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Posts na categoria "CIC"

Saiba como foi a inauguração do Café Matisse, no CIC, em Florianópolis

03 de março de 2015 2

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Cris Vieira, editora Anexo
cristina.vieira@diario.com.br

“Bem melhor do que um balcão com um vigilante para nos receber”. A observação do jornalista cultural Fifo Lima combinada a de outra colega, Adriana Krauss – “Não é o Matisse de antes, que era mais underground. Não é um bar. É outra proposta, uma cafeteria”  - arremata com precisão a atmosfera em torno do novo Café Matisse, inaugurado na noite de segunda-feira, no Centro Integrado de Cultura, em Florianópolis.

Saiba mais sobre a concessão

Obras do novo café começaram há um mês

Sobre a polêmica em torno da manutenção do nome – nas redes sociais, teve quem criticou a adoção de Matisse, já que remete o público a uma vivência que o novo café não irá recuperar -, Nadiesca Casarin, sócia-proprietária do Café, disse que depois de verificar que não havia registros em cartório do nome e de observar que Matisse era uma nomenclatura consolidada, optou-se por ele.

- Não é o mesmo Matisse. Mas é um café, é no CIC, tem ligação com cultura, pode receber uma noite de autógrafos ou uma atração cultural, ou seja, a gente quis resgatar uma história importante da cidade. Mais adiante temos a proposta de ter um bar e um palco – comentou Nadiesca.

Pouco depois, Filipe Mello, secretário de Cultura, Esporte e Turismo, confidenciou que está sendo estudado montar um palco logo atrás do bar, na rampa de acesso ao Teatro Ademir Rosa, para receber pequenos shows em dias que não tenha espetáculo no teatro.

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Acomodada onde ficava o “balcão de vigilantes”, no hall do CIC, a cafeteria vai funcionar a partir das 10h, com confortáveis 40 lugares (poltronas e mesas) e um aconchegante e longilíneo sofá de couro. No cardápio, poucos e bons: tapioca, crepes, carta de vinhos com rótulos da nossa serra e também franceses, espanhóis, argentinos e chilenos, além de cerveja Baden Baden (entre outras) e um bom número de opções de café. Atenção, amantes de doce, tem expresso com nutella! Os preços não são salgados, com um cafezinho custando a partir de R$ 3 e crepes em torno de vinte e poucos reais.

A “inauguração” poderia ter sido mais descolada, afinal é só um café num espaço cultural, mas teve um tom de cerimônia com discurso de Filipe, de Maria Teresinha Debatin, presidente da Fundação Catarinense de Cultura, e de Michel Becker, um dos sócios da Celeste Alimentos, empresa que venceu a licitação para instalação do novo Matisse. Não podemos ignorar, porém, que o bravo Luiz Zago arrebentando no piano, ali na entrada do CIC, foi uma escolha acertada e cool.

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No discurso, Filipe e Maria Teresinha ressaltaram que aquele era o pontapé inicial para um 2015 intenso na cultura. Um bom primeiro passo, de fato, é o Estado liderar o estreitamento do diálogo entre agentes culturais, poder público e empresariado interessado no setor para a convergência de ideias e ações que fomentem a cultura catarinense. Chamou atenção a pouca presença de agentes culturais na cerimônia.

Ter um café no CIC é bom. Dá vida ao lugar, que anda por demais às moscas, e este ano receberá eventos internacionais como a Bienal de Design e a exposição de Miró. Pode mesmo ser um espaço de encontro para boas e novas ideias à cultura. Por que não adotar o novo espaço, se apropriar do CIC e fazer valer o título de Centro Integrado de Cultura?

As cores de Eli Heil se apropriam do Masc, em Florianópolis

11 de dezembro de 2014 0

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Foram muitas selfies – muitas mesmo – de um público admirado e apaixonado pela obra dela. Eli Heil tirou todas as fotos, sempre atenciosa, sempre sorrindo e caminhando com a sua bengala por todos os corredores do Masc. A exposição Eli Heil 85 anos abriu na noite de quarta-feira, no Museu de Arte de Santa Catarina, no CIC. Lotou, como era esperado, de amantes de arte aficionados por conferir e reconhecer a obra de uma catarinenses reconhecida mundo afora.

