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Rádio Loquaz, do grupo Dromedário Loquaz: arte que transforma. Não deixe de ver

06 de novembro de 2014 0

Rádio Loquaz Ator Sérgio Bellozupko Foto Cristiano Prim

Sérgio Dimas Bellozupko e Cezar Pizetta Fotos Cristiano Prim/Divulgação

Por Cris Vieira

A arte pode nos salvar. Os técnicos da psiquê, da ONU, os sociólogos… Estes devem ter explicações científicas para a afirmação.

A frase ia e voltava em minha mente durante todo a performance do excelente Rádio Loquaz _ ZYK 693 Pausas de Se Ouvir, da balzaquiana trupe Dromedário Loquaz (a peça segue em cartaz até domingo em Florianópolis). Suponho que minha explicação ao pensamento seja mais vira-lata. Mesmo assim, compartilho:

A arte - a de verdade, não o entretenimento com o objetivo fugaz de reproduzir consumismos e estereótipos - é de uma beleza seminal e promove um encontro com o humano, com o “nós”, tipo, dá liga. “Insightei”, vem um ahhhh, faz sentido. Espontaneamente, enquanto se consome cultura da boa, o corpo desfaz couraças, relaxa, conecta-se com o que realmente vale a pena. O mundo feroz lá de fora fica feio, intransigente. No sense. Dá-se um passo em direção à compreensão das coisas da vida. Ri-se ao espectador do lado para, quem sabe, deixar o teatro para mudar comportamentos.

Leia mais sobre o espetáculo

Quando se apresenta um grupo como o Dromedário Loquaz, com DNA de Isnard Azevedo, há uma dignidade nata e um respeito mútuo entre público e cia. Rádio Loquaz começa com um baile. E, nós, espectadores podemos dançar sambas clássicos e/ou cantar “há um bíquini de bolinha amarelinho…” Com uma tacinha de champanhe nas mãos, servida na entrada.

Poucos dos 40 presentes - número máximo de plateia para a peça - dançam. A maioria observa. Mas o riso, aquele da conexão, está ali.

Rádio Loquaz Ator Vilson Rosalino Foto Cristiano Prim

Vilson Rosalino em ação

Os seis atores posicionam-se entre nós. Tão perto que é possível sentir a tensão da estreia, perceber a desenvoltura da expressão corporal e a concentração para atuar imune ao barulho do ventilador. O lugar também ajuda a criar o clima de magnitude. O Museu da Escola Catarinense, espaço revitalizado e devolvido ao Centro da cidade pela Mostra Casa e Cia do ano passado (promovida pelo Diário Catarinense), é por si só nobre.

A peça é para celebrar os 33 anos do grupo Dromedário Loquaz. Mas há pouca referência no texto sobre a história da trupe, apenas no início quando o grupo afirma: resistimos.

O meio rádio é o protagonista. O espetáculo é transmitido ao vivo pela internet. Ruídos permeiam todo a peça.
As divas do rádio são interpretadas, e a cor local dá o ar de sua graça. Interpreta-se a catarinense Neide Mariarrosa, cantando Eu Sou Assim, de Zininho. Eugenio Menegaz toca piano ao vivo. Aplausos!

As notícias de ontem que poderiam ser de hoje são o momento bem humorado e crítico da peça. Destaque para a reprodução de uma notícia de rádio de 1985 sobre o transporte coletivo local: tem poucos horários e não tem ônibus depois da meia- noite, justo em uma cidade turística?!?!

Rádio LOquaz Atri Diana Adada Padilha Foto Cristiano Prim
Mas a trama prende mesmo a atenção do público quando começa a radionovela. O amor nos tempos de guerra entre Gerturd e Hermann é interpretado com sapiência, seja no figurino, na sonoplastia ou na qualidade da atuação de Cezar Pizetta e Diana Adada Padilha (foto). Transporta o público aos áureos tempos do rádio.

Aplausos, agora, de pé. O belo Dromedário está de volta entre nós. Não deixe de ver.

 

Agende-se
O quê: espetáculo Rádio Loquaz _ ZYK 693 Pausas de Se Ouvir
Quando: de hoje a domingo e dia 28, às 21h; dias 29 e 30, às 20h e 22h
Onde: Museu da Escola Catarinense (Rua Saldanha Marinho, 196, Centro, Florianópolis)
Quanto: R$ 20 / R$ 10 (meia), à venda. Os ingressos, limitados a 40, devem ser reservados pelo telefone (48) 9971-3128 e retirados na hora