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Posts na categoria "jazz"

Jurerê Jazz: Baile cubano do Buena Vista Social Club faz poltronas do CIC tornarem-se inúteis

19 de maio de 2015 8
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Aguaje, Barbarito e Papi Oviedo (sentados): nostalgia sem espaço para a tristeza (fotos: Marco Fávero/Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

Principal atração da quinta edição do Jurerê Jazz, o Buena Vista Social Club encerrou o festival com um show que só não transformou o Teatro do CIC em um salão de baile cubano porque as cadeiras impediram. Ao contrário de um certo clima melancólico que permeia mesmo as músicas mais ligeiras de seu único disco de estúdio (gravado em 1987), ao vivo o grupo emana uma vibração que acaba contagiando inclusive os momentos mais intimistas da apresentação em Florianópolis.

O frisson que a orquestra provoca pôde ser sentido já na abertura, com o palco ocupado somente pelo jovem pianista Rolando Luna executando Como Siento Yo. O tema, lento e instrumental, aumentou a expectativa para a entrada dos señores. Jesus “Aguaje” Ramos, 64 anos, trombone de vara, regendo o espetáculo. Gilberto “Papi” Oviedo,78, guitarra, e Barbarito Torres, 59, alaúde, sentadinhos. Manuel “Guajiro” Mirabal, 82, trumpete, engrossando o naipe de metais. Que figuras!

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Completado por três percussionistas (timbaus, congas e bongô), dois trompetistas, um baixista e os vocalistas Carlos Calunga e Idania Valdés, esse time levou a primeira parte do show portando-se, como era de se esperar, mais como uma banda tributo ao Buena Vista Social Club. Orlando “Cachaíto” Lopez (1933-2009), Ibrahim Ferrer (1927-2005) e Manuel Galbán (1931-2011) foram lembrados em vídeo enquanto Tumbao, Bruca Manigua e Marieta Lute evitavam que a saudade se transformasse em tristeza.

A situação muda quando aparece Omara Portuondo (com os fotógrafos proibidos de trabalhar). Aos 84 anos, “a mais bonita, a mais sexy”, conforme saudada por Ramos, locomove-se com dificuldade – até se esquecer de sua condição e virar dona do negócio. A grande dama da música cubana botou para quebrar.Em No Me Llores e Quizas Quizas Quizas, puxou palmas, levantou Papi para solar, insinuou passinhos de dança, pediu para o povo ficar de pé. Em Veinte Años e Besame Mucho, descansou soltando o vozeirão ao piano de Rolando.

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Omara deixou o palco para um dos maiores hits do grupo, Chan Chan, exibir imagens de Compay Segundo (1907-2003). Alguém estende uma bandeira de Cuba na beirada do palco. Antes do coxinha que pagou 450 paus pensar em protestar contra a “invasão comunista”, El Quarto de Tula recorda Pío Levya (1917-2006) e ameaça fechar a noite. No bis, com Omara novamente, Dos Gardenias e Candela reforçam a inutilidade das poltronas. Calunga e Barbarito ainda desviam do caminho do camarim para autografar a bandeira.

Tanto faz que ficou faltando Rubén González (1919-2003) no rol dos homenageados – segundo o setlist, o pianista seria invocado na primeira música (não rolou). Ou que, dos 14 em cena, apenas Barbarito, Mirabal e Omara restaram da formação original. Dizem que esta será a última turnê dos cubanos. Quem viu, viu; quem não viu, babau. Mas a despedida periga ser adiada: eles nem haviam se apresentado em Florianópolis e mais dois shows foram anunciadas pela organização do Jurerê Jazz para dezembro. Que isso se confirme sem mais ninguém no telão.

Jurerê Jazz: Simpatia e carisma de Madeleine Peyroux conquistam público no Teatro do CIC

17 de maio de 2015 0
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Simplicidade acentuou o requinte das canções (Foto: Diorgenes Pandini/Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

É comum chamar Madeleine Peyroux de diva. Atração do Jurerê Jazz neste sábado, no Teatro Ademir Rosa (CIC), em Florianópolis, a cantora americana mostrou que está mais para o oposto disso – pelo menos em relação à afetação e frescura que a designação pode sugerir. Despojada e simpática, ela brincou com as quase 900 pessoas que lotaram a casa, falou (e interpretou) em português e conquistou todo mundo com seu carisma.

