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Posts na categoria "Música"

Racionais em Floripa: confira uma galeria de fotos do show na madrugada deste sábado

08 de agosto de 2015 0

O relógio já marcava 2h45min desta sábado, quando os Racionais MC´s subiram ao palco do Music Park, em Jurerê, Florianópolis, para  o primeiro show em Santa Catarina da turnê de 25 anos dos ícones do rap nacional.

Uma massa de fãs apaixonados esperava ansiosa para cantar junto os hinos de Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue, Kl Jay, acompanhados do restante da família Racionais (os rappers nunca sobem ao palco sozinho)

O fotógrafo do DC Marco Favero fotografou o grupo durante as três primeiras músicas – período autorizado pela produção. Confira detalhes dos caras em ação em Florianópolis:

O fotógrafo Diorgenes Pandini também registrou o show e a galera curtindo os Racionais. Confira:

Racionais MC's em Florianópolis: cada vez mais Preto Zica do que Negro Drama

08 de agosto de 2015 5
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“Nas ruas da sul eles me chamam Brown/ Maldito, vagabundo, mente criminal” (Fotos Marco Fávero/Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

O bagulho continua louco, a parada podia ser mais forte e o processo foi lento, mas depois que bateu passou rapidinho. O show dos Racionais MC’s marcado para a noite de sexta (7) em Florianópolis começou no sábado, quase seis horas após a abertura do Devassa on Stage. Em 75 minutos a partir do single Mil Faces de um Homem Leal (Marighella), a banda deu seu trabalho por concluído.

Confira uma galeria de fotos do show

O público que lotava a casa ainda alimentou a expectativa de que Vida Loka (Parte 2), anunciada como a saideira, fosse somente a deixa para o bis. Apenas quando ficou claro que seria aquilo mesmo a rapaziada procurou as saídas, lá pelas quatro da manhã, dividida em relação ao que havia acabado de presenciar.

Edi Rock: “Quem de alma nua atua na sua mente/ Faz você achar que o azar é só mero presente”

Satisfeita por ter visto o maior nome do rap nacional ao vivo, mandando clássicos dos 25 anos de carreira como Negro Drama, Jesus Chorou ou Da Ponte pra Cá. Todas são do álbum duplo Nada Como um Dia Após o Outro Dia, de 2002, e tiveram suas letras cantadas verso a verso (e são muitos) pela plateia.

E frustrada com a brevidade do show, refletindo a curta duração do disco que dominou o set list, Cores e Valores. Apesar de – ou por – elevar a estética racional a outro patamar, com mais camadas de significados do que o simples papo reto, o trabalho lançado no ano passado não está sendo digerido facilmente pelos fãs.

Pelo menos, não pelos locais. Petardos com a força de Preto Zica, Você me Deve e Quanto Vale o Show perderam-se em meio à indiferença e a torcida para que a seguinte trouxesse outro hino conhecido. O som também não ajudou, uma maçaroca que tornava os vocais ininteligíveis e embolava todas as nuanças das bases.

Nas músicas mais antigas isso era contornado pelo coro da racinha. Nas novas, comprometeu, aumentando o desinteresse – principalmente nas partes comandadas pelos quatro rappers (Helião e Lino Crizz entre eles) que acompanham o grupo. É que o pessoal pagou e esperou para ouvir Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue e o DJ KL Jay, não eles nem os quatro DJs extras na bancada.

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Juntando com o gari mascarado (acima) que chacoalhou o tempo inteiro no palco, tinha momentos que eram 13 integrantes em cena a diluir o que já estava disperso. Os Racionais, tão zelosos de sua imagem de rua, pareciam aqueles artistas que ao crescer enchem o palco com backing vocais, naipe de metais, tecladeira e dançarinos.

A tendência é o lance se tornar cada vez mais produzido, “profissional”. O grupo montou produtora própria, a Boogie Naipe. O logotipo da empresa ocupou o telão do cenário durante a abertura com Lurdez da Luz e Karol Conka. Na medida do possível, as duas driblaram a impaciência reinante com rimas sob uma perspectiva feminina e batidões.

A marca foi trocada para a grande atração da noite. Quando restaram só os DJs e nada de Brown, Rock e Blue voltarem, a caveira que a substituiu permanecia lá no fundo, testemunhando a reação geral.

