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Posts de março 2015

É o Tchan transforma Cafe de
La Musique em palco de micareta

23 de março de 2015 0
Compadre Washington comandou a zoeira (Fotos: Leo Cardoso/Agência RBS)

Compadre Washington comandou a zoeira (Fotos: Leo Cardoso/Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

O “novo som de Salvador” foi feito há 20 anos. Parecia que havia sido lançado neste carnaval, tamanho o frenesi que o É o Tchan provocou neste domingo (22), no Cafe de La Musique, em Florianópolis. Assim que Paquerei – puxada pelo verso acima – começou, instaurou-se no ambiente um clima de micareta que duraria pelas duas horas seguintes. Ou enquanto tivesse champanha para irrigar os quadris e o juízo dos pagantes que ocuparam dois terços do local onde cabem 700 pessoas.

Confira imagens do show na galeria de fotos

Reposicionado no mercado graças a um comercial protagonizado por Compadre Washington, o grupo desembarcou na ilha com uma comitiva de 18 integrantes. Além dele e de Beto Jamaica, oito músicos (teclado, baixo, bandolim, bateria, saxofone e três percussionistas) se espremeram no pequeno palco da casa. As dançarinas não vieram – e nem precisava, já que a cada música fãs eram convidadas a se juntar à banda e tornar o espaço ainda mais apertado. “Mas tem que saber dançar, senão vai tomar vaia e descer”, avisava Washington.

Todas sabiam, desde as que se arriscaram a substituir Carla Perez, Scheila Carvalho e Sheila Mello até aquelas que se contentaram em reproduzir as coreografias em cima de bancos, mesas ou rebolando até o chão. O apelo continua sendo muito mais infantil do que malicioso, sobretudo quando regido pela memória afetiva: a maioria ainda usava fraldas no auge do grupo, na década de 90. Agora mulheres, voltaram a ser crianças com Melô do Tchan, Pega no Bumbum, Bambolê, Na Boquinha da Garrafa e A Nova Loira do Tchan, entre outros hinos do axé.

A nova música, Colar de Beijo, teve que ser ensinada por Jamaica. Não empolgou tanto quanto o cidadão que subiu ao palco e, sob as bênçãos de Washington, pediu a noiva em casamento. Ou a participação da cantora Diana Dias, que mandou Arerê. Dança da Cordinha fechou a apresentação com banho de champanha (“É tudo nosso, o dono que mandou”, incentivava o vocalista), não sem antes Jamaica anunciar duas novidades. Uma é que o grupo pretende fazer ensaios mensais na cidade. A outra é a confirmação do É o Tchan no Folianópolis, para alegria geral dos micareteiros.

Espetáculo "Incêndios" vale cada centavo investido

21 de março de 2015 1

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(Foto: Cristiano Estrela)

 

por Fabiano Moraes

“Há verdades que não podem ser ditas. Precisam ser descobertas.” Uma das tantas falas definitivas do texto escrito pelo libanês Wadji Mouawad, autor do espetáculo teatral Incêndios, encontra eco nas atuações do elenco capitaneado por Marieta Severo.

A montagem, que teve na noite desta sexta-feira a primeira das três apresentações – as outras duas serão no sábado, às 21h, e no domingo, às 20h -, lotou o Teatro do CIC, em Florianópolis, e trouxe da força dos atores (Felipe de Carolis, Keli Freitas, Marcio Vito, Kelzy Ecard, Flavio Tolezani, Isaac Bernat e Fabianna de Mello e Souza) o combustível para uma experimentação cênica que há muito não se via nos palcos catarinenses.

Os incêndios que dão nome à peça são parte da dolorosa história de Nawal (Marieta Severo) da infância à morte. Por meio de uma narrativa não linear, que perpassa Oriente Médio e Canadá, a plateia acompanha os segredos de uma família em meio a uma guerra civil que se arrastou entre os anos de 1975 e 1990, e chegou a ter 23 lados, 23 facções armadas defendendo suas crenças e territórios. Curiosamente, Wadji Mouawad não cita o Líbano no texto, o que só o aproxima da plateia, que fica à vontade para transpor o conflito e colocá-lo em qualquer lugar de sua geografia íntima.

Ao longo de duas horas, a atriz Marieta Severo e o elenco, conduzidos pelas mãos sempre talentosas do diretor Aderbal Freire-Filho (com quem tive o privilégio de conversar rapidamente antes do espetáculo), formam um mosaico existencial completo. Mesmo com todo o peso de uma dramaturgia conceitual, Incêndios mostra domínio dos recursos fundamentais do drama épico, numa impressionante demonstração de tragédia que o teatro ocidental só teve em sua origem grega.