Leia entrevista com Madeleine Peyroux

O cenário do show já dava uma ideia de simplicidade: um tapete, uma mesinha (com duas garrafas de água e uma folha com frases na língua local) e duas banquetas; uma para lady Peyroux; outra, para o guitarrista Jon Herington; com o baixista Barak Mori em pé logo atrás completando o trio. Formal estava era a plateia, sentada, de bico seco e em respeitoso silêncio. Mas a artista não demorou para quebrar o gelo e estabelecer uma empatia com o público.

colaA própria Madeleine tratou de debochar da imagem solene de tristeza que rotula sua obra. “Eu canto três tipos de música: canções de amor, blues (tristes) e canções de beber. Esta próxima música é perfeito para mim porque é todos os três de uma vez”, leu com sotaque gringo para introduzir Guilty, do grande Randy Newman. Quando na letra apareciam “whisky” e “cocaine”, lançava olhares marotos para as primeiras filas, arrancando risadas.

Sozinha no palco, somente com seu violão, ela honrou o sobrenome e entoou o clássico La Vie en Rose, acompanhado em francês insuspeito por parte da audiência. Com Herington e Mori já de volta, Madeleine homenageou o recém-falecido BB King em Got You on My Mind. Novamente com a ajuda da cola, anunciou Água de Beber (Tom Jobim) dizendo que “esta canção é meu entendimento poético favorito do amor. Ele diz que o amor é a água, e que nos estamos morrendo de sede”.

Foram também ovacionadas músicas de sua autoria, como Half the Perfect World, Don’t Wait Too Long ou Dance me to the End of Love. Contudo, nada superou os exatos 100 segundos de aplausos que a cantora recebeu ao encerrar a apresentação com Keep me in Your Heart. As palmas só cessaram com seu retorno para o bis com This is Heaven to me. Se isso é o céu para ela, para o público foi o paraíso.

setlist madeleine peyroux

Setlist
Take This Chains | By Bye Love | Between the Bars | Tango Till They’re Sore | Guilty | Fun Out of Life | Half the Perfect World | Don’t Wait Too Long | La Vie en Rose | Trampin’ | Easy Come Easy Go | Got You on My Mind | More Time | Changing Those Changes | Água de Beber | Dance me to the End of Love | Careless Love | Keep me in Your Heart | BIS: This Is Heaven to me | J’ai Deux Amours | Walkin’ After Midnight/I’m All Right

Festival Internacional de Vinho e Jazz abre com pianista que tocou com Jimi Hendrix

08 de janeiro de 2015 0
David Bennett Coen foi a grande atração da primeira noite  (Marco Favero/Agência RBS)

David Bennett Coen foi a grande atração da primeira noite (Cleir Machado/Divulgação)

O Festival Internacional de Vinho e Jazz prossegue hoje, em Florianópolis, com shows da Grão Cia de Dança, Bruna Martini, Brass Groove Brasil, Alex Sipiagin, Luiz Gustavo Zago e Hiske Oosterwijk. Em sua primeira noite, na última quarta-feira (7), a maior atração foi David Bennett Cohen. O pianista nova-iorquino integrou a banda Country Joe & The Fish na década de 1960 e participou de trabalhos de grandes artistas, como Jimi Hendrix, Johnny Winter e Mick Taylor.

Leia mais sobre o Festival

Com um currículo desses, Cohen subiu ao palco da pousada Ocenomare, no Rio Vermelho, com o jogo já ganho. Mas quem conquistou mesmo o público que lotou o espaço, com capacidade para 500 pessoas, foi o guitarrista do trio que o acompanhava. Dave “Doc” French solou, cantou, assoviou e brincou com a plateia, convocando todos para se levantar e dançar. Pedido feito, pedido aceito – ainda mais se levarmos em conta a oferta de 100 rótulos de tintos, brancos, rosés e espumantes provenientes de 20 países, com 10 degustações a módicos R$ 20.

