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Novidade!

26 de outubro de 2015 0

Olá! Você pode acompanhar informações sobre cultura e entretenimento em Santa Catarina em: http://dc.clicrbs.com.br/sc/entretenimento.

Racionais em Floripa: confira uma galeria de fotos do show na madrugada deste sábado

08 de agosto de 2015 0

O relógio já marcava 2h45min desta sábado, quando os Racionais MC´s subiram ao palco do Music Park, em Jurerê, Florianópolis, para  o primeiro show em Santa Catarina da turnê de 25 anos dos ícones do rap nacional.

Uma massa de fãs apaixonados esperava ansiosa para cantar junto os hinos de Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue, Kl Jay, acompanhados do restante da família Racionais (os rappers nunca sobem ao palco sozinho)

O fotógrafo do DC Marco Favero fotografou o grupo durante as três primeiras músicas – período autorizado pela produção. Confira detalhes dos caras em ação em Florianópolis:

O fotógrafo Diorgenes Pandini também registrou o show e a galera curtindo os Racionais. Confira:

Racionais MC's em Florianópolis: cada vez mais Preto Zica do que Negro Drama

08 de agosto de 2015 5
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“Nas ruas da sul eles me chamam Brown/ Maldito, vagabundo, mente criminal” (Fotos Marco Fávero/Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

O bagulho continua louco, a parada podia ser mais forte e o processo foi lento, mas depois que bateu passou rapidinho. O show dos Racionais MC’s marcado para a noite de sexta (7) em Florianópolis começou no sábado, quase seis horas após a abertura do Devassa on Stage. Em 75 minutos a partir do single Mil Faces de um Homem Leal (Marighella), a banda deu seu trabalho por concluído.

Confira uma galeria de fotos do show

O público que lotava a casa ainda alimentou a expectativa de que Vida Loka (Parte 2), anunciada como a saideira, fosse somente a deixa para o bis. Apenas quando ficou claro que seria aquilo mesmo a rapaziada procurou as saídas, lá pelas quatro da manhã, dividida em relação ao que havia acabado de presenciar.

Edi Rock: “Quem de alma nua atua na sua mente/ Faz você achar que o azar é só mero presente”

Satisfeita por ter visto o maior nome do rap nacional ao vivo, mandando clássicos dos 25 anos de carreira como Negro Drama, Jesus Chorou ou Da Ponte pra Cá. Todas são do álbum duplo Nada Como um Dia Após o Outro Dia, de 2002, e tiveram suas letras cantadas verso a verso (e são muitos) pela plateia.

E frustrada com a brevidade do show, refletindo a curta duração do disco que dominou o set list, Cores e Valores. Apesar de – ou por – elevar a estética racional a outro patamar, com mais camadas de significados do que o simples papo reto, o trabalho lançado no ano passado não está sendo digerido facilmente pelos fãs.

Pelo menos, não pelos locais. Petardos com a força de Preto Zica, Você me Deve e Quanto Vale o Show perderam-se em meio à indiferença e a torcida para que a seguinte trouxesse outro hino conhecido. O som também não ajudou, uma maçaroca que tornava os vocais ininteligíveis e embolava todas as nuanças das bases.

Nas músicas mais antigas isso era contornado pelo coro da racinha. Nas novas, comprometeu, aumentando o desinteresse – principalmente nas partes comandadas pelos quatro rappers (Helião e Lino Crizz entre eles) que acompanham o grupo. É que o pessoal pagou e esperou para ouvir Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue e o DJ KL Jay, não eles nem os quatro DJs extras na bancada.

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Juntando com o gari mascarado (acima) que chacoalhou o tempo inteiro no palco, tinha momentos que eram 13 integrantes em cena a diluir o que já estava disperso. Os Racionais, tão zelosos de sua imagem de rua, pareciam aqueles artistas que ao crescer enchem o palco com backing vocais, naipe de metais, tecladeira e dançarinos.

A tendência é o lance se tornar cada vez mais produzido, “profissional”. O grupo montou produtora própria, a Boogie Naipe. O logotipo da empresa ocupou o telão do cenário durante a abertura com Lurdez da Luz e Karol Conka. Na medida do possível, as duas driblaram a impaciência reinante com rimas sob uma perspectiva feminina e batidões.

