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Racionais em Floripa: confira uma galeria de fotos do show na madrugada deste sábado

08 de agosto de 2015 0

O relógio já marcava 2h45min desta sábado, quando os Racionais MC´s subiram ao palco do Music Park, em Jurerê, Florianópolis, para  o primeiro show em Santa Catarina da turnê de 25 anos dos ícones do rap nacional.

Uma massa de fãs apaixonados esperava ansiosa para cantar junto os hinos de Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue, Kl Jay, acompanhados do restante da família Racionais (os rappers nunca sobem ao palco sozinho)

O fotógrafo do DC Marco Favero fotografou o grupo durante as três primeiras músicas – período autorizado pela produção. Confira detalhes dos caras em ação em Florianópolis:

O fotógrafo Diorgenes Pandini também registrou o show e a galera curtindo os Racionais. Confira:

Racionais MC's em Florianópolis: cada vez mais Preto Zica do que Negro Drama

08 de agosto de 2015 5
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“Nas ruas da sul eles me chamam Brown/ Maldito, vagabundo, mente criminal” (Fotos Marco Fávero/Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

O bagulho continua louco, a parada podia ser mais forte e o processo foi lento, mas depois que bateu passou rapidinho. O show dos Racionais MC’s marcado para a noite de sexta (7) em Florianópolis começou no sábado, quase seis horas após a abertura do Devassa on Stage. Em 75 minutos a partir do single Mil Faces de um Homem Leal (Marighella), a banda deu seu trabalho por concluído.

Confira uma galeria de fotos do show

O público que lotava a casa ainda alimentou a expectativa de que Vida Loka (Parte 2), anunciada como a saideira, fosse somente a deixa para o bis. Apenas quando ficou claro que seria aquilo mesmo a rapaziada procurou as saídas, lá pelas quatro da manhã, dividida em relação ao que havia acabado de presenciar.

Edi Rock: “Quem de alma nua atua na sua mente/ Faz você achar que o azar é só mero presente”

Satisfeita por ter visto o maior nome do rap nacional ao vivo, mandando clássicos dos 25 anos de carreira como Negro Drama, Jesus Chorou ou Da Ponte pra Cá. Todas são do álbum duplo Nada Como um Dia Após o Outro Dia, de 2002, e tiveram suas letras cantadas verso a verso (e são muitos) pela plateia.

E frustrada com a brevidade do show, refletindo a curta duração do disco que dominou o set list, Cores e Valores. Apesar de – ou por – elevar a estética racional a outro patamar, com mais camadas de significados do que o simples papo reto, o trabalho lançado no ano passado não está sendo digerido facilmente pelos fãs.

Pelo menos, não pelos locais. Petardos com a força de Preto Zica, Você me Deve e Quanto Vale o Show perderam-se em meio à indiferença e a torcida para que a seguinte trouxesse outro hino conhecido. O som também não ajudou, uma maçaroca que tornava os vocais ininteligíveis e embolava todas as nuanças das bases.

Nas músicas mais antigas isso era contornado pelo coro da racinha. Nas novas, comprometeu, aumentando o desinteresse – principalmente nas partes comandadas pelos quatro rappers (Helião e Lino Crizz entre eles) que acompanham o grupo. É que o pessoal pagou e esperou para ouvir Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue e o DJ KL Jay, não eles nem os quatro DJs extras na bancada.

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Juntando com o gari mascarado (acima) que chacoalhou o tempo inteiro no palco, tinha momentos que eram 13 integrantes em cena a diluir o que já estava disperso. Os Racionais, tão zelosos de sua imagem de rua, pareciam aqueles artistas que ao crescer enchem o palco com backing vocais, naipe de metais, tecladeira e dançarinos.

A tendência é o lance se tornar cada vez mais produzido, “profissional”. O grupo montou produtora própria, a Boogie Naipe. O logotipo da empresa ocupou o telão do cenário durante a abertura com Lurdez da Luz e Karol Conka. Na medida do possível, as duas driblaram a impaciência reinante com rimas sob uma perspectiva feminina e batidões.

A marca foi trocada para a grande atração da noite. Quando restaram só os DJs e nada de Brown, Rock e Blue voltarem, a caveira que a substituiu permanecia lá no fundo, testemunhando a reação geral.

