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Racionais MC's em Florianópolis: cada vez mais Preto Zica do que Negro Drama

08 de agosto de 2015 5
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“Nas ruas da sul eles me chamam Brown/ Maldito, vagabundo, mente criminal” (Fotos Marco Fávero/Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

O bagulho continua louco, a parada podia ser mais forte e o processo foi lento, mas depois que bateu passou rapidinho. O show dos Racionais MC’s marcado para a noite de sexta (7) em Florianópolis começou no sábado, quase seis horas após a abertura do Devassa on Stage. Em 75 minutos a partir do single Mil Faces de um Homem Leal (Marighella), a banda deu seu trabalho por concluído.

Confira uma galeria de fotos do show

O público que lotava a casa ainda alimentou a expectativa de que Vida Loka (Parte 2), anunciada como a saideira, fosse somente a deixa para o bis. Apenas quando ficou claro que seria aquilo mesmo a rapaziada procurou as saídas, lá pelas quatro da manhã, dividida em relação ao que havia acabado de presenciar.

Edi Rock: “Quem de alma nua atua na sua mente/ Faz você achar que o azar é só mero presente”

Satisfeita por ter visto o maior nome do rap nacional ao vivo, mandando clássicos dos 25 anos de carreira como Negro Drama, Jesus Chorou ou Da Ponte pra Cá. Todas são do álbum duplo Nada Como um Dia Após o Outro Dia, de 2002, e tiveram suas letras cantadas verso a verso (e são muitos) pela plateia.

E frustrada com a brevidade do show, refletindo a curta duração do disco que dominou o set list, Cores e Valores. Apesar de – ou por – elevar a estética racional a outro patamar, com mais camadas de significados do que o simples papo reto, o trabalho lançado no ano passado não está sendo digerido facilmente pelos fãs.

Pelo menos, não pelos locais. Petardos com a força de Preto Zica, Você me Deve e Quanto Vale o Show perderam-se em meio à indiferença e a torcida para que a seguinte trouxesse outro hino conhecido. O som também não ajudou, uma maçaroca que tornava os vocais ininteligíveis e embolava todas as nuanças das bases.

Nas músicas mais antigas isso era contornado pelo coro da racinha. Nas novas, comprometeu, aumentando o desinteresse – principalmente nas partes comandadas pelos quatro rappers (Helião e Lino Crizz entre eles) que acompanham o grupo. É que o pessoal pagou e esperou para ouvir Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue e o DJ KL Jay, não eles nem os quatro DJs extras na bancada.

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Juntando com o gari mascarado (acima) que chacoalhou o tempo inteiro no palco, tinha momentos que eram 13 integrantes em cena a diluir o que já estava disperso. Os Racionais, tão zelosos de sua imagem de rua, pareciam aqueles artistas que ao crescer enchem o palco com backing vocais, naipe de metais, tecladeira e dançarinos.

A tendência é o lance se tornar cada vez mais produzido, “profissional”. O grupo montou produtora própria, a Boogie Naipe. O logotipo da empresa ocupou o telão do cenário durante a abertura com Lurdez da Luz e Karol Conka. Na medida do possível, as duas driblaram a impaciência reinante com rimas sob uma perspectiva feminina e batidões.

A marca foi trocada para a grande atração da noite. Quando restaram só os DJs e nada de Brown, Rock e Blue voltarem, a caveira que a substituiu permanecia lá no fundo, testemunhando a reação geral.

Jurerê Jazz: Baile cubano do Buena Vista Social Club faz poltronas do CIC tornarem-se inúteis

19 de maio de 2015 8
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Aguaje, Barbarito e Papi Oviedo (sentados): nostalgia sem espaço para a tristeza (fotos: Marco Fávero/Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

Principal atração da quinta edição do Jurerê Jazz, o Buena Vista Social Club encerrou o festival com um show que só não transformou o Teatro do CIC em um salão de baile cubano porque as cadeiras impediram. Ao contrário de um certo clima melancólico que permeia mesmo as músicas mais ligeiras de seu único disco de estúdio (gravado em 1987), ao vivo o grupo emana uma vibração que acaba contagiando inclusive os momentos mais intimistas da apresentação em Florianópolis.