A marca foi trocada para a grande atração da noite. Quando restaram só os DJs e nada de Brown, Rock e Blue voltarem, a caveira que a substituiu permanecia lá no fundo, testemunhando a reação geral.

Público lota teatro Pedro Ivo para ver Z.É. (Zenas Emprovisadas)

26 de julho de 2015 0

Crédito: Marco Alonso/Divulgação. Espetaculo Z.E. - Zenas Emprovisadas.

Fernando Caruso, Marcelo Adnet, Gregorio Duvivier e Rafael Queiroga farão mais duas apresentações neste domingo em Florianópolis. Foto: Marco Alonso/Divulgação

Em Z.É. (Zenas Emprovisadas) tudo pode acontecer.  As surpresas começam já na entrada, onde o público recebe uma pequena ficha para preencher com sugestões de frases e palavras que servirão de base para  Gregorio Duvivier, Marcelo Adnet, Fernando Caruso e Rafael Queiroga criarem situações hilárias e surreais ao longo do espetáculo.

Futebol, festival de dança, gírias locais, internet, tudo vira elemento para uma piada rápida e certeira. Em cartaz desde 2003 e assistida por mais de 150 mil pessoas, Z.É. é uma peça de amigos que queriam estar juntos no palco para um show sem roteiro previsível e engessado.

 

Apresentação na noite de sábado (25), em Florianópolis.

Apresentação na noite de sábado (25), em Florianópolis.

Apresentação na noite de sábado (25) em Florianópolis.

Apresentação na noite de sábado (25) em Florianópolis.

- Quando comecei a fazer o Z.É, eu tinha 17 anos, estava iniciando a carreira. O barato dessa peça é que todos somos muito amigos, uma família, parece circo! Já apresentamos em praticamente todas as capitais brasileiras e cada vez é única – conta Gregorio, que em novembro volta à Capital catarinense com outro espetáculo de improviso, o Portátil, em que atua ao lado de João Vicente de Castro e Luis Lobianco (do Porta dos Fundos) e Marcio Ballas.

Além das ideias vindas do público, há sempre um diretor convidado, geralmente um comediante amigo do grupo, que coordena a maratona de improviso e sugere desafios (em Floripa o convidado é o ator Marcius Melhem, de Zorra Total e Tá no Ar).

A possibilidade de acompanhar ao vivo o processo criativo de um comediante, o surgimento de piada em poucos segundos, uma sacada excelente, outra mais ou menos, gera uma cumplicidade imediata. Em vários momentos é impossível não se colocar no lugar do humorista desafiado e pensar “caramba, como ele vai sair dessa?”.

A “maratona” acompanhada por cerca de 700 pessoas na noite de sábado (25), no Teatro Pedro Ivo,  foi aplaudida de pé. Com pouco mais de uma hora de duração, Zenas Emprovisadas encerrou com a plateia emitindo um sonoro “aaaahh” de quem queria mais.

Como a procura foi grande, mais uma sessão foi aberta no domingo às 18h. Quem quiser conferir deve se apressar, pois restam poucos ingressos. Antes das próximas apresentações, os artistas descansam em Jurerê Internacional,  onde estão hospedados.

 

Leia entrevista com Gregorio Duvivier falando sobre a peça

 Agende-se  

O quê: Z.É. (Zenas Emprovisadas)
Quando: Domingo, 26 de julho às 18h e às 20h
Onde: Teatro Gov. Pedro Ivo, Rodovia SC-401, Km 5, 4600 – Saco Grande,
Quanto: R$ 80 inteira / R$ 40 meia. Assinantes do DC têm desconto de 50% com cartão do Clube do Assinante. Ingressos à venda no Teatro Pedro Ivo.

 

Aula magna de Steve Vai no CIC teve mais filosofia do que guitarra – e foi sensacional

24 de junho de 2015 2
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(Fotos: Charles Guerra/Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

Da aula magna de um guitarrista com a fama de Steve Vai espera-se virtuosismo, técnica, habilidade. Teve tudo isso na noite de terça (23) no Teatro do CIC, em Florianópolis. Mas o que sobressaiu foram as palavras do americano. O magrão de 55 anos, considerado geniozinho desde os 19, quando foi tocar com – um de seus mestres – Frank Zappa, ensinou mais falando do que tocando. E o que falou, tocou.