Aula magna de Steve Vai no CIC teve mais filosofia do que guitarra – e foi sensacional

24 de junho de 2015 2
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(Fotos: Charles Guerra/Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

Da aula magna de um guitarrista com a fama de Steve Vai espera-se virtuosismo, técnica, habilidade. Teve tudo isso na noite de terça (23) no Teatro do CIC, em Florianópolis. Mas o que sobressaiu foram as palavras do americano. O magrão de 55 anos, considerado geniozinho desde os 19, quando foi tocar com – um de seus mestres – Frank Zappa, ensinou mais falando do que tocando. E o que falou, tocou.

A intenção de Vai era já estar dedilhando a guitarra à medida que os “alunos” fossem entrando, em um clima bem informal. Como ia demorar demais até a gentarada que lotou o lugar (900 assentos) se acomodar, o negócio começou solene como um show mesmo, como todo mundo devidamente sentado ovacionando o guitar hero. Ele exibiu sua destreza na Ibanez branca e, em seguida, abriu o microfone para a plateia fazer perguntas. História para explorar, tinha de sobra.

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Após sair da banda de Zappa, Vai lançou seu primeiro álbum, substituiu Yngwie Malmsteen no Alcatrazz, participou do PIL do ex-Sex Pistol John Lydon. Interpretou o demoníaco Jack Butler em Crossroads – A Encruzilhada, acompanhou o ex-Van Halen Dave Lee Roth, integrou o Whitesnake. Formou o G3 com Joe Satriani, dividiu o palco com orquestras, continuou gravando seus discos.

Para os manezinhos, havia ainda um assunto ligado à cidade: Vai irá se apresentar com a Camerata Florianópolis em setembro no Rock in Rio. Por mais específica que fosse a questão, porém, a resposta não raro se encaminhava para uma relação muito mais espiritual do que prática com a música.

“Aprenda a ouvir.”

“Deixe fluir o som através de você.”

“Você é o universo.”

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Adepto da meditação, Vai ilustrava sua filosofia com demonstrações de seu processo de criação – a melodia do hit supremo For the Love of God, por exemplo, foi inicialmente composta somente com a boca. Nem assim ele descambava para o exibicionismo estéril, entremeando solos com passagens bem-humoradas de como surgem suas ideias.
A pedidos, as duas horas de workshop terminaram com outro sucesso, Tender Surrender.

A escala catarinense da La Brazilian Clinic Tour 2015 – Alien Guitar Secrets Master Class, promovida pela Escola de Música Rafael Bastos, prosseguiu com Vai recebendo seis guitarristas locais para uma rápida jam session: Nando Brites, Cecília Cordeiro, Rafael Pfleger, Vicente Eastwood, Luciano Bilu e Chico Martins, do Dazaranha. Aplausos de pé para o homem, que ele merece.

Segundo a organização, Vai nunca havia se apresentado para tanta gente em uma única classe no país. Pode ser que os presentes – a maioria músicos ou aspirantes a tal – não tenham saído sabendo solar mais rápido ou como tirar determinado timbre. Mas todos aprenderam a, de alguma forma, se tornar pessoas melhores. Em respeito ao artista,
os celulares foram ligados apenas ao final da aula.


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REGALO
Steve Vai voltará para casa com uma lembrança de Florianópolis: uma caixa com placa em sua homenagem e pedal de guitarra (acima), oferecida pela promotora de sua vinda à cidade (clique para ampliar).

Saiba como foi a participação dos artistas de Florianópolis na Virada Cultural de São Paulo

21 de junho de 2015 0

Seis atrações de Florianópolis figuraram entre os 1500 shows realizados durante as 24 horas da Virada Cultural no final de semana em São Paulo. Cinco delas, graças à parceria entre o evento paulistano e os organizadores da Maratona Cultural manezinha: Bombardino no Choro, Califaliza, François Muleka, Trupe Toe e Brass Groove Band. Correndo por fora, o ERRO Grupo – a única que não estava nessa barca, ou melhor, no ônibus que partiu do antigo terminal urbano do centro ilhéu ao amanhecer levando os artistas até lá.