Acústico Brognoli 2015: de Skrotes a Bichos Escrotos

15 de junho de 2015 4
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O titã Paulo Miklos e o guitarrista Luiz Carlini foram as principais atrações do espetáculo (fotos: Diorgenes Pandini (Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

O Acústico Brognoli 2015 fez o teatro do Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis, lotar em uma noite chuvosa e fria de domingo (14) para um show de rock. Com o titã Paulo Miklos e o guitarrista Luiz Carlini como atrações principais, o gênero –  um pouco mais velho do que a sexagenária empresa promotora – foi o grande homenageado em duas horas de espetáculo. Que, de acústico, só teve o nome.

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A celebração começou com os Skrotes (acima) subvertendo todos os clichês roqueiros. Nem guitarra – o maior símbolo do estilo – o trio tem! Mas tem atitude para encarar 900 pessoas prontas para escutar Satisfaction (ou algum outro lugar-comum) com inclassificáveis passagens instrumentais. Chico Abreu (baixo elétrico), Igor de Patta (teclado) e Guilherme Ledoux (bateria) serviram um coquetel de jazz, metal, bossa nova, reggae e sabe-se lá mais o quê, sem facilitar. Mesmo quando forneceram a base para o guitarrista Juliano Diniz, entortaram bonito as versões de Stevie Wonder e Iron Maiden.

A vocalista do grupo Faraway, Mércia Maruk, tratou de trazer as coisas para um terreno mais familiar à plateia, interpretando Mercedes Benz (Janis Joplin) à capela e Velha Roupa Colorida (Elis Regina) acompanhada apenas pelo piano. Grego, da banda DasAntigas, continuou na onda com Stairway to Heaven (Led Zeppelin) e Love of My Life (Queen), até que as guitarras finalmente apareceram.

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Primeiro com André Seben (ex-Os Chefes) e Marcel Coelho (Tribuzana), da formação que iria permanecer no palco até o final, completada por Adauto Charnesky (baixo, Dazaranha), Sérgio Negrão (vocais, Quarteto Banho de Lua) e Adriano Barvik (bateria). Em seguida, com o primeiro medalhão da noite, Luiz Carlini. Após executar o tema Sleep Walk (clássico da surf music gravado em 1959 por Santo & Johnny) sentado, deslizando os dedos sobre as cordas com a técnica slide, ele abriu o baú de histórias.

Contou que conheceu a cidade em 1972 cruzando a ponte Hercílio Luz de ônibus com Rita Lee a a banda Tutti Frutti, que já produziu dois discos do Dazaranha e que iria tocar uma música dos Mutantes que viu sendo composta. Era Ando Meio Desligado, com direito a citação de Do it Again (Steely Dan). Da antiga parceria, vieram Ovelha Negra, Jardins da Babilônia e Agora Só Falta Você, culminando com Rock Das Aranhas (Raul Seixas). Conclusão: como vocalista, Carlini é um excelente guitarrista.

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A cortina se abriu pela última vez para a entrada de Paulo Miklos com Sonífera Ilha. Negrão tentou ensiná-lo uma versão alternativa da letra – “sonhei ver a ilha” –, mas o titã não captou, de tão elétrico que estava. Simpaticão, sem parar um minuto, convidou todos para engrossar o coro em Pra Dizer Adeus, Diversão e É Preciso Saber Viver.

No encerramento, com Carlini de volta em Bichos Escrotos, causou certo desconforto em ouvidos bairristas ao bradar “porque aqui em Florianópolis só bicho escroto é o que vai ter”, imediatamente absolvido por botar o CIC inteiro para gritar “vão se f*”. Tanto que o público não arredou pé enquanto não voltaram para o bis, com mais um Raul, Aluga-se. Missão cumprida.

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DETALHE
O par de botas animal print usado por Luiz Carlini chamou a atenção de todo mundo, mas o único que teve autoridade para tocar no assunto foi Paulo Miklos. Ao ver o colega ajeitando os pedais da guitarra com o tal calçado, o titã não se conteve e tirou um sarro: “Mas você vai tocar com isso?”