O frisson que a orquestra provoca pôde ser sentido já na abertura, com o palco ocupado somente pelo jovem pianista Rolando Luna executando Como Siento Yo. O tema, lento e instrumental, aumentou a expectativa para a entrada dos señores. Jesus “Aguaje” Ramos, 64 anos, trombone de vara, regendo o espetáculo. Gilberto “Papi” Oviedo,78, guitarra, e Barbarito Torres, 59, alaúde, sentadinhos. Manuel “Guajiro” Mirabal, 82, trumpete, engrossando o naipe de metais. Que figuras!

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Completado por três percussionistas (timbaus, congas e bongô), dois trompetistas, um baixista e os vocalistas Carlos Calunga e Idania Valdés, esse time levou a primeira parte do show portando-se, como era de se esperar, mais como uma banda tributo ao Buena Vista Social Club. Orlando “Cachaíto” Lopez (1933-2009), Ibrahim Ferrer (1927-2005) e Manuel Galbán (1931-2011) foram lembrados em vídeo enquanto Tumbao, Bruca Manigua e Marieta Lute evitavam que a saudade se transformasse em tristeza.

A situação muda quando aparece Omara Portuondo (com os fotógrafos proibidos de trabalhar). Aos 84 anos, “a mais bonita, a mais sexy”, conforme saudada por Ramos, locomove-se com dificuldade – até se esquecer de sua condição e virar dona do negócio. A grande dama da música cubana botou para quebrar.Em No Me Llores e Quizas Quizas Quizas, puxou palmas, levantou Papi para solar, insinuou passinhos de dança, pediu para o povo ficar de pé. Em Veinte Años e Besame Mucho, descansou soltando o vozeirão ao piano de Rolando.

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Omara deixou o palco para um dos maiores hits do grupo, Chan Chan, exibir imagens de Compay Segundo (1907-2003). Alguém estende uma bandeira de Cuba na beirada do palco. Antes do coxinha que pagou 450 paus pensar em protestar contra a “invasão comunista”, El Quarto de Tula recorda Pío Levya (1917-2006) e ameaça fechar a noite. No bis, com Omara novamente, Dos Gardenias e Candela reforçam a inutilidade das poltronas. Calunga e Barbarito ainda desviam do caminho do camarim para autografar a bandeira.

Tanto faz que ficou faltando Rubén González (1919-2003) no rol dos homenageados – segundo o setlist, o pianista seria invocado na primeira música (não rolou). Ou que, dos 14 em cena, apenas Barbarito, Mirabal e Omara restaram da formação original. Dizem que esta será a última turnê dos cubanos. Quem viu, viu; quem não viu, babau. Mas a despedida periga ser adiada: eles nem haviam se apresentado em Florianópolis e mais dois shows foram anunciadas pela organização do Jurerê Jazz para dezembro. Que isso se confirme sem mais ninguém no telão.

Jurerê Jazz: Simpatia e carisma de Madeleine Peyroux conquistam público no Teatro do CIC

17 de maio de 2015 0
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Simplicidade acentuou o requinte das canções (Foto: Diorgenes Pandini/Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

É comum chamar Madeleine Peyroux de diva. Atração do Jurerê Jazz neste sábado, no Teatro Ademir Rosa (CIC), em Florianópolis, a cantora americana mostrou que está mais para o oposto disso – pelo menos em relação à afetação e frescura que a designação pode sugerir. Despojada e simpática, ela brincou com as quase 900 pessoas que lotaram a casa, falou (e interpretou) em português e conquistou todo mundo com seu carisma.