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ERRO Grupo (Fotos: Emerson Gasperin/Agência RBS)

A companhia de teatro abriu a participação catarinense com Geografia Inútil, a banda-espetáculo na qual a música é apenas um pretexto para suas loucuras. O coreto da Bovespa ficou pequeno para o esculacho armado pelos cinco integrantes, que saíram pela praça Antônio Prado apavorando quem em emcontravam pela frente. Neymar, super-heróis e passistas de escolas de samba foram alguns dos papéis representados, sempre deixando transparecer a provocação por trás do suposto nonsense. Quando o público conseguia se conectar com aquela bagunça toda, era uma maravilha. Quando não, restava o estupor.

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Bombardino no Choro

À meia-noite em ponto, Bombardino no Choro trouxe a situação de volta à normalidade, mostrando a proposta que carrega no nome: recuperar o protagonismo do instrumento (também chamado de eufônio, uma espécie de tuba menor) no gênero musical brasileiro. Para isso, o grupo adota o formato de regional (violão, cavaco, percussão e o famigerado bombardino) e investe em belas composições como Jacobiana (em homenagem ao papa do estilo Jacob do Bandolim) e Toda Dor. Não à toa, o eufonista Carlos Schmidt seria convidado mais tarde para exibir seu talento na roda de 91 músicos que se sucediam em um improviso previsto para durar até o término da Virada.

Califaliza

Califaliza

Duras horas depois, bastou o Califaliza passar o som para empolgar os transeuntes. A partir do momento em que se plugou para valer, a banda fez seu rock vigoroso ribombar pela fachada do prédio onde milhões em ações são negociados diariamente. Era a primeira vez do grupo em solo paulistano, mas parecia que estava na Célula. O vocalista Gui Coutinho chamou a noiva para cantar junto, mandou uma versão de Rita Lee (Luz del Fuego), dedicou música a Florianópolis (Cidadão do Caos), ensinou refrãos à turma. A Partir Daqui, Contra o Tempo e Ego finalizaram o show em ritmo energético, adequado para se aguentar o frio e o cansaço.

François Muleka

François Muleka

Literalmente em casa, o paulistano radicado na Ilha François Muleka foi na direção oposta, aquecendo com poesia e despertando com canções plácidas. Munido apenas de violão, o filho de congoleses ganhou o acompanhamento percussivo das palmas batidas por um bando de moleques em frente ao coreto – além dos estalinhos que ele faz com a boca. Suas risadas a cada intervalo mostravam sua surpresa com a receptividade, motivando-o a adiantar a faixa-título do próximo disco, Limbo da Cor, e a ampliar o bis reivindicado pela rapaziada. O “mais um” com Tapete Azul (de Alegre Corrêa) virou dois, três e só parou porque já eram quase cinco da madrugada.

Trupe Toe

Trupe Toe

Integrantes da Trupe Toe sapatearam no palco do Largo São Francisco, preparando o local para a Brass Groove Brasil, executar músicas que estarão no álbum a ser lançado até dezembro. Com o dia claro, a excelência instrumental da banda encantou os produtores da Virada, que cogitaram carregá-la para uma canja em outro dos inúmeros palcos do evento. Faltou tempo para isso, pois já eram 9h da manhã e o ônibus que levaria a raça de volta para casa partiria às 11h30. Na hora marcada, todos estava prontos para embarcar, extenuados, satisfeitos e com a certeza de que deixaram uma ótima impressão.

Brass Groove Band (Carla Lins, Divulgação)

Brass Groove Band (Carla Lins, Divulgação)

Acústico Brognoli 2015: de Skrotes a Bichos Escrotos

15 de junho de 2015 4
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O titã Paulo Miklos e o guitarrista Luiz Carlini foram as principais atrações do espetáculo (fotos: Diorgenes Pandini (Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

O Acústico Brognoli 2015 fez o teatro do Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis, lotar em uma noite chuvosa e fria de domingo (14) para um show de rock. Com o titã Paulo Miklos e o guitarrista Luiz Carlini como atrações principais, o gênero –  um pouco mais velho do que a sexagenária empresa promotora – foi o grande homenageado em duas horas de espetáculo. Que, de acústico, só teve o nome.