Jurerê Jazz: Baile cubano do Buena Vista Social Club faz poltronas do CIC tornarem-se inúteis

19 de maio de 2015 8
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Aguaje, Barbarito e Papi Oviedo (sentados): nostalgia sem espaço para a tristeza (fotos: Marco Fávero/Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

Principal atração da quinta edição do Jurerê Jazz, o Buena Vista Social Club encerrou o festival com um show que só não transformou o Teatro do CIC em um salão de baile cubano porque as cadeiras impediram. Ao contrário de um certo clima melancólico que permeia mesmo as músicas mais ligeiras de seu único disco de estúdio (gravado em 1987), ao vivo o grupo emana uma vibração que acaba contagiando inclusive os momentos mais intimistas da apresentação em Florianópolis.

O frisson que a orquestra provoca pôde ser sentido já na abertura, com o palco ocupado somente pelo jovem pianista Rolando Luna executando Como Siento Yo. O tema, lento e instrumental, aumentou a expectativa para a entrada dos señores. Jesus “Aguaje” Ramos, 64 anos, trombone de vara, regendo o espetáculo. Gilberto “Papi” Oviedo,78, guitarra, e Barbarito Torres, 59, alaúde, sentadinhos. Manuel “Guajiro” Mirabal, 82, trumpete, engrossando o naipe de metais. Que figuras!

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Completado por três percussionistas (timbaus, congas e bongô), dois trompetistas, um baixista e os vocalistas Carlos Calunga e Idania Valdés, esse time levou a primeira parte do show portando-se, como era de se esperar, mais como uma banda tributo ao Buena Vista Social Club. Orlando “Cachaíto” Lopez (1933-2009), Ibrahim Ferrer (1927-2005) e Manuel Galbán (1931-2011) foram lembrados em vídeo enquanto Tumbao, Bruca Manigua e Marieta Lute evitavam que a saudade se transformasse em tristeza.

A situação muda quando aparece Omara Portuondo (com os fotógrafos proibidos de trabalhar). Aos 84 anos, “a mais bonita, a mais sexy”, conforme saudada por Ramos, locomove-se com dificuldade – até se esquecer de sua condição e virar dona do negócio. A grande dama da música cubana botou para quebrar.Em No Me Llores e Quizas Quizas Quizas, puxou palmas, levantou Papi para solar, insinuou passinhos de dança, pediu para o povo ficar de pé. Em Veinte Años e Besame Mucho, descansou soltando o vozeirão ao piano de Rolando.

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Omara deixou o palco para um dos maiores hits do grupo, Chan Chan, exibir imagens de Compay Segundo (1907-2003). Alguém estende uma bandeira de Cuba na beirada do palco. Antes do coxinha que pagou 450 paus pensar em protestar contra a “invasão comunista”, El Quarto de Tula recorda Pío Levya (1917-2006) e ameaça fechar a noite. No bis, com Omara novamente, Dos Gardenias e Candela reforçam a inutilidade das poltronas. Calunga e Barbarito ainda desviam do caminho do camarim para autografar a bandeira.

Tanto faz que ficou faltando Rubén González (1919-2003) no rol dos homenageados – segundo o setlist, o pianista seria invocado na primeira música (não rolou). Ou que, dos 14 em cena, apenas Barbarito, Mirabal e Omara restaram da formação original. Dizem que esta será a última turnê dos cubanos. Quem viu, viu; quem não viu, babau. Mas a despedida periga ser adiada: eles nem haviam se apresentado em Florianópolis e mais dois shows foram anunciadas pela organização do Jurerê Jazz para dezembro. Que isso se confirme sem mais ninguém no telão.

Bárbara Sweet entrou nas batalhas de rap para azedar o machismo dentro e fora dos palcos

17 de maio de 2015 0
A rapper mineira Barbara Sweet é doce, mas só enquanto não ataca o machismo (Foto: Barbara Sweet, Divulgação)

Sweet ganhou dos homens nas duas batalhas que participou na Ilha

A rapper Bárbara Sweet quebrou a banca e ganhou na batalha de rap (disputa de improvisação de rimas) que aconteceu neste sábado (17) na Udesc, durante a programação da II SAPo (Semana de Arte Popular). A mineira chegou em Florianópolis na quarta (14) e participou da tradicional Batalha da Alfândega – que acontece toda quinta-feira, no Centro -, onde também levou a melhor em cima de todos os homens com quem disputou.