Espetáculos com essas características são raros por aqui. Também por isso, Incêndios vale cada centavo investido.

Um português no Psicodália

09 de março de 2015 1

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De 13 a 18 de Fevereiro, ocorreu um festival em Rio Negrinho. A minha paixão por criação de vídeos, boa música e boas vivências, agregada à generosidade da organização, garantiram a minha presença neste evento de seis dias: o Psicodália, já com várias edições anterioremente realizadas.

Palavras ficarão com certeza àquem do que foi este evento, mas posso tentar transmitir uma ideia: imaginem uma fazenda muito espaçosa, rodeada de uma natureza maravilhosa com lagoa e cachoeira. Agora, acrescentem a isso uma panóplia de músicos extraordinários, interessantes oficinas ao longo de todos os dias e ainda várias actividades espalhadas por todo o recinto; ainda não estariam perto do que este festival representa!

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Para além de tentar cultivar uma consciência mais ecológica e sustentável, não só por sensibilização geral de todos, mas também posta em prática pelos “banheiros secos” (sem desperdício da nossa preciosa água), compostagem da maioria dos orgânicos e ainda separação de resíduos, o Psicodália é ainda mais que isso. São os sorrisos sinceros das pessoas com que se cruza, são as interessantes trocas de ideias com desconhecidos, são as espontâneas rodas de música presentes ao longo de todo o festival, é o acampar e (provavelmente) ser abençoado pela chuva, é o pisar da lama até passar a gostar dela e dançar até o corpo pedir descanso!

Concluindo, um festival desta dimensão não só proporciona shows espectaculares, com vários artistas de renome, como nos marca a todos de uma maneira ou de outra, pelas suas boas vibrações, espírito de união e entreajuda, e uma consciencialização para o planeta terra, procurando deixar a menor pegada possível nesta vida, em harmonia com a nossa mãe natureza.

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Rui Barreto
Portugal, fevereiro de 2015

Primeiro show da The Flying Eyes no Brasil acontece em Florianópolis

07 de março de 2015 0

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O quarteto norte-americano tocou ontem, dia 6, para uma plateia com um pouco mais de 100 pessoas. O baixo público não mudou o fato de que, vindos direto da Argentina, a primeira apresentação deles no Brasil foi na capital catarinense. Tocando uma espécie de revival do som psicodélico da década de 60, a banda ainda faz mais seis shows pelo Brasil.

 

 

Comparado com festas universitárias ao som de DJs e “artistas de MP3″, o show do The Flying Eyes parecia a escolha mais atraente para começar o último fim de semana de férias. Não foi o que acharam os estudantes da UFSC, maioria do público na vida noturna próxima à universidade. A primeira grande festa no campus, por exemplo, tinha mais de 3mil confirmados no evento do facebook, e provavelmente ajudou a esvaziar o Célula Showcase.

 

 

Não desanimou quem pagou pra ver (na hora, o ingresso custava R$ 35) os quatro caras de Baltimore, costa leste dos EUA. A banda também não se desanimou, com o guitarrista Adam Bufano e o bateirista Elias Schutzman se retorcendo atrás de seus instrumentos, tocando solos que, tirando as diferença de proporção, satisfaziam até os fãs de Jimi Hendrix e Tony Williams.

 

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Adam Bufano parecendo o Jack White na primeira cena de It Might Get Loud

 

Talvez toda essa disposição esteja relacionada com o tom malicioso do vocalista Will Kelly, quando disse “I love your beaches!”(“Eu amo as suas praias!”), fazendo um trocadilho com “beaches” e “bitches” (prostitutas). Talvez fosse porque era a primeira vez que tocavam no Brasil, no meio de uma turnê latino americana que começou na capital da Argentina, Buenos Aires, e termina em Volta Redonda,  Rio de Janeiro. O fato é que, quem deixou de ir, cuspiu pra trás a chance de começar bem o semestre.

 

Will Kelly cuspindo pro alto a cerveja que acabou de ganhar

Will Kelly cuspindo pro alto a cerveja que acabou de ganhar

 

Fotos: Marco Favero, Agência RBS

 

Luciano Martins recebe público para bate-papo na abertura de exposição sobre seus 15 anos de carreira

05 de março de 2015 2

Depois de muitas horas debruçada sobre o catálogo da exposição comemorativa dos 15 anos de carreira de Luciano Martins, eu percebi que aquelas figuras não tinham sobrancelhas. Na realidade, com exceção de três personagens, nenhum deles as tem. As exceções, em um universo de cerca de 50 quadros, são Frida Kahlo, Michael Jackson e Judas (na releitura da Santa Ceia, de Leonardo da Vinci). Lógico que ao encontrar o artista, antes mesmo do bate-papo com o público, foi a primeira coisa que lhe perguntei. Afinal, por quê?

