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Posts de abril 2015

Na leveza do groove, o trio carioca Azymuth abre o Jurerê Jazz

30 de abril de 2015 0
O trio carioca Azymuth faz o show de abertura do Jurerê Jazz (Foto: Charles Guerra)

Banda fundiu bossa nova, samba e jazz no Teatro Pedro Ivo (Foto: Charles Guerra)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

A julgar pela abertura do Jurerê Jazz, na quarta-feira, a quinta edição do festival vai entrar para a história. O show que o Azymuth cometeu no Teatro Pedro Ivo, em Florianópolis, lembrou por que a música brasileira é reverenciada pelo mundo: por causa do ritmo, da harmonia e, no caso do trio carioca, da excelência em fundir estilos como bossa nova, samba e jazz para formar uma massa compacta de groove e leveza.

Confira 13 destaques do Jurerê Jazz

O trio Azymuth comemora 40 anos em festival de Florianópolis

O baterista – e “mestre de cerimônia” – Mamão alternava viradas de dar inveja a muito roqueiro com sutis intervenções em que o volume das batidas era modulado apenas com a força empregada nas baquetas. Ivan Malheiros, no baixo, conduzia o balanço com segurança, provocando solavancos propositais com slaps esparsos. E Kiko Continentino, integrado há apenas quatro meses, transformou os teclados em uma usina de timbres, honrando o legado do falecido José Roberto Bertrami.

A banda comemorou 40 anos de carreira com clássicos como Voo Sobre o Horizonte, Faça de Conta, Partido Alto, Meditação (de Tom Jobim) e, lógico, Linha do Horizonte, que fechou a noite com o público cantando junto. O Jurerê Jazz continua hoje, com as bandas Rivo Trio e Brass Groove Brasil de graça às 17h e às 19h no Jurerê Open Shopping.

Kiss em Floripa: Deuses do rock existem e ainda são capazes do milagre da conversão

21 de abril de 2015 21

kiss5Foto: Marco Favero (Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

É provável que, para os integrantes do Kiss, o show desta segunda-feira (20) em Florianópolis tenha sido apenas mais um entre os quase 2500 já realizados pela banda desde 1973. Com certeza, para as milhares de pessoas (as estimativas iam de 8 mil a 12 mil) que lotaram o Devassa on Stage foi uma apresentação daquelas que irão se tornar cada vez maiores com o passar dos anos.

As duas maneiras totalmente opostas – uns que talvez não irão se lembrar, a não ser que tenham sofrido uma indisposição intestinal provocada por algum berbigão que não caiu bem; outros que não vão conseguir esquecer, salvo terem suas memórias apagadas pelo álcool – de encarar o mesmo evento resultaram em uma noite histórica, mágica e redentora.

:: Saiba como foi o pocket show exclusivo para 90 felizardos

:: Montagem do palco atrasa e fãs esperam debaixo de chuva

:: Galeria de imagens

Sim, a abertura dos portões atrasou mais de duas horas e a chuva deixou a espera ainda pior, além de borrar as maquiagens feitas com tanta dedicação pelos fãs. Não, não teve a estrutura completa, com a “aranha” metálica gigante com que a banda vem se apresentando em estádios, grande demais para o local. Ao contrário do divulgado pela produção, nem Gene Simmons nem Paul Stanley voaram sobre o público.

Mas só o fato de o Kiss estar estreando na cidade, escolhida para abrir a sétima turnê do grupo no país, bastou para superar quaisquer deficiências. Se a voz de Stanley já não tem mais a potência de outrora, aos 63 anos ele capricha na pronúncia de “Florianópolis” e fala sem parar entre as músicas. Simmons, 65, continua cuspindo sangue e fogo e mostrando sua língua sem freio.

O setlist se encarregou do resto, com duas horas de clássico atrás de clássico (arrepie-se com a lista abaixo). Quando se achava que o momento alto havia sido determinada música, vinha a seguinte e forçava uma reavaliação. I Love it Loud matou a pau! Não, War Machine! E Deuce, com o guitarrista Tommy Thayer juntando-se à coreografia de Simmons e Stanley? Uau, Calling Dr. Love! Lick it Up, inacreditável! Olha que baita vocal do batera Eric Singer em Black Diamond!

Na plateia, tiozinhos reencontravam-se com sua juventude, filhos descobriam porque os pais eram daquele jeito e todos erguiam os punhos no ritmo dos refrãos. O bis, gritando alto que foi feito para amar você com rock and roll a noite inteira, veio confirmar: em tempos de sertanejo, pagode e eletrônico, enquanto o Kiss existir um outro mundo sempre será possível.