“Explosão de cores e formas na obra de 60m da artista Eli Heil…. Inacreditável sua capacidade e intensidade de criação” comentou Simone Bobsin, a jornalista especializada em arquitetura e decoração.

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A mostra é a maior retrospectiva da artista de Palhoça, que acumula 52 anos de carreira. Estão expostas 180 obras, organizadas por décadas, passando pelos anos 1970, 1980, 1990 e 2000.

Leia mais sobre a exposição

As cores estão presentes em todas os corredores, independentemente das décadas, mas é interessante notar como os tons e a força das cores destoam de uma década pra outra. Na leva anos 90, há uma certa suavidade – pelo menos foi assim que sentiu esta leiga observadora. Nos anos 2000, o nu feminino e masculino fica mais evidente.

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Muitas das obras são inéditas para o público. Chamam atenção os painéis de grandes dimensões — dois de 22 metros e um de 32m de comprimento produzidos entre 2003 em 2008.

- Apesar de estar acostumada com exposições, fico emocionado. Tenho ficado muito em casa, então, é emocionante ver tanta gente, tanto carinho.

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A exposição fica até 22 de março em cartaz no Masc. Vale demais o passeio pelas cores de Eli.

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O quê: Exposição Eli Heil — 85 anos
Quando: hoje, às 19h30min (abertura). Visitação até 22 de março, de terça a sábado, das 10h às 20h30min. Domingos e feriados, das 10h às 19h30min
Onde: Museu de Arte de Santa Catarina (Av. Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica, Florianópolis)
Quanto: gratuito
Informações: (48) 3664-2630 e (48) 3664-2631

$em Vintén$ é produção local de alta qualidade dentro da programação do Isnard Azevedo

23 de outubro de 2014 0

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Fotos Festival Isnard Azevedo/ Divulgação

Uma das boas novas do Festival de Teatro Isnard Azevedo é a mostra paralela Circuito Universitário, que conta com 11 companhias da Udesc e três da UFSC. O ampliado espaço que a produção universitária tem no evento mostra a força da produção local e da pesquisa em teatro catarinense


Confira a programação completa do Festival


Pois na noite de quarta-feira vimos um Teatro Ademir Rosa lotado. A atração era convidada, mas não vinha de outro estado brasileiro (com todo o respeito as boas produções que tem passado pelo Festival). O CIC lotou para ver $em Vintén$, espetáculo do núcleo de teatro da Udesc (CEART/UDESC).

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A comédia musical é inspirada na Ópera dos Três Vinténs (1928), de Bertolt Brecht e Kurt Weill. O espetáculo é daqueles que não perdem a atualidade. O capitalismo, a corrupção e as relações de poder dão o tom da história, com prioridade para a corrupção - perceptível em gestos simples das relações humanas.

A adaptação de Diego di Medeiros é sagaz. Preserva a verve original, com breves e perspicazes sacadas atuais. Destaque para os cartazes que entram discretamente em cena e trazem mensagens como: “Cadê o RU?”, “Me Chama de Copa e Investe em Mim” e também sobre a graduação em dança da Udesc, o que arrancou risadas do público.
A trama se desenrola em torno do  bandido Macheath,  conhecido como Mac Navalha. Ele se casa escondido com Polly, filha de Peachum, um empresário local. Inconformado com o casamento da filha, Peachum planeja a prisão do genro e quer que ele seja condenado à forca. Subornado por Mac, o chefe de polícia Tiger Brown não pretende prender o bandido.

O figurino e maquiagem são impecáveis, assim como a banda ao vivo, que emociona em vários momentos. 