Leia entrevista com Madeleine Peyroux

O cenário do show já dava uma ideia de simplicidade: um tapete, uma mesinha (com duas garrafas de água e uma folha com frases na língua local) e duas banquetas; uma para lady Peyroux; outra, para o guitarrista Jon Herington; com o baixista Barak Mori em pé logo atrás completando o trio. Formal estava era a plateia, sentada, de bico seco e em respeitoso silêncio. Mas a artista não demorou para quebrar o gelo e estabelecer uma empatia com o público.

colaA própria Madeleine tratou de debochar da imagem solene de tristeza que rotula sua obra. “Eu canto três tipos de música: canções de amor, blues (tristes) e canções de beber. Esta próxima música é perfeito para mim porque é todos os três de uma vez”, leu com sotaque gringo para introduzir Guilty, do grande Randy Newman. Quando na letra apareciam “whisky” e “cocaine”, lançava olhares marotos para as primeiras filas, arrancando risadas.

Sozinha no palco, somente com seu violão, ela honrou o sobrenome e entoou o clássico La Vie en Rose, acompanhado em francês insuspeito por parte da audiência. Com Herington e Mori já de volta, Madeleine homenageou o recém-falecido BB King em Got You on My Mind. Novamente com a ajuda da cola, anunciou Água de Beber (Tom Jobim) dizendo que “esta canção é meu entendimento poético favorito do amor. Ele diz que o amor é a água, e que nos estamos morrendo de sede”.

Foram também ovacionadas músicas de sua autoria, como Half the Perfect World, Don’t Wait Too Long ou Dance me to the End of Love. Contudo, nada superou os exatos 100 segundos de aplausos que a cantora recebeu ao encerrar a apresentação com Keep me in Your Heart. As palmas só cessaram com seu retorno para o bis com This is Heaven to me. Se isso é o céu para ela, para o público foi o paraíso.

setlist madeleine peyroux

Setlist
Take This Chains | By Bye Love | Between the Bars | Tango Till They’re Sore | Guilty | Fun Out of Life | Half the Perfect World | Don’t Wait Too Long | La Vie en Rose | Trampin’ | Easy Come Easy Go | Got You on My Mind | More Time | Changing Those Changes | Água de Beber | Dance me to the End of Love | Careless Love | Keep me in Your Heart | BIS: This Is Heaven to me | J’ai Deux Amours | Walkin’ After Midnight/I’m All Right

Kiss em Floripa: Deuses do rock existem e ainda são capazes do milagre da conversão

21 de abril de 2015 21

kiss5Foto: Marco Favero (Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

É provável que, para os integrantes do Kiss, o show desta segunda-feira (20) em Florianópolis tenha sido apenas mais um entre os quase 2500 já realizados pela banda desde 1973. Com certeza, para as milhares de pessoas (as estimativas iam de 8 mil a 12 mil) que lotaram o Devassa on Stage foi uma apresentação daquelas que irão se tornar cada vez maiores com o passar dos anos.

As duas maneiras totalmente opostas – uns que talvez não irão se lembrar, a não ser que tenham sofrido uma indisposição intestinal provocada por algum berbigão que não caiu bem; outros que não vão conseguir esquecer, salvo terem suas memórias apagadas pelo álcool – de encarar o mesmo evento resultaram em uma noite histórica, mágica e redentora.

:: Saiba como foi o pocket show exclusivo para 90 felizardos

:: Montagem do palco atrasa e fãs esperam debaixo de chuva

:: Galeria de imagens

Sim, a abertura dos portões atrasou mais de duas horas e a chuva deixou a espera ainda pior, além de borrar as maquiagens feitas com tanta dedicação pelos fãs. Não, não teve a estrutura completa, com a “aranha” metálica gigante com que a banda vem se apresentando em estádios, grande demais para o local. Ao contrário do divulgado pela produção, nem Gene Simmons nem Paul Stanley voaram sobre o público.