Setlist:
– Detroit Rock City
– Creatures of the Night
– Psycho Circus
– I Love It Loud
– War Machine
– Do You Love Me?
– Deuce
– Hell or Hallelujah
– Calling Dr. Love
– Lick It Up
– God of Thunder
– Hide Your Heart
– Love Gun
– Black Diamond
BIS:
– Shout It Out Loud
– I Was Made For Lovin’ You
– Rock and Roll All Nite

Cabral descobriu o Brasil e o Brasil ainda não descobriu Di Melo

18 de abril de 2015 0
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O recifense mostrou dois lados de uma carreira de mais de 40 anos (Foto: Diórgenes Pandini)

Por Giuliano Bianco.

Nascido no dia 22 de abril, feriado de descobrimento do país verde-e-amarelo, Di Melo comemorou seu aniversário de 66 anos sexta-feira, 17, em sua primeira apresentação na Ilha. O pernambucano, com mais de 400 músicas inéditas – 100 delas gravadas – e dois livros escritos e “não lançados por falta de Senhor José do Patrocínio”, se imortalizou com as 12 faixas gravadas em 1975. Do set list do show em Floripa, metade era composta deste trabalho e a outra metade de um repertório ainda desconhecido, saído dos outros nove discos do artista.

 

Di Melo começou cantando, na ordem, as três primeiras músicas do disco que o imortalizou, feito em parceria com caras como Hermeto Pascoal e Heraldo do Monte. Com Kilariô, seguida de A Vida em Seus Métodos Diz Calma e Aceito Tudo, o recifense mostrou logo porque foi lembrado e descoberto pelo público jovem, mesmo depois de três décadas desaparecido da mídia, chegando a ser tido como morto. Até  ser “revivido” pelo documentário O Imorrível, alcunha convenientemente adotada por ele.

Segundo a produção do evento, 900 pessoas se apertaram em frente ao palco, cantando até o momento em que Di Melo revelou: estava ali comemorando seu aniversário. Então a lotação do Green Park Music Hall cantou Parabéns para Você e deu a devida atenção ao cara que sobreviveu de bicos e apresentações noturnas em bares de São Paulo, como o lendário Bar Jogral, onde compôs e cantou parte do álbum que o tornaria “imortal”. Atenção negada nos anos 70; devolvida, décadas depois, ao “bonitinho, quentinho, fofinho, cheirosinho e gostosinho” cantor, fazendo justiça ao quilate histórico do artista.

 

Depois da comemoração, ele começou a mostrar o que fez além de 1975, cantando músicas mais recentes – e românticas-, como Fator Temporal, Engano ou Castigo e Milagre. O público, uma maioria de jovens que não passava de 30 anos e nunca tinha ido ao Bar Jogral, não conseguiu acompanhar.

Mesmo com a presença de centenas de jovens dando o alvará para a “imortalidade” de Di Melo, para a importância do álbum que reuniu soul, funk, MPB e pitada de tango de uma maneira vanguardista. Ainda que seja inegável a importância daquele gordinho esbanjando swing & balanço em cima do palco. O público mostrou que não descobriu nada além do que pode ser encontrado facilmente no YouTube. Então ele cantou sozinho metade do repertório, mostrando que tem tanto trabalho a ser desbravado, quanto Cabral tinha ao descobrir o Brasil.

 

Set list
Kilariô
A Vida Em Seus Métodos Diz Calma
Aceito Tudo
Fator Temporal
Milagre
Minha Estrela
Se o Mundo Acabasse em Mel
Conformópolis
Engano ou Castigo
Barulho de Fafá
Navalha
Multicheiro
Kiprocô de Patrono
Pernalonga
Kilariô (BIS)

Público lota Green Park para ver show de Di Melo, lenda da soul music brasileira

18 de abril de 2015 0

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(Foto Marco Favero, Agência RBS)

Era quase 1h da manhã de sábado. A noite estava lindona – a chuva tinha dado uma brecha boa. Parte da Estrada da Joaquina ficou tomada de carros estacionados. O estacionamento do Green Park idem. E foi dali mesmo que Di Melo, uma lenda da soul music brasileira, surgiu. Passou pela entrada como o público, adentrou o pátio ao ar livre (abraçado pelas longevas árvores da Joaca, que fazem do Green Park um lugar especial), beijou uma artista que pintava quadros, cumprimentou aqueles que o reconheceram e subiu no palco.

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Largou logo Kilario, seu maior sucesso, e a malta pirou. Foi bonito de ver tanta gente prestigiando um cara das antigas, que despontou nos anos 1970, ficou esquecido por 20 anos e de repente voltou. Sem aquele papo gourmet de se reinventar, porque música boa – soul music seminal – é atemporal. Só fazer de novo, igual, e todo mundo vai dançar. E todo mundo dançou. Foi um calorão lá dentro, que a chuva fina de mais tarde serviu para refrescar.