A intenção de Vai era já estar dedilhando a guitarra à medida que os “alunos” fossem entrando, em um clima bem informal. Como ia demorar demais até a gentarada que lotou o lugar (900 assentos) se acomodar, o negócio começou solene como um show mesmo, como todo mundo devidamente sentado ovacionando o guitar hero. Ele exibiu sua destreza na Ibanez branca e, em seguida, abriu o microfone para a plateia fazer perguntas. História para explorar, tinha de sobra.

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Após sair da banda de Zappa, Vai lançou seu primeiro álbum, substituiu Yngwie Malmsteen no Alcatrazz, participou do PIL do ex-Sex Pistol John Lydon. Interpretou o demoníaco Jack Butler em Crossroads – A Encruzilhada, acompanhou o ex-Van Halen Dave Lee Roth, integrou o Whitesnake. Formou o G3 com Joe Satriani, dividiu o palco com orquestras, continuou gravando seus discos.

Para os manezinhos, havia ainda um assunto ligado à cidade: Vai irá se apresentar com a Camerata Florianópolis em setembro no Rock in Rio. Por mais específica que fosse a questão, porém, a resposta não raro se encaminhava para uma relação muito mais espiritual do que prática com a música.

“Aprenda a ouvir.”

“Deixe fluir o som através de você.”

“Você é o universo.”

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Adepto da meditação, Vai ilustrava sua filosofia com demonstrações de seu processo de criação – a melodia do hit supremo For the Love of God, por exemplo, foi inicialmente composta somente com a boca. Nem assim ele descambava para o exibicionismo estéril, entremeando solos com passagens bem-humoradas de como surgem suas ideias.
A pedidos, as duas horas de workshop terminaram com outro sucesso, Tender Surrender.

A escala catarinense da La Brazilian Clinic Tour 2015 – Alien Guitar Secrets Master Class, promovida pela Escola de Música Rafael Bastos, prosseguiu com Vai recebendo seis guitarristas locais para uma rápida jam session: Nando Brites, Cecília Cordeiro, Rafael Pfleger, Vicente Eastwood, Luciano Bilu e Chico Martins, do Dazaranha. Aplausos de pé para o homem, que ele merece.

Segundo a organização, Vai nunca havia se apresentado para tanta gente em uma única classe no país. Pode ser que os presentes – a maioria músicos ou aspirantes a tal – não tenham saído sabendo solar mais rápido ou como tirar determinado timbre. Mas todos aprenderam a, de alguma forma, se tornar pessoas melhores. Em respeito ao artista,
os celulares foram ligados apenas ao final da aula.


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REGALO
Steve Vai voltará para casa com uma lembrança de Florianópolis: uma caixa com placa em sua homenagem e pedal de guitarra (acima), oferecida pela promotora de sua vinda à cidade (clique para ampliar).

Saiba como foi a participação dos artistas de Florianópolis na Virada Cultural de São Paulo

21 de junho de 2015 0

Seis atrações de Florianópolis figuraram entre os 1500 shows realizados durante as 24 horas da Virada Cultural no final de semana em São Paulo. Cinco delas, graças à parceria entre o evento paulistano e os organizadores da Maratona Cultural manezinha: Bombardino no Choro, Califaliza, François Muleka, Trupe Toe e Brass Groove Band. Correndo por fora, o ERRO Grupo – a única que não estava nessa barca, ou melhor, no ônibus que partiu do antigo terminal urbano do centro ilhéu ao amanhecer levando os artistas até lá.

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ERRO Grupo (Fotos: Emerson Gasperin/Agência RBS)

A companhia de teatro abriu a participação catarinense com Geografia Inútil, a banda-espetáculo na qual a música é apenas um pretexto para suas loucuras. O coreto da Bovespa ficou pequeno para o esculacho armado pelos cinco integrantes, que saíram pela praça Antônio Prado apavorando quem em emcontravam pela frente. Neymar, super-heróis e passistas de escolas de samba foram alguns dos papéis representados, sempre deixando transparecer a provocação por trás do suposto nonsense. Quando o público conseguia se conectar com aquela bagunça toda, era uma maravilha. Quando não, restava o estupor.