Mas só o fato de o Kiss estar estreando na cidade, escolhida para abrir a sétima turnê do grupo no país, bastou para superar quaisquer deficiências. Se a voz de Stanley já não tem mais a potência de outrora, aos 63 anos ele capricha na pronúncia de “Florianópolis” e fala sem parar entre as músicas. Simmons, 65, continua cuspindo sangue e fogo e mostrando sua língua sem freio.

O setlist se encarregou do resto, com duas horas de clássico atrás de clássico (arrepie-se com a lista abaixo). Quando se achava que o momento alto havia sido determinada música, vinha a seguinte e forçava uma reavaliação. I Love it Loud matou a pau! Não, War Machine! E Deuce, com o guitarrista Tommy Thayer juntando-se à coreografia de Simmons e Stanley? Uau, Calling Dr. Love! Lick it Up, inacreditável! Olha que baita vocal do batera Eric Singer em Black Diamond!

Na plateia, tiozinhos reencontravam-se com sua juventude, filhos descobriam porque os pais eram daquele jeito e todos erguiam os punhos no ritmo dos refrãos. O bis, gritando alto que foi feito para amar você com rock and roll a noite inteira, veio confirmar: em tempos de sertanejo, pagode e eletrônico, enquanto o Kiss existir um outro mundo sempre será possível.

Setlist:
– Detroit Rock City
– Creatures of the Night
– Psycho Circus
– I Love It Loud
– War Machine
– Do You Love Me?
– Deuce
– Hell or Hallelujah
– Calling Dr. Love
– Lick It Up
– God of Thunder
– Hide Your Heart
– Love Gun
– Black Diamond
BIS:
– Shout It Out Loud
– I Was Made For Lovin’ You
– Rock and Roll All Nite

É o Tchan transforma Cafe de
La Musique em palco de micareta

23 de março de 2015 0
Compadre Washington comandou a zoeira (Fotos: Leo Cardoso/Agência RBS)

Compadre Washington comandou a zoeira (Fotos: Leo Cardoso/Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

O “novo som de Salvador” foi feito há 20 anos. Parecia que havia sido lançado neste carnaval, tamanho o frenesi que o É o Tchan provocou neste domingo (22), no Cafe de La Musique, em Florianópolis. Assim que Paquerei – puxada pelo verso acima – começou, instaurou-se no ambiente um clima de micareta que duraria pelas duas horas seguintes. Ou enquanto tivesse champanha para irrigar os quadris e o juízo dos pagantes que ocuparam dois terços do local onde cabem 700 pessoas.

Confira imagens do show na galeria de fotos

Reposicionado no mercado graças a um comercial protagonizado por Compadre Washington, o grupo desembarcou na ilha com uma comitiva de 18 integrantes. Além dele e de Beto Jamaica, oito músicos (teclado, baixo, bandolim, bateria, saxofone e três percussionistas) se espremeram no pequeno palco da casa. As dançarinas não vieram – e nem precisava, já que a cada música fãs eram convidadas a se juntar à banda e tornar o espaço ainda mais apertado. “Mas tem que saber dançar, senão vai tomar vaia e descer”, avisava Washington.

Todas sabiam, desde as que se arriscaram a substituir Carla Perez, Scheila Carvalho e Sheila Mello até aquelas que se contentaram em reproduzir as coreografias em cima de bancos, mesas ou rebolando até o chão. O apelo continua sendo muito mais infantil do que malicioso, sobretudo quando regido pela memória afetiva: a maioria ainda usava fraldas no auge do grupo, na década de 90. Agora mulheres, voltaram a ser crianças com Melô do Tchan, Pega no Bumbum, Bambolê, Na Boquinha da Garrafa e A Nova Loira do Tchan, entre outros hinos do axé.

A nova música, Colar de Beijo, teve que ser ensinada por Jamaica. Não empolgou tanto quanto o cidadão que subiu ao palco e, sob as bênçãos de Washington, pediu a noiva em casamento. Ou a participação da cantora Diana Dias, que mandou Arerê. Dança da Cordinha fechou a apresentação com banho de champanha (“É tudo nosso, o dono que mandou”, incentivava o vocalista), não sem antes Jamaica anunciar duas novidades. Uma é que o grupo pretende fazer ensaios mensais na cidade. A outra é a confirmação do É o Tchan no Folianópolis, para alegria geral dos micareteiros.