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Post que a rapper fez depois de vencer a Batalha da Alfândega na quinta (14)

Nascida na capital mineira com o nome Bárbara Bretas Coelho, Sweet foi uma das primeiras a se se popularizar no “rap das minas“. Este movimento cresce cada vez mais, com as mulheres ocupando o ritmo tradicionalmente conhecido por seus expoentes masculinos, como Racionais MCs, Criolo e Emicida.

Saiba mais: show do Facção Central é cancelado em Florianópolis

A rapper, em para o Anexo Em Cartaz, contou um pouco como é ser mulher, feminista e ativa nesse cenário:

- O que a gente fez em Minas Gerais transformou muita coisa. A gente conectou as “muié” – explicou Bárbara Sweet, falando sobre as mulheres que hoje participam das batalhas de rap.

- É um espaço de empoderamento “sinistro” para mulher. Às vezes elas falam “Ah, eu fui na batalha e o cara me chamou de vadia, falou dos meus peitos, falou da minha bunda” e eu respondo “Mano, quantas vezes o cara já te chamou de vadia na rua? Quantas vezes o cara já falou dos seus peitos e da sua bunda na frente de uma obra? Aproveita que na batalha você tem um minuto e meio pra responder”.

No palco da II SAPo, a mineira de irreconhecíveis 29 anos e alcunha doce desvelou a amargura do machismo dos oponentes, todos homens. Como ela mesma diz, essa maioria masculina e machista é “coisa bem comum nesses espaços”.

- Na batalha a galera responde. Sabe por quê? Porque, na batalha, você quer ver o oprimido virar rei.

Jurerê Jazz: Simpatia e carisma de Madeleine Peyroux conquistam público no Teatro do CIC

17 de maio de 2015 0
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Simplicidade acentuou o requinte das canções (Foto: Diorgenes Pandini/Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

É comum chamar Madeleine Peyroux de diva. Atração do Jurerê Jazz neste sábado, no Teatro Ademir Rosa (CIC), em Florianópolis, a cantora americana mostrou que está mais para o oposto disso – pelo menos em relação à afetação e frescura que a designação pode sugerir. Despojada e simpática, ela brincou com as quase 900 pessoas que lotaram a casa, falou (e interpretou) em português e conquistou todo mundo com seu carisma.

Leia entrevista com Madeleine Peyroux

O cenário do show já dava uma ideia de simplicidade: um tapete, uma mesinha (com duas garrafas de água e uma folha com frases na língua local) e duas banquetas; uma para lady Peyroux; outra, para o guitarrista Jon Herington; com o baixista Barak Mori em pé logo atrás completando o trio. Formal estava era a plateia, sentada, de bico seco e em respeitoso silêncio. Mas a artista não demorou para quebrar o gelo e estabelecer uma empatia com o público.

colaA própria Madeleine tratou de debochar da imagem solene de tristeza que rotula sua obra. “Eu canto três tipos de música: canções de amor, blues (tristes) e canções de beber. Esta próxima música é perfeito para mim porque é todos os três de uma vez”, leu com sotaque gringo para introduzir Guilty, do grande Randy Newman. Quando na letra apareciam “whisky” e “cocaine”, lançava olhares marotos para as primeiras filas, arrancando risadas.

Sozinha no palco, somente com seu violão, ela honrou o sobrenome e entoou o clássico La Vie en Rose, acompanhado em francês insuspeito por parte da audiência. Com Herington e Mori já de volta, Madeleine homenageou o recém-falecido BB King em Got You on My Mind. Novamente com a ajuda da cola, anunciou Água de Beber (Tom Jobim) dizendo que “esta canção é meu entendimento poético favorito do amor. Ele diz que o amor é a água, e que nos estamos morrendo de sede”.

Foram também ovacionadas músicas de sua autoria, como Half the Perfect World, Don’t Wait Too Long ou Dance me to the End of Love. Contudo, nada superou os exatos 100 segundos de aplausos que a cantora recebeu ao encerrar a apresentação com Keep me in Your Heart. As palmas só cessaram com seu retorno para o bis com This is Heaven to me. Se isso é o céu para ela, para o público foi o paraíso.