Di Melo é figuraça. Fala pra caramba durante o show, declama poemas ou rimas, agradece a banda local que o acompanha e também o público. Dança, pinta e borda. À vontade. Vida longa ao Imorrível. 

Confira uma galeria de fotos do show

 

Iniciantes e veteranos dividem o mesmo palco no Floripa Tap 2015

11 de abril de 2015 0

 

Sansara Buriti

buritisansara@gmail.com

Começo dizendo que nunca tinha visto um espetáculo de sapateado. Sempre pensei nesse estilo de dança como algo tipicamente norte-americano, bonito nos filmes e na Broadway, mas muito distante da nossa cultura brasileira. Ontem (10), durante a noite de abertura da quinta edição do Floripa Tap – Encontro Internacional de Sapateadores, presenciei belos números de sapateado ao som de samba, maracatu, forró e baião, que comprovam que uma das virtudes da arte é justamente a capacidade de agregar, de misturar e ser universal.

Com música ao vivo, tocada pelos artistas Luiz Gustavo Zago, Rodrigo Paiva, Alexandre Damaria, Rafael Calegari e Pedro Loch, as performances com ritmos brasileiros ganharam ainda mais força e emoção. Mas boa parte do espetáculo foi ao som de música mecânica e, claro, ao som dos sapatos. Em alguns números achei a música um pouco alta, e isso acabou dificultando ouvir os passos dos dançarinos.

Com quase duas horas de duração, a abertura do evento começou com cara de apresentação de fim de ano de escola de dança: pais exaltados, aplaudindo fortemente os números de seus filhos iniciantes na dança.
Mas o show foi ganhando ritmo e o público pode conferir apresentações incríveis de veteranos como Lane Alexander.

O grupo Northwest Tap Connection, dos Estados Unidos, foi uma das boas surpresas. Extremamente bem ensaiados e com uma sincronia impressionante, arrancaram gritos e palmas de um CIC lotado.
As projeções de vídeo e a brincadeira com sombras na iluminação proporcionaram momentos interessantes.
Ao longo de 16 números, ficou evidente que para sapatear é preciso muita, muita prática, concentração e dedicação.
Lane Alexander, que já sabe muito bem o caminho, ensina:
- É preciso paixão, paciência e prática.

O Floripa Tap segue até domingo. A programação e informações estão no site: floripatap.com.br

Estilos contrastantes de Isabela Teixeira e Bruno Barbi se colidem e se completam em mostra no CIC

08 de abril de 2015 0
Exposição Entre o Retrato e o Abstrato, dos artistas Bruno Barbi e Isabela Teixeira (Foto: Cristiano Estrela)

O retrato de Bruno Barbi e o abstrato de Isabela Teixeira compõem a mesma pintura

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com


Dois artistas plásticos, dois estilos e dois públicos encontraram-se ontem à noite no Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis. Isabela Teixeira, arquiteta, ligada à moda por meio da grife UseArte. Bruno Barbi, também arquiteto, baixista da extinta banda The Dolls.

Juntos, atraíram fashionistas, roqueiros, intelectuais, publicitários, cineastas, agitadores culturais e demais profissões-que-não-exigem-diploma para a abertura da exposição Entre o Abstrato e o Retrato.

Fotos: Cristiano Estrela

– Eu estava com o espaço reservado para fazer uma individual, então convidei o Bruno para expor comigo, já que ele tem um estilo totalmente diferente do meu e queríamos trabalhar esse contraste – explica Isabela, que conheceu o parceiro de mostra quando ambos estudavam na Udesc.

Leia mais sobre a exposição

Nos 15 trabalhos dela, sobressaem as formas não definidas, que utilizam-se de diversas técnicas para denotar múltiplos significados. Nos 15 dele, predominam os negros pintados com traços fortes em tons pastéis.

As quatro telas que pintaram juntos acentuam – e conjugam – essas diferenças, valendo-se do melhor de cada um para produzir um resultado original. Até o final da mostra, no dia 21 de abril, a dupla vai preencher ainda uma tela de quatro metros no local.
Serviço

O quê: Exposição Entre o Abstrato e o Retrato

Onde: Espaço Lindolf Bell, no Centro Integrado de Cultura (CIC) (Avenida Governador Irineu Bornhausen, 5600, Agronômica, Florianópolis

Quando: abertura hoje, das 19h às 22h. Visitação: até 21/04/2015, de terça-feira a domingo, das 10h às 22h

Quanto: gratuito