A resposta de Luciano não poderia ser outra, senão a busca pela simplicidade. Ele percebeu ao pintar que era melhor retirar o excesso: nariz, dentes, sobrancelha e até os dedos – repare que em seus quadros as pessoas têm apenas três dedos nas mãos. As três exceções se explicam naturalmente. Na Frida Kahlo, obviamente, deveria ser pintada uma longa; no M.J. foi para acentuar seus traços femininos; e no Judas trouxe expressão e diferenciação dos demais discípulos (tão semelhantes). Fora da exposição, outras personalidades que receberam um nariz foi John Lennon e Luciano Huck.

Paulo Amaral e Luciano Martins

Paulo Amaral e Luciano Martins. Foto: Layse Ventura

 

Paulo Amaral, ex-diretor do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs) e convidado para receber o público nesta quinta-feira, aprofundou essas características do trabalho de Luciano no bate-papo realizado à tarde. Segundo ele, a maior preocupação dos artistas atualmente é a necessidade de fazer uma obra que tenha de ser interpretada e compreendida. No entanto, ele avalia que tanto a arte hermética, quanto a arte simples tem sua importância e particularidade, e ambas podem ser densas, principalmente quando consideramos o contexto em que vivemos de distanciamento e esquecimento das coisas simples da vida.

Para dar conta de seu acervo, brevemente exposto no Espaço Lindolf Bell, no CIC, Luciano planeja reunir algumas de suas duas mil obras em um livro. Outro projeto do artista é diversificar suas atividades com as crianças que recebe em seu ateliê e galeria, na Lagoa da Conceição:

- O mérito é todo dos professores. Eu tenho esse compromisso de responder, seja criança, seja adulto. Quando eu falo sobre ‘verdade’, eu falo sobre isso: eu pinto com minha verdade. Eu não tenho didática, mas eu recebo de coração aberto. O meu trabalho pode ser porta de entrada para as crianças para as artes, porque tem uma linguagem que se aproxima delas. Por isso, penso que é um momento de abrir uma escola – revelou.

O secretário estadual de Turismo, Cultura e Esporte, Filipe Mello, estava no evento e deu seu apoio para a criação de um centro de ensino, onde Luciano ensinaria artes plásticas às crianças.

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Público tirou dúvidas com artista. Foto: Layse Ventura

A Manchester Catarinense venceu a Cidade da Dança

04 de março de 2015 0

por Cláudia Morriesen

A bailarina, com os olhos semicerrados, encara seu parceiro de dança: um carro branco que, passando pela avenida Beira-rio, no Centro de Joinville, não percebeu a intervenção da Muovere Cia. de Dança Contemporânea. Dentro dele, a motorista que quase parou em cima da faixa de pedestres, percebe a invasão. Ela dá a ré — e seus movimentos são acompanhados pela dançarina da Muovere, Maria Annita Brusque, como se dividissem a mesma canção.

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A ação que parou o trânsito em Joinville na manhã de terça-feira — eram cerca de 11h10 quando os quatro bailarinos da companhia gaúcha deram início à apresentação — faz parte do Projeto Desvio. A intervenção que inclui os improvisos nas faixas de pedestres de ruas movimentadas no centro das cidades foi batizada de Desvio Sinal. Atendendo a comandos, os dançarinos criavam passos baseados nos transeuntes das grandes cidades, fruto de uma pesquisa realizada desde 2011.

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A plateia nas calçadas era pequena — alguns interessados em artes, a equipe de limpeza do Centreventos Cau Hansen e alguns alunos da Escola Bolshoi —, mas este não era o foco da companhia. Neste caso, o público-alvo eram exatamente aqueles que não queriam saber de dança. Talvez não naquele horário, talvez não naquele local, talvez nunca na vida. Os motoristas tornavam-se espectadores sem livre-arbítrio: eles precisavam da pista para continuarem seus caminhos, e esta estava ocupada com a arte.

— As pessoas estão sempre preocupadas, correndo, e deixam de perceber quando as coisas boas passam na frente. Não só uma apresentação de dança, mas com as oportunidades da vida é a mesma coisa: “eu estou muito ocupado seguindo meus compromissos para enxergar além da rotina” — filosofou a bailarina Joana Amaral.