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Bombardino no Choro

À meia-noite em ponto, Bombardino no Choro trouxe a situação de volta à normalidade, mostrando a proposta que carrega no nome: recuperar o protagonismo do instrumento (também chamado de eufônio, uma espécie de tuba menor) no gênero musical brasileiro. Para isso, o grupo adota o formato de regional (violão, cavaco, percussão e o famigerado bombardino) e investe em belas composições como Jacobiana (em homenagem ao papa do estilo Jacob do Bandolim) e Toda Dor. Não à toa, o eufonista Carlos Schmidt seria convidado mais tarde para exibir seu talento na roda de 91 músicos que se sucediam em um improviso previsto para durar até o término da Virada.

Califaliza

Califaliza

Duras horas depois, bastou o Califaliza passar o som para empolgar os transeuntes. A partir do momento em que se plugou para valer, a banda fez seu rock vigoroso ribombar pela fachada do prédio onde milhões em ações são negociados diariamente. Era a primeira vez do grupo em solo paulistano, mas parecia que estava na Célula. O vocalista Gui Coutinho chamou a noiva para cantar junto, mandou uma versão de Rita Lee (Luz del Fuego), dedicou música a Florianópolis (Cidadão do Caos), ensinou refrãos à turma. A Partir Daqui, Contra o Tempo e Ego finalizaram o show em ritmo energético, adequado para se aguentar o frio e o cansaço.

François Muleka

François Muleka

Literalmente em casa, o paulistano radicado na Ilha François Muleka foi na direção oposta, aquecendo com poesia e despertando com canções plácidas. Munido apenas de violão, o filho de congoleses ganhou o acompanhamento percussivo das palmas batidas por um bando de moleques em frente ao coreto – além dos estalinhos que ele faz com a boca. Suas risadas a cada intervalo mostravam sua surpresa com a receptividade, motivando-o a adiantar a faixa-título do próximo disco, Limbo da Cor, e a ampliar o bis reivindicado pela rapaziada. O “mais um” com Tapete Azul (de Alegre Corrêa) virou dois, três e só parou porque já eram quase cinco da madrugada.

Trupe Toe

Trupe Toe

Integrantes da Trupe Toe sapatearam no palco do Largo São Francisco, preparando o local para a Brass Groove Brasil, executar músicas que estarão no álbum a ser lançado até dezembro. Com o dia claro, a excelência instrumental da banda encantou os produtores da Virada, que cogitaram carregá-la para uma canja em outro dos inúmeros palcos do evento. Faltou tempo para isso, pois já eram 9h da manhã e o ônibus que levaria a raça de volta para casa partiria às 11h30. Na hora marcada, todos estava prontos para embarcar, extenuados, satisfeitos e com a certeza de que deixaram uma ótima impressão.

Brass Groove Band (Carla Lins, Divulgação)

Brass Groove Band (Carla Lins, Divulgação)

Cinema do Mercosul é destaque em Florianópolis

20 de junho de 2015 0

Sansara Buriti, especial
buritisansara@gmail.com

Diante de uma plateia muito bem agasalhada com casacos, gorros e cachecóis – na rua os termômetros variavam entre 11 e 12 graus ­–, surge na tela o sol inclemente e a paisagem seca do sertão. Em um vilarejo esquecido pelo tempo, três mulheres vivem histórias de amor e desejo no primeiro longa-metragem do pernambucano Camilo Cavalcanti. A História da Eternidade abriu a programação do 19º Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM) no Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Santa Catarina, na noite de sexta-feira (19).

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Camilo Cavalcanti apresentando o filme A História da Eternidade. (Foto: Daniel Guilhamet)

Vencedor dos cinco principais prêmios do Festival de Paulínia no ano passado ( melhor filme, diretor, ator (Irandhir Santos), atriz (dividido entre Marcélia Cartaxo, Débora Ingrid e Zezita Matos), o filme foi recebido com aplausos e comentários sobre a bela e impactante fotografia de Beto Martins.

Para quem perdeu a abertura, a boa notícia é que mais 49 filmes serão exibidos gratuitamente até 26 de junho.