Saiba como foi a inauguração do Café Matisse, no CIC, em Florianópolis

03 de março de 2015 2

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Cris Vieira, editora Anexo
cristina.vieira@diario.com.br

“Bem melhor do que um balcão com um vigilante para nos receber”. A observação do jornalista cultural Fifo Lima combinada a de outra colega, Adriana Krauss – “Não é o Matisse de antes, que era mais underground. Não é um bar. É outra proposta, uma cafeteria”  - arremata com precisão a atmosfera em torno do novo Café Matisse, inaugurado na noite de segunda-feira, no Centro Integrado de Cultura, em Florianópolis.

Saiba mais sobre a concessão

Obras do novo café começaram há um mês

Sobre a polêmica em torno da manutenção do nome – nas redes sociais, teve quem criticou a adoção de Matisse, já que remete o público a uma vivência que o novo café não irá recuperar -, Nadiesca Casarin, sócia-proprietária do Café, disse que depois de verificar que não havia registros em cartório do nome e de observar que Matisse era uma nomenclatura consolidada, optou-se por ele.

- Não é o mesmo Matisse. Mas é um café, é no CIC, tem ligação com cultura, pode receber uma noite de autógrafos ou uma atração cultural, ou seja, a gente quis resgatar uma história importante da cidade. Mais adiante temos a proposta de ter um bar e um palco – comentou Nadiesca.

Pouco depois, Filipe Mello, secretário de Cultura, Esporte e Turismo, confidenciou que está sendo estudado montar um palco logo atrás do bar, na rampa de acesso ao Teatro Ademir Rosa, para receber pequenos shows em dias que não tenha espetáculo no teatro.

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Acomodada onde ficava o “balcão de vigilantes”, no hall do CIC, a cafeteria vai funcionar a partir das 10h, com confortáveis 40 lugares (poltronas e mesas) e um aconchegante e longilíneo sofá de couro. No cardápio, poucos e bons: tapioca, crepes, carta de vinhos com rótulos da nossa serra e também franceses, espanhóis, argentinos e chilenos, além de cerveja Baden Baden (entre outras) e um bom número de opções de café. Atenção, amantes de doce, tem expresso com nutella! Os preços não são salgados, com um cafezinho custando a partir de R$ 3 e crepes em torno de vinte e poucos reais.

A “inauguração” poderia ter sido mais descolada, afinal é só um café num espaço cultural, mas teve um tom de cerimônia com discurso de Filipe, de Maria Teresinha Debatin, presidente da Fundação Catarinense de Cultura, e de Michel Becker, um dos sócios da Celeste Alimentos, empresa que venceu a licitação para instalação do novo Matisse. Não podemos ignorar, porém, que o bravo Luiz Zago arrebentando no piano, ali na entrada do CIC, foi uma escolha acertada e cool.

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No discurso, Filipe e Maria Teresinha ressaltaram que aquele era o pontapé inicial para um 2015 intenso na cultura. Um bom primeiro passo, de fato, é o Estado liderar o estreitamento do diálogo entre agentes culturais, poder público e empresariado interessado no setor para a convergência de ideias e ações que fomentem a cultura catarinense. Chamou atenção a pouca presença de agentes culturais na cerimônia.

Ter um café no CIC é bom. Dá vida ao lugar, que anda por demais às moscas, e este ano receberá eventos internacionais como a Bienal de Design e a exposição de Miró. Pode mesmo ser um espaço de encontro para boas e novas ideias à cultura. Por que não adotar o novo espaço, se apropriar do CIC e fazer valer o título de Centro Integrado de Cultura?

