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Posts na categoria "Acústico Brognoli"

Acústico Brognoli 2015: de Skrotes a Bichos Escrotos

15 de junho de 2015 4
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O titã Paulo Miklos e o guitarrista Luiz Carlini foram as principais atrações do espetáculo (fotos: Diorgenes Pandini (Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

O Acústico Brognoli 2015 fez o teatro do Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis, lotar em uma noite chuvosa e fria de domingo (14) para um show de rock. Com o titã Paulo Miklos e o guitarrista Luiz Carlini como atrações principais, o gênero –  um pouco mais velho do que a sexagenária empresa promotora – foi o grande homenageado em duas horas de espetáculo. Que, de acústico, só teve o nome.

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A celebração começou com os Skrotes (acima) subvertendo todos os clichês roqueiros. Nem guitarra – o maior símbolo do estilo – o trio tem! Mas tem atitude para encarar 900 pessoas prontas para escutar Satisfaction (ou algum outro lugar-comum) com inclassificáveis passagens instrumentais. Chico Abreu (baixo elétrico), Igor de Patta (teclado) e Guilherme Ledoux (bateria) serviram um coquetel de jazz, metal, bossa nova, reggae e sabe-se lá mais o quê, sem facilitar. Mesmo quando forneceram a base para o guitarrista Juliano Diniz, entortaram bonito as versões de Stevie Wonder e Iron Maiden.

A vocalista do grupo Faraway, Mércia Maruk, tratou de trazer as coisas para um terreno mais familiar à plateia, interpretando Mercedes Benz (Janis Joplin) à capela e Velha Roupa Colorida (Elis Regina) acompanhada apenas pelo piano. Grego, da banda DasAntigas, continuou na onda com Stairway to Heaven (Led Zeppelin) e Love of My Life (Queen), até que as guitarras finalmente apareceram.

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Primeiro com André Seben (ex-Os Chefes) e Marcel Coelho (Tribuzana), da formação que iria permanecer no palco até o final, completada por Adauto Charnesky (baixo, Dazaranha), Sérgio Negrão (vocais, Quarteto Banho de Lua) e Adriano Barvik (bateria). Em seguida, com o primeiro medalhão da noite, Luiz Carlini. Após executar o tema Sleep Walk (clássico da surf music gravado em 1959 por Santo & Johnny) sentado, deslizando os dedos sobre as cordas com a técnica slide, ele abriu o baú de histórias.

Contou que conheceu a cidade em 1972 cruzando a ponte Hercílio Luz de ônibus com Rita Lee a a banda Tutti Frutti, que já produziu dois discos do Dazaranha e que iria tocar uma música dos Mutantes que viu sendo composta. Era Ando Meio Desligado, com direito a citação de Do it Again (Steely Dan). Da antiga parceria, vieram Ovelha Negra, Jardins da Babilônia e Agora Só Falta Você, culminando com Rock Das Aranhas (Raul Seixas). Conclusão: como vocalista, Carlini é um excelente guitarrista.

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A cortina se abriu pela última vez para a entrada de Paulo Miklos com Sonífera Ilha. Negrão tentou ensiná-lo uma versão alternativa da letra – “sonhei ver a ilha” –, mas o titã não captou, de tão elétrico que estava. Simpaticão, sem parar um minuto, convidou todos para engrossar o coro em Pra Dizer Adeus, Diversão e É Preciso Saber Viver.

No encerramento, com Carlini de volta em Bichos Escrotos, causou certo desconforto em ouvidos bairristas ao bradar “porque aqui em Florianópolis só bicho escroto é o que vai ter”, imediatamente absolvido por botar o CIC inteiro para gritar “vão se f*”. Tanto que o público não arredou pé enquanto não voltaram para o bis, com mais um Raul, Aluga-se. Missão cumprida.

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DETALHE
O par de botas animal print usado por Luiz Carlini chamou a atenção de todo mundo, mas o único que teve autoridade para tocar no assunto foi Paulo Miklos. Ao ver o colega ajeitando os pedais da guitarra com o tal calçado, o titã não se conteve e tirou um sarro: “Mas você vai tocar com isso?”

Renato Borghetti faz participação emocionante no Acústico Brognoli

26 de setembro de 2014 2

Por  Duda Hamilton (*)

Se na primeira noite a viagem pelo mundo da música do Acústico Brognoli foi surpreendente com Hermeto Pascoal, na segunda, os sons da banda instrumental estavam como a Seleção da Alemanha, passes certeiros, dribles intensos e muito vigor na execução das músicas. Ou seja, se Fernando Sulzbacher (violino); Pablo Greco (bandoneon); Tuco Marcondes (viola portuguesa e citara); Carlos Schmidt (bombardino e trombone); André FM (percussão), Alegre Corrêa (guitarra elétrica e arranjos); Arnou de Melo (baixo acústico e elétrico); Luis Gama, o Pelé (percussão), Mariano Siccardi (piano), Nicolas Malhome (percussão); Richard Montano (bateria) e Dudu Fileti (voz) e Emília Carmona (voz) fizeram na quarta-feira uma partida de campeonato, na quinta eles subiram ao palco para decidir a final.