 

 

 

Festival Isnard Azevedo toma conta do Centro de Florianópolis e tem ótimos destaques na programação do final de semana

18 de outubro de 2014 0

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Fotos Charles Guerra (Agência RBS)

Texto Fifo Lima

Mesmo com a perspectiva de chuva, o público ficou concentrado na noite de ontem no Largo da Alfândega para acompanhar o cortejo teatral Subo para Esquecer o que de Baixo já não Consigo Ver, do grupo mineiro Carabina Cultural, que abriu o Floripa Teatro – 21º Festival Isnard Azevedo.  Os atores percorreram a Praça XV até o Largo da Catedral, acompanhados por espectadores que estavam nas ruas e nos prédios do centro da cidade.

Leia mais sobre o Isnard Azevedo

Com pouco mais de uma hora de duração, o espetáculo é envolvente e o público não fica alheio à caravana. Na peça, o grupo Carabina trabalha com o tradicional cortejo teatral, aliando elementos circenses a aparatos inovadores, unindo tecnologia, música e audiovisual, que incluiu projeções por todo o itinerário sobre pequenas telas sustentada pelos atores ou nas paredes dos prédios históricos do Centro.

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A direção é do dramaturgo e diretor teatral Carlos Canela, que é também diretor de cinema e tem pelo menos três curtas-metragens que se destacam por temas fantásticos ou de ficção científica. O espetáculo aborda de forma crítica alguns aspectos da histórica da humanidade, da barbárie à civilização, das guerras pela sobrevivência ao conflitos políticos e surgimento das religiões como ferramenta para harmonizar as relações humanas.

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DESTAQUES DO FIM DE SEMANA

No sábado e domingo, às 21 horas, a Cia dos Anjos Pornográficos, de São Paulo, apresenta a tragicomédia A História do Comunismo no Teatro Ademir Rosa no CIC.  Nos anos 1950, pouco antes da morte de Joseph Stálin, o diretor de um manicômio em Moscou convida um autor para escrever aos pacientes a história do comunismo e da revolução de 1917.

Às 19h30 de domingo, no Teatro Álvaro de Carvalho, o grupo N.A.F.T, de Florianópolis, encena Insólito. A peça narra a vida comum de um casal, tratando de forma cômica a existência humana como um absurdo e o distanciamento e a frieza na comunicação entre as pessoas.

A agenda do final de semana está repleta de peças teatrais para adultos e crianças e há espetáculos Teatro Pedro Ivo, Teatro Sesc Prainha, Casa das Máquinas na Lagoa da Conceição, Teatro da UFSC e nos parques municipais do Morro da Cruz e da Lagoa do Peri. Confira a programação completa em www.floripateatro.com.br.

Confira a programação completa do Festival

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Renato Borghetti faz participação emocionante no Acústico Brognoli

26 de setembro de 2014 2

Por  Duda Hamilton (*)

Se na primeira noite a viagem pelo mundo da música do Acústico Brognoli foi surpreendente com Hermeto Pascoal, na segunda, os sons da banda instrumental estavam como a Seleção da Alemanha, passes certeiros, dribles intensos e muito vigor na execução das músicas. Ou seja, se Fernando Sulzbacher (violino); Pablo Greco (bandoneon); Tuco Marcondes (viola portuguesa e citara); Carlos Schmidt (bombardino e trombone); André FM (percussão), Alegre Corrêa (guitarra elétrica e arranjos); Arnou de Melo (baixo acústico e elétrico); Luis Gama, o Pelé (percussão), Mariano Siccardi (piano), Nicolas Malhome (percussão); Richard Montano (bateria) e Dudu Fileti (voz) e Emília Carmona (voz) fizeram na quarta-feira uma partida de campeonato, na quinta eles subiram ao palco para decidir a final.

Fotos: Cristiano Estrela / Agência RBS

Fotos: Cristiano Estrela / Agência RBS

Mais à vontade, numa sintonia fina, com uma forte pegada e boas improvisações e solos, esses talentosos instrumentistas mostraram a intensidade da música que se faz hoje em Florianópolis. Muitos deles não são daqui, mas vieram de diferentes partes do País e do Mundo para ancorar nesta Ilha de tons e sons, entre eles Guinha Ramires, Alegre Correa, Pablo Greco, Mariano Siccardi, Arnou de Melo.