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Setlist
Take This Chains | By Bye Love | Between the Bars | Tango Till They’re Sore | Guilty | Fun Out of Life | Half the Perfect World | Don’t Wait Too Long | La Vie en Rose | Trampin’ | Easy Come Easy Go | Got You on My Mind | More Time | Changing Those Changes | Água de Beber | Dance me to the End of Love | Careless Love | Keep me in Your Heart | BIS: This Is Heaven to me | J’ai Deux Amours | Walkin’ After Midnight/I’m All Right

Jurerê Jazz: A família inteira se divertiu de graça com o Blue Etílicos no Jurerê Open Shopping

10 de maio de 2015 1
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Todo mundo sentadinho para curtir a banda carioca (Fotos: Bruno Ropelato, Divulgação)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

O delta do Mississippi está a quase 9 mil quilômetros de distância, uísque nem pensar e my baby ficou em casa. Os clichês do blues não fizeram falta para umas 500 pessoas curtirem o Blues Etílicos neste sábado (9/5) no Jurerê Open Shopping, em Florianópolis. Rio por rio, o Papaquara passa ali pertinho (e tem a praia a duas quadras), todos os bares do calçadão vendiam cerveja e a família inteira se divertiu com o show gratuito da banda carioca na quinta edição do festival Jurerê Jazz.

Com 30 anos de estrada no lombo, o Blues Etílicos comportou-se de acordo com a ocasião: como se estivesse em happy hour. Afinal, eram apenas 19h. Com o gaitista Flávio Guimarães e o guitarrista Greg Wilson (EUA no passaporte, Rio de Janeiro no sotaque) revezando-se nos vocais, o quinteto sentiu-se à vontade para animar a plateia com músicas e histórias.

Confira entrevista com o gaitista, Flávio Guimarães

Quando anunciou Puro Malte entre um gole e outro de cerveja, Guimarães contou que a banda gosta tanto da gelada que já fabricou uma com seu nome para comercializar – “mas bebemos tudo” – e ensinou o refrão, uma ode às artesanais.Wilson (abaixo, à esq.) lembrou da primeira música do grupo a tocar na rádio, A Safra de 63, e explicou que todos haviam nascido naquele ano. No fundo, o baterista Pedro Strasser tirava sarro sinalizando que não.

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A guitarra de Otávio Rocha (acima) ensaiou levar o povo ao transe emulando um berimbau (berimblues?) no toque de capoeira que precede Dente de Ouro. A presença da música brasileira no som da banda também incrementou a versão de Coração Cristalino, de Alceu Valença. Na saideira, Cerveja confirmou a impressão de que o show poderia ter sido mais agitado sem as fileiras de cadeiras à frente do palco.

Segundo Jean Mafra, da produção do festival, chegou a ser cogitada a hipótese de deixar todo mundo em pé, não somente quem ocupasse as laterais ou se acomodasse lá atrás. Mas a intenção ao dispor de lugar para sentar era exatamente atrair um público que, em outras circunstâncias, talvez não se empolgasse para vir. Pois não só veio, como voltou para casa ainda a tempo de pegar a novela.

Criolo apresenta em Florianópolis show de Convoque Seu Buda

02 de maio de 2015 2

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O rapper Criolo passou por Florianópolis na noite de sexta-feira, com o show da turnê de seu terceiro álbum, Convoque Seu Buda, lançado em novembro do ano passado e que ainda não tinha passado por Santa Catarina. O show ocorreu no Lagoa Iate Clube (Lic), em Florianópolis, mesmo lugar da última apresentação (setembro de 2014) do rapper paulista em SC.