Trupe Toe surpreendeu o público com sapateado (Marco Favero/Agência RBS)

Trupe Toe surpreendeu o público com sapateado (Marco Favero/Agência RBS)

A noite começou com os nativos da Cia Trupe Toe, que sapatearam ao som de composições autorais e clássicos da MPB como Upa Neguinho. Na sequência, o também florianopolitano Trio Ponteio mostrou uma mistura de milonga, chacarera, tango, baião e outros ritmos regionais. O grupo divide dois integrantes com o quarteto Brasil Papaya, que o sucedeu com incursões no rock, preparando o terreno para o blues de Cohen.

Trio Ponteio misturou ritmos regionais, como milonga e baião (Marco Favero/Agência RBS)

Trio Ponteio misturou ritmos regionais, como milonga e baião (Marco Favero/Agência RBS)

Após a agitada apresentação do pianista, o clima ficou mais sossegado, na batida da bossa nova do brasiliense radicado na Capital catarinense Gustavo Messina. O carioca Trio da Paz fechou a programação deixando para quem estava lá a vontade de voltar nas noites seguintes. O festival vai até domingo e ainda terá shows do percussionista nascido em Trinidad Othello Molineaux, da cantora carioca Maucha Adnet e do chileno Jorge Díaz Trio, entre as 30 atrações programadas.

O quê: 1º Festival Internacional de Vinho e Jazz
Quando: 7 a 11 de janeiro, a partir das 18h
Onde: Pousada Oceanomare (Rod. João Gualberto Soares, 5.158, Rio Vermelho, Florianópolis)
Quanto: R$ 110 / R$ 55 (meia-entrada e sócios Clube do Assinante DC), R$ 143 (com jantar) e R$ 330 (pacote para os cinco dias sem jantar). Há também pacotes com hospedagem. Degustação de vinhos: R$ 30 (15 degustações) e R$ 20 (10 degustações). Ingressos à venda no local e nos sites Blueticket e Ingresso Rápido

Informações: (48) 3269-7200 / festivaldevinhoejazz.com.br

Com Paquito D´Rivera e Jurerê Jazz, Floripa mostra sua vibe instrumental

16 de outubro de 2014 0

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Fotos Cristiano Estrela (Agência RBS)

A noite estava agradabilíssima – temperatura gostosa, lugar adequado para o tamanho do show e música no mais alto nível de qualidade. Quem apostou em ir ao Teatro Pedro Ivo, na noite de quarta-feira, só se deu bem. O cubano Paquito D´Rivera, o mestre contemporâneo do saxofone, deu um show de simpatia, swing e boa música, ao lado do Trio Corrente, em mais uma atração do Jurerê Jazz.

 Leia mais sobre Paquito D´Rivera

Sem doses exageradas de empolgação, o show rolou por pouco mais de uma hora, mantendo uma linha tênue e tranquila. De um lado, a admiração de um público confortavelmente sentado, que aplaudia sentado e soltava um Owwww a cada final de música. No palco, um quarteto virtuose, que se divertia passeando por composições próprias, músicas de Songs of Maura (disco de Paquito que levou o Grammy deste ano como melhor álbum de jazz latino)  e também autores clássicos brasileiros como Jacob do Bandolim.

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Paquito (ao Centro), acompanhado de Fabio Torres (piano), Paulo Paulelli (instrumentos de corda) e o manezinho Edu Ribeiro

Paquito brincou com o público em quase todo o show, sugerindo que certamente todos comprariam o disco dele, à venda do lado de fora do teatro. Também celebrou o “manezito” Edu Ribeiro, tocando uma composição do catarinense, dizendo ser ele um dos maiores bateristas do Brasil e também pedindo aplausos para o pai de Edu, que estava na plateia. Depois das palmas, brincou com o pai de Edu:

“Amanhã no almoço, quero feijão, capirinha…”

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O teatro estava praticamente lotado, o que mostra que Floripa tem mesmo identificação com a música instrumental - assim se constatou há cerca de um mês com o Acústico Brognoli 

O Jurerê Jazz também faz o seu papel, mantendo uma agenda recorrente de bons shows  por aqui, a exemplo de Paquito.

Na noite desta quinta, a partir das 20h30min, no hotel Il Campanário, em Jurerê, ocorre uma jam session para convidados  com Paquito e o Trio Corrente. O ingresso do show de ontem vale para a jam de hoje. Essa será imperdível! Informações e resevas pelo email clube@jurerejazz.com  e pelo fone 3261-6014.

 

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Ele não perde uma chance de brincar com o público