Fotos: Cristiano Estrela / Agência RBS

Fotos: Cristiano Estrela / Agência RBS

Mais à vontade, numa sintonia fina, com uma forte pegada e boas improvisações e solos, esses talentosos instrumentistas mostraram a intensidade da música que se faz hoje em Florianópolis. Muitos deles não são daqui, mas vieram de diferentes partes do País e do Mundo para ancorar nesta Ilha de tons e sons, entre eles Guinha Ramires, Alegre Correa, Pablo Greco, Mariano Siccardi, Arnou de Melo.

Dividido em cinco atos, a primeira parte do espetáculo ficou muito bem costurada, com a entrada dos instrumentos aos poucos e com vozes gravadas anunciando a próxima viagem sonora. Pontos altos o arranjo de Guinha Ramires para Eleanor Rigby, dos Beatles, executada na citara com percussões, bateria, baixo, violão e guitarra; e o Ato 2 Fusion Rio da Plata, com clássicos do tango e da milonga e ainda a voz de Emília Carmona, que mandou bem no espanhol.

Bandoneonista Pablo Greco

Bandoneonista Pablo Greco

A segunda noite contou ainda com os convidados especiais, Renato Borghetti e Daniel Sá (violão), velhos conhecidos de Alegre Corrêa e Guinha Ramires, com quem lá na década de 1980 viajavam para se apresentar em festivais e shows pelo Rio Grande do Sul e também no exterior. E para não perder a oportunidade, o quarteto voltou a se reunir para executar Barra do Ribeiro, composição de Guinha Ramires, que Borghettinho não tira do repertório. Aqui, uma cumplicidade e um diálogo instrumental que só velhos amigos sabem interpretar. Depois, acompanhado do violão inconfundível de Daniel Sá, o homem da gaita de oito baixos abriu o fole em Sem Vergonha (Edson Dutra e Valdir Pinheiro); KM 11 (Tracito Coco Marola) e Redomona (Os Serranos).

Mais uma vez Borghetinho chama ao palco Alegre e, em trio – gaita, guitarra e violão – tocam Sétima do Pontal (Borghetti e Veco Marques), na próxima música Laçador, composição do guitarrista, Guinha volta ao palco para  uma conversa animada entre os quatro instrumentos.  O público, até então participante só com aplausos, resolveu acompanhar Dudu Fileti na canção Felicidade, de Lucipinio Rodrigues, numa improvisação que fez também Alegre Correa soltar a voz na tradicional música Luar do Sertão, de Gonzagão.

Fernando Sulzbacher, da banda Dazaranha

Fernando Sulzbacher, da banda Dazaranha

Se o vanerão, a milonga e a rancheira corriam soltas, o final foi com os 16 músicos no palco, numa execução inusitada do clássico chamamé Mercedita, de Ramón Rios, onde todos os instrumentos tiveram sua vez para o solo, num deleite sonoro de improvisações, que fez o público mais uma vez aplaudir sem parar. No outro bis e para fechar de forma afinada a 10ª edição do Acústico Brognoli, Milonga Missioneira.

Desenhado para se ouvir todos os sons do mundo, o Acústico Brognoli alcançou seu objetivo nas duas noites: fazer com que a música ali executada levasse o público a lugares incríveis, seja com um solo de guitarra, o som do bandoneon, da citara, da percussão… Parabéns ao produtor musical, Nani Lobo que soube formar o time de instrumentistas, às produtoras Eveline Orth e Nilva Camargo, e à Brognoli, que há 10 anos investe nesse evento, hoje referência no âmbito cultural da Ilha.

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Emília Carmona soltou a voz


Duda Hamilton é jornalista.  E-mail: duda.hamilton@gmail.com

 

Hermeto Pascoal desafia Fernando , violinista do Dazaranha

25 de setembro de 2014 0

Um dos momentos memoráveis da primeira noite do Acústico Brognoli 2014, que ocorreu quarta-feira no Teatro do CIC em Florianópolis, foi o dueto entre Hermeto Pascoal e  Fernando Sulzbacher, violinista do Dazaranha.

No final do show, quando os músicos já tinham deixado o palco,  Hermeto resolveu tocar “mais uma” e chamou Fernando para um desafio. (Aliás essa foi só uma das muitas vezes em que ele não deixou o espetáculo acabar. Em um momento chegou a dizer: “desculpe, produção, mas eu sou músico, vou tocar mais”)

“Cadê o violinista? Chama ele que eu quero tocar uma comigo ”

Hermeto no piano, Fernando no violino.  O desafio engrenou para um duo. Tudo no improviso. Nada combinado. E foi ovacionado pelo público.