Em entrevista ao Anexo, Criolo fala do novo disco, dos Racionais, faz uma declaração de amor aos palcos e lembra o show do ano passado no LIC

Em uma hora e meia de puro espetáculo, Criolo mostrou-se ainda melhor. Um show bem resolvido, com um ótimo aparato de iluminação, construído a partir de Convoque Seu Buda, mas mesclando de maneira certeira hinos de Nó na Orelha(álbum de 2011 que o consagrou), como Não Existe Amor em SP e Subirusdoistiozin. Sons cantados em coro por um público apaixonado por seu ídolo, que chegava a gritar: “Criolo, Criolo, Criolo”, no intervalo entre uma música e outra. Aliás rapazes, as belas meninas – tinha mesmo muitas mulheres bonitas no show – e casais de namorado mostraram que são uma legião de fãs fiéis: também levaram no gogó as novas músicas do terceiro álbum – destaque para a explosão com Convoque Seu Buda, música que abriu o show. Cartão de Visita transformou o LIC num perfeito bailinho black. Côsa Linda.

Talvez a experiência, talvez a proximidade de Ivete Sangalo (o cantor viaja o Brasil ao lado da experiente musa baiana no Projeto Nívea Viva, que homenageia Tim Maia) tenham tornado Criolo ainda mais profissional. Ele está mais à vontade nas conversas, brincadeiras e interação com o público. Mantém seus momentos de transe, de showman – em que se entrega à musicalidade da sua superbanda, orquestrada pelos produtores Daniel Ganjaman, Marcelo Cabral e DJ DanDan - este eterno parceiro de Criolo, ainda nos tempos de Criolo Doido, antes de Nós na Orelha.

Segue com o tom profético de suas apresentações e discursos, proclamando “mais amor sempre” , evocando a “energia do universo” e lembrando que “todo mundo tem um lado bom”. É, sem dúvida, um cara de palco – capaz de colocar uma multidão para dançar, cantar e celebrar com ele (se você ainda não foi a um show de Criolo, meu amigo, sério, você está marcando). Mas está mais objetivo,, finalizando bem cada som e chamando o coro do público na hora certa.

Ficou a sensação de que o LIC, e sua vibe salão de formatura, é pouco estruturado para receber um artista no nível de Criolo. Ainda assim quem foi acordou neste sábado de alma lavada.

 

Kiss em Floripa: Deuses do rock existem e ainda são capazes do milagre da conversão

21 de abril de 2015 21

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Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

É provável que, para os integrantes do Kiss, o show desta segunda-feira (20) em Florianópolis tenha sido apenas mais um entre os quase 2500 já realizados pela banda desde 1973. Com certeza, para as milhares de pessoas (as estimativas iam de 8 mil a 12 mil) que lotaram o Devassa on Stage foi uma apresentação daquelas que irão se tornar cada vez maiores com o passar dos anos.

As duas maneiras totalmente opostas – uns que talvez não irão se lembrar, a não ser que tenham sofrido uma indisposição intestinal provocada por algum berbigão que não caiu bem; outros que não vão conseguir esquecer, salvo terem suas memórias apagadas pelo álcool – de encarar o mesmo evento resultaram em uma noite histórica, mágica e redentora.

:: Saiba como foi o pocket show exclusivo para 90 felizardos

:: Montagem do palco atrasa e fãs esperam debaixo de chuva

:: Galeria de imagens

Sim, a abertura dos portões atrasou mais de duas horas e a chuva deixou a espera ainda pior, além de borrar as maquiagens feitas com tanta dedicação pelos fãs. Não, não teve a estrutura completa, com a “aranha” metálica gigante com que a banda vem se apresentando em estádios, grande demais para o local. Ao contrário do divulgado pela produção, nem Gene Simmons nem Paul Stanley voaram sobre o público.

Mas só o fato de o Kiss estar estreando na cidade, escolhida para abrir a sétima turnê do grupo no país, bastou para superar quaisquer deficiências. Se a voz de Stanley já não tem mais a potência de outrora, aos 63 anos ele capricha na pronúncia de “Florianópolis” e fala sem parar entre as músicas. Simmons, 65, continua cuspindo sangue e fogo e mostrando sua língua sem freio.

O setlist se encarregou do resto, com duas horas de clássico atrás de clássico (arrepie-se com a lista abaixo). Quando se achava que o momento alto havia sido determinada música, vinha a seguinte e forçava uma reavaliação. I Love it Loud matou a pau! Não, War Machine! E Deuce, com o guitarrista Tommy Thayer juntando-se à coreografia de Simmons e Stanley? Uau, Calling Dr. Love! Lick it Up, inacreditável! Olha que baita vocal do batera Eric Singer em Black Diamond!

