazer parte desse momento.” Layse Ventura, repórter

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Descontração, bate papo e descoberta de afinidades entre pessoas que não se conheciam também marcou o encontro

“O debate foi dos mais ricos, com uma boa reflexão sobre o jornalismo cultural. Me chamou atenção o papo sobre a falta de maturidade do mercado local e como o empresariado catarinense ainda não despertou para o marketing cultural, opinião que nós, da equipe do Anexo, partilhamos. Temos aí um desafio de envolver e ajudar a despertar nossa força empresarial para a importância de investir na cultura catarinense“, Cris Vieira, editora

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Da esquerda para a direita, Leticia Bombo (assessora de imprensa), a leitora de Joinville Gabriela Maria Carneiro de Loyola (que chamava atenção para a necessidade da iniciativa privada investir na cultura local), Dânia Degano (empresária), Cláudia Barbosa (cantora e jornalista),  Susana Bianchini (artista visual), Renato Turnes (diretor de teatro), professor Acyr de Oliveira e Luzair Martins (grupo Filhos da Terra)

 

“A reunião reforçou a importância da materialidade das produções culturais no jornal para os artistas, como forma de reconhecimento do trabalho feito no Estado, e promoveu também o encontro de pessoas interessadas na preservação da memória cultural catarinense. Foi possível perceber a pluralidade de vozes e interesses, o que reforçou ainda mais a difícil tarefa de estabelecer critérios para a publicação de matérias. O mais bacana foi perceber que a reunião virou motivo para celebração! Todos estavam felizes com a oportunidade do diálogo! Conseguimos estreitar ainda mais nosso canal de comunicação com nossos leitores, tirando dúvidas sobre nossos processos no jornal, e com certeza ganhamos mais fontes para nos munirem de informações sobre o cotidiano, dificuldades e produções locais na área da cultura! (Nanda Gobbi, editora)

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“Abrir a pauta do Anexo foi um exercício interessante de compartilhar nosso dia-a-dia e desconstruir alguns mitos que eventualmente se relacionam ao jornal. Foi um encontro plural, com olhares múltiplos sobre a produção artística e cultural do Estado. A reunião reforçou também a urgência de avançarmos no aprofundamento do debate e da crítica em nossas reportagens. Carol Macário, repórter


Os participantes

Margaret Waterkemper (Fundação Badesc)
Emerson Gasperin (colunista do Anexo)
Thiago Momm (colunista do Anexo)
Letícia Bombo (assessora de imprensa)
Renato Turnes (diretor de teatro)
Gabriela Maria Carneiro de Loyola (artes plásticas)
Acyr Osmar de Oliveira (professor)
Luzair Lauro Martins (Grupo Folclórico Filhos da Terra)
Susana Bianchini (artista visual)
Fifo Lima (jornalista cultural)
Luciene Fontão (professora e escritora)
Cláudia Barbosa (cantora e jornalista cultural)
Tatiana Cobbett (bailarina, cantora e compositora)
Marina Tavares (produtora cultural)
Valmiré Rocha dos Santos (professor aposentado)
Giuliana Korzenowski (assessora de imprensa)
Laércio Luiz (artista plástico)
Dânia Degano (designer e empresária)
Julia Maris Latronico de Souza (assessora de imprensa)

$em Vintén$ é produção local de alta qualidade dentro da programação do Isnard Azevedo

23 de outubro de 2014 0

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Fotos Festival Isnard Azevedo/ Divulgação

Uma das boas novas do Festival de Teatro Isnard Azevedo é a mostra paralela Circuito Universitário, que conta com 11 companhias da Udesc e três da UFSC. O ampliado espaço que a produção universitária tem no evento mostra a força da produção local e da pesquisa em teatro catarinense


Confira a programação completa do Festival


Pois na noite de quarta-feira vimos um Teatro Ademir Rosa lotado. A atração era convidada, mas não vinha de outro estado brasileiro (com todo o respeito as boas produções que tem passado pelo Festival). O CIC lotou para ver $em Vintén$, espetáculo do núcleo de teatro da Udesc (CEART/UDESC).

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A comédia musical é inspirada na Ópera dos Três Vinténs (1928), de Bertolt Brecht e Kurt Weill. O espetáculo é daqueles que não perdem a atualidade. O capitalismo, a corrupção e as relações de poder dão o tom da história, com prioridade para a corrupção - perceptível em gestos simples das relações humanas.