Produções de oito países (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai e Uruguai) apresentam um panorama diverso do que está sendo produzido atualmente na América do Sul, mas muitas vezes fica fora do circuito comercial de cinema.

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A expectativa é receber 20 mil pessoas nesta edição. (Foto: Tim Gerlach)

– Queremos oferecer mais do que entretenimento. O FAM é um espaço para o cinema de arte, cinema que propõe reflexão – destacou a diretora de mostras do festival, Marilha Naccari, durante a cerimônia de abertura.

Embora tenha 19 anos de estrada, o FAM, assim como outros grandes eventos culturais da cidade, ainda enfrenta dificuldades para ser viabilizado. Este ano a indefinição do valor e data de repasse da verba aprovado pelo governo do Estado fez com que a programação fosse reduzida. Dois dias antes do festival começar o repasse de R$300 mil reais ainda não estava oficialmente autorizado.

– A gente trabalha sem saber se vai conseguir fazer o festival – disse o coordenador geral, Antônio Celso dos Santos.

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Antonio Celso dos Santos, idealizador do festival, fala dos desafios de produzir o evento. (Foto: Daniel Guilhamet)

Apesar dos impasses, mais uma edição do FAM chega ao público. E é bonito ver como ele agrega tanta gente diferente. Cineastas, estudantes, gente que conhece o festival há anos, gente que vai pela primeira vez. Para quem reclama da falta de opções culturais na cidade, vale sair da frente do Netflix e conferir a programação.

No sábado, às 16h30, o documentário catarinense Desculpe Pelo Transtorno – A História do Bar do Chico, traz a história de um pescador cujo pequeno bar à beira-mar tornou-se o “marco zero” na batalha de uma comunidade contra o desenvolvimento desenfreado da região.

Às 18h30, os músicos Jean Mafra e Felipe Melo se apresentam no hall de entrada do festival. A partir das 19h é a vez da Mostra de Curtas Mercosul. O filme colombiano Los Hongos encerra a noite de sábado, às 21h, com a história de um jovem grafiteiro que não consegue dormir.

No domingo, às 21h, a última produção realizada pelo cineasta Penna Filho, que morreu em abril deste ano, poderá ser conferida pela primeira vez. Das Profundezas aborda a trajetória de uma família de trabalhadores das minas de carvão no sul do Estado, entre 1964 e 1987, com o envolvimento na resistência à ditadura militar e numa greve histórica para o movimento operário.

Agende-se:

O quê: FAM (Florianópolis Audiovisual Mercosul)
Quando: 19 a 26 de junho
Onde: Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Santa Catarina, Campus Trindade.
Quanto: gratuito

Confira a programação completa no site famdetodos.com.br

 

 

Acústico Brognoli 2015: de Skrotes a Bichos Escrotos

15 de junho de 2015 4
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O titã Paulo Miklos e o guitarrista Luiz Carlini foram as principais atrações do espetáculo (fotos: Diorgenes Pandini (Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

O Acústico Brognoli 2015 fez o teatro do Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis, lotar em uma noite chuvosa e fria de domingo (14) para um show de rock. Com o titã Paulo Miklos e o guitarrista Luiz Carlini como atrações principais, o gênero –  um pouco mais velho do que a sexagenária empresa promotora – foi o grande homenageado em duas horas de espetáculo. Que, de acústico, só teve o nome.

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A celebração começou com os Skrotes (acima) subvertendo todos os clichês roqueiros. Nem guitarra – o maior símbolo do estilo – o trio tem! Mas tem atitude para encarar 900 pessoas prontas para escutar Satisfaction (ou algum outro lugar-comum) com inclassificáveis passagens instrumentais. Chico Abreu (baixo elétrico), Igor de Patta (teclado) e Guilherme Ledoux (bateria) serviram um coquetel de jazz, metal, bossa nova, reggae e sabe-se lá mais o quê, sem facilitar. Mesmo quando forneceram a base para o guitarrista Juliano Diniz, entortaram bonito as versões de Stevie Wonder e Iron Maiden.