Dimitri Vegas & Like Mike promovem folia sem culpa e sem vergonha no Devassa On Stage

17 de fevereiro de 2015 1
(Fotos Leo Cardoso/Agência RBS)

Dupla de irmãos belgas foi recebida como grande atração pop (Fotos Leo Cardoso/Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

Tem coisas que só a eletrônica faz por você. Uma delas é transformar dois anônimos da periferia do planeta musical em atração com apelo internacional. Foi o que aconteceu nesta segunda-feira (16) no Devassa On Stage, em Florianópolis. Os donos da noite eram os belgas Dimitri Vegas & Like Mike. Os dois irmãos poderiam circular pela pista que não seriam reconhecidos. Mas causaram uma mobilização digna das maiores estrelas do pop.

Ou melhor, imobilização. A fila até o local, em Jurerê Internacional, chegava a 12 quilômetros e não era vencida em menos de duas horas. Para entrar, outra fila. Lá dentro, estava tão socado que, para se mexer, só seguindo o fluxo. Nada disso impediu o público de receber Dimitri Vegas & Like Mike com disposição sobrando para encharcar as roupas brancas sugeridas pelo dress code da festa – pedido atendido pela maioria das pessoas.

Confira a galeria de fotos da apresentação de Dimitri Vegas & Like Mike

Confira a cobertura completa do Carnaval em SC no blog Partiu Carnaval

Quando a dupla assumiu as picapes, às 3h45 de terça, os foliões imaculados já haviam virado baladeiros profissionais graças à vodca com energético. Dimitri pegou o microfone e, em português impecável, soltou um “putaquiopariu!” – o primeiro dos clichês que mandaria ao longo do set (veja lista abaixo). Estava dada a largada para 70 minutos de hedonismo sem culpa, sem juízo e sem vergonha. Qualquer excesso, é Carnaval, lembra?

O som de Dimitri Vegas & Like Mike é rotulada de electro house e big room house. Para o leigo, é “tecneira” – e das mais comerciais. Ou acessíveis: a dupla orgulha-se de ter 5,6 milhões de curtidas no Facebook, 1,5 milhão de seguidores no Twitter e 100 milhões de visualizações no YouTube. Se as redes sociais são parâmetro de sucesso, Florianópolis presenciou um fenômeno que viralizou mais do que seus criadores imaginariam.

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Troféu simpatia
Em nome do carisma, Dimitri Vegas & Like Mike recorreram a alguns velhos truques do showbusiness:

- “Make some noise!” e “Are you fucking ready?” (diversas vezes)
- Pausas dramáticas antes de largar as batidas
- Contagens regressivas
- Aceleradas crescentes
- Explosões de gelo seco

Observações finais
No caso de ser obrigado a dançar, um homem jamais pode esquecer destas duas regras:

- Não rebolar mais do que uma mulher.
- Não subir em algum lugar mais alto (exemplo: sofá de camarote).

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Baile do Presidente lota P12 Parador, em Jurerê Internacional

05 de janeiro de 2015 1

Foto: Léo Cardoso

Por: Julia Ayres
julia.vieira@rbsonline.com.br

Uma festa que parece saída do imaginário de um menino que quer ser jogador de futebol. Assim é o Baile do Presidente, evento promovido por Ronaldinho Gaúcho e que entrou no calendário de verão do P12 Parador e de Florianópolis. Uma profusão de mulheres bonitas, jogadores, cantores e a nata da cidade se reuniram neste domingo no mesmo ambiente com José Cuervos, Absoluts e Johnnie Walkers que piscavam e se sobressaiam no mar de gente. Tudo isso ao som de funk, eletrônico e pop.