Dividido em cinco atos, a primeira parte do espetáculo ficou muito bem costurada, com a entrada dos instrumentos aos poucos e com vozes gravadas anunciando a próxima viagem sonora. Pontos altos o arranjo de Guinha Ramires para Eleanor Rigby, dos Beatles, executada na citara com percussões, bateria, baixo, violão e guitarra; e o Ato 2 Fusion Rio da Plata, com clássicos do tango e da milonga e ainda a voz de Emília Carmona, que mandou bem no espanhol.

Bandoneonista Pablo Greco

Bandoneonista Pablo Greco

A segunda noite contou ainda com os convidados especiais, Renato Borghetti e Daniel Sá (violão), velhos conhecidos de Alegre Corrêa e Guinha Ramires, com quem lá na década de 1980 viajavam para se apresentar em festivais e shows pelo Rio Grande do Sul e também no exterior. E para não perder a oportunidade, o quarteto voltou a se reunir para executar Barra do Ribeiro, composição de Guinha Ramires, que Borghettinho não tira do repertório. Aqui, uma cumplicidade e um diálogo instrumental que só velhos amigos sabem interpretar. Depois, acompanhado do violão inconfundível de Daniel Sá, o homem da gaita de oito baixos abriu o fole em Sem Vergonha (Edson Dutra e Valdir Pinheiro); KM 11 (Tracito Coco Marola) e Redomona (Os Serranos).

Mais uma vez Borghetinho chama ao palco Alegre e, em trio – gaita, guitarra e violão – tocam Sétima do Pontal (Borghetti e Veco Marques), na próxima música Laçador, composição do guitarrista, Guinha volta ao palco para  uma conversa animada entre os quatro instrumentos.  O público, até então participante só com aplausos, resolveu acompanhar Dudu Fileti na canção Felicidade, de Lucipinio Rodrigues, numa improvisação que fez também Alegre Correa soltar a voz na tradicional música Luar do Sertão, de Gonzagão.

Fernando Sulzbacher, da banda Dazaranha

Fernando Sulzbacher, da banda Dazaranha

Se o vanerão, a milonga e a rancheira corriam soltas, o final foi com os 16 músicos no palco, numa execução inusitada do clássico chamamé Mercedita, de Ramón Rios, onde todos os instrumentos tiveram sua vez para o solo, num deleite sonoro de improvisações, que fez o público mais uma vez aplaudir sem parar. No outro bis e para fechar de forma afinada a 10ª edição do Acústico Brognoli, Milonga Missioneira.

Desenhado para se ouvir todos os sons do mundo, o Acústico Brognoli alcançou seu objetivo nas duas noites: fazer com que a música ali executada levasse o público a lugares incríveis, seja com um solo de guitarra, o som do bandoneon, da citara, da percussão… Parabéns ao produtor musical, Nani Lobo que soube formar o time de instrumentistas, às produtoras Eveline Orth e Nilva Camargo, e à Brognoli, que há 10 anos investe nesse evento, hoje referência no âmbito cultural da Ilha.

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Emília Carmona soltou a voz


Duda Hamilton é jornalista.  E-mail: duda.hamilton@gmail.com

 

Ângela Maria por Ângela Maria

24 de setembro de 2014 0

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Fotos Cristiano Estrela (Agência RBS)

Por Ângela Bastos
angela.bastos@diario.com.br
Já fui em vários shows. Curti Rolling Stones, sambei com Zeca Pagodinho, aplaudi Ray Charles. Amerindiei com Mercedes Sosa, suspirei com Chico Buarque, romantizei com Roberto Carlos. Gostos, tempos e companhias diferentes me enfileiraram nessas e em muitas plateias. Mas o que nesta noite de 23 de setembro levou-me ao teatro do Centro Integrado de Cultura (CIC) foi uma razão que superou a admiração pelas personalíssimas vozes de Ângela Maria e Cauby Peixoto.