A vocalista do grupo Faraway, Mércia Maruk, tratou de trazer as coisas para um terreno mais familiar à plateia, interpretando Mercedes Benz (Janis Joplin) à capela e Velha Roupa Colorida (Elis Regina) acompanhada apenas pelo piano. Grego, da banda DasAntigas, continuou na onda com Stairway to Heaven (Led Zeppelin) e Love of My Life (Queen), até que as guitarras finalmente apareceram.

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Primeiro com André Seben (ex-Os Chefes) e Marcel Coelho (Tribuzana), da formação que iria permanecer no palco até o final, completada por Adauto Charnesky (baixo, Dazaranha), Sérgio Negrão (vocais, Quarteto Banho de Lua) e Adriano Barvik (bateria). Em seguida, com o primeiro medalhão da noite, Luiz Carlini. Após executar o tema Sleep Walk (clássico da surf music gravado em 1959 por Santo & Johnny) sentado, deslizando os dedos sobre as cordas com a técnica slide, ele abriu o baú de histórias.

Contou que conheceu a cidade em 1972 cruzando a ponte Hercílio Luz de ônibus com Rita Lee a a banda Tutti Frutti, que já produziu dois discos do Dazaranha e que iria tocar uma música dos Mutantes que viu sendo composta. Era Ando Meio Desligado, com direito a citação de Do it Again (Steely Dan). Da antiga parceria, vieram Ovelha Negra, Jardins da Babilônia e Agora Só Falta Você, culminando com Rock Das Aranhas (Raul Seixas). Conclusão: como vocalista, Carlini é um excelente guitarrista.

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A cortina se abriu pela última vez para a entrada de Paulo Miklos com Sonífera Ilha. Negrão tentou ensiná-lo uma versão alternativa da letra – “sonhei ver a ilha” –, mas o titã não captou, de tão elétrico que estava. Simpaticão, sem parar um minuto, convidou todos para engrossar o coro em Pra Dizer Adeus, Diversão e É Preciso Saber Viver.

No encerramento, com Carlini de volta em Bichos Escrotos, causou certo desconforto em ouvidos bairristas ao bradar “porque aqui em Florianópolis só bicho escroto é o que vai ter”, imediatamente absolvido por botar o CIC inteiro para gritar “vão se f*”. Tanto que o público não arredou pé enquanto não voltaram para o bis, com mais um Raul, Aluga-se. Missão cumprida.

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O par de botas animal print usado por Luiz Carlini chamou a atenção de todo mundo, mas o único que teve autoridade para tocar no assunto foi Paulo Miklos. Ao ver o colega ajeitando os pedais da guitarra com o tal calçado, o titã não se conteve e tirou um sarro: “Mas você vai tocar com isso?”

Minha crítica de haole ao show do The Dolls

29 de maio de 2015 0
Os manés do underground curtindo a volta do quarteto (Fotos: Diórgenes Pandini)

Os manés do underground curtindo a volta do quarteto (Fotos: Diórgenes Pandini)

Na tentativa de voltar à ativa, depois de 10 anos fora do circuito, a banda The Dolls tocou nesta quinta (28) para os nostálgicos do underground manezinho da Ilha. Fui ao Blues Velvet – a “casa da paquera” de Florianópolis – ver o revival e me impressionei com a produção. Ou melhor, com a falta dela: em boa parte do show, por exemplo, o microfone do vocalista Asdra Martin simplesmente não funcionou, deixando o cara puto a ponto de, no fim da apresentação, jogá-lo no chão várias e várias vezes.

Nunca fui fã de punk rock, mas aqueles quatro – Asdra Martin (vocal), Bruno Barbi (baixo), Domingos Longo (guitarra) e Xando Passold (bateria) – me deram a noção do por quê, uma década atrás, essa anarquia musical levou tantos moleques para o underground ilhéu. Basicamente, é um som raivoso embalando uma galera ainda mais raivosa. Acabou sobrando até pro meu brother fotógrafo. Após disparar inúmeros flashes na cara de cada um, tomou umas baquetadas e uns “vai se f…!”. No fim, fizeram as pazes e ficaram “de bem”.