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A celebração começou com os Skrotes (acima) subvertendo todos os clichês roqueiros. Nem guitarra – o maior símbolo do estilo – o trio tem! Mas tem atitude para encarar 900 pessoas prontas para escutar Satisfaction (ou algum outro lugar-comum) com inclassificáveis passagens instrumentais. Chico Abreu (baixo elétrico), Igor de Patta (teclado) e Guilherme Ledoux (bateria) serviram um coquetel de jazz, metal, bossa nova, reggae e sabe-se lá mais o quê, sem facilitar. Mesmo quando forneceram a base para o guitarrista Juliano Diniz, entortaram bonito as versões de Stevie Wonder e Iron Maiden.

A vocalista do grupo Faraway, Mércia Maruk, tratou de trazer as coisas para um terreno mais familiar à plateia, interpretando Mercedes Benz (Janis Joplin) à capela e Velha Roupa Colorida (Elis Regina) acompanhada apenas pelo piano. Grego, da banda DasAntigas, continuou na onda com Stairway to Heaven (Led Zeppelin) e Love of My Life (Queen), até que as guitarras finalmente apareceram.

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Primeiro com André Seben (ex-Os Chefes) e Marcel Coelho (Tribuzana), da formação que iria permanecer no palco até o final, completada por Adauto Charnesky (baixo, Dazaranha), Sérgio Negrão (vocais, Quarteto Banho de Lua) e Adriano Barvik (bateria). Em seguida, com o primeiro medalhão da noite, Luiz Carlini. Após executar o tema Sleep Walk (clássico da surf music gravado em 1959 por Santo & Johnny) sentado, deslizando os dedos sobre as cordas com a técnica slide, ele abriu o baú de histórias.

Contou que conheceu a cidade em 1972 cruzando a ponte Hercílio Luz de ônibus com Rita Lee a a banda Tutti Frutti, que já produziu dois discos do Dazaranha e que iria tocar uma música dos Mutantes que viu sendo composta. Era Ando Meio Desligado, com direito a citação de Do it Again (Steely Dan). Da antiga parceria, vieram Ovelha Negra, Jardins da Babilônia e Agora Só Falta Você, culminando com Rock Das Aranhas (Raul Seixas). Conclusão: como vocalista, Carlini é um excelente guitarrista.

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A cortina se abriu pela última vez para a entrada de Paulo Miklos com Sonífera Ilha. Negrão tentou ensiná-lo uma versão alternativa da letra – “sonhei ver a ilha” –, mas o titã não captou, de tão elétrico que estava. Simpaticão, sem parar um minuto, convidou todos para engrossar o coro em Pra Dizer Adeus, Diversão e É Preciso Saber Viver.

No encerramento, com Carlini de volta em Bichos Escrotos, causou certo desconforto em ouvidos bairristas ao bradar “porque aqui em Florianópolis só bicho escroto é o que vai ter”, imediatamente absolvido por botar o CIC inteiro para gritar “vão se f*”. Tanto que o público não arredou pé enquanto não voltaram para o bis, com mais um Raul, Aluga-se. Missão cumprida.

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DETALHE
O par de botas animal print usado por Luiz Carlini chamou a atenção de todo mundo, mas o único que teve autoridade para tocar no assunto foi Paulo Miklos. Ao ver o colega ajeitando os pedais da guitarra com o tal calçado, o titã não se conteve e tirou um sarro: “Mas você vai tocar com isso?”

Jurerê Jazz: Baile cubano do Buena Vista Social Club faz poltronas do CIC tornarem-se inúteis

19 de maio de 2015 8
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Aguaje, Barbarito e Papi Oviedo (sentados): nostalgia sem espaço para a tristeza (fotos: Marco Fávero/Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

Principal atração da quinta edição do Jurerê Jazz, o Buena Vista Social Club encerrou o festival com um show que só não transformou o Teatro do CIC em um salão de baile cubano porque as cadeiras impediram. Ao contrário de um certo clima melancólico que permeia mesmo as músicas mais ligeiras de seu único disco de estúdio (gravado em 1987), ao vivo o grupo emana uma vibração que acaba contagiando inclusive os momentos mais intimistas da apresentação em Florianópolis.

O frisson que a orquestra provoca pôde ser sentido já na abertura, com o palco ocupado somente pelo jovem pianista Rolando Luna executando Como Siento Yo. O tema, lento e instrumental, aumentou a expectativa para a entrada dos señores. Jesus “Aguaje” Ramos, 64 anos, trombone de vara, regendo o espetáculo. Gilberto “Papi” Oviedo,78, guitarra, e Barbarito Torres, 59, alaúde, sentadinhos. Manuel “Guajiro” Mirabal, 82, trumpete, engrossando o naipe de metais. Que figuras!