Segundo a companhia, é comum que em qualquer lugar que Desvio Sinal seja apresentado, ocorra a raiva passageira de quem está atrás do volante. Em Joinville, quem passou pela frente do Centreventos Cau Hansen durante os 20 minutos que a Muovere usou a faixa de pedestres como palco, a reação foi de buzinaço e de palmas irônicas. Um aluno do Bolshoi Brasil chegou a arriscar que Joinville deveria estar acostumada com este tipo de ação, já que é considerada a Cidade da Dança, mas que aqueles motoristas pareciam estar muito focados em chegar ao seu destino e não gostaram da “provocação”.

Se estivéssemos em julho, provavelmente alguém dentro do carro diria “Ah, deve ser aquele negócio de Festival de Dança”. Como é apenas início de março, poucos espectadores se permitiram relaxar por alguns minutos e aproveitar o show inédito. Mais importante do que isso era tentar um desvio, uma forma de seguir caminho sem olhar para os lados e enxergar além.

Saiba como foi a inauguração do Café Matisse, no CIC, em Florianópolis

03 de março de 2015 2

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Cris Vieira, editora Anexo
cristina.vieira@diario.com.br

“Bem melhor do que um balcão com um vigilante para nos receber”. A observação do jornalista cultural Fifo Lima combinada a de outra colega, Adriana Krauss – “Não é o Matisse de antes, que era mais underground. Não é um bar. É outra proposta, uma cafeteria”  - arremata com precisão a atmosfera em torno do novo Café Matisse, inaugurado na noite de segunda-feira, no Centro Integrado de Cultura, em Florianópolis.

Saiba mais sobre a concessão

Obras do novo café começaram há um mês

Sobre a polêmica em torno da manutenção do nome – nas redes sociais, teve quem criticou a adoção de Matisse, já que remete o público a uma vivência que o novo café não irá recuperar -, Nadiesca Casarin, sócia-proprietária do Café, disse que depois de verificar que não havia registros em cartório do nome e de observar que Matisse era uma nomenclatura consolidada, optou-se por ele.

- Não é o mesmo Matisse. Mas é um café, é no CIC, tem ligação com cultura, pode receber uma noite de autógrafos ou uma atração cultural, ou seja, a gente quis resgatar uma história importante da cidade. Mais adiante temos a proposta de ter um bar e um palco – comentou Nadiesca.

Pouco depois, Filipe Mello, secretário de Cultura, Esporte e Turismo, confidenciou que está sendo estudado montar um palco logo atrás do bar, na rampa de acesso ao Teatro Ademir Rosa, para receber pequenos shows em dias que não tenha espetáculo no teatro.

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Acomodada onde ficava o “balcão de vigilantes”, no hall do CIC, a cafeteria vai funcionar a partir das 10h, com confortáveis 40 lugares (poltronas e mesas) e um aconchegante e longilíneo sofá de couro. No cardápio, poucos e bons: tapioca, crepes, carta de vinhos com rótulos da nossa serra e também franceses, espanhóis, argentinos e chilenos, além de cerveja Baden Baden (entre outras) e um bom número de opções de café. Atenção, amantes de doce, tem expresso com nutella! Os preços não são salgados, com um cafezinho custando a partir de R$ 3 e crepes em torno de vinte e poucos reais.

A “inauguração” poderia ter sido mais descolada, afinal é só um café num espaço cultural, mas teve um tom de cerimônia com discurso de Filipe, de Maria Teresinha Debatin, presidente da Fundação Catarinense de Cultura, e de Michel Becker, um dos sócios da Celeste Alimentos, empresa que venceu a licitação para instalação do novo Matisse. Não podemos ignorar, porém, que o bravo Luiz Zago arrebentando no piano, ali na entrada do CIC, foi uma escolha acertada e cool.

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No discurso, Filipe e Maria Teresinha ressaltaram que aquele era o pontapé inicial para um 2015 intenso na cultura. Um bom primeiro passo, de fato, é o Estado liderar o estreitamento do diálogo entre agentes culturais, poder público e empresariado interessado no setor para a convergência de ideias e ações que fomentem a cultura catarinense. Chamou atenção a pouca presença de agentes culturais na cerimônia.

Ter um café no CIC é bom. Dá vida ao lugar, que anda por demais às moscas, e este ano receberá eventos internacionais como a Bienal de Design e a exposição de Miró. Pode mesmo ser um espaço de encontro para boas e novas ideias à cultura. Por que não adotar o novo espaço, se apropriar do CIC e fazer valer o título de Centro Integrado de Cultura?