Sentei-me na poltrona 26, fila J, quase por uma questão afetiva. Eu queria conhecer de perto Ângela Maria, a cantora que serviu de inspiração para meu nome. A escolha foi de meu pai, fã conquistado na época de ouro do rádio. Também foi por meu pai que aprendi que Ângela Maria tinha olhos de sapoti, identificação dada por outro que meu pai admirava, o presidente Getúlio Vargas. Não lembro o que se passava na minha cabeça quando ouvia isso, pois nunca vi a tal frutinha meio amarronzada comum lá pelo Norte do país.

É verdade que naquela época eu não gostava do meu nome. Achava que não era coisa de criança. Achava que era nome de velha. Como se hoje, por exemplo, uma criança fosse registrada como Alcione. Nada contra a marrom, outra bela voz da música brasileira, mas sabe como é criança… Além de sempre ouvir a mesma pergunta:

– Por causa da cantora?

Sentia-me meio incomodada, principalmente na escola onde as professoras pareciam me usar para silenciar a classe:

Ângela Maria – costumavam dizer com olhar de interrogatório atrás dos óculos.

– Presente – respondia meio emburrada, quase sempre abrindo a lista de chamada por causa da letra A inicial.

Com o tempo isso mudou. Aprendi a gostar do meu nome, que carregava também o Maria de minha avó paterna e a combinação católica com o significado do “anjo de Maria”. Um pouco mais adiante, já aprendendo a gostar de música – e da boa música – comecei a achar interessante ter o nome da cantora que nas décadas de 1950 e 1960 era considerada uma diva.

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No show, me deixei levar por sua voz rara carregada de uma força interpretativa impressionante. Foi assim nos clássicos de carreira, como Gente Humilde e Ave Maria no Morro (Barracão de Zinco). Também em O Portão (Roberto Carlos), Nunca (Lupicínio Rodrigues) e Carinhoso (Pixinguinha).

Ângela Maria tem 65 anos de carreira e 85 de vida. Elegantemente usando um vestido longo em preto, branco e prata, passou todo o tempo cantando em pé, ao lado de Cauby, sentado em uma poltrona, e que com sua voz de barítono arrancava sequência de aplausos da plateia. Aliás, não poderia deixar de registrar que esse continua cantando di-vi-na-men-te.

Ângela Maria era gentil com o amigo e companheiro de palco desde a década 1960, com a cidade de Florianópolis ao elogiar suas belezas, com o público ao permitir-lhe cantar junto com ela.

De certa forma, gentil com essa outra Ângela Maria, eu.

Ao vir a Florianópolis para divulgar o disco Reencontro, em parceria com Cauby, permitiu-me um reencontro com a memória. Também com a arte dela. E com saudade de meu pai, a quem agradeço pelo nome dado.

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Série Canções reúne Camerata Florianópolis e músicos catarinenses no palco do CIC

04 de setembro de 2014 0

Fotos Guilherme MeneghelliL1009809

Na música não há combinação impossível, por mais improvável que determinadas junções possam soar à primeira vista. A noite de quarta-feira, no CIC de casa cheia, provou isso ao unir no mesmo palco o erudito e o popular. Vozes que representam a produção musical catarinense contemporânea tiveram a chance de apresentar suas composições no segundo encontro da série Canção ao lado da Camerata Florianópolis, sob a regência do maestro Jeferson Della Rocca.

O concerto teve direção musical e arranjos do pianista Luiz Carlos Zago e uma irretocável banda de apoio, que além dele contou com o baixista Rafael Calegari e o baterista Neto Fernandes.

Delicadeza, sensibilidade e encantamento para o público, mas também para os músicos que tiveram a oportunidade de ver suas canções lindamente executadas pela Camerata. Vozes doces e imponentes, temáticas variadas, números performáticos (com Tatiana Cobbett e Jean Mafra) e até um “momento We Are the World” com a interpretação em conjunto de Roteiro das Águas, de Daniel Lucena – um belo e relevante panorama do que vem sendo musicalmente produzido no Estado.

Entre os pontos altos, a apresentação de Aquela Canção, doce e singela música de Antonio Rossa. Balada indie-folk que ficou ainda mais bela com o arranjo de Zago. Confira o clipe da versão original, que também conta uma produção primorosa.