A opulência da festa já podia ser vista a quilômetros de distância do parador em Jurerê Internacional. Carrões enfileirados e flanelinhas abanando notas de 50 e 100 reais. Do lado de dentro, a ostentação continuava com os bonés-mimo de R$ 100, mas também dava lugar aos que queriam apenas dançar até tarde. Na pista, um punhado de animados já segurava um lugar desde cedo e mostrava para que veio: rasteirinhas no pé e roupas confortáveis para se esbaldar ao som de Naldo, MC K9 e Buchecha. Na ‘varanda’, os jogadores paravam a cada dois passos para selfies, cumprimentos e beijinhos no rosto de fãs. André Santos, do Flamengo, Dida, do Internacional, Julio Baptista, do Cruzeiro, eram alguns dos requisitados. Aqui, as rasteirinhas davam lugar aos saltos altos, roupa justa e muito músculo à mostra.

Foto: Léo Cardoso

Mesmo que os dois públicos parecessem quase antagônicos no início da festa, foi só MC K9 subir ao palco, às 20h, que eles se fundiram. A área da pista lotou de mãos para o alto e pequenos grupos que dançavam quase que enfeitiçados. O MC preferiu um repertório repleto de clássicos do funk: Malha funk, Bonde do Tigrão, Hoje eu quero trair e Louquinha, que levou o público ao delírio. A participação especial ficou a cargo do vencedor do primeiro BBB, Kleber Bambam, que deu uma palhinha com “Ela é top”.

Foto: Léo Cardoso

Mc K9 abriu os trabalhos do Funk no P12

Às 21h, foi a vez de Naldo colocar o público para dançar com funks, pop e hip-hop. O cantor pouco cantou músicas próprias, o que ele queria mesmo era empolgar o público e colocar todo mundo para pular. Mas claro, “Amor de Chocolate” foi a mais esperada e a mais reverenciada quando tocou. Aquelas características batidas iniciais foram o suficiente para que não sobrasse espaço na pista de dança e que o camarote lotasse de uma maneira impressionante.

Naldo Benny colocou todo mundo para dançar

Naldo Benny colocou todo mundo para dançar

E quem estava no camarote, aliás, foram os únicos que puderam ver outra presença ilustre da festa: o ‘papai’ MC Catra. Ele ficou os shows inteiros perto do palco tirando selfies e sorrindo simpático para todos que gritavam: “o papai chegou, o papai chegou”. Tudo devidamente registrado no Instagram do cantor de pagode Mumuzinho, um dos organizadores da festa.

A selfie de Cléber Bambam com Mr. Catra

A selfie de Cléber Bambam com Mr. Catra

"Uh, Papai Chegou!"

“Uh, Papai Chegou!”

Uma hora depois, o ritmo forte das batidas dos dois primeiros cantores foi substituído por um mais light, mais sutil. Buchecha fechou à noite do Baile do Presidente com uma setlist que mostrou um pouco de seus quase 20 anos de carreira. Os hits mais atuais como Conquista e Hot Dog dividiram espaço com “Fico assim sem você”.

Sempre simpático e receptivo, Bochecha recebeu a reportagem no camarim

Sempre simpático e receptivo, Bochecha recebeu a reportagem no camarim

Chegava ao fim uma das festas mais intensas de Florianópolis. Agora só restava aos frequentadores guardarem os bonés – sem aba reta – do Baile do Presidente e esperarem a próxima edição no ano que vem.

 

O enigmático Deadmau5 e sua passagem por Florianópolos

31 de dezembro de 2014 1

 

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Não, o trânsito não atrapalhou. A casa lotou. Mas a sensação é de que o público chegou espaçadamente. Até umas 23h30min, chegaram os locais, manezinhos e agregados da Grande Floripa, sábios de que numa terça de verão, entre o Natal e o Ano Novo, alcançar o estacionamento do Devassa On Stage e parar o carro logo ali nas primeiras vagas, perto das cancelas, é para os fortes.

Os turistas foram chegando depois, de modo que a 1h, quando pontualmente Deadmau5 subiu ao palco, a pista do Devassa On Stage estava lotada.