Abaixo um vídeo de parte do momento. A imagem não está lá essas coisas. :(

Mas a acústico do teatro do CIC é tão boa que dá para sentir a virtuose dos músicos

 

Acústico Brognoli, um dos melhores shows do ano em Florianópolis

25 de setembro de 2014 2

Tem gente que explica a música com técnica e matemática. Mas não se pode negar que antes da métrica vem o sentido, antes das notas musicais vem o som e que para além dos sentidos está algo muito maior que somente a arte pode traduzir. Trazendo sons do mundo inteiro num espetáculo ousadíssimo e complexo na última quarta-feira no Teatro Ademir Rosa (CIC), a décima edição do Acústico Brognoli  foi um dos melhores shows do ano em Florianópolis. E nesta quinta-feira tem mais.

Fotos: MateoTroncoso / Divulgação

Fotos: Mateo Troncoso / Divulgação

Foram combinações improváveis de ritmos como cacumbi, afoxé, tango, chacarera, até canto indígena e batuque africano, tudo isso com uma pegada jazzística e muita, muita sofisticação. A partir do tema Sons do Mundo, o diretor musical Nani Lobo – que merece aplauso pela produção ousada –, junto com músicos como Alegre Corrêa e Guinha Ramires, montou uma banda universal que foi capaz  de desconstruir e construir gêneros musicais, borrar classificações e unificar a música por meio da emoção. Sabe aquela música que dá arrepios? Foi assim durante todo o show.

O Acústico Brognoli foi dividido em cinco atos temáticos e gravações antigas fizeram a ponte entre um bloco o e outro, dando ar bem contemporâneo. Destaque para a música Fortaleza, de Guinha Ramires, interpretada por toda a banda e com voz da cantora Emília Carmona. Guinha é um dos gênios da música instrumental de Santa Catarina, um músico especialmente humilde e tímido em contraponto à grandiosidade de sua obra.

O cantor Dudu Filetti fez participação singular no espetáculo. Soltou a bela voz usando-a como mais um instrumento. Fernando Sulzbacher, violinista da banda Dazaranha, também merece aplauso pela versatilidade com que tocou seu instrumento. Impossível não mencionar ainda os percussionistas André FM, Luís Gama e Nicolas Malhomme e o bandoneonista Pablo Greco.

Dois momentos grandiosos do show antes da apresentação de Hermeto Pascoal foram a interpretação de O Pequeno Cigano, belíssima composição de Alegre Corrêa (imagine flamenco com berimbau?!), e Eleanor Rigby (All the Lonely People), dos Beatles, numa versão tocada com Citar por Tuco Marcondes que lembrou a afinidade do grupo inglês com o músico indiano Ravi Shankar.

 

Hermeto Pascoal é,de  fato,um mago da música. E da Simpatia 

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Mas aí chegou a vez de Hermeto Pascoal. Além de um dos melhores shows do ano em Florianópolis, o Acústico Brognoli foi também um dos maiores, literalmente. Foram quase três horas de show e só parou porque praticamente foi preciso tirar o bruxo da música do palco do Ademir Rosa à força. Que energia para alguém com 78 anos!

Hermeto se apresentou com Aline Morena, sua parceira na vida e na música. Tinha um punhado de instrumentos ao seu dispor, de flauta, sax até bichinhos de pelúcia. “Meu primeiro som foi quando nasci”, explicou-se.

Seu carisma é tão comovente quanto sua genialidade como músico. Conversou com a plateia e a fez interagir, inclusive no palco: convidou voluntários a colocarem sapatos ou qualquer objeto no piano, só para experimentar um novo som.

Aline Moreira é também multi-instrumentista e surpreendeu com tamanha versatilidade. Só não fez tão bonito com a voz, talvez por ser aguda demais ou por cantar muito alto, e desafinou algumas vezes.

No quase-final, Hermeto convocou os músicos da terra para continuarem a festa da música universal no palco. Parecia não ter fim e o público se entusiasmou. Improvisou canção de Tom Jobim, desafiou Pablo Greco no bandoneon e ainda Fernando do Dazaranha no violino – que respondeu à altura.

Show único. E imperdível. Quinta-feira, ainda bem, tem mais.

Agende-se

O quê: Acústico Brognoli – Sons do Mundo,com Renato Borghetti
Quando: quinta, 21h
Onde: Teatro Ademir Rosa (CIC), em Florianópolis
Quanto: R$ 80 / R$ 40 (meia)

Carol Macário
caroline.macario@diario.com.br