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Outro destaque da noite foi François Muleka com seu sorriso largo e figurino excentricamente elegante, que entrou no palco ovacionado pela plateia para interpretar duas de suas composições: Dois Ali se Amando Mesmo (vídeo abaixo) e Signo Chinês.


O repertório 

Acorda em Si
- Canção para Romy (Fernanda Rosa/Mateus Costa/Marcelo Mello)
- Samba de Bar (Fernanda Rosa/Mateus Costa)

Silvio Mansani
- Boa Pessoa (Silvio Mansani)
- Valsa para o Fim do Mundo (Rafael Calegari/Silvio Mansani)

Ive Luna
- O Vinil (Ive Luna)

Tatiana Cobbett e Marcoliva
- Taleban (Marcoliva / Tatiana Cobbett)
- Iraque (Marcoliva / Tatiana Cobbett)

João Amado
- Eu me Setembrei mas Tu não te Primaveras (João Amado)

Neno Miranda
- Nós Dois (Neno Miranda)

Jean Mafra
- Por Aí (Felipe Melo / Jean Mafra)

Antonio Rossa
- Aquela Canção (Felipe Melo / Antonio Rossa)

François Muleka
- Dois Ali se Amando Mesmo (François Muleka)
- Signo Chinês (François Muleka)

Luiz Meira
- Respeito É Bom (Luiz Meira / Tatiana Cobbett)

Todos
- Roteiro das Águas (Daniel Lucena)

Noite de Gala, do Prêmio Desterro, diverte mas não surpreende

21 de agosto de 2014 0

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Não lotou, mas um bom público - em sua maioria gente ligada ao universo da dança - esteve no teatro do CIC na noite de quarta-feira para a noite de gala do Prêmio Desterro, o festival de dança de Florianópolis que este ano sobe de patamar com uma mostra competitiva com mil bailarinos.

Eu não sou uma especialista em dança e escrevo aqui a partir do olhar de espectadora comum – que acompanha espetáculos de dança contemporânea com certa frequência por paixão pelo gênero. 3 Pontos, da Focus Cia. de Dança do Rio de Janeiro, é o nome do espetáculo, que reúne três peças: Um a Um, Pathways e Strong Strings, do coreógrafo e diretor Alex Neoral .

No total 57 minutos de dança contemporânea genuína, aquela que a gente espera mesmo ver, com um figurino básico (que poderia ser usado para ir ao supermercado, à academia ou a casa do vizinho), corpos atirados ao chão, movimentos que mostram que a dança é do cotidiano, faz parte do nosso dia a dia. Confesso que o início podia ter sido mais vibrante. A dança sem som deu uma certa preguiça e vi ao redor o público começar a se afundar nas poltronas.

Um a Um traz em sua essência a pesquisa de dois corpos que juntos geram novas possibilidades de movimento, dançado ao som de Sebastian Bach.

O melhor mesmo veio ao final com Strong Strings. A trilha é deliciosa: nova versão para clássicos do Nirvana. A coreografia é belíssima e divertida, quando os corpos sacolejam-se diante do rock contagiante da lendária banda americana. Aqui os oito bailarinos estão em boa parte do tempo no palco. Nas peças anteriores, os duos eram mais predominantes.

Por ser uma Noite de Gala, esperava mais da abertura do Desterro. Belo, mas não surpreendente. Agora que venha a mostra competitiva com grupos de Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Tocantins e Chile até o dia 24 de agosto.

Confira aqui a programação completa.

As modalidades passeiam pelo ballet clássico, de repertório, danças contemporâneas, danças de salão contemporâneas, danças de salão tradicionais, danças populares, danças urbanas, jazzes e sapateados.

Começa! Começa! Começa!!