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Completado por três percussionistas (timbaus, congas e bongô), dois trompetistas, um baixista e os vocalistas Carlos Calunga e Idania Valdés, esse time levou a primeira parte do show portando-se, como era de se esperar, mais como uma banda tributo ao Buena Vista Social Club. Orlando “Cachaíto” Lopez (1933-2009), Ibrahim Ferrer (1927-2005) e Manuel Galbán (1931-2011) foram lembrados em vídeo enquanto Tumbao, Bruca Manigua e Marieta Lute evitavam que a saudade se transformasse em tristeza.

A situação muda quando aparece Omara Portuondo (com os fotógrafos proibidos de trabalhar). Aos 84 anos, “a mais bonita, a mais sexy”, conforme saudada por Ramos, locomove-se com dificuldade – até se esquecer de sua condição e virar dona do negócio. A grande dama da música cubana botou para quebrar.Em No Me Llores e Quizas Quizas Quizas, puxou palmas, levantou Papi para solar, insinuou passinhos de dança, pediu para o povo ficar de pé. Em Veinte Años e Besame Mucho, descansou soltando o vozeirão ao piano de Rolando.

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Omara deixou o palco para um dos maiores hits do grupo, Chan Chan, exibir imagens de Compay Segundo (1907-2003). Alguém estende uma bandeira de Cuba na beirada do palco. Antes do coxinha que pagou 450 paus pensar em protestar contra a “invasão comunista”, El Quarto de Tula recorda Pío Levya (1917-2006) e ameaça fechar a noite. No bis, com Omara novamente, Dos Gardenias e Candela reforçam a inutilidade das poltronas. Calunga e Barbarito ainda desviam do caminho do camarim para autografar a bandeira.

Tanto faz que ficou faltando Rubén González (1919-2003) no rol dos homenageados – segundo o setlist, o pianista seria invocado na primeira música (não rolou). Ou que, dos 14 em cena, apenas Barbarito, Mirabal e Omara restaram da formação original. Dizem que esta será a última turnê dos cubanos. Quem viu, viu; quem não viu, babau. Mas a despedida periga ser adiada: eles nem haviam se apresentado em Florianópolis e mais dois shows foram anunciadas pela organização do Jurerê Jazz para dezembro. Que isso se confirme sem mais ninguém no telão.

Jurerê Jazz: Simpatia e carisma de Madeleine Peyroux conquistam público no Teatro do CIC

17 de maio de 2015 0
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Simplicidade acentuou o requinte das canções (Foto: Diorgenes Pandini/Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

É comum chamar Madeleine Peyroux de diva. Atração do Jurerê Jazz neste sábado, no Teatro Ademir Rosa (CIC), em Florianópolis, a cantora americana mostrou que está mais para o oposto disso – pelo menos em relação à afetação e frescura que a designação pode sugerir. Despojada e simpática, ela brincou com as quase 900 pessoas que lotaram a casa, falou (e interpretou) em português e conquistou todo mundo com seu carisma.

Leia entrevista com Madeleine Peyroux

O cenário do show já dava uma ideia de simplicidade: um tapete, uma mesinha (com duas garrafas de água e uma folha com frases na língua local) e duas banquetas; uma para lady Peyroux; outra, para o guitarrista Jon Herington; com o baixista Barak Mori em pé logo atrás completando o trio. Formal estava era a plateia, sentada, de bico seco e em respeitoso silêncio. Mas a artista não demorou para quebrar o gelo e estabelecer uma empatia com o público.

colaA própria Madeleine tratou de debochar da imagem solene de tristeza que rotula sua obra. “Eu canto três tipos de música: canções de amor, blues (tristes) e canções de beber. Esta próxima música é perfeito para mim porque é todos os três de uma vez”, leu com sotaque gringo para introduzir Guilty, do grande Randy Newman. Quando na letra apareciam “whisky” e “cocaine”, lançava olhares marotos para as primeiras filas, arrancando risadas.