 

Enfim, apesar do aparente fiasco, o público curtiu, e muito. As testemunhas tietaram e cantaram junto (compensando as falhas do microfone) o show inteiro, dando uma baita moral para os feras. Um cara até me disse que a música Junky Doll era um hino da época. “Muita gente veio me dizer que achou animal, legal e tal. Mas a gente pode fazer bem melhor, a gente tem convicção disso!”, publicou mais tarde Domingos no Facebook, ameaçando que “o próximo vai ser BEM melhor!”.

 

Nascido no interior de São Paulo e haole em Florianópolis há reles cinco anos, nunca vi uma raça curtir tanto um show tão zoado. Na região campestre de onde venho, essas coisas não acontecem. Fiquei de cara com a tosquice & loucura que foi o show do The Dolls. Talvez até apareça no próximo.

Jurerê Jazz: Baile cubano do Buena Vista Social Club faz poltronas do CIC tornarem-se inúteis

19 de maio de 2015 8
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Aguaje, Barbarito e Papi Oviedo (sentados): nostalgia sem espaço para a tristeza (fotos: Marco Fávero/Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

Principal atração da quinta edição do Jurerê Jazz, o Buena Vista Social Club encerrou o festival com um show que só não transformou o Teatro do CIC em um salão de baile cubano porque as cadeiras impediram. Ao contrário de um certo clima melancólico que permeia mesmo as músicas mais ligeiras de seu único disco de estúdio (gravado em 1987), ao vivo o grupo emana uma vibração que acaba contagiando inclusive os momentos mais intimistas da apresentação em Florianópolis.

O frisson que a orquestra provoca pôde ser sentido já na abertura, com o palco ocupado somente pelo jovem pianista Rolando Luna executando Como Siento Yo. O tema, lento e instrumental, aumentou a expectativa para a entrada dos señores. Jesus “Aguaje” Ramos, 64 anos, trombone de vara, regendo o espetáculo. Gilberto “Papi” Oviedo,78, guitarra, e Barbarito Torres, 59, alaúde, sentadinhos. Manuel “Guajiro” Mirabal, 82, trumpete, engrossando o naipe de metais. Que figuras!

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Completado por três percussionistas (timbaus, congas e bongô), dois trompetistas, um baixista e os vocalistas Carlos Calunga e Idania Valdés, esse time levou a primeira parte do show portando-se, como era de se esperar, mais como uma banda tributo ao Buena Vista Social Club. Orlando “Cachaíto” Lopez (1933-2009), Ibrahim Ferrer (1927-2005) e Manuel Galbán (1931-2011) foram lembrados em vídeo enquanto Tumbao, Bruca Manigua e Marieta Lute evitavam que a saudade se transformasse em tristeza.

A situação muda quando aparece Omara Portuondo (com os fotógrafos proibidos de trabalhar). Aos 84 anos, “a mais bonita, a mais sexy”, conforme saudada por Ramos, locomove-se com dificuldade – até se esquecer de sua condição e virar dona do negócio. A grande dama da música cubana botou para quebrar.Em No Me Llores e Quizas Quizas Quizas, puxou palmas, levantou Papi para solar, insinuou passinhos de dança, pediu para o povo ficar de pé. Em Veinte Años e Besame Mucho, descansou soltando o vozeirão ao piano de Rolando.

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Omara deixou o palco para um dos maiores hits do grupo, Chan Chan, exibir imagens de Compay Segundo (1907-2003). Alguém estende uma bandeira de Cuba na beirada do palco. Antes do coxinha que pagou 450 paus pensar em protestar contra a “invasão comunista”, El Quarto de Tula recorda Pío Levya (1917-2006) e ameaça fechar a noite. No bis, com Omara novamente, Dos Gardenias e Candela reforçam a inutilidade das poltronas. Calunga e Barbarito ainda desviam do caminho do camarim para autografar a bandeira.

Tanto faz que ficou faltando Rubén González (1919-2003) no rol dos homenageados – segundo o setlist, o pianista seria invocado na primeira música (não rolou). Ou que, dos 14 em cena, apenas Barbarito, Mirabal e Omara restaram da formação original. Dizem que esta será a última turnê dos cubanos. Quem viu, viu; quem não viu, babau. Mas a despedida periga ser adiada: eles nem haviam se apresentado em Florianópolis e mais dois shows foram anunciadas pela organização do Jurerê Jazz para dezembro. Que isso se confirme sem mais ninguém no telão.