Semana tem ainda David Guetta, Hardwell, Nervo e Bob Sinclair em SC

Fernando e Sorocaba agitaram o Cafe de La Musique

O cara é enigmático.  O adereço de mouse, a iluminação sombria, os beats pesados logo no primeiro minuto. Tudo cria um clima de mistério e endeusamento em torno de Deadmau5. O público delira e o reverencia.

A estratégia de marketing do atual número 16 do mundo é bem-sucedida. Deadmau5 quase não mostra o rosto. Quando tira a máscara de rato, a iluminação fica praticamente nula e ele ainda usa um boné. Simplesmente não dá pra ver seu rosto. O DJ também não  costuma conceder entrevistas, faz poucas apresentações e evita grandes festivais. Foi inflexível sobre o horário de subir ao palco.O Dj local Zabot foi avisado cinco minutos antes da 1h que deveria deixar o palco. Uma hora ainda tocava, quando a equipe de produção entrou no palco e começou a tirar a mesa do DJ para trazer a de Deadmau5. 

 

O produtor musical canadense, nascido Joel Thomas Zimmerman, aposta na vertente electro e progressive house. O set foca no seu álbum de 2014, While, que contém os singles Avaritia e Seeya.

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Deadmau5 tocou por exatas uma hora e trinta minutos. Mandou bem, mas não foi explosivo. Na maior parte da apresentação, não acelerou. E o público por vezes pediu: vai, Deadmau5. Mas não. Ele ficou numa monotonia meditativa, que deu sono em certo momento, a ponto do público se entreter com um drone que voou sobre as pessoas, registrando imagens do Devassa lotado.

Mas Life is a Loop entrou às 2h30min e, aí sim, a noite ferveu. Depois de Floripa, Deadmau5 voou até Balneário Camboriú e se apresentou na mesma noite no Music Park de lá.

 

As cores de Eli Heil se apropriam do Masc, em Florianópolis

11 de dezembro de 2014 0

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Foram muitas selfies – muitas mesmo – de um público admirado e apaixonado pela obra dela. Eli Heil tirou todas as fotos, sempre atenciosa, sempre sorrindo e caminhando com a sua bengala por todos os corredores do Masc. A exposição Eli Heil 85 anos abriu na noite de quarta-feira, no Museu de Arte de Santa Catarina, no CIC. Lotou, como era esperado, de amantes de arte aficionados por conferir e reconhecer a obra de uma catarinenses reconhecida mundo afora.

“Explosão de cores e formas na obra de 60m da artista Eli Heil…. Inacreditável sua capacidade e intensidade de criação” comentou Simone Bobsin, a jornalista especializada em arquitetura e decoração.

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A mostra é a maior retrospectiva da artista de Palhoça, que acumula 52 anos de carreira. Estão expostas 180 obras, organizadas por décadas, passando pelos anos 1970, 1980, 1990 e 2000.

Leia mais sobre a exposição

As cores estão presentes em todas os corredores, independentemente das décadas, mas é interessante notar como os tons e a força das cores destoam de uma década pra outra. Na leva anos 90, há uma certa suavidade – pelo menos foi assim que sentiu esta leiga observadora. Nos anos 2000, o nu feminino e masculino fica mais evidente.

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Muitas das obras são inéditas para o público. Chamam atenção os painéis de grandes dimensões — dois de 22 metros e um de 32m de comprimento produzidos entre 2003 em 2008.

- Apesar de estar acostumada com exposições, fico emocionado. Tenho ficado muito em casa, então, é emocionante ver tanta gente, tanto carinho.

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A exposição fica até 22 de março em cartaz no Masc. Vale demais o passeio pelas cores de Eli.

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O quê: Exposição Eli Heil — 85 anos
Quando: hoje, às 19h30min (abertura). Visitação até 22 de março, de terça a sábado, das 10h às 20h30min. Domingos e feriados, das 10h às 19h30min
Onde: Museu de Arte de Santa Catarina (Av. Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica, Florianópolis)
Quanto: gratuito
Informações: (48) 3664-2630 e (48) 3664-2631