A adaptação de Diego di Medeiros é sagaz. Preserva a verve original, com breves e perspicazes sacadas atuais. Destaque para os cartazes que entram discretamente em cena e trazem mensagens como: “Cadê o RU?”, “Me Chama de Copa e Investe em Mim” e também sobre a graduação em dança da Udesc, o que arrancou risadas do público.
A trama se desenrola em torno do  bandido Macheath,  conhecido como Mac Navalha. Ele se casa escondido com Polly, filha de Peachum, um empresário local. Inconformado com o casamento da filha, Peachum planeja a prisão do genro e quer que ele seja condenado à forca. Subornado por Mac, o chefe de polícia Tiger Brown não pretende prender o bandido.

O figurino e maquiagem são impecáveis, assim como a banda ao vivo, que emociona em vários momentos. 

 

 

 

Rodada de Negócios para o Teatro de SC

23 de outubro de 2014 0

Por Jefferson Bittencourt

Na quarta-feira, 22 de outubro, foi realizado em Florianópolis, dentro da programação do Floripa Teatro, um evento de extrema importância para os grupos de teatro da cidade (e também de Santa Catarina): a Feira de Negócios Teatrais.

Foto: Dieve Oehme / Divulgação Integrantes do grupo Teatro Sim... Por Que Não?!!!

Foto: Dieve Oehme / Divulgação
Integrantes do grupo Teatro Sim… Por Que Não?!!!

Foram convidados curadores de Festivais de destaque no cenário teatral brasileiro, para formar uma banca, onde cada grupo da cidade poderia “defender’ seu trabalho, apresentando vídeos, fotos, material teórico etc. Uma oportunidade única para os grupos de mostrar suas novas criações (ou mesmo repertório) para pessoas importantes, que determinam, muitas vezes, o percurso de uma obra teatral e também o que o público brasileiro terá a oportunidade de ver.

Criado e executado pela própria organização do Festival (que leva, desde já meus cumprimentos e todos os méritos pela investida) este evento, por mais simples que possa parecer a quem não é do meio teatral, é de extrema importância para impulsionar o teatro feito em Florianópolis para outros centros.

Muitos grupos não conseguem chegar até esses curadores pois, como acontece na maioria das vezes, ou somente o material gráfico e vídeo enviado num processo de inscrição não mostra  toda a potência do trabalho (algo que uma simples conversa como essa já resolve de maneira muito prática), ou a imensa carga de trabalhos recebidos durante esses processos de inscrição, faz com que a análise fique prejudicada.

Assim, de maneira mais clara e objetiva, os curadores dos Festivais de Londrina (FILO), Porto Alegre em Cena e FITBH (Belo Horizonte) puderam analisar a consistente produção teatral feita por estas bandas, com cada grupo ‘vendendo seu peixe’, buscando levar a arte que se faz por aqui para públicos de outros Estados e regiões do país.

Este evento mostra a maturidade da organização do Festival que, além de toda a programação de apresentações para a cidade , se preocupou também com as perspectivas do teatro feito em Santa Catarina. E também mostra que, cada vez mais, os Festivais de Teatro no Brasil estão interligados, possibilitando aos grupos uma facilidade maior de circulação neste país de extensão continental.

Jefferson Bittencourt, diretor teatral

CRÍTICA - Os Gigantes da Montanha, do Grupo Galpão. Por Gláucia Grigolo

22 de outubro de 2014 2

Por Gláucia Grigolo

Novamente Gabriel Villela une-se ao Grupo Galpão para mais um projeto ousado e encantador. A parceria teve início nos anos 1990, com a montagem de Romeu e Julieta (1992), que se tornou um marco no teatro brasileiro. Depois veio A Rua da Amargura (1994). Os Gigantes da Montanha,que estreou no ano passado, é o mais recente trabalho do grupo mineiro, que pelas mãos do diretor (também mineiro) traz à cena o texto do italiano Luigi Pirandello.

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

A presença do grupo na programação do Festival Isnard Azevedo não é novidade. O público de Florianópolis já teve oportunidade de ver outros espetáculos em edições anteriores. Desta vez, os Gigantes estavam no palco do Teatro Ademir Rosa diante de uma plateia lotada e curiosa.