Na plateia, tiozinhos reencontravam-se com sua juventude, filhos descobriam porque os pais eram daquele jeito e todos erguiam os punhos no ritmo dos refrãos. O bis, gritando alto que foi feito para amar você com rock and roll a noite inteira, veio confirmar: em tempos de sertanejo, pagode e eletrônico, enquanto o Kiss existir um outro mundo sempre será possível.

Setlist:
– Detroit Rock City
– Creatures of the Night
– Psycho Circus
– I Love It Loud
– War Machine
– Do You Love Me?
– Deuce
– Hell or Hallelujah
– Calling Dr. Love
– Lick It Up
– God of Thunder
– Hide Your Heart
– Love Gun
– Black Diamond
BIS:
– Shout It Out Loud
– I Was Made For Lovin’ You
– Rock and Roll All Nite

Cabral descobriu o Brasil e o Brasil ainda não descobriu Di Melo

18 de abril de 2015 0
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O recifense mostrou dois lados de uma carreira de mais de 40 anos (Foto: Diórgenes Pandini)

Por Giuliano Bianco.

Nascido no dia 22 de abril, feriado de descobrimento do país verde-e-amarelo, Di Melo comemorou seu aniversário de 66 anos sexta-feira, 17, em sua primeira apresentação na Ilha. O pernambucano, com mais de 400 músicas inéditas – 100 delas gravadas – e dois livros escritos e “não lançados por falta de Senhor José do Patrocínio”, se imortalizou com as 12 faixas gravadas em 1975. Do set list do show em Floripa, metade era composta deste trabalho e a outra metade de um repertório ainda desconhecido, saído dos outros nove discos do artista.

 

Di Melo começou cantando, na ordem, as três primeiras músicas do disco que o imortalizou, feito em parceria com caras como Hermeto Pascoal e Heraldo do Monte. Com Kilariô, seguida de A Vida em Seus Métodos Diz Calma e Aceito Tudo, o recifense mostrou logo porque foi lembrado e descoberto pelo público jovem, mesmo depois de três décadas desaparecido da mídia, chegando a ser tido como morto. Até  ser “revivido” pelo documentário O Imorrível, alcunha convenientemente adotada por ele.

Segundo a produção do evento, 900 pessoas se apertaram em frente ao palco, cantando até o momento em que Di Melo revelou: estava ali comemorando seu aniversário. Então a lotação do Green Park Music Hall cantou Parabéns para Você e deu a devida atenção ao cara que sobreviveu de bicos e apresentações noturnas em bares de São Paulo, como o lendário Bar Jogral, onde compôs e cantou parte do álbum que o tornaria “imortal”. Atenção negada nos anos 70; devolvida, décadas depois, ao “bonitinho, quentinho, fofinho, cheirosinho e gostosinho” cantor, fazendo justiça ao quilate histórico do artista.

 

Depois da comemoração, ele começou a mostrar o que fez além de 1975, cantando músicas mais recentes – e românticas-, como Fator Temporal, Engano ou Castigo e Milagre. O público, uma maioria de jovens que não passava de 30 anos e nunca tinha ido ao Bar Jogral, não conseguiu acompanhar.

Mesmo com a presença de centenas de jovens dando o alvará para a “imortalidade” de Di Melo, para a importância do álbum que reuniu soul, funk, MPB e pitada de tango de uma maneira vanguardista. Ainda que seja inegável a importância daquele gordinho esbanjando swing & balanço em cima do palco. O público mostrou que não descobriu nada além do que pode ser encontrado facilmente no YouTube. Então ele cantou sozinho metade do repertório, mostrando que tem tanto trabalho a ser desbravado, quanto Cabral tinha ao descobrir o Brasil.

 

Set list
Kilariô
A Vida Em Seus Métodos Diz Calma
Aceito Tudo
Fator Temporal
Milagre
Minha Estrela
Se o Mundo Acabasse em Mel
Conformópolis
Engano ou Castigo
Barulho de Fafá
Navalha
Multicheiro
Kiprocô de Patrono
Pernalonga
Kilariô (BIS)