19 de agosto de 2014 0

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Quando se vai a um espetáculo cujo principal público alvo é infantil, a expectativa é quase maior em perceber a reação das crianças que necessariamente com o que será apresentado no palco. Minutos antes da apresentação de O Homem que Amava Caixas (Artesanal Cia de Teatro, Rio de Janeiro) na terça (19) no Teatro Ademir Rosa, na Capital, crianças começaram a desembarcar aos montes dos ônibus e vans escolares estacionados em frente ao Centro Integrado de Cultura.

Elas se acomodaram ruidosamente e ocuparam praticamente todas as 700 poltronas do teatro, umas dormiam, mas aí as luzes se apagaram: “começa! Começa! Começa!” Nada como a espontaneidade das crianças.

O Homem que Amava Caixas é a singela história de um homem que não sabia como dizer ao filho que o amava. Sem diálogos, usando apenas manipulação direta de bonecos, máscara e atuação, a companhia carioca Artesanal dá vida aos personagens numa leitura comovente e plástica do texto do australiano Stephen Michael King.

O cenário simples destacou o figurino e expressão dos atores e bonecos.  Sem jeito para falar coisas de amor, o pai usa a habilidade em construir castelos e aviões com suas caixas para ficar próximo do filho.

Pode ser que nem todas as crianças, ainda tão jovens (outras sonolentas!), tenham compreendido de imediato a mensagem, mas alguma coisa ficará guardada no inconsciente: tanto faz a maneira, importante é compartilhar o amor que pai e filho têm um pelo outro.

>>> Programe-se para curtir o Fita Floripa 2014!

O Homem que Amava Caixas faz parte da programação do Festival Internacional de Teatro de Animação – Fita Floripa. Confira os espetáculos e a programação completa no Guia Cultural do Diário Catarinense – Guia + DC.

A velhice não é para os covardes

10 de agosto de 2014 0

Teresinha começa a relembrar dos tempos do onça, dos dias doces que ouvia Edith Piaf, lembra das galinhas, sabia de cada uma o nome, assim como o porco.Velho tem tanto tempo de sobra que faz dele um relicário.Teresinha é a personagem da atriz Maitê Proença na peça À Beira do Abismo me Cresceram Asas, um comovente espetáculo sobre a velhice que estreou no sábado (9) em Florianópolis, no Teatro Ademir Rosa (CIC), e terá mais uma apresentação neste domingo, às 19h.

Diálogos consistentes entre duas senhoras de 80 anos

Diálogos consistentes entre duas senhoras de 80 anos

Maitê divide o palco com a atriz e amiga de longa data Clarisse Derzié Luz. Elas dão vida a duas idosas que moram num asilo, as octogenárias Teresinha (Maitê) e a Valdina. Num cenário simples mas cheio de sutilezas, em poltronas confortáveis elas relembram a historia de toda uma vida em diálogos consistentes, com reflexões sobre o tempo e a solidão que levam o público do riso ao choro no intervalo de meio minuto.

_ Você que é jovem, aproveite (…). O tempo é traiçoeiro,quando a gente quer que passe rápido,se arrasta. E quando a gente precisa dele,já foi.

Destaque para a atuação de Clarisse Luz. Na dose certa ela adiciona ironia e arranca gargalhadas ao compartilhar certas verdades sobre o processo de morte do corpo, que já começa desde que nascemos mas se intensifica na medida que a idade avança – certas partes já não funcionam mais, as mãos perdem habilidade, a memória  fica pequena para uma vida tão grande a ser relembrada.

Elas falam de solidão, da saudade dos que já se foram e daqueles que ainda vivem, mas parecem terem se esquecido dos velhos – soco no estômago para filhos e netos desnaturados.

Fazem também um questionamento interessante: quando você olha para um idoso, o que você vê? É o avesso da velhice, elas respondem: “saiba que aqui dentro ainda está a mesma menina com asas nos pés e sonhos de amor,a mesma jovem determinada de 25 anos, a mulher forte dos 30.”

A velhice não é para os covardes!

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::: Agende-se!

Neste domingo o espetáculo estará em cartaz no Teatro Ademir Rosa, no CIC (Avenida Gov. Irineu Bornhausen, 5.600, Florianópolis), às 19h. Ingressos a R$ 80 /R$ 40 (meia).