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“História do Comunismo Contada aos Doentes Mentais”, por Antônio Cunha
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Fala-se de teatro fazendo teatro. Uma companhia teatral decadente chega a uma vila cheia de fantasmas e pessoas estranhas que vivem no mundo da utopia. É através da linguagem metateatral que o grupo conta a Fábula do Filho Trocado e outras histórias, embaladas por canções italianas muito bem executadas pelos próprios atores. Aliás, o rigoroso trabalho musical do grupo sempre é encantador, uma característica marcante na trajetória do Galpão.

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

A Condessa Ilse, personagem principal, tem o desejo de que a Fábula seja encenada para o grande público. Como não há muita gente na Vila, o governador/mago Cotrone sugere que a peça seja feita para os gigantes da montanha. Mas alerta que o povo vizinho não é muito apreciador de arte. Sendo assim, a peça torna-se também metafórica e crítica: quem são os gigantes senão nós, o público que assiste a uma peça dentro da peça? Qual é o lugar do teatro no mundo e o que ele tem a dizer?

Pirandello deixou a obra inacabada, não escreveu o último ato. Em cena, os atores representam o final da peça apropriando-se de um gramelot (língua inventada), fazendo alusão ao que Pirandello teria contado ao filho Stefano sobre o final. E chamam a atenção sobre a importância que a arte e a poesia tem na vida das pessoas: precisamos dos poetas para dar coerência aos sonhos… O ser humano inventa verdades, mas não há sonho mais absurdo do que essa nossa realidade.

Em tempos de dura realidade na cena política e cultural brasileira, quem vai dar coerência aos nossos sonhos?

Ilha de Santa Catarina, 22 de outubro de 2014.

Gláucia Grigolo é atriz e produtora cultural (glaucia.grigolo@gmail.com)

Explosão de cores, texturas e expressões

O repórter fotográfico do Diário Catarinense Marco Favero registrou em fotos a apresentação dos Gigantes da Montanha no Teatro Ademir Rosa. Confira:

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

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Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

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Foto: Marco Favero / Agência RBS

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Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Selton Mello aparece de surpresa na reinaguração do Confraria Club

22 de outubro de 2014 0
Selton Mello com Domingos Filho, um dos sócios da casa

Selton Mello com Domingos Filho, um dos sócios da casa. Foto: Darline Rodrigues Santos, divulgação

Após receber show do rapper Emicida, no dia 13 de setembro, o Confraria Club, na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, fechou as portas anunciando uma reforma. Pouco depois de um mês, a casa reabriu ontem com um coquetel para imprensa e convidados, sob o comando de um novo grupo gestor formado pelos empresários Domingos Filho, Lucas Nummer e Tiago Santos.

Diante do pouco tempo, não houve uma grande reformulação estrutural. As principais mudanças estão concentradas na entrada, que passa a ser feita pela lateral – com um deck externo, e na pista de dança: foram extintos os camarotes que acabavam dividindo as pessoas e a cabine do DJ agora tem um posicionamento central, mais acessível ao público. O conceito é o de aproximação mesmo. Fora isso, o que mudou foi decoração.

Em meio a muita bebida (champanhe, uísque, drinques como mojito, sex on the beach e aperol spritz), porções de risoto de camarão e de penne ao funghi e filé mignon e docinhos, a grande surpresa da noite foi a presença do ator e diretor Selton Mello, que apareceu de surpresa e ficou circulando pelo lugar até o final da festa em meio a mocinhas com seus vestidinhos tão curtos quanto justos.

Diferentemente do que deve estar acostumado, ele circulou tranquilamente, sem ser importunado. Sua presença (pásmem!) pareceu não impressionar aquelas mesmas mocinhas de trajes sumários, que (eu vi!) chegaram a ignorá-lo em uma rodinha de conversa. Enquanto isso, em outra roda, os jornalistas lutando contra a vontade quase incontrolável de ir lá importunar o cara para bater um papo-cabeça e elogiar o trabalho de direção incrível da série Sessão de Terapia, do GNT (tá, essa parte da tietagem pode colocar na minha conta).

Enfim, depois da festa de reinauguração, este novo ciclo do Confraria Club começa com a apresentação dos DJs Jesus Luz, na sexta-feira, e Andy Redanka, no sábado. A programação da casa segue assim: projeto Open Format, com diferentes ritmos e estilos musicais sendo contemplados às quintas ou sextas-feiras, e e-music nas noites de sábado (uma vez por mês haverá um evento voltado para o público adolescente). Outras novidades são um projeto de entretenimento para a terceira idade aos domingos, a partir de dezembro, e inauguração de um espaço gastronômico, ainda sem data confirmada.