Sozinha no palco, somente com seu violão, ela honrou o sobrenome e entoou o clássico La Vie en Rose, acompanhado em francês insuspeito por parte da audiência. Com Herington e Mori já de volta, Madeleine homenageou o recém-falecido BB King em Got You on My Mind. Novamente com a ajuda da cola, anunciou Água de Beber (Tom Jobim) dizendo que “esta canção é meu entendimento poético favorito do amor. Ele diz que o amor é a água, e que nos estamos morrendo de sede”.

Foram também ovacionadas músicas de sua autoria, como Half the Perfect World, Don’t Wait Too Long ou Dance me to the End of Love. Contudo, nada superou os exatos 100 segundos de aplausos que a cantora recebeu ao encerrar a apresentação com Keep me in Your Heart. As palmas só cessaram com seu retorno para o bis com This is Heaven to me. Se isso é o céu para ela, para o público foi o paraíso.

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Setlist
Take This Chains | By Bye Love | Between the Bars | Tango Till They’re Sore | Guilty | Fun Out of Life | Half the Perfect World | Don’t Wait Too Long | La Vie en Rose | Trampin’ | Easy Come Easy Go | Got You on My Mind | More Time | Changing Those Changes | Água de Beber | Dance me to the End of Love | Careless Love | Keep me in Your Heart | BIS: This Is Heaven to me | J’ai Deux Amours | Walkin’ After Midnight/I’m All Right

Jurerê Jazz: A família inteira se divertiu de graça com o Blue Etílicos no Jurerê Open Shopping

10 de maio de 2015 1
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Todo mundo sentadinho para curtir a banda carioca (Fotos: Bruno Ropelato, Divulgação)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

O delta do Mississippi está a quase 9 mil quilômetros de distância, uísque nem pensar e my baby ficou em casa. Os clichês do blues não fizeram falta para umas 500 pessoas curtirem o Blues Etílicos neste sábado (9/5) no Jurerê Open Shopping, em Florianópolis. Rio por rio, o Papaquara passa ali pertinho (e tem a praia a duas quadras), todos os bares do calçadão vendiam cerveja e a família inteira se divertiu com o show gratuito da banda carioca na quinta edição do festival Jurerê Jazz.

Com 30 anos de estrada no lombo, o Blues Etílicos comportou-se de acordo com a ocasião: como se estivesse em happy hour. Afinal, eram apenas 19h. Com o gaitista Flávio Guimarães e o guitarrista Greg Wilson (EUA no passaporte, Rio de Janeiro no sotaque) revezando-se nos vocais, o quinteto sentiu-se à vontade para animar a plateia com músicas e histórias.

Confira entrevista com o gaitista, Flávio Guimarães

Quando anunciou Puro Malte entre um gole e outro de cerveja, Guimarães contou que a banda gosta tanto da gelada que já fabricou uma com seu nome para comercializar – “mas bebemos tudo” – e ensinou o refrão, uma ode às artesanais.Wilson (abaixo, à esq.) lembrou da primeira música do grupo a tocar na rádio, A Safra de 63, e explicou que todos haviam nascido naquele ano. No fundo, o baterista Pedro Strasser tirava sarro sinalizando que não.

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A guitarra de Otávio Rocha (acima) ensaiou levar o povo ao transe emulando um berimbau (berimblues?) no toque de capoeira que precede Dente de Ouro. A presença da música brasileira no som da banda também incrementou a versão de Coração Cristalino, de Alceu Valença. Na saideira, Cerveja confirmou a impressão de que o show poderia ter sido mais agitado sem as fileiras de cadeiras à frente do palco.

Segundo Jean Mafra, da produção do festival, chegou a ser cogitada a hipótese de deixar todo mundo em pé, não somente quem ocupasse as laterais ou se acomodasse lá atrás. Mas a intenção ao dispor de lugar para sentar era exatamente atrair um público que, em outras circunstâncias, talvez não se empolgasse para vir. Pois não só veio, como voltou para casa ainda a tempo de pegar a novela.

Criolo apresenta em Florianópolis show de Convoque Seu Buda

02 de maio de 2015 2

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O rapper Criolo passou por Florianópolis na noite de sexta-feira, com o show da turnê de seu terceiro álbum, Convoque Seu Buda, lançado em novembro do ano passado e que ainda não tinha passado por Santa Catarina. O show ocorreu no Lagoa Iate Clube (Lic), em Florianópolis, mesmo lugar da última apresentação (setembro de 2014) do rapper paulista em SC.

Em entrevista ao Anexo, Criolo fala do novo disco, dos Racionais, faz uma declaração de amor aos palcos e lembra o show do ano passado no LIC

Em uma hora e meia de puro espetáculo, Criolo mostrou-se ainda melhor. Um show bem resolvido, com um ótimo aparato de iluminação, construído a partir de Convoque Seu Buda, mas mesclando de maneira certeira hinos de Nó na Orelha(álbum de 2011 que o consagrou), como Não Existe Amor em SP e Subirusdoistiozin. Sons cantados em coro por um público apaixonado por seu ídolo, que chegava a gritar: “Criolo, Criolo, Criolo”, no intervalo entre uma música e outra. Aliás rapazes, as belas meninas – tinha mesmo muitas mulheres bonitas no show – e casais de namorado mostraram que são uma legião de fãs fiéis: também levaram no gogó as novas músicas do terceiro álbum – destaque para a explosão com Convoque Seu Buda, música que abriu o show. Cartão de Visita transformou o LIC num perfeito bailinho black. Côsa Linda.

Talvez a experiência, talvez a proximidade de Ivete Sangalo (o cantor viaja o Brasil ao lado da experiente musa baiana no Projeto Nívea Viva, que homenageia Tim Maia) tenham tornado Criolo ainda mais profissional. Ele está mais à vontade nas conversas, brincadeiras e interação com o público. Mantém seus momentos de transe, de showman – em que se entrega à musicalidade da sua superbanda, orquestrada pelos produtores Daniel Ganjaman, Marcelo Cabral e DJ DanDan - este eterno parceiro de Criolo, ainda nos tempos de Criolo Doido, antes de Nós na Orelha.

Segue com o tom profético de suas apresentações e discursos, proclamando “mais amor sempre” , evocando a “energia do universo” e lembrando que “todo mundo tem um lado bom”. É, sem dúvida, um cara de palco – capaz de colocar uma multidão para dançar, cantar e celebrar com ele (se você ainda não foi a um show de Criolo, meu amigo, sério, você está marcando). Mas está mais objetivo,, finalizando bem cada som e chamando o coro do público na hora certa.

Ficou a sensação de que o LIC, e sua vibe salão de formatura, é pouco estruturado para receber um artista no nível de Criolo. Ainda assim quem foi acordou neste sábado de alma lavada.

 

Na leveza do groove, o trio carioca Azymuth abre o Jurerê Jazz

30 de abril de 2015 0
O trio carioca Azymuth faz o show de abertura do Jurerê Jazz (Foto: Charles Guerra)

Banda fundiu bossa nova, samba e jazz no Teatro Pedro Ivo (Foto: Charles Guerra)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

A julgar pela abertura do Jurerê Jazz, na quarta-feira, a quinta edição do festival vai entrar para a história. O show que o Azymuth cometeu no Teatro Pedro Ivo, em Florianópolis, lembrou por que a música brasileira é reverenciada pelo mundo: por causa do ritmo, da harmonia e, no caso do trio carioca, da excelência em fundir estilos como bossa nova, samba e jazz para formar uma massa compacta de groove e leveza.

Confira 13 destaques do Jurerê Jazz

O trio Azymuth comemora 40 anos em festival de Florianópolis

O baterista – e “mestre de cerimônia” – Mamão alternava viradas de dar inveja a muito roqueiro com sutis intervenções em que o volume das batidas era modulado apenas com a força empregada nas baquetas. Ivan Malheiros, no baixo, conduzia o balanço com segurança, provocando solavancos propositais com slaps esparsos. E Kiko Continentino, integrado há apenas quatro meses, transformou os teclados em uma usina de timbres, honrando o legado do falecido José Roberto Bertrami.

A banda comemorou 40 anos de carreira com clássicos como Voo Sobre o Horizonte, Faça de Conta, Partido Alto, Meditação (de Tom Jobim) e, lógico, Linha do Horizonte, que fechou a noite com o público cantando junto. O Jurerê Jazz continua hoje, com as bandas Rivo Trio e Brass Groove Brasil de graça às 17h e às 19h no Jurerê Open Shopping.